{"id":49525,"date":"2026-01-22T18:21:26","date_gmt":"2026-01-22T18:21:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49525"},"modified":"2026-01-22T18:21:27","modified_gmt":"2026-01-22T18:21:27","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-134","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49525","title":{"rendered":"Classe m\u00e9dia: muito falada, pouco defendida e apenas remediada na Europa"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">\u00d3scar Afonso, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2026-01-22-classe-media-muito-falada-pouco-defendida-e-apenas-remediada-na-europa-7d06ebd3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Numa vis\u00e3o mais abrangente, a classe m\u00e9dia \u00e9 quem paga a maior parte dos impostos, depende do bom funcionamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos, tem alguma capacidade de consumo e poupan\u00e7a, e acredita que o esfor\u00e7o, a qualifica\u00e7\u00e3o e a progress\u00e3o na carreira compensam<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Classe m\u00e9dia&nbsp;\u00e9 um conceito omnipresente no discurso pol\u00edtico e quase ausente na realidade econ\u00f3mica portuguesa. Invocado em campanhas eleitorais, discursos parlamentares e notas de rodap\u00e9 de or\u00e7amentos, serve sobretudo para legitimar decis\u00f5es que raramente a beneficiam.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos&nbsp;os pol\u00edticos&nbsp;dizem defend\u00ea-la, poucos explicam como, e quase ningu\u00e9m parece disposto a reconhecer que, em Portugal, a classe m\u00e9dia n\u00e3o est\u00e1 apenas pressionada. Est\u00e1 estruturalmente fragilizada,&nbsp;pois&nbsp;vive sob um ataque silencioso&nbsp;feito de decis\u00f5es fragmentadas, promessas vazias e pol\u00edticas p\u00fablicas desenhadas sem pensar nos reais incentivos econ\u00f3micos.&nbsp;N\u00e3o por acaso, cresce a sensa\u00e7\u00e3o de estagna\u00e7\u00e3o, inseguran\u00e7a e desconfian\u00e7a neste&nbsp;grupo que, em teoria, deveria ser o pilar econ\u00f3mico e social do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto porque a classe m\u00e9dia \u00e9, antes de mais, o alvo preferido dos governos para tentar mostrar a sua generosidade, tendo em vista a reelei\u00e7\u00e3o, ao representar a maioria da popula\u00e7\u00e3o,&nbsp;como mostro abaixo, mas&nbsp;\u00e9 tamb\u00e9m aquela onde os governos t\u00eam de ir buscar a maior parte dos recursos p\u00fablicos. Ela&nbsp;paga o grosso dos impostos que financiam subs\u00eddios de que n\u00e3o beneficia diretamente ou&nbsp;usufrui de forma&nbsp;apenas parcial, sofre com servi\u00e7os p\u00fablicos ineficientes e v\u00ea a sua capacidade de poupan\u00e7a e investimento esboroar-se perante pre\u00e7os estruturalmente elevados&nbsp;\u2014&nbsp;mesmo&nbsp;que a infla\u00e7\u00e3o j\u00e1 tenha baixado, os pre\u00e7os n\u00e3o recuam&nbsp;pois h\u00e1 d\u00e9fice de concorr\u00eancia em variados&nbsp;setores&nbsp;\u2014&nbsp;e um mercado imobili\u00e1rio que favorece rentistas e especuladores. O que sobra do discurso ret\u00f3rico s\u00e3o slogans: \u201cdefender a classe m\u00e9dia\u201d tornou-se mais um gesto simb\u00f3lico do que um compromisso&nbsp;efetivo e&nbsp;estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender o paradoxo, basta olhar para o enquadramento fiscal, que analiso mais abaixo, mas antes disso conv\u00e9m precisar o conceito de classe m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos econ\u00f3micos, a classe m\u00e9dia \u00e9 geralmente definida&nbsp;pelas principais organiza\u00e7\u00f5es internacionais&nbsp;como o conjunto de agregados cujo rendimento dispon\u00edvel equivalente se situa entre cerca de 75% e 200% do rendimento mediano, abrangendo uma classe m\u00e9dia-baixa, uma m\u00e9dia \u201ct\u00edpica\u201d e uma m\u00e9dia-alta.