{"id":49630,"date":"2026-03-26T02:55:00","date_gmt":"2026-03-26T02:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49630"},"modified":"2026-03-29T14:57:56","modified_gmt":"2026-03-29T14:57:56","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-414","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49630","title":{"rendered":"A continuidade em tempos de incerteza"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><span><span style=\"color: rgb(255, 0, 0); font-weight: bold;\">Sofia Nair Barbosa, Jornal SOL<\/span><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/sol.iol.pt\/opiniao\/noticias\/sofia-nair-barbosa-a-continuidade-em-tempos-de-incerteza\/20260326\/69c4ff890cf21fcd83770f14\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>O que est\u00e1 em causa \u00e9 perceber como evolui a posi\u00e7\u00e3o da empresa quando o enquadramento se altera, se os custos aumentam, se os prazos de recebimento se prolongam ou se o acesso a financiamento se torna mais restritivo<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Durante anos, a continuidade da atividade foi tratada como um pressuposto impl\u00edcito. N\u00e3o porque fosse garantida, mas porque o contexto econ\u00f3mico e financeiro permitia assumir um grau razo\u00e1vel de previsibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Este contexto mudou.<\/p>\n\n\n\n<p>O agravamento recente das tens\u00f5es no M\u00e9dio Oriente, a par de um enquadramento geopol\u00edtico mais fragmentado e vol\u00e1til, n\u00e3o significa, por si s\u00f3, que as empresas deixem de ser vi\u00e1veis. Mas torna mais evidente algo que nem sempre foi devidamente questionado: a continuidade n\u00e3o \u00e9 um ponto de partida - \u00e9 uma conclus\u00e3o que tem de ser demonstrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Os impactos n\u00e3o s\u00e3o uniformes. Ainda assim, h\u00e1 riscos concretos que n\u00e3o podem ser ignorados: subida dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e do g\u00e1s, perturba\u00e7\u00f5es no transporte mar\u00edtimo - em particular em rotas cr\u00edticas como o Estreito Ormuz - atrasos no fornecimento de componentes industriais e maior dificuldade no acesso a financiamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem todas as empresas ser\u00e3o afetadas da mesma forma. Mas para muitas - sobretudo empresas industriais, exportadoras ou dependentes de cadeias de abastecimento internacionais \u2013 estes fatores podem refletir-se diretamente nas margens, nos prazos e na liquidez.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 neste contexto que a avalia\u00e7\u00e3o da continuidade da atividade ganha maior exig\u00eancia. Mais do que um exerc\u00edcio formal, trata-se de perceber se a empresa mant\u00e9m condi\u00e7\u00f5es para operar num futuro previs\u00edvel, tendo em conta os riscos identificados e a informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>O ponto cr\u00edtico reside nos pressupostos adotados. Em ambientes de maior volatilidade, o risco n\u00e3o est\u00e1 apenas na imprecis\u00e3o das estimativas, mas no facto de estas assentarem em hip\u00f3teses de estabilidade que podem deixar de ser v\u00e1lidas. Projetar com base no passado recente ou assumir comportamentos lineares nas principais vari\u00e1veis operacionais revela-se, nestas circunst\u00e2ncias, insuficiente. O que est\u00e1 em causa \u00e9 perceber como evolui a posi\u00e7\u00e3o da empresa quando o enquadramento se altera, se os custos aumentam, se os prazos de recebimento se prolongam ou se o acesso a financiamento se torna mais restritivo. \u00c9 nessa capacidade de absorver desvios que se avalia, de forma mais consistente, a robustez financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta deixa, por isso, de ser confort\u00e1vel. &nbsp;J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 \u201cse tudo correr bem, a empresa sobrevive?\u201d, mas sim, \u201cse as condi\u00e7\u00f5es piorarem, quanto aguenta?\u201d. Na pr\u00e1tica, isto implica testar cen\u00e1rios concretos: compress\u00e3o de margens, alongamento de prazos, encarecimento do financiamento. Perante esses cen\u00e1rios, a empresa mant\u00e9m-se solvente? Tem liquidez suficiente? Consegue adaptar-se?<\/p>\n\n\n\n<p>Este exerc\u00edcio n\u00e3o introduz fragilidade - introduz rigor e prud\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto atual n\u00e3o p\u00f5e em causa, de forma generalizada, a continuidade das empresas. Mas exp\u00f5e uma fragilidade que muitas vezes permanece invis\u00edvel: a tend\u00eancia para tratar a continuidade como um dado adquirido, em vez de uma conclus\u00e3o que exige demonstra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E talvez seja esse o verdadeiro risco. N\u00e3o a incerteza em si, mas a forma como continuamos a encar\u00e1-la - como exce\u00e7\u00e3o, quando come\u00e7a a tornar-se estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sofia Nair Barbosa, Jornal SOL O que est\u00e1 em causa \u00e9 perceber como evolui a posi\u00e7\u00e3o da empresa quando o enquadramento se altera, se os custos aumentam, se os prazos de recebimento se prolongam ou se o acesso a financiamento se torna mais restritivo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,303],"tags":[],"class_list":["post-49630","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-sol"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49630","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=49630"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49630\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49631,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49630\/revisions\/49631"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=49630"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=49630"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=49630"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}