{"id":5560,"date":"2013-09-27T11:01:42","date_gmt":"2013-09-27T11:01:42","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=5560"},"modified":"2015-12-04T19:07:36","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:36","slug":"a-hora-improdutiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=5560","title":{"rendered":"A hora (im)produtiva&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia,\u00a0Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/hora-improdutiva\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=5878\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>Pela sua natureza, os servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o s\u00e3o linhas de montagem de uma qualquer f\u00e1brica de produ\u00e7\u00e3o industrial<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p>Ciclicamente, sobretudo em momentos de crise mais apertada, como \u00e9 o que atravessamos, vem a p\u00fablico o discurso da necessidade de reestrutura\u00e7\u00e3o do Estado. Invariavelmente, esse discurso provoca ondas de choque com os mais d\u00edspares sentidos. Cria-se uma teia de argumentos, fundamentada em raz\u00f5es v\u00e1lidas e atend\u00edveis, como sejam a redu\u00e7\u00e3o de custos, a procura de maior efic\u00e1cia e qualidade dos servi\u00e7os ou os direitos dos funcion\u00e1rios. Na pr\u00e1tica estes argumentos t\u00eam-se traduzido numa barreira ao avan\u00e7o do processo. Talvez por isso, os sucessivos governos acabam por n\u00e3o conseguir passar de medidas pontuais, tomadas fora de uma estrat\u00e9gia que as contextualize, como vimos em \"A Remodela\u00e7\u00e3o do Estado - Quest\u00e3o-chave Para o Futuro<span style=\"color: #000000;\">\"<\/span> (<a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/VisaoE224.pdf\" target=\"_blank\">ver artigo<\/a>).<\/p>\n<p>O exemplo mais recente traduz-se no aumento de uma hora por dia no hor\u00e1rio de trabalho dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos e, alegadamente, destina-se a incrementar a produtividade dos servi\u00e7os da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Como as anteriores, ela est\u00e1 a suscitar as mais diversas reac\u00e7\u00f5es, quer de apoio quer de rep\u00fadio.<\/p>\n<p>Esta reflex\u00e3o procura apontar alguns dos potenciais efeitos pr\u00e1ticos que, com alguma probabilidade, considero, podem derivar da adop\u00e7\u00e3o da medida e que a afastam dos seus prop\u00f3sitos.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar verificamos que, pela sua natureza, os servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o s\u00e3o (nem assim devem ser vistos) linhas de montagem de uma qualquer f\u00e1brica de produ\u00e7\u00e3o industrial, em que facilmente se associa uma maior produtividade ao aumento do hor\u00e1rio de labora\u00e7\u00e3o. Se, em certo sentido, uma associa\u00e7\u00e3o desta natureza se pode fazer em \u00e1reas de contacto com o cidad\u00e3o (de balc\u00e3o), em todas as outras parece-nos claramente que assim n\u00e3o seja. Al\u00e9m do mais, o contacto com os servi\u00e7os atrav\u00e9s de linhas inform\u00e1ticas (servi\u00e7os online) tem vindo a reduzir a procura ao balc\u00e3o e as necessidades de pessoal nestas fun\u00e7\u00f5es. No entanto esta talvez seja a \u00e1rea dos servi\u00e7os p\u00fablicos em que fa\u00e7a sentido a medida agora avan\u00e7ada.<\/p>\n<p>No mais, parece-nos claramente que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Os servi\u00e7os s\u00e3o integrados essencialmente por tr\u00eas grupos de funcion\u00e1rios: os mais zelosos, sempre dispon\u00edveis e motivados para a execu\u00e7\u00e3o de todas as tarefas (a quem se recorre, por se saber da certeza e da qualidade do seu trabalho); depois, talvez o grupo maior, os que desenvolvem as tarefas de forma correcta, com um ritmo pr\u00f3prio, com maior ou menor motiva\u00e7\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o da utilidade que associam \u00e0s suas tarefas; e um grupo residual, que se pode considerar improdutivo, pouco zeloso e desmotivado, que passa grande parte do tempo a discutir os projectos, para invariavelmente invocar a sua inutilidade e n\u00e3o participar neles.<\/p>\n<p>A nova medida n\u00e3o produzir\u00e1 grandes efeitos sobre o primeiro grupo, uma vez que estes funcion\u00e1rios s\u00e3o os que geralmente ficavam at\u00e9 mais tarde ou levavam trabalho para casa, de modo a conclu\u00edrem atempadamente e com qualidade as suas tarefas. Quanto ao segundo grupo, admite-se que a medida contribua para os desmotivar e fazer com que baixem o ritmo de trabalho. Para os terceiros, ela \u00e9 apenas mais um argumento para questionar e invocar.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, bem vistas as coisas, a medida n\u00e3o incrementar\u00e1 muito mais do que os consumos de energia el\u00e9ctrica, de \u00e1gua, de telefone, de papel e tinta das impressoras e dos acessos a p\u00e1ginas e a jogos da internet, com o correspondente custo que lhes est\u00e1 associado...<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia,\u00a0Jornal i Pela sua natureza, os servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o s\u00e3o linhas de montagem de uma qualquer f\u00e1brica de produ\u00e7\u00e3o industrial<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-5560","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5560","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5560"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5560\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5887,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5560\/revisions\/5887"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5560"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}