&nbsp;Numa no\u00e7\u00e3o mais operacional&nbsp;do&nbsp;discurso pol\u00edtico,&nbsp;trata-se&nbsp;de quem vive essencialmente do rendimento do trabalho, n\u00e3o est\u00e1 em risco imediato de pobreza, mas tamb\u00e9m n\u00e3o disp\u00f5e de patrim\u00f3nio ou rendimentos suficientemente elevados para se proteger de choques econ\u00f3micos relevantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa&nbsp;vis\u00e3o mais abrangente,&nbsp;a classe m\u00e9dia \u00e9 quem paga&nbsp;a maior parte dos&nbsp;impostos, depende do bom funcionamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos, tem alguma capacidade de consumo e poupan\u00e7a, e acredita que o esfor\u00e7o, a qualifica\u00e7\u00e3o e a progress\u00e3o na carreira compensam. Quando estas condi\u00e7\u00f5es deixam de existir, o conceito continua a ser usado no discurso p\u00fablico, mas a classe m\u00e9dia, enquanto grupo economicamente est\u00e1vel e socialmente confiante, come\u00e7a a desaparecer&nbsp;enquanto conceito e&nbsp;ainda&nbsp;fisicamente, via emigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando confrontamos a nossa realidade com a europeia percebe-se facilmente porqu\u00ea. Como o&nbsp;rendimento mediano&nbsp;e m\u00e9dio&nbsp;em Portugal \u00e9 baixo no contexto da Uni\u00e3o Europeia&nbsp;(UE), a classe m\u00e9dia portuguesa \u00e9, em termos&nbsp;relativos, pouco mais do que remediada; a classe alta \u00e9&nbsp;apenas m\u00e9dia \u00e0 escala europeia; e a camada&nbsp;mais&nbsp;desfavorecida aproxima-se perigosamente da indig\u00eancia econ\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro&nbsp;lado,&nbsp;Portugal \u00e9 um dos pa\u00edses da UE com a estrutura salarial mais comprimida. O sal\u00e1rio m\u00ednimo&nbsp;est\u00e1 perto&nbsp;do sal\u00e1rio mediano e at\u00e9 do m\u00e9dio, o que significa que a classe m\u00e9dia \u2014 incluindo a m\u00e9dia-alta \u2014 abrange, na pr\u00e1tica, a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o ativa. N\u00e3o porque os rendimentos sejam elevados, mas porque quase todos se concentram numa faixa estreita de rendimentos relativamente baixos.<\/p>\n\n\n\n<p>Este facto tem consequ\u00eancias profundas. Quando quase todos s\u00e3o estatisticamente \u201cclasse m\u00e9dia\u201d, mas poucos t\u00eam verdadeira margem financeira, qualquer choque \u2014 infla\u00e7\u00e3o, juros, impostos ou habita\u00e7\u00e3o \u2014 transforma-se rapidamente num problema sist\u00e9mico. E ajuda a explicar por que raz\u00e3o o debate fiscal \u00e9 t\u00e3o sens\u00edvel e t\u00e3o mal resolvido. Em Portugal, as taxas de IRS s\u00e3o elevadas para valores de rendimento relativamente baixos no contexto europeu, e a&nbsp;elevada&nbsp;progressividade do imposto,&nbsp;embora&nbsp;visando maior equidade, gera efeitos perversos: desincentiva o esfor\u00e7o adicional, a qualifica\u00e7\u00e3o, a progress\u00e3o na carreira e a reten\u00e7\u00e3o de talento, promovendo a emigra\u00e7\u00e3o dos mais talentosos. Penaliza precisamente quem mais depende do rendimento do trabalho e menos disp\u00f5e de alternativas patrimoniais.