{"id":49588,"date":"2026-03-04T17:01:09","date_gmt":"2026-03-04T17:01:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49588"},"modified":"2026-03-08T17:04:38","modified_gmt":"2026-03-08T17:04:38","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-407","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49588","title":{"rendered":"Percep\u00e7\u00e3o do risco de corrup\u00e7\u00e3o e economia comportamental: di\u00e1logos poss\u00edveis"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><span><span style=\"color: rgb(255, 0, 0); font-weight: bold;\">Marcus Braga, Jornal SOL<\/span><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/sol.iol.pt\/opiniao\/noticias\/marcus-braga-percepcao-do-risco-de-corrupcao-e-economia-comportamental-dialogos-possiveis\/20260304\/69a8021f0cf2d0ed34b7d3b1\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>O fen\u00f3meno da corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o complexo quanto a natureza humana de quem o pratica<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Para o presente artigo ser\u00e3o assumidos dois pressupostos: o primeiro, a defini\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o inspirada na Professora Rose-Ackerman, de que esta \u00e9 o abuso de um poder delegado para ganhos privados, englobando a\u00ed o desvio de finalidade, o superfaturamento, o desfalque e desconformidades que quebrem regras para benef\u00edcios ileg\u00edtimos.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo que o fen\u00f4meno da corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um risco ao processo de gest\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas, dado que \u00e9 algo pass\u00edvel de acontecer, mensurado pelo impacto nos objetivos e na probabilidade de ocorr\u00eancia, envolvendo causas que permeiam desde a natureza humana at\u00e9 quest\u00f5es estruturais da organiza\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Assumidos esses pressupostos, \u00e9 poss\u00edvel se falar na percep\u00e7\u00e3o do risco de corrup\u00e7\u00e3o, ou seja, a sensa\u00e7\u00e3o de um individuo ou de uma coletividade em rela\u00e7\u00e3o a determinados processos serem mais ou menos pass\u00edveis de incid\u00eancia de corrup\u00e7\u00e3o, e isso se d\u00e1 por uma constru\u00e7\u00e3o que passa pela cultura organizacional, mas tamb\u00e9m pelas caracter\u00edsticas intr\u00ednsecas daquelas transa\u00e7\u00f5es, da reputa\u00e7\u00e3o de seus atores e ainda, do pr\u00f3prio volume de recursos e da fragilidade do ambiente de controle.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse conceito \u00e9 relevante pois \u00e9 a partir dele que tomamos decis\u00f5es em v\u00e1rios momentos no setor p\u00fablico, seja na constru\u00e7\u00e3o de salvaguardas, seja na decis\u00e3o de avan\u00e7ar ou n\u00e3o com um projeto, mediando a nossa percep\u00e7\u00e3o sobre em que medida estamos expostos na execu\u00e7\u00e3o daquela tarefa e o que pode ser feito nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, apesar de ser uma discuss\u00e3o antiga no ramo do controle governamental, tende-se nesse sentido, pela for\u00e7a do impacto da incid\u00eancia da corrup\u00e7\u00e3o, a se adotar posturas mais conservadoras, enchendo de salvaguardas fun\u00e7\u00f5es e processos, como camadas de uma cebola, sem por vezes dialogar com os riscos e a sua probabilidade, atemorizados e com a\u00e7\u00f5es de forma enviesada, ainda mais se \u00e0 sombra de um esc\u00e2ndalo recente ou em organiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima ou similar.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa irracionalidade na constru\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o leva a constru\u00e7\u00e3o de medidas protetivas onerosas e ineficientes, e que por vezes aplacam clamores populares, mas que n\u00e3o se debru\u00e7am sobre as ra\u00edzes dos problemas derivados da corrup\u00e7\u00e3o, que como riscos, precisam ter estudados as suas causas e as suas consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>E esses vieses dialogam com as discuss\u00f5es mais recentes da Economia Comportamental, em especial na obra de Daniel Kahneman, e podemos brevemente relacionar alguns desses vieses com a percep\u00e7\u00e3o de risco de corrup\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>i) Avers\u00e3o \u00e0 Perda \u00e9 a busca de se evitar perdas a todo custo, o que pode gerar salvaguardas onerosas e que limitem a efici\u00eancia, e por vezes passando a falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a a luz do fen\u00f4meno da corrup\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>iii) Ancoragem \u00e9 a tend\u00eancia de se apegar a uma informa\u00e7\u00e3o inicial ao tomar decis\u00f5es, e percep\u00e7\u00f5es anteriores sobre pessoas e processos sem base no contexto presente&nbsp; podem carregar a nossa percep\u00e7\u00e3o do risco de corrup\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>iii) Vi\u00e9s de Disponibilidade \u00e9 o indiv\u00edduo superestimar a import\u00e2ncia de informa\u00e7\u00f5es recentes ou memor\u00e1veis, ignorando dados estat\u00edsticos, \u00e9 um vi\u00e9s muito comum ap\u00f3s a ocorr\u00eancia de um esc\u00e2ndalo, que induz aos indiv\u00edduos a generalizar e simplificar riscos, gerando salvaguardas pesadas e gen\u00e9ricas; e<\/p>\n\n\n\n<p>iv) Vi\u00e9s de Confirma\u00e7\u00e3o \u00e9 a tend\u00eancia de procurar informa\u00e7\u00f5es que confirmem cren\u00e7as preexistentes, ignorando opini\u00f5es contr\u00e1rias, e isso ocorre na constru\u00e7\u00e3o de salvaguardas de forma isolada, sem debate e participa\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ando vis\u00f5es que dialogam muito com medos e experi\u00eancias passadas de uma s\u00f3 pessoa, geralmente o decisor.<\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f3meno da corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o complexo quanto a natureza humana de quem o pratica, e a tend\u00eancia a simplificar no calor da emo\u00e7\u00e3o, sem um estudo meticuloso da situa\u00e7\u00e3o, gera arranjos protetivos onerosos e ineficientes, e que se desacreditam na incid\u00eancia recorrente dos atos corruptos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma discuss\u00e3o necess\u00e1ria na qual a economia comportamental pode ser uma boa ferramenta de identifica\u00e7\u00e3o de vieses, e somado a discuss\u00e3o de autores como Richard Thaler e Cass Sunstein na sua ideia de <em>Nudge<\/em> (Empurr\u00e3ozinho), podem trazer a constru\u00e7\u00e3o de sistemas protetivos na ponta anticorrup\u00e7\u00e3o a um outro patamar de qualidade. E n\u00e3o queremos improvisar na agenda anticorrup\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcus Braga, Jornal SOL O fen\u00f3meno da corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o complexo quanto a natureza humana de quem o pratica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,303],"tags":[],"class_list":["post-49588","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-sol"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49588","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=49588"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49588\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49589,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49588\/revisions\/49589"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=49588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=49588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=49588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}