{"id":49497,"date":"2026-01-01T15:29:56","date_gmt":"2026-01-01T15:29:56","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49497"},"modified":"2026-01-04T15:33:49","modified_gmt":"2026-01-04T15:33:49","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-391","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49497","title":{"rendered":"Crescer exige institui\u00e7\u00f5es fortes, n\u00e3o discursos motivacionais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"color: #005500\"><span style=\"color: #ff0000\">\u00d3scar Afonso, &nbsp;ECO Magazine<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/opiniao\/crescer-exige-instituicoes-fortes-nao-discursos-motivacionais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>A inspira\u00e7\u00e3o de que Portugal precisa neste final de ano n\u00e3o \u00e9 a da exce\u00e7\u00e3o individual, por mais admir\u00e1vel que seja, mas a da constru\u00e7\u00e3o coletiva de um rumo claro, exigente e mobilizador.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>O in\u00edcio de um Novo Ano \u00e9, por tradi\u00e7\u00e3o, um momento prop\u00edcio a balan\u00e7os e a apelos coletivos. Fala-se de futuro, de ambi\u00e7\u00e3o, de mudan\u00e7a. Evocam-se exemplos, escolhem-se s\u00edmbolos, procuram-se inspira\u00e7\u00f5es capazes de mobilizar um pa\u00eds inteiro. Mas, como sempre, a quest\u00e3o decisiva n\u00e3o reside na inspira\u00e7\u00e3o ou no rumo em abstrato, mas sim na escolha da inspira\u00e7\u00e3o e do rumo adequados, come\u00e7ando, desde logo, pelo do pr\u00f3prio Governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal entra no Novo Ano com a economia na fase alta do ciclo econ\u00f3mico, ainda estimulada por fatores tempor\u00e1rios e irrepet\u00edveis, com destaque para o PRR (Programa de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia) \u2013 a somar ao pacote de fundos europeus do Acordo de Parceria Portugal 2030 \u2013 e o surto de turismo p\u00f3s-confinamento, refor\u00e7ado desde 2022 pela imagem de pa\u00eds seguro (al\u00e9m de bonito), longe da guerra, o que tem permitido atrair mais turistas (e algum investimento), embora j\u00e1 se note uma desacelera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o n\u00famero elevado de imigrantes que entrou entre 2017 e 2024 de forma descontrolada e desligada da economia \u2013 cujo crescimento n\u00e3o justificou a magnitude do fluxo migrat\u00f3rio, apontando para que uma boa parte desses estrangeiros esteja ou tenha estado na economia paralela \u2013, devido ao Regime de Manifesta\u00e7\u00e3o de Interesse, n\u00e3o deixa de estimular o consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo beneficiando de ventos extraordinariamente favor\u00e1veis, a economia portuguesa mal conseguiu crescer acima da m\u00e9dia da Uni\u00e3o Europeia (UE). A UE, por seu lado, foi fortemente penalizada pela guerra na Ucr\u00e2nia, em particular pelo fim do acesso \u00e0 energia russa barata \u2014 da qual Portugal n\u00e3o dependia \u2014, com impacto significativo na economia alem\u00e3, a maior economia europeia \u2013 agravando a fragilidade causada pela concorr\u00eancia chinesa, sobretudo no setor autom\u00f3vel \u2013, mas tamb\u00e9m nos pa\u00edses de leste, retirando parte do seu dinamismo. Ainda assim, em Portugal persistem problemas estruturais de longa data que condicionam a produtividade e limitam o potencial de converg\u00eancia com o n\u00edvel de vida das economias europeias mais desenvolvidas, resultantes de uma especializa\u00e7\u00e3o produtiva em atividades de baixo valor acrescentado e fraca produtividade, que se traduz em sal\u00e1rios estruturalmente baixos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Se a economia portuguesa dispusesse de fundamentos estruturais s\u00f3lidos, o atual contexto excecional estaria a traduzir-se em taxas de crescimento pr\u00f3ximas de 4% ao ano, como em per\u00edodos hist\u00f3ricos de verdadeira converg\u00eancia. Em vez disso, o crescimento tem-se mantido pouco acima de 2%, sinal claro de que o impulso \u00e9 maioritariamente conjuntural.