{"id":49544,"date":"2026-02-05T11:35:11","date_gmt":"2026-02-05T11:35:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49544"},"modified":"2026-02-15T17:48:05","modified_gmt":"2026-02-15T17:48:05","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-398","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49544","title":{"rendered":"Centralismo, turismo e habita\u00e7\u00e3o: um c\u00edrculo vicioso"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><span><span style=\"color: rgb(255, 0, 0); font-weight: bold;\">\u00d3scar Afonso, Jornal SOL<\/span><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/sol.iol.pt\/opiniao\/noticias\/oscar-afonso-centralismo-turismo-e-habitacao-um-circulo-vicioso\/20260205\/6984f7710cf202aedcd56f86\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Um estudo recente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) mostra que o centralismo e a crescente especializa\u00e7\u00e3o no turismo t\u00eam penalizado o crescimento econ\u00f3mico e o n\u00edvel de vida, agravando ainda as assimetrias regionais<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Portugal discute a crise da habita\u00e7\u00e3o como se fosse um fen\u00f3meno isolado, quase natural, desligado do modelo de desenvolvimento que escolheu nas \u00faltimas d\u00e9cadas. N\u00e3o \u00e9. A press\u00e3o crescente sobre a habita\u00e7\u00e3o, sobretudo no litoral, \u00e9 o espelho de dois tra\u00e7os estruturais da economia portuguesa: o centralismo persistente e a especializa\u00e7\u00e3o excessiva no turismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambos ajudam a explicar n\u00e3o s\u00f3 a crise habitacional, mas tamb\u00e9m o fraco crescimento econ\u00f3mico, a estagna\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de vida e a perda de coes\u00e3o territorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo recente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) mostra que o centralismo e a crescente especializa\u00e7\u00e3o no turismo t\u00eam penalizado o crescimento econ\u00f3mico e o n\u00edvel de vida, agravando ainda as assimetrias regionais. O turismo concentra investimento, emprego e rendimentos em poucas \u00e1reas \u2013 essencialmente Lisboa, Algarve e Porto \u2013 enquanto grande parte do interior fica \u00e0 margem. O centralismo pol\u00edtico e administrativo explica e refor\u00e7a esse padr\u00e3o, ao canalizar decis\u00f5es p\u00fablicas, infraestruturas e servi\u00e7os para os mesmos territ\u00f3rios sobrecarregados, sobretudo em torno de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p>O mercado da habita\u00e7\u00e3o reage, naturalmente, a esta concentra\u00e7\u00e3o. As conclus\u00f5es do tema em destaque do Boletim Econ\u00f3mico de dezembro do Banco de Portugal (BdP) s\u00e3o claras: a procura de habita\u00e7\u00e3o como resid\u00eancia habitual tem aumentado de forma significativa, impulsionada pela redu\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o m\u00e9dia dos agregados familiares (associada ao envelhecimento populacional) e, mais recentemente, pela entrada de imigrantes, mesmo num contexto de saldo natural negativo. A oferta, por\u00e9m, n\u00e3o acompanhou este aumento, por ser r\u00edgida no curto prazo e estar ainda a recuperar da crise das d\u00edvidas soberanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Este fen\u00f3meno esconde uma forte heterogeneidade regional. Entre 2021 e 2024, cerca de metade dos munic\u00edpios registou um aumento da procura superior ao da oferta, concentrando cerca de 70% das fam\u00edlias residentes, maioritariamente no litoral. \u00c9 precisamente nestas \u00e1reas que o turismo e a centraliza\u00e7\u00e3o das oportunidades econ\u00f3micas exercem maior poder de atra\u00e7\u00e3o, com Lisboa \u00e0 cabe\u00e7a, n\u00e3o admirando, por isso, que o acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o seja relativamente pior, tendo de longe a maior densidade populacional do pa\u00eds e exibindo custos de congest\u00e3o crescentes, como evidenciado no estudo da FEP.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda um paradoxo conhecido a considerar: Portugal tem, em termos agregados, uma percentagem elevada de resid\u00eancias secund\u00e1rias e de alojamentos vagos. Em muitos munic\u00edpios, esses fogos seriam suficientes para acomodar o crescimento recente das fam\u00edlias. Mas, nas zonas de maior press\u00e3o \u2013 \u00c1rea Metropolitana de Lisboa, Grande Porto, Oeste, Regi\u00e3o de Aveiro e Pen\u00ednsula de Set\u00fabal \u2013 os alojamentos vagos dispon\u00edveis para venda ou arrendamento s\u00e3o escassos ou dif\u00edceis de mobilizar, devido \u00e0 instabilidade regulat\u00f3ria, inseguran\u00e7a jur\u00eddica e elevada rendibilidade hist\u00f3rica do imobili\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, em muitos casos, os propriet\u00e1rios apenas esperam pela subida dos pre\u00e7os at\u00e9 chegar o momento mais oportuno para vender. O BdP n\u00e3o o refere, mas \u00e9 sabido que, nesta categoria cabem movimentos tipicamente especulativos, nomeadamente por parte de alguns fundos de investimento, que podem simplesmente comprar e vender apenas para fazer uma mais-valia, sem qualquer ocupa\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis.<\/p>\n\n\n\n<p>A nova constru\u00e7\u00e3o \u00e9 parte da solu\u00e7\u00e3o e dever\u00e1 continuar a aumentar. Mas, como sublinha o BdP, a sua acelera\u00e7\u00e3o depender\u00e1 do aumento da capacidade produtiva, da produtividade do setor e, sobretudo, da estabilidade e previsibilidade do enquadramento legal.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, por isso, que atuar sobre os v\u00e1rios fatores do lado da procura e da oferta de habita\u00e7\u00e3o, mas nada disso ser\u00e1 suficiente mantendo o modelo econ\u00f3mico. Enquanto o crescimento assentar excessivamente no turismo e em atividades de baixo valor acrescentado, concentradas geograficamente, a press\u00e3o sobre a habita\u00e7\u00e3o persistir\u00e1. A crise da habita\u00e7\u00e3o \u00e9, assim, um sintoma de um problema maior, que exige n\u00e3o apenas pol\u00edticas de habita\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento assente na diversifica\u00e7\u00e3o produtiva e numa verdadeira descentraliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e administrativa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Jornal SOL Um estudo recente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) mostra que o centralismo e a crescente especializa\u00e7\u00e3o no turismo t\u00eam penalizado o crescimento econ\u00f3mico e o n\u00edvel de vida, agravando ainda as assimetrias regionais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,303],"tags":[],"class_list":["post-49544","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-sol"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49544","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=49544"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49544\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49560,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49544\/revisions\/49560"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=49544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=49544"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=49544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}