{"id":49585,"date":"2026-02-22T17:44:16","date_gmt":"2026-02-22T17:44:16","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49585"},"modified":"2026-02-28T17:49:12","modified_gmt":"2026-02-28T17:49:12","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-406","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49585","title":{"rendered":"N\u00e3o h\u00e1 cansa\u00e7o eleitoral se vier quem governe com estrat\u00e9gia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"color: #005500\"><span style=\"color: #ff0000\">\u00d3scar Afonso, &nbsp;ECO Magazine<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/opiniao\/nao-ha-cansaco-eleitoral-se-vier-quem-governe-com-estrategia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Portugal n\u00e3o est\u00e1 farto de atos eleitorais, mas sim de ser governado por antigos l\u00edderes parlamentares especializados no tacticismo pol\u00edtico e numa vis\u00e3o de curto prazo para sobreviver.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Quando se afirma que \u201c<strong>O pa\u00eds est\u00e1 (\u2026) cansado de atos eleitorais<\/strong>\u201d (Hugo Soares, P\u00fablico, 26 de fevereiro 2026), escolhe-se uma frase eficaz para manchete, mas pobre enquanto diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p>Para contextualizar, a frase surge como tentativa de resposta \u00e0s cr\u00edticas fundamentadas do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho \u2014 que, num contexto excecionalmente adverso, assumiu responsabilidades dif\u00edceis e evitou a rutura financeira do pa\u00eds \u2014 quanto \u00e0 evidente insufici\u00eancia reformista desta AD. Trata-se de uma cr\u00edtica que n\u00e3o \u00e9 isolada nem circunstancial, \u00e9 partilhada por v\u00e1rios observadores atentos e informados, e que tenho igualmente sublinhado neste espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>O ponto essencial \u00e9 este: Quando se reconhece que faltam reformas estruturais, n\u00e3o basta invocar constrangimentos parlamentares. Um Governo que entenda estar limitado por uma maioria fr\u00e1gil tem sempre a possibilidade \u2014 e, em certos momentos, o dever pol\u00edtico \u2014 de clarificar perante o pa\u00eds a necessidade de um mandato refor\u00e7ado para executar transforma\u00e7\u00f5es que considere inadi\u00e1veis. A alternativa \u00e9 acomodar-se \u00e0 gest\u00e3o do curto prazo, adiando decis\u00f5es estruturais sob o argumento da aritm\u00e9tica parlamentar.<\/p>\n\n\n\n<p>E quando essa acomoda\u00e7\u00e3o se transforma em pr\u00e1tica continuada, \u00e9 leg\u00edtimo questionar se prevalece uma prud\u00eancia institucional ponderada ou antes a tend\u00eancia natural de preservar equil\u00edbrios existentes \u2014 por c\u00e1lculo pol\u00edtico, por receio do risco de perda de influ\u00eancia ou por outros incentivos que n\u00e3o favorecem a ambi\u00e7\u00e3o reformista.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Se a convic\u00e7\u00e3o reformista \u00e9 genu\u00edna, a legitimidade democr\u00e1tica pode \u2014 e deve \u2014 ser renovada. Caso contr\u00e1rio, o risco \u00e9 que a invoca\u00e7\u00e3o da fragilidade da maioria funcione como justifica\u00e7\u00e3o permanente para a aus\u00eancia de reformas profundas, mas necess\u00e1rias.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Se a convic\u00e7\u00e3o reformista \u00e9 genu\u00edna, a legitimidade democr\u00e1tica pode \u2014 e deve \u2014 ser renovada. Caso contr\u00e1rio, o risco \u00e9 que a invoca\u00e7\u00e3o da fragilidade da maioria funcione como justifica\u00e7\u00e3o permanente para a aus\u00eancia de reformas profundas, mas necess\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>O que atravessa hoje a sociedade portuguesa n\u00e3o \u00e9 \u2018fadiga democr\u00e1tica\u2019, como foi sugerido pelo atual l\u00edder parlamentar do PSD, mas a aus\u00eancia de solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas s\u00f3lidas e construtivas que consubstanciem uma verdadeira estrat\u00e9gia de desenvolvimento para o pa\u00eds, que o tire do marasmo e empobrecimento relativo na Uni\u00e3o Europeia (UE).