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Se a economia portuguesa dispusesse de fundamentos estruturais s\u00f3lidos, o atual contexto excecional estaria a traduzir-se em taxas de crescimento pr\u00f3ximas de 4% ao ano, como em per\u00edodos hist\u00f3ricos de verdadeira converg\u00eancia. Em vez disso, o crescimento tem-se mantido pouco acima de 2%, sinal claro de que o impulso \u00e9 maioritariamente conjuntural. \u00c0 medida que estes fatores extraordin\u00e1rios se esgotem, \u00e9 infelizmente muito prov\u00e1vel que Portugal regresse a uma trajet\u00f3ria de crescimento an\u00e9mico, pr\u00f3xima de 1% ao ano, semelhante \u00e0 que marcou os \u00faltimos 25 anos e manifestamente insuficiente para sustentar aumentos duradouros do n\u00edvel de vida, manter o Estado Social e convergir com a UE.<\/p>\n\n\n\n<p>Reitero que, sem reformas profundas que alinhem incentivos, promovam inova\u00e7\u00e3o e elevem a produtividade, o pa\u00eds continuar\u00e1 a perder terreno relativo, sendo ultrapassado por economias da Europa de leste que, apesar de terem entrado mais tarde na UE e recebido menos fundos, t\u00eam sabido utiliz\u00e1-los de forma mais eficaz, esperando-se que retomem um maior dinamismo com o fim esperado da guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, importa perguntar que tipo de inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 hoje verdadeiramente relevante para o pa\u00eds e a economia, que contribua para elevar as condi\u00e7\u00f5es de vida dos portugueses.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta n\u00e3o reside, a meu ver, em narrativas motivacionais nem em analogias individuais de supera\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque a maioria dos portugueses j\u00e1 se supera diariamente para compensar as insufici\u00eancias persistentes da resposta p\u00fablica em \u00e1reas cruciais como a Sa\u00fade, a Educa\u00e7\u00e3o, a Habita\u00e7\u00e3o ou a Justi\u00e7a. A exig\u00eancia de supera\u00e7\u00e3o relevante deve, por isso, incidir sobretudo sobre quem disp\u00f5e dos instrumentos, da autoridade e da responsabilidade para intervir de forma estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p>Reside, assim, na capacidade de o Governo identificar com clareza os motores do crescimento de longo prazo e alinhar pol\u00edticas p\u00fablicas, institui\u00e7\u00f5es e expectativas sociais em torno desses objetivos, criando um enquadramento que permita transformar esfor\u00e7o individual em progresso coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal n\u00e3o precisa, pois, de inspira\u00e7\u00f5es messi\u00e2nicas, mas sim de aspira\u00e7\u00f5es coletivas sustentadas por pol\u00edticas p\u00fablicas coerentes e institui\u00e7\u00f5es robustas que as tornem exequ\u00edveis. O progresso econ\u00f3mico e social n\u00e3o resulta da impl\u00edcita desvaloriza\u00e7\u00e3o do capital humano existente \u2013 que \u00e9 o que sucede quando se enfatiza apenas o caso concreto numa \u00e1rea em que os principais intervenientes n\u00e3o precisam de ter grandes qualifica\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas, mas sobretudo talento not\u00e1vel a n\u00edvel de desempenho f\u00edsico \u2013, mas da capacidade de lideran\u00e7a para criar enquadramentos, alinhar incentivos e organizar talentos diversos em torno de um objetivo comum. Quando esse enquadramento existe, o desempenho coletivo supera largamente a soma das contribui\u00e7\u00f5es individuais, permitindo transformar potencial disperso