{"id":49461,"date":"2025-12-16T18:21:29","date_gmt":"2025-12-16T18:21:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49461"},"modified":"2025-12-21T18:23:32","modified_gmt":"2025-12-21T18:23:32","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-387","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49461","title":{"rendered":"O IgNobel da Economia vai para\u2026 Portugal em 1.\u00ba segundo a The Economist"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><span><span style=\"color: rgb(255, 0, 0); font-weight: bold;\">\u00d3scar Afonso, Jornal SOL<\/span><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/sol.sapo.pt\/2025\/12\/16\/o-ignobel-da-economia-vai-para-portugal-em-1-o-segundo-a-the-economist\/\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Crescer apenas ligeiramente acima da UE face a este assomo de ventos favor\u00e1veis s\u00f3 confirma que o potencial da economia \u00e9 baixo e que h\u00e1 bloqueios urgentes a remover.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Nesta semana, o Governo festejou a distin\u00e7\u00e3o da revista&nbsp;<em>The Economist<\/em>, que colocou Portugal como a&nbsp;<strong>\u00abEconomia do ano\u00bb<\/strong>&nbsp;na OCDE em 2025,&nbsp;<strong>\u00abDoce como um pastel de nata\u00bb<\/strong>, ajudando a sustentar o discurso de que tudo vai bem na economia do \u2018Pa\u00eds das Maravilhas\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o poderia deixar de comentar, pois como \u00e9 sabido, sou fortemente cr\u00edtico desta leitura complacente do discurso dominante, que contrario abaixo de forma veemente.<\/p>\n\n\n\n<p>Reitero que, sem reformas de fundo, voltaremos ao crescimento m\u00e9dio an\u00e9mico de 1% ao ano registado desde 1999, passado um conjunto de fatores extraordin\u00e1rios que t\u00eam permitido a economia crescer um pouco acima da Uni\u00e3o Europeia (UE) nos anos mais recentes: (i) o PRR, que acaba em 2026; (ii) o surto de turismo p\u00f3s-confinamento, j\u00e1 a abrandar; (iii) a guerra na Ucr\u00e2nia, que travou o resto da UE e nos deu vantagens tempor\u00e1rias na atra\u00e7\u00e3o de turistas adicionais e alguns investimentos (pela imagem de pa\u00eds seguro, longe do conflito), mas que cessar\u00e3o quando houver paz; (iv) a entrada desregulada de imigrantes devido ao regime de Manifesta\u00e7\u00e3o de Interesse, criado em 2017 e findo em 2024, pois mesmo que uma parte significativa esteja (ou tenha estado) na economia paralela, como sugerem os dados, beneficia sempre alguma coisa o PIB oficial por via do consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>Crescer apenas ligeiramente acima da UE face a este assomo de ventos favor\u00e1veis s\u00f3 confirma que o potencial da economia \u00e9 baixo e que h\u00e1 bloqueios urgentes a remover.<\/p>\n\n\n\n<p>Passo agora a uma an\u00e1lise breve, mas contundente, sobre o<em>&nbsp;ranking&nbsp;<\/em>da revista, que deveria fazer corar de vergonha os seus respons\u00e1veis e lev\u00e1-los a terminar a divulga\u00e7\u00e3o o mais depressa poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cinco crit\u00e9rios de an\u00e1lise do referido<em>&nbsp;ranking<\/em>, reportados ao ano em causa, s\u00e3o: o crescimento do PIB; a evolu\u00e7\u00e3o do emprego; a infla\u00e7\u00e3o e o seu desvio face \u00e0 OCDE; e a valoriza\u00e7\u00e3o do mercado de a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, faz pouco sentido, a meu ver, uma an\u00e1lise de indicadores que podem melhorar muito num ano apenas porque recuperaram face a um mau ano precedente (problema comum a rankings deste g\u00e9nero, que a meu ver s\u00e3o pouco informativos), como \u00e9 o caso do PIB ou, mais frequentemente, da evolu\u00e7\u00e3o da bolsa. Faria mais sentido usar indicadores de desvio face a tend\u00eancias passadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, nos indicadores escolhidos, salta logo \u00e0 vista um erro crucial, que \u00e9 a dupla inclus\u00e3o do emprego \u2013 ao estar tamb\u00e9m presente na evolu\u00e7\u00e3o do PIB, que se reparte entre emprego e produtividade do trabalho, como qualquer economista sabe \u2013, o que favorece economias mais trabalho intensivas, com realce para as do sul da Europa, especializadas em turismo. A sequ\u00eancia de vencedores dos \u00faltimos cinco anos \u2013 It\u00e1lia (2021), Gr\u00e9cia (2022 e 2023), Espanha (2024) e agora Portugal (2025) \u2013 diz mais sobre o pr\u00f3prio&nbsp;<em>ranking<\/em>&nbsp;do que sobre o m\u00e9rito econ\u00f3mico real dos pa\u00edses distinguidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de a revista ter usado extensivamente o acr\u00f3nimo ingl\u00eas PIIGS (Portugal, Italy, Ireland, Greece, Spain) durante a crise de dividas soberanas e, anteriormente, o original PIGS (excluindo a Irlanda), que podem ser considerados ofensivos, talvez tenha sido esta a forma de se tentar redimir, criando um&nbsp;<em>ranking&nbsp;<\/em>que favorece as economias do sul da Europa, mas que manifestamente faz pouco sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal ficou em primeiro devido aos fatores extraordin\u00e1rios que j\u00e1 referi, necessariamente tempor\u00e1rios, num&nbsp;<em>ranking&nbsp;<\/em>que mais deveria chamar-se \u2018perdoa-me, Europa do sul\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Como portugu\u00eas, preferia que o ranking n\u00e3o existisse e, assim, a not\u00edcia nunca tivesse surgido, pois \u00e9 perniciosa a v\u00e1rios n\u00edveis, como expliquei. Elogios injustificados s\u00e3o prejudiciais, tal como doces a mais fazem mal, como qualquer m\u00e9dico sabe \u2013 mesmo a nossa saborosa nata.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conclus\u00e3o, com base na minha an\u00e1lise, penso que o melhor \u00e9 encarar este ranking como uma brincadeira e propor a sua candidatura ao pr\u00e9mio IgNobel da economia na pr\u00f3xima oportunidade. Se fosse governante, evitaria o regozijo do primeiro lugar num&nbsp;<em>ranking&nbsp;<\/em>de constru\u00e7\u00e3o e natureza muito duvidosos, para dizer o m\u00ednimo, e que n\u00e3o pode ser levado a s\u00e9rio pelos motivos elencados.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Jornal SOL Crescer apenas ligeiramente acima da UE face a este assomo de ventos favor\u00e1veis s\u00f3 confirma que o potencial da economia \u00e9 baixo e que h\u00e1 bloqueios urgentes a remover.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,303],"tags":[],"class_list":["post-49461","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-sol"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49461","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=49461"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49461\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49462,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49461\/revisions\/49462"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=49461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=49461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=49461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}