<\/p>\n\n\n\n<p>O PS n\u00e3o deu respostas, primeiro aliado \u00e0 extrema-esquerda fundamentalista e depois sozinho em maioria absoluta \u2014 maioria absoluta que acabou por desperdi\u00e7ar, marcada pela avers\u00e3o de Ant\u00f3nio Costa a reformas estruturais, caindo depois com o processo Influencer \u2014, e agora esta AD tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 a resolver os problemas da popula\u00e7\u00e3o, frustrando a veia reformista tradicional do partido e a confian\u00e7a dos eleitores que em si votaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto acontece porque esta AD n\u00e3o tem uma estrat\u00e9gia s\u00f3lida de desenvolvimento para o pa\u00eds, assente num diagn\u00f3stico detalhado e fundamentado, mas vive de respostas t\u00e1ticas reativas parcelares \u2014 de&nbsp;<em>powerpoint<\/em>&nbsp;em&nbsp;<em>powerpoint<\/em>. De resto, talvez n\u00e3o surpreenda que assim seja num Governo liderado por quem construiu o seu percurso pol\u00edtico sobretudo na arena parlamentar e que escolheu para a tutela das Finan\u00e7as algu\u00e9m igualmente moldado por essa l\u00f3gica de confronto permanente, mais habituado \u00e0 intensidade da disputa pol\u00edtico-partid\u00e1ria do que \u00e0 sobriedade institucional que o cargo exige. Num contexto em que o debate p\u00fablico tem vindo a degradar-se, como qualquer cidad\u00e3o pode constatar ao acompanhar os trabalhos transmitidos pelo Canal Parlamento, dificilmente se poderia esperar uma eleva\u00e7\u00e3o substancial do tom ou da subst\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa circunst\u00e2ncia enfraquece claramente a defesa do governo pelo atual l\u00edder parlamentar, que porventura querer\u00e1 defender uma trajet\u00f3ria semelhante, certamente leg\u00edtima, mas que s\u00f3 perpetuaria o pa\u00eds na escola do tacticismo pol\u00edtico que atravessa esta AD e os anteriores governos PS que parece querer imitar \u2014 relembro que Ant\u00f3nio Costa tamb\u00e9m foi l\u00edder parlamentar do PS.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 esta aus\u00eancia de solu\u00e7\u00f5es dos partidos da governa\u00e7\u00e3o que tem feito insuflar o que resta, o populismo da extrema direita \u2014 que quer n\u00e3o um, mas \u201ctr\u00eas Salazares\u201d, para nos fazer regressar ao obscurantismo do Estado Novo \u2014 de solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis e irrealistas, incoerentes entre si, e que levariam o pa\u00eds \u00e0 bancarrota. Se alguns est\u00e3o a ser enganados, muitos outros s\u00f3 est\u00e3o a votar neste populismo como forma de protesto at\u00e9 que surja uma real alternativa, estou certo disso.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 a ida a votos que desgasta o pa\u00eds \u2014 \u00e9 a insufici\u00eancia de reformas devido \u00e0 falta de reais solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que apontem uma \u2018luz ao fundo do t\u00fanel\u2019 para a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Se o \u00fanico partido reformista do sistema, o PSD (l\u00edder desta AD) \u2014 que foi capaz da maior aproxima\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ao n\u00edvel de vida da Uni\u00e3o Europeia nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990 \u2014, deixou de o ser, ent\u00e3o a atual lideran\u00e7a deve dar lugar a quem tenha capacidade reformista dentro do esp\u00edrito democr\u00e1tico da altern\u00e2ncia e meritocracia que o PSD j\u00e1 teve, como j\u00e1 afirmei neste espa\u00e7o.