em resultados concretos, inova\u00e7\u00e3o efetiva e crescimento econ\u00f3mico mais elevado e inclusivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurar ser o melhor em cada \u00e1rea, inspirando-se em bons exemplos, \u00e9 certamente positivo, n\u00e3o disputo isso, mas ent\u00e3o deve-se apontar exemplos nas v\u00e1rias \u00e1reas, dado que todas s\u00e3o importantes, sublinhando as que v\u00eam das \u00e1reas mais inovadoras \u2013 como a ci\u00eancia e a incorpora\u00e7\u00e3o do conhecimento na economia e na sociedade \u2013, pois o crescimento de longo prazo adv\u00e9m do progresso t\u00e9cnico e da inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais importante ainda \u00e9 ter a funcionar mecanismos e institui\u00e7\u00f5es que promovam a meritocracia em perman\u00eancia, e disso temos, infelizmente, muito pouco \u2013 a come\u00e7ar pela pol\u00edtica, em que \u201ca m\u00e1 moeda\u201d tende a expulsar a \u201cboa moeda\u201d porque o sistema cria incentivos perversos que afastam os melhores da vida p\u00fablica, e \u00e9 da\u00ed que adv\u00e9m uma boa parte dos problemas do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel que, com tanto dinheiro de fundos europeus que entrou neste primeiro quarto de s\u00e9culo do mil\u00e9nio, a culpa da diverg\u00eancia de n\u00edvel de vida com a UE n\u00e3o esteja em m\u00e1s pol\u00edticas e pol\u00edticos que nos governaram nesse per\u00edodo, com honrosas exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel que, com tanto dinheiro de fundos europeus que entrou neste primeiro quarto de s\u00e9culo do mil\u00e9nio, a culpa da diverg\u00eancia de n\u00edvel de vida com a UE n\u00e3o esteja em m\u00e1s pol\u00edticas e pol\u00edticos que nos governaram nesse per\u00edodo, com honrosas exce\u00e7\u00f5es. O contraste \u00e9 grande com as d\u00e9cadas de 1980 e 1990, em que a economia cresceu a ritmo elevado, bem acima da UE, e nos aproximamos dos pa\u00edses mais ricos, numa altura em que foram adotadas reformas importantes que contribu\u00edram para esse resultado.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, crescer n\u00e3o \u00e9 simplesmente \u201cdeixar andar\u201d, confiando que o tempo resolva fragilidades estruturais profundas. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 correr sem uma dire\u00e7\u00e3o certa, acumulando esfor\u00e7os dispersos. Sem um rumo claro, partilhado e mobilizador, arriscamo-nos a avan\u00e7ar coletivamente na dire\u00e7\u00e3o errada, aprofundando fraturas econ\u00f3micas e sociais, ou a permitir que cada um \u201ccorra para o seu lado\u201d, fragmentando ainda mais o pa\u00eds e anulando qualquer estrat\u00e9gia coletiva de desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Crescer exige, por isso, uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica expl\u00edcita e mobilizadora, um horizonte temporal cred\u00edvel \u2014 suficientemente exigente para produzir resultados, mas n\u00e3o t\u00e3o distante que se torne abstrato e desmobilizador \u2014 e a defini\u00e7\u00e3o de marcos interm\u00e9dios claros, que permitam avaliar o progresso, corrigir desvios e refor\u00e7ar a confian\u00e7a no percurso escolhido. Esses marcos t\u00eam de abranger as v\u00e1rias dimens\u00f5es do desenvolvimento, porque elas s\u00e3o indissoci\u00e1veis: n\u00e3o h\u00e1 crescimento econ\u00f3mico sustent\u00e1vel sem coes\u00e3o social, nem converg\u00eancia real, se uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o continuar sem acesso efetivo a sa\u00fade de qualidade, educa\u00e7\u00e3o exigente e habita\u00e7\u00e3o digna. Ignorar estas interdepend\u00eancias \u00e9 comprometer o pr\u00f3prio crescimento que se afirma querer alcan\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Um Estado social mais forte \u2013 