{"id":49744,"date":"2026-07-16T09:00:00","date_gmt":"2026-07-16T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49744"},"modified":"2026-07-15T18:30:19","modified_gmt":"2026-07-15T18:30:19","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-151","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49744","title":{"rendered":"\u00a0A corrup\u00e7\u00e3o tem sotaque, n\u00e3o endere\u00e7o"},"content":{"rendered":"\n<p><span><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(216, 7, 15);\">Aldo Andretta, <span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">OBEGEF<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Facebook147.pdf\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2032\" style=\"width:26px;height:auto\" title=\"Ficheiro PDF\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em><em>Chamamos de corrup\u00e7\u00e3o quando \u00e9 dinheiro p\u00fablico. Chamamos de \u201cproblema de compliance\u201d quando \u00e9 dinheiro privado. O crime \u00e9 o mesmo \u2014 s\u00f3 o eufemismo muda de nome. E quando a intelig\u00eancia artificial entra em campo? Ser\u00e1 que a identifica\u00e7\u00e3o se torna eficaz!<\/em><\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma cena que se repete, com pequenas varia\u00e7\u00f5es de roteiro, em dois mundos que fingimos separados. No primeiro, um preg\u00e3o p\u00fablico aparece uma \u00fanica empresa para concorrer, sendo que existem outras capazes de fazer o mesmo trabalh\u00e3o. Ou cinco empresas concorrentes e, misteriosamente, cada uma delas \"ganha a sua vez\", num rod\u00edzio t\u00e3o previs\u00edvel que soa a coreografia.<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo, um departamento de compras qualquer, dentro de uma empresa qualquer, aprova por anos o mesmo fornecedor, a pre\u00e7os levemente acima do mercado, sem que ningu\u00e9m nunca questione o porqu\u00ea. Trocamos o cargo de pol\u00edtico por crach\u00e1 de colaborador, e a fraude nem percebeu a diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 essa a provoca\u00e7\u00e3o que insiste em voltar toda vez que se estuda corrup\u00e7\u00e3o e fraude interna lado a lado: s\u00e3o o mesmo crime. \u00c9 l\u00f3gico que quando falamos de fraude p\u00fablica, existe uma legisla\u00e7\u00e3o que faz a prote\u00e7\u00e3o de todo este sistema, enquanto a corrup\u00e7\u00e3o e fraude interna acabam caindo na legisla\u00e7\u00e3o comum. Acho que aqui est\u00e1 uma das grandes diferen\u00e7as entre as duas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tire a bandeira do \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico e o timbre da empresa privada, e o que resta \u00e9 id\u00eantico. Uma rede de relacionamentos que n\u00e3o aparece no organograma. S\u00f3cios ocultos atr\u00e1s de CNPJs de fachada. Lances ou cota\u00e7\u00f5es combinados antes mesmo de a disputa come\u00e7ar. O cartel de licita\u00e7\u00e3o e o conluio entre comprador e fornecedor corporativo n\u00e3o s\u00e3o parentes distantes: s\u00e3o o mesmo desenho estrutural, apenas hospedado em contratos diferentes. Muda o p\u00fablico que financia o preju\u00edzo, o contribuinte de um lado, o acionista do outro, mas a engenharia por tr\u00e1s do desvio \u00e9 rigorosamente a mesma.<\/p>\n\n\n\n<p>E aqui entendo ser uma outra diferen\u00e7a, pois os valores envolvidos em contratos p\u00fablicos s\u00e3o, em sua grande maioria, muito maiores que os contratos estabelecidos pelas empresas, o que torna o primeiro muito mais atrativo que o segundo. Esta \u00e9 a segunda grande diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Se h\u00e1 um dado que deveria doer mais do que qualquer valor desviado, \u00e9 o tempo. Pesquisas do setor apontam que uma fraude interna leva, em m\u00e9dia, um ano para ser descoberta dentro de uma empresa. Doze meses de sil\u00eancio, de faturas aprovadas, de assinaturas distra\u00eddas. E o que se v\u00ea no setor p\u00fablico segue a mesma curva: o controle tradicional auditoria, den\u00fancia, revis\u00e3o manual \u2014 quase sempre chega depois que o estrago j\u00e1 aconteceu. O verdadeiro custo da corrup\u00e7\u00e3o nunca foi s\u00f3 o dinheiro desviado. Foi o tempo em que ningu\u00e9m olhou.