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Se o \u00fanico partido reformista do sistema, o PSD (l\u00edder desta AD) \u2014 que foi capaz da maior aproxima\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ao n\u00edvel de vida da Uni\u00e3o Europeia nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990 \u2014, deixou de o ser, ent\u00e3o a atual lideran\u00e7a deve dar lugar a quem tenha capacidade reformista dentro do esp\u00edrito democr\u00e1tico da altern\u00e2ncia e meritocracia que o PSD j\u00e1 teve, como j\u00e1 afirmei neste espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal enfrenta, h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas, uma trajet\u00f3ria de diverg\u00eancia relativa no seio da UE, marcada por uma descida sucessiva no ranking do n\u00edvel de vida e por uma aproxima\u00e7\u00e3o recente n\u00e3o sustent\u00e1vel, assente em fatores tempor\u00e1rios que abordei em cr\u00f3nicas anteriores e n\u00e3o vou aqui repetir. Esta realidade n\u00e3o \u00e9 fruto de um acaso conjuntural. Resulta de bloqueios persistentes ao desenvolvimento econ\u00f3mico e social.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses bloqueios s\u00e3o m\u00faltiplos e interligados. Come\u00e7am na organiza\u00e7\u00e3o administrativa do Estado, atravessam fraquezas estruturais em pol\u00edticas p\u00fablicas fundamentais e prolongam-se nas dificuldades cr\u00f3nicas em criar um ambiente favor\u00e1vel ao investimento e \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 sist\u00e9mico e institucional, exigindo transforma\u00e7\u00e3o estrutural deliberada.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Na\u00a0<strong>educa\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0h\u00e1 d\u00e9fices \u00f3bvios. Se os mais jovens j\u00e1 comparam bem nas qualifica\u00e7\u00f5es formais, as gera\u00e7\u00f5es mais antigas no ativo, quer trabalhadores quer empregadores, s\u00e3o pouco qualificadas no contexto da UE. H\u00e1 ainda lacunas significativas e persistentes em literacia, numeracia e resolu\u00e7\u00e3o adaptativa de problemas (compet\u00eancias), comprometendo empregabilidade e capacidade de adapta\u00e7\u00e3o a uma economia cada vez mais digital, dificultando o aproveitamento de novas ferramentas como a Intelig\u00eancia Artificial, que \u00e9 uma grande oportunidade para Portugal dar um salto de produtividade, onde est\u00e1 perto do fundo da tabela na UE, o que limita o nosso n\u00edvel de vida. N\u00e3o se trata apenas de anos de escolaridade; trata-se da qualidade do capital humano e da sua capacidade efetiva de gerar valor.<\/li>\n\n\n\n<li>Na\u00a0<strong>sa\u00fade<\/strong>, a\u00a0tens\u00e3o\u00a0entre a universalidade formal e a sustentabilidade real intensifica-se, pressionada pelo envelhecimento demogr\u00e1fico, mas sobretudo por um modelo organizacional que consome recursos de forma crescente sem produzir ganhos proporcionais em efici\u00eancia ou qualidade. A sensa\u00e7\u00e3o que se instala \u00e9 a de um sistema que absorve financiamento adicional como um po\u00e7o sem fundo, sem que isso se traduza numa melhoria estrutural do servi\u00e7o prestado. E talvez o problema n\u00e3o resida tanto na escassez absoluta de m\u00e9dicos \u2014 como frequentemente se sugere no debate p\u00fablico \u2014 mas antes na forma como os recursos humanos, financeiros e organizacionais s\u00e3o geridos, distribu\u00eddos e incentivados.<\/li>\n\n\n\n<li>Na habita\u00e7\u00e3o, a rigidez regulat\u00f3ria, a morosidade dos processos de licenciamento e a cr\u00f3nica escassez de oferta continuam a alimentar pre\u00e7os manifestamente incompat\u00edveis com os rendimentos m\u00e9dios. O problema n\u00e3o \u00e9 apenas conjuntural nem pode ser explicado exclusivamente por din\u00e2micas externas ou por fen\u00f3menos especulativos. Resulta, em larga medida, de um enquadramento institucional que trava a constru\u00e7\u00e3o, encarece o investimento e concentra a procura em territ\u00f3rios onde a press\u00e3o j\u00e1 \u00e9 excessiva. Sem uma verdadeira descentraliza\u00e7\u00e3o administrativa e econ\u00f3mica \u2014 que alivie as \u00e1reas de maior\u00a0tens\u00e3o\u00a0e crie polos alternativos de emprego qualificado e oportunidades \u2014 dificilmente se resolver\u00e1 o problema da acessibilidade. Continuaremos a assistir a uma espiral em que se injetam medidas avulsas, se anunciam programas sucessivos e se mobilizam recursos p\u00fablicos crescentes, enquanto a raiz estrutural do problema permanece intocada.