com mais provis\u00e3o p\u00fablica ou privada, dependendo das escolhas dos eleitores \u2013, que d\u00ea resposta nessas e noutras \u00e1reas, depende de uma economia mais forte, disso n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida. Definido o rumo mobilizador, calendarizado e monitoriz\u00e1vel, \u00e9 preciso dar \u2018m\u00fasculo\u2019 \u00e0 economia para que esta possa acelerar, o que comporta reformas e pol\u00edticas consonantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho afirmado que entrar na metade de pa\u00edses mais ricos da atual UE no espa\u00e7o de uma d\u00e9cada deve ser um des\u00edgnio nacional. Segundo um trabalho do Gabinete de Estudos da Faculdade de Economia do Porto (FEP), atingir esse objetivo na d\u00e9cada at\u00e9 2033 exigiria elevar o ritmo de crescimento, mediante reformas, para cerca de 3% ao ano, isto admitindo que a UE mant\u00e9m a tend\u00eancia de crescimento desde 1999 (1,5% ao ano). A meta mais robusta \u00e9 conseguir um diferencial de crescimento de, pelo menos, 1,4 pontos percentuais, pelo que, admitindo que o ritmo da UE baixa no atual contexto geopol\u00edtico mais desfavor\u00e1vel, por exemplo para 1% ao ano, ent\u00e3o Portugal precisaria de crescer 2,4% ao ano ou mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratando-se de uma cr\u00f3nica de transi\u00e7\u00e3o entre o final de 2025 e o in\u00edcio de 2026, n\u00e3o \u00e9 minha inten\u00e7\u00e3o sobrecarregar os leitores com n\u00fameros ou an\u00e1lises t\u00e9cnicas. Limito-me, por isso, a apresentar uma leitura sucinta, suficiente para complementar alguns dos aspetos anteriormente referidos, que considero relevantes para uma reflex\u00e3o informada sobre o momento que o pa\u00eds atravessa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A inova\u00e7\u00e3o como base do crescimento de longo prazo<\/h3>\n\n\n\n<p>A ci\u00eancia econ\u00f3mica \u2014 em particular a literatura sobre crescimento econ\u00f3mico \u2014 \u00e9 hoje clara e amplamente consensual: no longo prazo, o crescimento do rendimento per capita, isto \u00e9, do n\u00edvel de vida, depende essencialmente do progresso t\u00e9cnico. N\u00e3o \u00e9 a mera acumula\u00e7\u00e3o extensiva de fatores, nem o esfor\u00e7o isolado dos indiv\u00edduos, nem t\u00e3o-pouco o simples apelo gen\u00e9rico \u00e0 mudan\u00e7a de atitudes que explicam trajet\u00f3rias sustentadas de melhoria do bem-estar. O fator decisivo \u00e9 a capacidade de gerar, absorver e difundir conhecimento, num processo cumulativo e auto-refor\u00e7ado. Esta vis\u00e3o \u00e9 hoje solidamente ancorada na investiga\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia, como a de Philippe Aghion e Peter Howitt \u2014 distinguidos com o Pr\u00e9mio Nobel da Economia em 2025 \u2014 e de Daron Acemoglu, laureado em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>O progresso t\u00e9cnico materializa-se em inova\u00e7\u00e3o, em processos produtivos mais eficientes, em bens e servi\u00e7os com maior incorpora\u00e7\u00e3o de conhecimento, em organiza\u00e7\u00f5es mais produtivas e em institui\u00e7\u00f5es capazes de aprender e adaptar-se. Pressup\u00f5e, al\u00e9m disso, um ambiente concorrencial saud\u00e1vel, que evite a concentra\u00e7\u00e3o excessiva de poder econ\u00f3mico e promova a difus\u00e3o das melhores pr\u00e1ticas. \u00c9 este progresso que permite pagar sal\u00e1rios mais elevados sem perder competitividade, reter e atrair talento qualificado e criar valor econ\u00f3mico duradouro, sustentando uma converg\u00eancia real e n\u00e3o meramente conjuntural do n\u00edvel de vida.