{"id":49665,"date":"2026-04-17T20:06:43","date_gmt":"2026-04-17T20:06:43","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49665"},"modified":"2026-04-19T20:10:17","modified_gmt":"2026-04-19T20:10:17","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-418","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49665","title":{"rendered":"Entre o Aumento da Fraude e a Escassez de Acusa\u00e7\u00f5es \u2013Criminalidade Econ\u00f3mico-Financeira, o Paradoxo Portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><span><span style=\"color: rgb(255, 0, 0); font-weight: bold;\">Ant\u00f3nio Andr\u00e9 In\u00e1cio, Jornal SOL<\/span><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/sol.iol.pt\/opiniao\/noticias\/antonio-andre-inacio-entre-o-aumento-da-fraude-e-a-escassez-de-acusacoes-criminalidade-economico-financeira-o-paradoxo-portugues\/20260417\/69e20f450cf27f6588a691a2\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Nunca soubemos tanto sobre Fraude e Corrup\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, talvez nunca tenhamos tido tanta dificuldade em atuar sobre ela.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>O Relat\u00f3rio Anual de Seguran\u00e7a Interna, vulgo RASI, n\u00e3o sendo um<br>documento completo (nomeadamente por ignorar as cifras negras) \u00e9 um<br>excelente indicador de gest\u00e3o no que respeita \u00e0 realidade crimin\u00f3gena<br>nacional, identificando tend\u00eancias, avaliando a efic\u00e1cia das medidas<br>anteriormente adotadas, funcionando como ferramenta de suporte ao<br>desenvolvimento de pol\u00edticas criminais.<br>Porque um relat\u00f3rio sem an\u00e1lise n\u00e3o passa de um mero documento<br>contabil\u00edstico, importa nomeadamente cruz\u00e1-lo com a Lei de Pol\u00edtica Criminal<br>2023\/2025, documento estrat\u00e9gico em mat\u00e9ria de preven\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o<br>criminais, referencial da afeta\u00e7\u00e3o de meios a tarefas para \u00d3rg\u00e3os de Pol\u00edcia<br>Criminal e Magistraturas. Tal estudo permite aferir da efic\u00e1cia da Pol\u00edtica<br>Criminal no per\u00edodo em quest\u00e3o. Sendo imposs\u00edvel nesta coluna abarcar todas<br>as \u00e1reas (recomendo a an\u00e1lise publicada na p\u00e1gina do OSCOT), pelo impacto<br>na economia nacional, envolvendo o abuso de poder ou manipula\u00e7\u00e3o para<br>ganhos pessoais, prejudicando a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e a economia, iremos<br>debru\u00e7ar-nos especificamente sobre os n\u00fameros atinentes \u00e0 Fraude e<br>Corrup\u00e7\u00e3o participadas.<br>O RASI 2025 revela um aumento de 22% de inqu\u00e9ritos por \u201ccriminalidade<br>econ\u00f3mico-financeira, corrup\u00e7\u00e3o e criminalidade conexa\u201d. De incremento na<br>criminalidade participada merece destaque a Corrup\u00e7\u00e3o, com mais 17% face<br>ao ano anterior, e para o ligeiro aumento da Fraude e desvio de subs\u00eddios.<br>Cientes de que esta criminalidade sofisticada obriga a processos mais<br>morosos, n\u00e3o podemos deixar de destacar o elevado n\u00famero de<br>arquivamentos, apenas se tendo verificado 10 acusa\u00e7\u00f5es em 2025.<br>Daqui resulta a primeira evid\u00eancia, uma dissocia\u00e7\u00e3o entre dete\u00e7\u00e3o e efetiva<br>responsabiliza\u00e7\u00e3o, o mesmo \u00e9 dizer, a expans\u00e3o da Fraude e Corrup\u00e7\u00e3o<br>enquanto fen\u00f3meno e, simultaneamente, as dificuldades sist\u00e9micas na sua<br>tradu\u00e7\u00e3o em acusa\u00e7\u00f5es e condena\u00e7\u00f5es. Esta constata\u00e7\u00e3o pode traduzir-se de<br>forma simples, mas preocupante: Nunca soubemos tanto sobre Fraude e<br>Corrup\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, talvez nunca tenhamos tido tanta dificuldade em atuar sobre<br>ela.<br>Tais dificuldades assentam em dois vetores a saber: Por um lado, a natureza<br>multifacetada da fraude e corrup\u00e7\u00e3o, nomeadamente a sua transversalidade,<br>da sa\u00fade aos contratos p\u00fablicos e fundos europeus, \u201csobretudo no \u00e2mbito dos<br>procedimentos contratuais de aquisi\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os\u201d.<br>A Fraude e a Corrup\u00e7\u00e3o deixaram h\u00e1 muito de ser fen\u00f3menos marginais para<br>se afirmarem como problemas estruturais. A sua crescente sofistica\u00e7\u00e3o<br>financeira, digital e organizacional, exp\u00f5e uma realidade desconfort\u00e1vel: o<br>sistema n\u00e3o est\u00e1 a acompanhar quem o desafia. N\u00e3o estamos apenas perante<\/p>\n\n\n\n<p>um problema jur\u00eddico. Estamos perante falhas organizacionais, limita\u00e7\u00f5es<br>t\u00e9cnicas e uma evidente desarticula\u00e7\u00e3o institucional. E \u00e9 aqui que reside o<br>paradoxo portugu\u00eas: enquanto a criminalidade econ\u00f3mico-financeira se torna<br>mais complexa e disseminada, a resposta penal permanece escassa, tardia,<br>praticamente inconsequente.