{"id":6046,"date":"2013-10-25T07:21:10","date_gmt":"2013-10-25T07:21:10","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=6046"},"modified":"2015-12-04T19:07:36","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:36","slug":"fraude-e-outras-estrategias-empresariais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=6046","title":{"rendered":"Fraude e outras estrat\u00e9gias empresariais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta,\u00a0Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/fraude-outras-estrategias-empresariais\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/I_Fraude045.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>H\u00e1 quem considere na Comiss\u00e3o Europeia que o recurso a pr\u00e1ticas de planeamento fiscal agressivo por parte das empresas n\u00e3o \u00e9 coerente<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o de que a fraude se encontra entre os meios que as empresas multinacionais t\u00eam vindo a utilizar para atingir os seus objetivos n\u00e3o chocar\u00e1 ningu\u00e9m nos dias que correm. Seria poss\u00edvel referir uma mir\u00edade de comportamentos recentes deste tipo. Muitos deles foram at\u00e9 levados a cabo por empresas tidas como socialmente respons\u00e1veis. O imenso rol de exemplos de tais comportamentos, que v\u00e3o do caso da Enron \u00e0s fraudes recentes cometidas por bancos em todo o mundo, passando pela elis\u00e3o fiscal de numerosas empresas, deveria ser suficiente para inculcar em n\u00f3s uma atitude de grande suspei\u00e7\u00e3o e at\u00e9 cinismo perante a ret\u00f3rica da \u00e9tica empresarial e da responsabilidade social das empresas.<\/p>\n<p>Perante tal rol, \u00e9 para mim uma enorme surpresa que haja ainda quem pense que as grandes multinacionais possam ser exemplos de cidadania ou que o capitalismo possa salvar alguma coisa. Afinal, n\u00e3o s\u00f3 a Enron era conhecida pelas suas pr\u00e1ticas de responsabilidade social e publicava excelentes relat\u00f3rios sociais e ambientais, como os seus administradores, Ken Lay e Jeffrey Skilling, condenados por fraude em 2006, eram aparentemente fervorosos promotores da \u00e9tica empresarial e da responsabilidade social das empresas.<\/p>\n<p>Relativamente aos in\u00fameros casos de fraude e corrup\u00e7\u00e3o de responsabilidade dos maiores bancos mundiais, o caso da manipula\u00e7\u00e3o da Libor pelo Barclays \u00e9 provavelmente o melhor conhecido. Ora, o Barclays gozava de uma s\u00f3lida reputa\u00e7\u00e3o de ser socialmente respons\u00e1vel e publica regularmente relat\u00f3rios de cidadania empresarial (basta consultar a sua p\u00e1gina web: http:\/\/group.barclays.com\/about-barclays\/citizenship). O caso do Goldman Sachs \u00e9 muito semelhante ao do Barclays. O papel nefasto desempenhado por este banco na crise financeira de 2008 e na crise grega n\u00e3o \u00e9 coerente com a imagem de cidadania empresarial que tenta fazer passar (consulte-se a p\u00e1gina web deste banco: http:\/\/www.goldmansachs.com\/citizenship\/). At\u00e9 as ag\u00eancias de rating publicam relat\u00f3rios de responsabilidade social.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem considere na Comiss\u00e3o Europeia que o recurso a pr\u00e1ticas de planeamento fiscal agressivo por parte das empresas n\u00e3o \u00e9 coerente com a no\u00e7\u00e3o de responsabilidade social das empresas. N\u00e3o obstante, como descrito num relat\u00f3rio recente de um centro para investiga\u00e7\u00e3o das actividade das multinacionais baseado na Holanda, o SOMO, 19 das 20 maiores multinacionais portuguesas, incluindo a EDP, l\u00edder mundial das Utilities nos \u00edndices Dow Jones de Sustentabilidade, recorrem actualmente a empresas-fachada na Holanda para reduzirem ao m\u00ednimo poss\u00edvel os impostos a pagar. Todas estas empresas s\u00e3o seguramente \u201csocialmente respons\u00e1veis\u201d, pelo menos a avaliar pela sua associa\u00e7\u00e3o ao Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (BCSD \u2013 Portugal) e pela publica\u00e7\u00e3o de sofisticados relat\u00f3rios de sustentabilidade por parte da maioria delas, os quais s\u00e3o tamb\u00e9m disponibilizados na p\u00e1gina web daquela organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre as muitas afirma\u00e7\u00f5es que s\u00e3o atribu\u00eddas a Marx (o comediante, n\u00e3o o cientista social), a seguinte parece ser uma das que melhor se aplica \u00e0 nossa realidade: \u201cOs segredos do sucesso nos neg\u00f3cios s\u00e3o a honestidade e a transpar\u00eancia. Se for capaz de as fingir, voc\u00ea conseguiu.\u201d Pelo menos, durante algum tempo. Afinal, parece que a \u00e9tica e a responsabilidade social empresariais s\u00e3o tratadas pelas multinacionais como se de qualquer outro tipo de estrat\u00e9gia se tratassem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta,\u00a0Jornal i H\u00e1 quem considere na Comiss\u00e3o Europeia que o recurso a pr\u00e1ticas de planeamento fiscal agressivo por parte das empresas n\u00e3o \u00e9 coerente<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-6046","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6046","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6046"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6046\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6076,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6046\/revisions\/6076"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6046"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6046"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6046"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}