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Os pa\u00edses que conseguiram convergir rapidamente \u2014 como a Coreia do Sul, a Finl\u00e2ndia, a Irlanda ou o Jap\u00e3o \u2014 n\u00e3o o fizeram por disporem de recursos naturais abundantes, nem por recorrerem a discursos mais inspiradores ou mobilizadores, mas por terem feito escolhas estrat\u00e9gicas consistentes, assentes no investimento continuado em ci\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os pa\u00edses que conseguiram convergir rapidamente \u2014 como a Coreia do Sul, a Finl\u00e2ndia, a Irlanda ou o Jap\u00e3o \u2014 n\u00e3o o fizeram por disporem de recursos naturais abundantes, nem por recorrerem a discursos mais inspiradores ou mobilizadores, mas por terem feito escolhas estrat\u00e9gicas consistentes, assentes no investimento continuado em ci\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o verdadeiramente relevante foi institucional, n\u00e3o simb\u00f3lica. \u00c9 o funcionamento do sistema pol\u00edtico e de institui\u00e7\u00f5es fortes que cria os incentivos adequados, valoriza o empreendedorismo, enquadra a iniciativa individual e permite transformar talento em crescimento econ\u00f3mico sustentado e redu\u00e7\u00e3o estrutural da pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se analisam os indicadores relevantes, o diagn\u00f3stico para Portugal evidencia lacunas claras. A despesa em investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento por habitante permanece baixa face aos pa\u00edses com os quais ambicionamos convergir. Mais preocupante ainda \u00e9 a fraca transforma\u00e7\u00e3o do conhecimento em valor econ\u00f3mico, resultante da pouca articula\u00e7\u00e3o entre Academia e empresas, apesar de alguns progressos.<\/p>\n\n\n\n<p>O peso das exporta\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os de elevada tecnologia e forte incorpora\u00e7\u00e3o de conhecimento continua reduzido, confirmando a especializa\u00e7\u00e3o em atividades de pouca sofistica\u00e7\u00e3o. Apesar de progressos em nichos espec\u00edficos, a estrutura produtiva mant\u00e9m-se excessivamente dependente de setores de baixo valor acrescentado, intensivos em trabalho pouco qualificado e vulner\u00e1veis \u00e0 concorr\u00eancia baseada em custos \u2013 com realce para o turismo, onde \u00e9 poss\u00edvel evoluir em qualifica\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o e diversifica\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o e no tempo (redu\u00e7\u00e3o da sazonalidade).<\/p>\n\n\n\n<p>Estes factos ajudam a explicar sal\u00e1rios m\u00e9dios baixos, dificuldades na reten\u00e7\u00e3o de jovens qualificados e a sua emigra\u00e7\u00e3o persistente, que hipoteca o nosso futuro econ\u00f3mico e demogr\u00e1fico, num ciclo vicioso.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o problemas estruturais que n\u00e3o se resolvem com apelos gen\u00e9ricos \u00e0 supera\u00e7\u00e3o. Resolvem-se com pol\u00edticas consistentes, persistentes e avali\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Da exce\u00e7\u00e3o \u00e0 estrat\u00e9gia: Institui\u00e7\u00f5es fortes, e a ci\u00eancia e a inova\u00e7\u00e3o como fontes de inspira\u00e7\u00e3o coletiva<\/h3>\n\n\n\n<p>Portugal aprecia \u2014 e bem \u2014 hist\u00f3rias de sucesso individual. Mas h\u00e1 um risco recorrente em confundir exce\u00e7\u00e3o com modelo. O talento excecional que triunfa apesar das limita\u00e7\u00f5es do contexto n\u00e3o pode substituir uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento econ\u00f3mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Um pa\u00eds n\u00e3o cresce porque alguns conseguem superar o sistema. Cresce quando consegue construir um sistema, assente em institui\u00e7\u00f5es fortes, que reduz a necessidade de supera\u00e7\u00e3o individual extrema. A verdadeira ambi\u00e7\u00e3o coletiva est\u00e1 em tornar o sucesso menos improv\u00e1vel, n\u00e3o mais heroico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que