{"id":49570,"date":"2026-02-19T21:58:39","date_gmt":"2026-02-19T21:58:39","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49570"},"modified":"2026-02-22T22:00:32","modified_gmt":"2026-02-22T22:00:32","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-137","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49570","title":{"rendered":"O peso invis\u00edvel da economia n\u00e3o registada na carga fiscal"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2026-02-19-o-peso-invisivel-da-economia-nao-registada-na-carga-fiscal-c2561e27\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>A economia n\u00e3o registada n\u00e3o \u00e9 uma hip\u00f3tese: \u00e9 uma certeza. Nos impostos indiretos, como o IVA, ela tem um impacto negativo direto na arrecada\u00e7\u00e3o. Nos impostos diretos, por\u00e9m, o efeito \u00e9 ambivalente<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Se a receita fiscal de um dado ano crescer, em termos percentuais, acima do crescimento do PIB, pode concluirse que a carga fiscal \u2014 medida pelo quociente entre essa receita e o PIB \u2014 aumentou? Sim. Aritmeticamente, \u00e9 uma realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os anos, por esta altura, s\u00e3o divulgados os dados estat\u00edsticos sobre a arrecada\u00e7\u00e3o fiscal do ano precedente e a&nbsp;taxa&nbsp;provis\u00f3ria&nbsp;do crescimento do PIB. Recorrentemente, o referido quociente aumenta, dando origem a&nbsp;aceso debate em que&nbsp;as oposi\u00e7\u00f5es acusam o governo de sobrecarregar ainda mais os cidad\u00e3os com impostos \u2014 cr\u00edticas \u00e0s quais&nbsp;este&nbsp;responde garantindo que tal n\u00e3o acontece.<\/p>\n\n\n\n<p>O ano de 2025 n\u00e3o fugiu \u00e0 regra. E se este debate p\u00fablico teve menos eco do que noutros anos, isso deveuse, infelizmente, \u00e0 gravidade de acontecimentos nacionais \u2014 como o desastre provocado pela tempestade&nbsp;Kristin&nbsp;\u2014 que ocuparam o espa\u00e7o medi\u00e1tico e pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>No jornal&nbsp;\"P\u00fablico\"&nbsp;de 4 de fevereiro, S\u00e9rgio An\u00edbal assinava um artigo intitulado&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/02\/04\/economia\/noticia\/apesar-corte-irs-receitas-fiscais-cresceram-economia-2163567\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cApesar do corte no IRS, as receitas fiscais cresceram mais do que a economia em 2025\u201d<\/a>. Nele questiona se o facto de a receita fiscal ter crescido acima do PIB nominal n\u00e3o representa, afinal, um aumento da carga fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>O ano de 2025 foi peculiar \u2014 como o pr\u00f3prio artigo parcialmente assinala. A taxa de IRC desceu um ponto percentual, os escal\u00f5es de IRS foram atualizados e esse ajustamento traduziuse numa redu\u00e7\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o sobre o trabalho. Contudo, o crescimento da receita destes impostos diretos ficou alinhado com o crescimento do PIB, quando seria expect\u00e1vel que diminu\u00edsse, precisamente devido \u00e0 referida redu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>Para esta evolu\u00e7\u00e3o inesperada \u2014 a manuten\u00e7\u00e3o da carga fiscal direta \u2014 poder\u00e3o ter contribu\u00eddo quatro raz\u00f5es principais:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Os aumentos salariais colocaram muitos contribuintes em escal\u00f5es superiores\u00a0de rendimento, aumentando o montante de IRS pago.<\/li>\n\n\n\n<li>Novas contrata\u00e7\u00f5es (menos prov\u00e1vel, mas poss\u00edvel) podem ter ocorrido com sal\u00e1rios acima da m\u00e9dia, elevando a arrecada\u00e7\u00e3o de IRS.<\/li>\n\n\n\n<li>Os lucros das empresas poder\u00e3o ter aumentado o suficiente para compensar a descida da taxa de IRC.<\/li>\n\n\n\n<li>A exist\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o declarada \u2014 a economia n\u00e3o registada \u2014\u00a0ocasionou\u00a0que o PIB oficial fosse inferior ao real.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Esta \u00faltima raz\u00e3o \u00e9 raramente considerada no debate sobre carga fiscal e sua evolu\u00e7\u00e3o. A economia n\u00e3o registada n\u00e3o \u00e9 uma hip\u00f3tese: \u00e9 uma certeza. Nos&nbsp;impostos indiretos, como o IVA, ela tem um impacto negativo direto na arrecada\u00e7\u00e3o. Nos impostos diretos, por\u00e9m, o efeito \u00e9 ambivalente. No IRC, aumenta a evas\u00e3o de lucros e diminui a receita. No IRS, esperase que o efeito seja relativamente neutro, pois nas empresas formais \u2014 que s\u00e3o a maioria \u2014 as vendas n\u00e3o registadas n\u00e3o alteram as folhas salariais.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto global da economia n\u00e3o registada sobre a&nbsp;medida da&nbsp;carga fiscal depende da propor\u00e7\u00e3o dos impostos diretos no total da receita fiscal e, dentro destes, da import\u00e2ncia relativa do IRS face ao IRC. Mas h\u00e1 um ponto essencial: a pr\u00f3pria exist\u00eancia de economia n\u00e3o registada, ao reduzir&nbsp;a medida do&nbsp;PIB, aumenta aritmeticamente a carga fiscal, mesmo que a tributa\u00e7\u00e3o efetiva n\u00e3o se altere.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Expresso online A economia n\u00e3o registada n\u00e3o \u00e9 uma hip\u00f3tese: \u00e9 uma certeza. Nos impostos indiretos, como o IVA, ela tem um impacto negativo direto na arrecada\u00e7\u00e3o. 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