<\/li>\n\n\n\n<li>Na justi\u00e7a \u2014 tribut\u00e1ria e administrativa \u2014 a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 menos preocupante. A lentid\u00e3o decis\u00f3ria, os prazos dilatados, a complexidade processual e a imprevisibilidade das decis\u00f5es corroem silenciosamente a confian\u00e7a dos agentes econ\u00f3micos. Um sistema em que a resolu\u00e7\u00e3o de lit\u00edgios fiscais ou administrativos pode arrastar-se durante anos n\u00e3o \u00e9 apenas ineficiente; \u00e9 um desincentivo direto ao investimento e \u00e0 iniciativa empresarial. A incerteza jur\u00eddica transforma-se em custo econ\u00f3mico, e o custo econ\u00f3mico traduz-se em menor crescimento, menor cria\u00e7\u00e3o de emprego e menor competitividade internacional. Sem previsibilidade e celeridade, a justi\u00e7a deixa de ser garante de seguran\u00e7a jur\u00eddica e passa a ser fator de bloqueio estrutural.<\/li>\n\n\n\n<li>No mercado de trabalho e na estrutura produtiva, mant\u00e9m-se um equil\u00edbrio de baixo valor acrescentado associado a um perfil de especializa\u00e7\u00e3o pouco produtivo, marcado por insuficiente investimento (incluindo em inova\u00e7\u00e3o) \u2014 devido a uma carga fiscal relativamente elevada (sobretudo no IRC) e \u00e0 falta de investimento p\u00fablico, por aus\u00eancia de uma reforma do Estado que o torne mais eficiente e alivie os contribuintes \u2014 e um d\u00e9fice de compet\u00eancias. Daqui decorre a falta de oportunidades de emprego qualificado e bem\u00a0remunerado, que explica o desemprego de jovens qualificados e a emigra\u00e7\u00e3o de muitos deles.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Tudo isto converge num ponto essencial: a qualidade das institui\u00e7\u00f5es. Como sublinham Acemoglu, Johnson e Robinson, as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o a causa fundamental do crescimento, moldando incentivos, investimento e inova\u00e7\u00e3o. Quando as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o fr\u00e1geis, extrativas ou captur\u00e1veis, o crescimento tende a ser baixo, enviesado e pouco inclusivo. O subdesenvolvimento \u00e9, antes de mais, um problema pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 neste quadro que a cr\u00edtica apressada a Pedro Passos Coelho revela superficialidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode discutir-se o seu legado governativo, profundamente condicionado por circunst\u00e2ncias externas e por constrangimentos que n\u00e3o escolheu, mas n\u00e3o se pode ignorar que, dentro do quadro que lhe foi imposto, cumpriu as responsabilidades que assumiu e manteve coer\u00eancia no seu pensamento estrutural sobre o pa\u00eds, que depois n\u00e3o teve oportunidade de dar sequ\u00eancia devido ao tacticismo do antigo l\u00edder parlamentar Ant\u00f3nio Costa, que criou a famosa \u2018geringon\u00e7a de esquerda\u2019, quebrando a tradi\u00e7\u00e3o segundo a qual o partido mais votado governa.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O diagn\u00f3stico que Pedro Passos Coelho apresenta n\u00e3o \u00e9 circunstancial. Tem vindo a identificar bloqueios acumulados desde o in\u00edcio do s\u00e9culo, a depend\u00eancia excessiva de est\u00edmulos externos e fundos europeus, a insuficiente qualidade das pol\u00edticas p\u00fablicas e a necessidade de uma transforma\u00e7\u00e3o decisiva e duradoura.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O diagn\u00f3stico que Pedro Passos Coelho apresenta n\u00e3o \u00e9 circunstancial. Tem vindo a identificar bloqueios acumulados desde o in\u00edcio do s\u00e9culo, a depend\u00eancia excessiva de est\u00edmulos externos e fundos europeus, a insuficiente qualidade das pol\u00edticas p\u00fablicas e a necessidade de uma transforma\u00e7\u00e3o decisiva e duradoura.