as met\u00e1foras utilizadas para falar de progresso s\u00e3o relevantes. Algumas limitam-se a mobilizar emo\u00e7\u00f5es; outras, por\u00e9m, ajudam a pensar a mudan\u00e7a e a estruturar pol\u00edticas p\u00fablicas. Num contexto em que os desafios do crescimento dependem cada vez mais da inova\u00e7\u00e3o e do conhecimento acumulado, faz sentido procurar inspira\u00e7\u00e3o precisamente nos dom\u00ednios onde esses fatores s\u00e3o efetivamente produzidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se quisermos identificar inspira\u00e7\u00f5es alinhadas com os desafios reais da economia portuguesa e mundial, a ci\u00eancia oferece exemplos particularmente relevantes. N\u00e3o como s\u00edmbolo abstrato, mas como pr\u00e1tica concreta de cria\u00e7\u00e3o de valor ao longo do tempo, em benef\u00edcio dos cidad\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Ant\u00f3nio Dam\u00e1sio \u00e9 um exemplo not\u00e1vel. O seu trabalho em neuroci\u00eancia teve impacto cient\u00edfico global e influenciou \u00e1reas t\u00e3o diversas como a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade e a compreens\u00e3o do comportamento humano e econ\u00f3mico. \u00c9 um caso claro de como o investimento prolongado em conhecimento fundamental gera retornos amplos e duradouros.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ant\u00f3nio Dam\u00e1sio \u00e9 um exemplo not\u00e1vel. O seu trabalho em neuroci\u00eancia teve impacto cient\u00edfico global e influenciou \u00e1reas t\u00e3o diversas como a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade e a compreens\u00e3o do comportamento humano e econ\u00f3mico. \u00c9 um caso claro de como o investimento prolongado em conhecimento fundamental gera retornos amplos e duradouros.<\/p>\n\n\n\n<p>Elvira Fortunato representa outra dimens\u00e3o essencial: a investiga\u00e7\u00e3o aplicada com potencial industrial. A eletr\u00f3nica transparente e sustent\u00e1vel desenvolvida pelas suas equipas colocou Portugal na linha da frente de um dom\u00ednio tecnol\u00f3gico estrat\u00e9gico, demonstrando que \u00e9 poss\u00edvel ligar ci\u00eancia de fronteira, sustentabilidade e inova\u00e7\u00e3o produtiva. Numa \u00e1rea conexa, a das energias renov\u00e1veis e armazenamento de energia, temos o exemplo inspirador de Ad\u00e9lio Mendes, que tem contribu\u00eddo para solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas de impacto econ\u00f3mico e ambiental a n\u00edvel nacional e internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes exemplos n\u00e3o s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es isoladas. Veja-se, por exemplo, o falecido f\u00edsico Nuno Loureiro, na \u00e1rea emergente e crucial (para o futuro da humanidade) da fus\u00e3o nuclear. Maria Mota, na investiga\u00e7\u00e3o biom\u00e9dica, com impacto global no estudo da mal\u00e1ria e combate \u00e0s doen\u00e7as infeciosas. Fernando Pacheco-Torgal, na investiga\u00e7\u00e3o de materiais e tecnologias de constru\u00e7\u00e3o sustent\u00e1veis, com forte reconhecimento internacional. Jo\u00e3o Gama, um dos maiores especialistas nacionais na \u00e1rea da Intelig\u00eancia Artificial e Machine Learning. Henrique Leit\u00e3o, na hist\u00f3ria e filosofia da ci\u00eancia, destacando o papel do conhecimento cient\u00edfico na sociedade. Em \u00e1reas de interface entre ci\u00eancia, pol\u00edtica e sociedade, figuras como Alexandre Quintanilha ilustram a import\u00e2ncia de traduzir conhecimento cient\u00edfico em decis\u00f5es p\u00fablicas informadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m nas ci\u00eancias econ\u00f3micas \u2013 a minha \u00e1rea, onde poderia referir muitos exemplos not\u00e1veis, desde logo na FEP, mas prefiro n\u00e3o referir nomes para n\u00e3o ser injusto \u2013, existe