<br>Importa diz\u00ea-lo com clareza: combater a fraude e a corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o se faz com<br>indigna\u00e7\u00e3o p\u00fablica nem com discursos moralistas. Exige capacidades. Num<br>tempo em que o crime evoluiu, insistir numa resposta exclusivamente penal \u00e9<br>insuficiente. Imp\u00f5e-se investir de forma s\u00e9ria na qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, promover<br>o cruzamento de saberes e, sobretudo, garantir que as institui\u00e7\u00f5es cooperam<br>de forma efetiva. A \u00e9tica n\u00e3o pode ser apenas um valor proclamado, tem de ser<br>uma pr\u00e1tica exigente e quotidiana. Caso contr\u00e1rio, continuaremos a assistir ao<br>mesmo desfasamento entre os crimes que sabemos que existem e aqueles<br>que conseguimos efetivamente punir.O Relat\u00f3rio Anual de Seguran\u00e7a Interna, vulgo RASI, n\u00e3o sendo um<br>documento completo (nomeadamente por ignorar as cifras negras) \u00e9 um<br>excelente indicador de gest\u00e3o no que respeita \u00e0 realidade crimin\u00f3gena<br>nacional, identificando tend\u00eancias, avaliando a efic\u00e1cia das medidas<br>anteriormente adotadas, funcionando como ferramenta de suporte ao<br>desenvolvimento de pol\u00edticas criminais.<br>Porque um relat\u00f3rio sem an\u00e1lise n\u00e3o passa de um mero documento<br>contabil\u00edstico, importa nomeadamente cruz\u00e1-lo com a Lei de Pol\u00edtica Criminal<br>2023\/2025, documento estrat\u00e9gico em mat\u00e9ria de preven\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o<br>criminais, referencial da afeta\u00e7\u00e3o de meios a tarefas para \u00d3rg\u00e3os de Pol\u00edcia<br>Criminal e Magistraturas. Tal estudo permite aferir da efic\u00e1cia da Pol\u00edtica<br>Criminal no per\u00edodo em quest\u00e3o. Sendo imposs\u00edvel nesta coluna abarcar todas<br>as \u00e1reas (recomendo a an\u00e1lise publicada na p\u00e1gina do OSCOT), pelo impacto<br>na economia nacional, envolvendo o abuso de poder ou manipula\u00e7\u00e3o para<br>ganhos pessoais, prejudicando a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e a economia, iremos<br>debru\u00e7ar-nos especificamente sobre os n\u00fameros atinentes \u00e0 Fraude e<br>Corrup\u00e7\u00e3o participadas.<br>O RASI 2025 revela um aumento de 22% de inqu\u00e9ritos por \u201ccriminalidade<br>econ\u00f3mico-financeira, corrup\u00e7\u00e3o e criminalidade conexa\u201d. De incremento na<br>criminalidade participada merece destaque a Corrup\u00e7\u00e3o, com mais 17% face<br>ao ano anterior, e para o ligeiro aumento da Fraude e desvio de subs\u00eddios.<br>Cientes de que esta criminalidade sofisticada obriga a processos mais<br>morosos, n\u00e3o podemos deixar de destacar o elevado n\u00famero de<br>arquivamentos, apenas se tendo verificado 10 acusa\u00e7\u00f5es em 2025.<br>Daqui resulta a primeira evid\u00eancia, uma dissocia\u00e7\u00e3o entre dete\u00e7\u00e3o e efetiva<br>responsabiliza\u00e7\u00e3o, o mesmo \u00e9 dizer, a expans\u00e3o da Fraude e Corrup\u00e7\u00e3o<br>enquanto fen\u00f3meno e, simultaneamente, as dificuldades sist\u00e9micas na sua<br>tradu\u00e7\u00e3o em acusa\u00e7\u00f5es e condena\u00e7\u00f5es. Esta constata\u00e7\u00e3o pode traduzir-se de<br>forma simples, mas preocupante: Nunca soubemos tanto sobre Fraude e<br>Corrup\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, talvez nunca tenhamos tido tanta dificuldade em atuar sobre<br>ela.<br>Tais dificuldades assentam em dois vetores a saber: Por um lado, a natureza<br>multifacetada da fraude e corrup\u00e7\u00e3o, nomeadamente a sua transversalidade,<br>da sa\u00fade aos contratos p\u00fablicos e fundos europeus, \u201csobretudo no \u00e2mbito dos<br>procedimentos contratuais de aquisi\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os\u201d.<br>A Fraude e a Corrup\u00e7\u00e3o deixaram h\u00e1 muito de ser fen\u00f3menos marginais para<br>se afirmarem como problemas estruturais. A sua crescente sofistica\u00e7\u00e3o<br>financeira, digital e organizacional, exp\u00f5e uma realidade desconfort\u00e1vel: o<br>sistema n\u00e3o est\u00e1 a acompanhar quem o desafia. N\u00e3o estamos apenas perante<\/p>\n\n\n\n<p>um problema jur\u00eddico. 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