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise hist\u00f3rica \u00e9 esclarecedora. Ap\u00f3s o grande aumento do IRS durante a interven\u00e7\u00e3o da troika, a compara\u00e7\u00e3o entre a tabela de 2026&nbsp;e a de 2010 \u2014 ajustando os escal\u00f5es pela infla\u00e7\u00e3o \u2014 mostra que Portugal mant\u00e9m taxas marginais bastante mais elevadas a partir do 7.\u00ba escal\u00e3o, entre&nbsp;43 090 e 46 566&nbsp;euros. Foram precisamente estes escal\u00f5es que ficaram&nbsp;de&nbsp;fora dos desagravamentos dos \u00faltimos anos. Nas minhas simula\u00e7\u00f5es, at\u00e9 rendimentos em torno dos 44 mil euros observa-se apenas uma ligeira descida do IRS pago em 2026&nbsp;face a 2010 com escal\u00f5es atualizados. A partir desse limiar,&nbsp;similar ao&nbsp;rendimento m\u00e9dio de um solteiro sem filhos na&nbsp;UE&nbsp;em 2024, verifica-se um agravamento crescente do imposto pago.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, este \u00e9 exatamente o ponto em que se situa a chamada classe m\u00e9dia-alta portuguesa \u2014 aquela que, em teoria, deveria ser o motor da produtividade, da inova\u00e7\u00e3o e do crescimento econ\u00f3mico. Em vez disso, \u00e9 tratada fiscalmente como se fosse classe alta num pa\u00eds rico, quando na realidade apenas atingiu, com esfor\u00e7o, um patamar m\u00e9dio no contexto europeu. Numa perspetiva de competitividade e esfor\u00e7o fiscal, \u00e9 dif\u00edcil escapar \u00e0 conclus\u00e3o de que Portugal continua a precisar de desagravar o IRS&nbsp;nos&nbsp;v\u00e1rios escal\u00f5es. Uma an\u00e1lise completa exigiria uma compara\u00e7\u00e3o atualizada no contexto da UE, que n\u00e3o cabe aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>A fragilidade da classe m\u00e9dia n\u00e3o se esgota nos impostos. Manifesta-se de forma particularmente vis\u00edvel no acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o.&nbsp;Os pre\u00e7os&nbsp;e as&nbsp;rendas&nbsp;continuam a subir acima da evolu\u00e7\u00e3o dos rendimentos, implicando taxas de esfor\u00e7o incomport\u00e1veis,&nbsp;e&nbsp;as&nbsp;pol\u00edticas p\u00fablicas fragmentadas&nbsp;nesta \u00e1rea&nbsp;\u2014&nbsp;incentivos fiscais&nbsp;como dedu\u00e7\u00f5es no IRS, benef\u00edcios para arrendamento ou cr\u00e9dito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o concebidos de forma&nbsp;dispersa&nbsp;e reativa,&nbsp;e&nbsp;com resultados&nbsp;que s\u00e3o&nbsp;o oposto do anunciado, pois a acessibilidade s\u00f3&nbsp;piorou&nbsp;\u2014&nbsp;obrigam a classe m\u00e9dia a escolhas cada vez mais dif\u00edceis: endividar-se excessivamente, afastar-se dos centros urbanos ou abdicar de poupan\u00e7a e investimento. Ao mesmo tempo, servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais \u2014 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transportes \u2014 revelam limita\u00e7\u00f5es que for\u00e7am muitos agregados a recorrer ao setor privado, pagando duas vezes: primeiro atrav\u00e9s dos impostos, depois atrav\u00e9s da despesa direta. O resultado \u00e9 uma eros\u00e3o cont\u00ednua da seguran\u00e7a econ\u00f3mica e da confian\u00e7a no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isto contrasta com o discurso oficial de crescimento e resili\u00eancia. Portugal cresce, dizem-nos, mas cresce&nbsp;pouco face&nbsp;\u00e0&nbsp;magnitude dos ventos favor\u00e1veis, como tenho denunciado,&nbsp;e pouco para se traduzir materialmente&nbsp;em bem-estar individual, pois a popula\u00e7\u00e3o tem aumentado muito mais do que dizem os dados oficiais do INE, que est\u00e1 a ter dificuldades em&nbsp;a&nbsp;estimar, criando&nbsp;descontrolo&nbsp;estat\u00edstico.