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua proposta n\u00e3o \u00e9 que se governe para o ciclo eleitoral seguinte; \u00e9 reconstruir as condi\u00e7\u00f5es institucionais de converg\u00eancia real com a Europa. Fala de reforma do Estado, de finan\u00e7as p\u00fablicas sustent\u00e1veis, de pol\u00edticas p\u00fablicas estruturantes nas \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, habita\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a. Fala de produtividade como chave do n\u00edvel de vida e de uma especializa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica mais intensiva em conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais importante ainda, intui-se na sua vis\u00e3o uma preocupa\u00e7\u00e3o com a eros\u00e3o silenciosa das institui\u00e7\u00f5es. A promiscuidade entre poder pol\u00edtico e interesses instalados, as portas girat\u00f3rias que diluem fronteiras entre regulador e regulado, a partidariza\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o, a banaliza\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia de meritocracia \u2014 tudo isto n\u00e3o \u00e9 um detalhe moral; \u00e9 um obst\u00e1culo econ\u00f3mico. Institui\u00e7\u00f5es captur\u00e1veis geram crescimento capturado. E crescimento capturado \u00e9 limitado e desigual: constr\u00f3i um pa\u00eds para alguns, excluindo quase todos.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a entre governar para o presente e governar para o pa\u00eds \u00e9 decisiva. Governar para o presente \u00e9 gerir expectativas de curto prazo, distribuir benef\u00edcios imediatos, evitar conflitos e manter o status quo, que nos conduziu at\u00e9 um pa\u00eds que continua a empobrecer lentamente e a ser ultrapassado em n\u00edvel de vida. Governar para o pa\u00eds \u00e9 aceitar custos pol\u00edticos hoje para garantir sustentabilidade amanh\u00e3. \u00c9 pensar nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, n\u00e3o nos pr\u00f3ximos trimestres.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>As pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o oferecem garantias. Mas h\u00e1 momentos hist\u00f3ricos em que se sente, de forma quase silenciosa, que uma maioria alargada deseja que o pa\u00eds tenha a sorte de contar com uma lideran\u00e7a capaz de enfrentar bloqueios estruturais com vis\u00e3o, coragem e sentido \u00e9tico, criando condi\u00e7\u00f5es para um futuro melhor.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Naturalmente, ningu\u00e9m conhece o futuro. As pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o oferecem garantias. Mas h\u00e1 momentos hist\u00f3ricos em que se sente, de forma quase silenciosa, que uma maioria alargada deseja que o pa\u00eds tenha a sorte de contar com uma lideran\u00e7a capaz de enfrentar bloqueios estruturais com vis\u00e3o, coragem e sentido \u00e9tico, criando condi\u00e7\u00f5es para um futuro melhor. Uma lideran\u00e7a que pense na crian\u00e7a que ainda n\u00e3o vota, no jovem qualificado que pondera partir, no pai que teme pelo futuro dos filhos, e no idoso que deseja viver num pa\u00eds que conta e se respeita.<\/p>\n\n\n\n<p>Para muitos portugueses, Pedro Passos Coelho simboliza essa possibilidade de desbloqueio. N\u00e3o como promessa f\u00e1cil, mas como express\u00e3o de um pensamento estruturado, sustentado em diagn\u00f3stico rigoroso e ancorado em princ\u00edpios claros: responsabilidade intergeracional, disciplina institucional, m\u00e9rito, sustentabilidade financeira e moderniza\u00e7\u00e3o efetiva do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Representa a convic\u00e7\u00e3o de que Portugal pode libertar-se de amarras que se perpetuam e intensificam. Representa a ideia de que o crescimento pode