{"id":4951,"date":"2013-08-08T17:25:52","date_gmt":"2013-08-08T17:25:52","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=4951"},"modified":"2015-12-04T19:14:21","modified_gmt":"2015-12-04T19:14:21","slug":"o-maior-burlao-de-todos-os-tempos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=4951","title":{"rendered":"O maior burl\u00e3o de todos os tempos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jo\u00e3o Pedro Martins, <strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/o-maior-burlao-de-todos-os-tempos=f744671\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/VisaoE271.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Alves dos Reis \u00e9 considerado o maior burl\u00e3o da Hist\u00f3ria de Portugal. O resto s\u00e3o amadores que tentaram plagiar a obra de um artista inigual\u00e1vel.<!--more--><\/p>\n<p>Este humilde cidad\u00e3o portugu\u00eas, com apenas 18 anos j\u00e1 tinha falsificado o diploma do curso de engenharia passado pela Polytechnic School of Engineering, uma escola polit\u00e9cnica inglesa que nunca existiu em Oxford.<\/p>\n<p>S\u00f3crates e Relvas recorreram ao fator cunha para conclu\u00edrem as licenciaturas, quando j\u00e1 tinham idade para serem av\u00f4s de Alves dos Reis. Al\u00e9m disso, ocupavam cargos pol\u00edticos e limitaram-se a copiar, com mais de cem anos de atraso, uma ideia genial e ainda por cima sem a originalidade de escolherem a chancela de uma universidade com um nome pomposo, como Independent University of Lisbon ou Lusophone University.<\/p>\n<p>Alves dos Reis, ao contr\u00e1rio dos banqueiros e dos pol\u00edticos que lideraram Portugal nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, n\u00e3o fez desaparecer dinheiro do er\u00e1rio p\u00fablico com destino a para\u00edsos fiscais. Ele fez circular mais 200 mil notas de 500 escudos, quantia que na \u00e9poca correspondia a 1% do PIB portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Alves dos Reis n\u00e3o falsificou notas de 500 escudos com m\u00e1quinas tipogr\u00e1ficas escondidas na cave de um pr\u00e9dio antigo. Ele falsificou assinaturas para conseguir de forma ileg\u00edtima que a Waterlow &amp; Sons Limited, a casa impressora do Banco de Portugal (BdP), emitisse 200 mil notas de um lote n\u00e3o autorizado pelo BdP. As notas eram aut\u00eanticas e tinham imprimido numa das faces a ef\u00edgie do navegador Vasco da Gama.<\/p>\n<p>Alves dos Reis, a partir do Banco Angola e Metr\u00f3pole, queria controlar as a\u00e7\u00f5es do BdP, na \u00e9poca uma entidade privada. O seu erro foi a ostenta\u00e7\u00e3o que despertou a curiosidade da imprensa e o ci\u00fame de alguns magnatas e pol\u00edticos do seu tempo. Em 5 de dezembro de 1925, quando Alves dos Reis tinha apenas 28 anos, o jornal O S\u00e9culo revelava a hist\u00f3ria e o burl\u00e3o acabou na cadeia.<\/p>\n<p>Alves dos Reis ainda chegou a orquestrar uma estrat\u00e9gia para ludibriar a acusa\u00e7\u00e3o e conseguir enganar o juiz, mas depois de se converter na pris\u00e3o \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 protestante, e para desespero dos seus c\u00famplices, confessou todos os crimes, acabando por ser condenado a uma pena de 20 anos de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Alves dos Reis era o homem certo para renegociar com a troika. Mesmo que os t\u00e9cnicos do FMI n\u00e3o recuassem com a imposi\u00e7\u00e3o de mais medidas de austeridade e os mercados financeiros n\u00e3o estancassem o fluxo das taxas de juros especulativos, ele arranjava um contrato com assinaturas falsificadas e mandava vir contentores cheios de notas de 500 euros para que Portugal voltasse a respirar sa\u00fade e alegria econ\u00f3mica e social.<\/p>\n<p>A grande diferen\u00e7a entre o caso Alves dos Reis e o esc\u00e2ndalo do BPN \u00e9 que o dinheiro n\u00e3o entrou no pa\u00eds, mas saiu dos cofres p\u00fablicos sem que as provas do crime e os criminosos fossem identificados e condenados. Alves dos Reis confessou os crimes em tribunal. Quanto aos criminosos do BPN, duvido que algum dia o fa\u00e7am, mesmo que seja no confession\u00e1rio secreto da Opus Dei ou da Ma\u00e7onaria.<\/p>\n<p>A burla das notas de 500 escudos abalou o sistema pol\u00edtico e financeiro da \u00e9poca, enquanto casos como o BPN, a Universidade Moderna e os submarinos comprados aos alem\u00e3es s\u00e3o p\u00f3lvora seca que n\u00e3o atinge pol\u00edticos e banqueiros no ativo.<\/p>\n<p>O pa\u00eds n\u00e3o precisa de burl\u00f5es, mas de \u00e9tica e dinheiro.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que desapareceram as notas e as boas pr\u00e1ticas, e ficaram apenas os burl\u00f5es e os burlados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Pedro Martins, Vis\u00e3o on line, Alves dos Reis \u00e9 considerado o maior burl\u00e3o da Hist\u00f3ria de Portugal. 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