&nbsp;Portugal cresce por soma de popula\u00e7\u00e3o, turismo e despesa p\u00fablica&nbsp;alimentada pelo PRR,&nbsp;sobretudo de forma extensiva, por via do aumento do emprego mal pago, e&nbsp;n\u00e3o por ganhos sustentados de produtividade. E quando&nbsp;a produtividade pouco cresce, o n\u00edvel de vida tamb\u00e9m pouco progride&nbsp;\u2014 \u00e9&nbsp;esta triste realidade&nbsp;estrutural, ap\u00f3s duas d\u00e9cadas de m\u00e1s pol\u00edticas p\u00fablicas (salvo honrosas exce\u00e7\u00f5es), que sentem no dia a dia os portugueses de classe m\u00e9dia (alta e baixa) e, em particular, os ainda mais desfavorecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 inc\u00f3moda, mas inevit\u00e1vel. Defender a classe m\u00e9dia n\u00e3o \u00e9 repetir o conceito at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o nem anunciar desagravamentos&nbsp;fiscais&nbsp;pontuais em anos eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 aceitar que, num pa\u00eds de sal\u00e1rios&nbsp;baixos e&nbsp;comprimidos, e impostos elevados sobre o trabalho, a classe m\u00e9dia n\u00e3o precisa de ret\u00f3rica, mas sim de:&nbsp;(i) um&nbsp;crescimento econ\u00f3mico&nbsp;robusto,&nbsp;que retire da&nbsp;pobreza&nbsp;uma fatia&nbsp;significativa&nbsp;da&nbsp;popula\u00e7\u00e3o;&nbsp;(ii)&nbsp;de uma fiscalidade mais equilibrada;&nbsp;(iii)&nbsp;de melhores servi\u00e7os p\u00fablicos&nbsp;\u2014&nbsp;em resultado de uma melhor&nbsp;gest\u00e3o&nbsp;dos recursos, no \u00e2mbito de uma reforma profunda do&nbsp;Estado&nbsp;\u2014;&nbsp;e&nbsp;(iv)&nbsp;de um mercado de habita\u00e7\u00e3o funcional&nbsp;e acess\u00edvel atrav\u00e9s da ado\u00e7\u00e3o de incentivos adequados,&nbsp;ap\u00f3s um diagn\u00f3stico correto&nbsp;\u2014&nbsp;tal ainda n\u00e3o aconteceu, sendo previs\u00edvel que algumas das medidas anunciadas s\u00f3 ir\u00e3o promover mais aumentos de pre\u00e7os e rendas, beneficiando mais o setor imobili\u00e1rio, que n\u00e3o precisa, do que a classe m\u00e9dia&nbsp;\u2014, pois o problema nunca se poder\u00e1 resolver apenas com constru\u00e7\u00e3o p\u00fablica, uma vez que&nbsp;n\u00e3o h\u00e1&nbsp;recursos para tal.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem isso, a classe m\u00e9dia continuar\u00e1 a existir nos discursos e nas estat\u00edsticas, mas cada vez menos na vida real \u2014 e um pa\u00eds sem uma classe m\u00e9dia s\u00f3lida \u00e9 um pa\u00eds condenado \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o, \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o dos mais qualificados e \u00e0 eros\u00e3o silenciosa da sua coes\u00e3o social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Expresso online Numa vis\u00e3o mais abrangente, a classe m\u00e9dia \u00e9 quem paga a maior parte dos impostos, depende do bom funcionamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos, tem alguma capacidade de consumo e poupan\u00e7a, e acredita que o esfor\u00e7o, a qualifica\u00e7\u00e3o e a progress\u00e3o na carreira compensam<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-49525","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49525","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=49525"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49525\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49526,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49525\/revisions\/49526"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=49525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=49525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=49525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}