deixar de ser epis\u00f3dico e tornar-se estrutural, para termos todos um n\u00edvel de vida mais condigno e um Estado Social efetivo e sustent\u00e1vel, retirando uma larga franja da popula\u00e7\u00e3o da pobreza e evitando que os nossos jovens qualificados tenham de emigrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Representa, em \u00faltima an\u00e1lise, uma esperan\u00e7a exigente: a de que o pa\u00eds que amamos pode ser melhor do que aquele que se tem resignado a sobreviver por falta de qualidade da governa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Num tempo de imediatismo pol\u00edtico e de ciclos curtos, a exist\u00eancia de uma vis\u00e3o de longo prazo \u00e9 rara. E talvez seja precisamente por isso que o verdadeiro debate n\u00e3o deve centrar-se no alegado cansa\u00e7o eleitoral, mas nos bloqueios estruturais que nos impedem de convergir, de prosperar e de confiar. Porque o que est\u00e1 em causa n\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o. \u00c9 a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, Portugal enfrenta bloqueios estruturais persistentes \u2014 na pr\u00f3pria estrutura produtiva, na educa\u00e7\u00e3o, na sa\u00fade, na justi\u00e7a, na habita\u00e7\u00e3o e na organiza\u00e7\u00e3o do Estado \u2013 que explicam a diverg\u00eancia relativa face \u00e0 UE e a eros\u00e3o gradual da qualidade institucional. A teoria das institui\u00e7\u00f5es como causa fundamental do crescimento recorda-nos que o problema \u00e9, antes de mais, pol\u00edtico: reside nos incentivos, na distribui\u00e7\u00e3o de poder e na capacidade \u2014 ou incapacidade \u2014 de reformar equil\u00edbrios que se tornaram disfuncionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O pensamento de Pedro Passos Coelho concentra-se precisamente nesse diagn\u00f3stico estrutural e na necessidade de reformas profundas, sustent\u00e1veis e intergeracionais, capazes de devolver previsibilidade, m\u00e9rito e ambi\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds, no qual me revejo. E embora ningu\u00e9m conhe\u00e7a o futuro, sente-se em muitos portugueses um anseio \u00edntimo \u2014 quase uma s\u00faplica silenciosa \u2014 para que as circunst\u00e2ncias da hist\u00f3ria voltem a alinhar-se de forma a permitir que Portugal seja conduzido por uma lideran\u00e7a com essa clareza, essa firmeza e esse horizonte. Uma lideran\u00e7a que n\u00e3o governe apenas o presente, mas que tenha a coragem de preparar, com exig\u00eancia e sentido de responsabilidade, o pa\u00eds que as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es merecem.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal n\u00e3o est\u00e1 farto de atos eleitorais, mas sim de ser governado por antigos l\u00edderes parlamentares especializados no tacticismo pol\u00edtico e numa vis\u00e3o de curto prazo para sobreviver ao ciclo pol\u00edtico, em vez de l\u00edderes comprometidos com o futuro, como Pedro Passos Coelho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, &nbsp;ECO Magazine Portugal n\u00e3o est\u00e1 farto de atos eleitorais, mas sim de ser governado por antigos l\u00edderes parlamentares especializados no tacticismo pol\u00edtico e numa vis\u00e3o de curto prazo para sobreviver.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,298],"tags":[],"class_list":["post-49585","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-outras"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49585","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=49585"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49585\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49586,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49585\/revisions\/49586"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=49585"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=49585"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=49585"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}