investiga\u00e7\u00e3o de elevada qualidade sobre produtividade, inova\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o das empresas e pol\u00edticas p\u00fablicas baseadas em evid\u00eancia, precisamente os temas centrais para uma estrat\u00e9gia s\u00e9ria de crescimento. Cito, nesta \u00e1rea, apenas o S\u00e9rgio Rebelo, outro exemplo claro de excel\u00eancia cient\u00edfica amplamente apreciada no exterior, com contributos fundamentais para a macroeconomia e a teoria do crescimento, produzidos em institui\u00e7\u00f5es de topo a n\u00edvel mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>O tra\u00e7o comum a estes percursos n\u00e3o reside numa genialidade isolada, mas na exist\u00eancia \u2014 ainda que imperfeita \u2014 de institui\u00e7\u00f5es e redes que permitem acumular conhecimento, cooperar internacionalmente e competir ao mais alto n\u00edvel. Na maioria dos casos, o reconhecimento da excel\u00eancia cient\u00edfica portuguesa foi inicialmente constru\u00eddo fora do pa\u00eds ou em estreita articula\u00e7\u00e3o com contextos internacionais, que souberam conferir visibilidade, credibilidade e autonomia a esses percursos. Esse reconhecimento externo revelou-se frequentemente decisivo, num contexto institucional e pol\u00edtico nacional que tende a n\u00e3o valorizar nem a integrar plenamente trajet\u00f3rias cient\u00edficas excecionais que escapam \u00e0s l\u00f3gicas dominantes, limitando a sua proje\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia no espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o: A inspira\u00e7\u00e3o certa para o novo ano \u00e9 inovar<\/h3>\n\n\n\n<p>As mensagens institucionais de Ano Novo t\u00eam um valor simb\u00f3lico relevante, mas s\u00e3o tamb\u00e9m reveladoras das prioridades pol\u00edticas, tanto pelas escolhas expl\u00edcitas como pelas omiss\u00f5es. Num contexto em que se invocam frequentemente a ambi\u00e7\u00e3o, a supera\u00e7\u00e3o e o futuro, torna-se significativo que mat\u00e9rias como a ci\u00eancia, a inova\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada ou a estrutura produtiva raramente ocupem lugar central no discurso p\u00fablico. Essa aus\u00eancia sugere uma desloca\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia de supera\u00e7\u00e3o para o plano individual, quando ela deveria incidir sobretudo sobre quem disp\u00f5e dos instrumentos, da responsabilidade e da capacidade de decis\u00e3o para definir e executar uma estrat\u00e9gia coletiva de desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Falar de mentalidade e supera\u00e7\u00e3o pode at\u00e9 mobilizar alguns, mas \u00e9 prov\u00e1vel que possa ser considerado bastante injusto e at\u00e9 provocador para muitos mais, atendendo aos muitos obst\u00e1culos que os portugueses j\u00e1 enfrentam e superam no seu dia-a-dia. Mais importante, os desafios que condicionam o crescimento potencial \u2014 da produtividade \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, da qualifica\u00e7\u00e3o ao funcionamento das institui\u00e7\u00f5es \u2014 exigem mais do que inspira\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica. Exigem planos, metas, recursos e continuidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, a inspira\u00e7\u00e3o de que Portugal verdadeiramente precisa neste final de ano n\u00e3o \u00e9 a da exce\u00e7\u00e3o individual, por mais admir\u00e1vel que seja, mas a da constru\u00e7\u00e3o coletiva de um rumo claro, exigente e mobilizador. Um rumo que assente no conhecimento, na ci\u00eancia, na inova\u00e7\u00e3o e em institui\u00e7\u00f5es que funcionem de forma meritocr\u00e1tica e previs\u00edvel \u2013 a come\u00e7ar pelo pr\u00f3prio Estado, a precisar de uma reforma profunda \u2013, criando incentivos para que o talento flores\u00e7a e se traduza em valor econ\u00f3mico e social.