<\/p>\n\n\n\n<p>A boa not\u00edcia, se \u00e9 que existe uma nessa hist\u00f3ria, \u00e9 que o modelo de controle est\u00e1 mudando de endere\u00e7o. Ele deixou de morar no julgamento do gestor, naquele momento em que algu\u00e9m desconfia de um recibo ou estranha um fornecedor recorrente, e passou a morar na pr\u00f3pria arquitetura do processo. O sistema aprende a sinalizar antes da aprova\u00e7\u00e3o, n\u00e3o depois do preju\u00edzo. Isso vale para a plataforma que audita contratos p\u00fablicos tanto quanto para o sistema que processa reembolsos de despesas dentro de uma empresa comum. A vigil\u00e2ncia deixou de ser um ato de suspeita humana para se tornar uma condi\u00e7\u00e3o estrutural do pr\u00f3prio luxo, invis\u00edvel, cont\u00ednua, anterior ao clique.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o podemos nos esquecer de que o uso da intelig\u00eancia artificial na detec\u00e7\u00e3o de fraudes se torna ferramenta indispens\u00e1vel para o \u201ccompliance\u201d p\u00fablico ou privado, sendo que as fraudes mais comuns ser\u00e3o identificadas de maneira muito mais r\u00e1pida. Mas qual ser\u00e1 a complexidade de identifica\u00e7\u00e3o para as fraudes que s\u00e3o criadas com o uso da intelig\u00eancia artificial?<\/p>\n\n\n\n<p>E se os agentes p\u00fablico e privado se juntam e contam com o uso da intelig\u00eancia artificial para conseguirem seu intento criminoso. Quais dos controles ser\u00e3o efetivos para identifica\u00e7\u00e3o dessas fraudes \u2013 o do setor p\u00fablico ou do privado?<\/p>\n\n\n\n<p>E quando estas fraudes dependem exclusivamente do fator humano. Qual tecnologia ser\u00e1 utilizada para identificar a inten\u00e7\u00e3o delituosa?<\/p>\n\n\n\n<p>Quem ganhar\u00e1 a competi\u00e7\u00e3o pela descoberta da fraude? N\u00e3o temos uma reposta precisa neste momento, mas \u00e9 certo que h\u00e1 muitos achados a serem feitos pelo caminho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E fica uma incomoda: se a intelig\u00eancia artificial agora enxerga o que o auditor, o gestor e o conselho fiscal n\u00e3o enxergavam quem audita a inten\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s do clique que a m\u00e1quina n\u00e3o v\u00ea? Porque toda tecnologia de controle, por mais sofisticada que seja, ainda depende de uma decis\u00e3o humana anterior, a de agir diante do que foi sinalizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto a este ponto, aliado a tecnologia, est\u00e1 o processo, que precisa ser muito bem desenhado para n\u00e3o acontecer o que j\u00e1 vimos por aqui: um auditor auditando, determinando os valores a serem ressarcidos de impostos e ele pr\u00f3prio liberando os valores para as empresas (e para el tamb\u00e9m). Processo falho + agente p\u00fablico mal-intencionado + agente privado disposto a ter mais lucros = corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente se, p\u00fablica ou privada a corrup\u00e7\u00e3o e a fraude s\u00f3 esperam sua vez de ser lembrada, quer dizer, descoberta e para que isso aconte\u00e7a, o uso da tecnologia ser\u00e1 indispens\u00e1vel!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Espero que tenham aproveitado este contributo!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aldo Andretta, OBEGEF Chamamos de corrup\u00e7\u00e3o quando \u00e9 dinheiro p\u00fablico. Chamamos de \u201cproblema de compliance\u201d quando \u00e9 dinheiro privado. O crime \u00e9 o mesmo \u2014 s\u00f3 o eufemismo muda de nome. E quando a intelig\u00eancia artificial entra em campo? 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