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Se quisermos um Estado social mais forte, capaz de dar respostas eficazes em \u00e1reas como a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o, a habita\u00e7\u00e3o ou a justi\u00e7a, precisamos inevitavelmente de uma economia mais robusta, mais produtiva e mais inovadora. N\u00e3o h\u00e1 atalhos nem met\u00e1foras que substituam esse facto elementar.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Crescer n\u00e3o \u00e9 \u201cdeixar andar\u201d, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 correr sem dire\u00e7\u00e3o ou em todas as dire\u00e7\u00f5es. Sem um rumo claro, calendarizado e monitoriz\u00e1vel, a energia coletiva dispersa-se, os esfor\u00e7os anulam-se e o pa\u00eds arrisca-se a perder mais uma d\u00e9cada. A hist\u00f3ria recente mostra que tempo perdido em mat\u00e9ria de crescimento e converg\u00eancia dificilmente \u00e9 recuperado.<\/p>\n\n\n\n<p>Se quisermos um Estado social mais forte, capaz de dar respostas eficazes em \u00e1reas como a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o, a habita\u00e7\u00e3o ou a justi\u00e7a, precisamos inevitavelmente de uma economia mais robusta, mais produtiva e mais inovadora. N\u00e3o h\u00e1 atalhos nem met\u00e1foras que substituam esse facto elementar.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio \u00e9, pois, menos ret\u00f3rico e mais substantivo: transformar ambi\u00e7\u00f5es em metas, metas em pol\u00edticas coerentes e pol\u00edticas em resultados avali\u00e1veis. Fazer do progresso t\u00e9cnico e da inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas palavras do discurso pol\u00edtico, mas o verdadeiro eixo estruturante da estrat\u00e9gia econ\u00f3mica do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o certa para o novo ano n\u00e3o \u00e9 messi\u00e2nica nem providencial. \u00c9 exigente, racional e coletiva. E passa por assumir, sem ilus\u00f5es, que o crescimento sustent\u00e1vel e inclusivo se constr\u00f3i com escolhas dif\u00edceis, institui\u00e7\u00f5es fortes e pol\u00edticas \u00e0 altura do des\u00edgnio nacional que se proclama.<\/p>\n\n\n\n<p>O des\u00edgnio nacional mobilizador que proponho para Portugal \u00e9 entrar no espa\u00e7o de uma d\u00e9cada na metade de pa\u00edses mais ricos da atual UE mediante reformas profundas em v\u00e1rias \u00e1reas \u2013 com indicadores de progresso facilmente monitoriz\u00e1veis pelos portugueses \u2013 que permitam \u00e0 economia crescer significativamente acima da UE (1,4 p.p. ou mais).<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo sobre reformas estruturais encomendado pela Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Porto \u00e0 FEP ir\u00e1, estou em crer, apontar caminhos importantes para que possamos cumprir esse des\u00edgnio, assim sejam seguidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, &nbsp;ECO Magazine A inspira\u00e7\u00e3o de que Portugal precisa neste final de ano n\u00e3o \u00e9 a da exce\u00e7\u00e3o individual, por mais admir\u00e1vel que seja, mas a da constru\u00e7\u00e3o coletiva de um rumo claro, exigente e mobilizador.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,298],"tags":[],"class_list":["post-49497","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-outras"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=49497"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49497\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49498,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49497\/revisions\/49498"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=49497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=49497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=49497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}