{"id":49445,"date":"2025-12-09T18:09:27","date_gmt":"2025-12-09T18:09:27","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49445"},"modified":"2025-12-13T18:11:36","modified_gmt":"2025-12-13T18:11:36","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-130","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49445","title":{"rendered":"Pol\u00edtica anticorrup\u00e7\u00e3o: fechados para balan\u00e7o?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">Rute Serra, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2025-12-09-politica-anticorrupcao-fechados-para-balanco--b9064cc4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>A li\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, inequ\u00edvoca: n\u00e3o basta confiar na robustez formal das institui\u00e7\u00f5es; \u00e9 preciso refor\u00e7ar os seus mecanismos internos de resili\u00eancia. E isso implica normas claras, fiscaliza\u00e7\u00e3o independente, cultura organizacional de integridade e uma vigil\u00e2ncia permanente por parte da sociedade civil<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Habitu\u00e1mo-nos, em especial nos \u00faltimos anos, a assistir durante o m\u00eas de dezembro \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o desenfreada de iniciativas p\u00fablicas alinhadas com a comemora\u00e7\u00e3o do Dia Internacional de Combate \u00e0 Corrup\u00e7\u00e3o \u2013 9 de dezembro. Este ano, o exerc\u00edcio refletivo que este m\u00eas impele surge envolto numa densidade particular. A Europa encontra-se num ciclo de reconfigura\u00e7\u00e3o normativa e institucional:&nbsp;&nbsp;desde 2023 que a Comiss\u00e3o Europeia elabora uma diretiva anticorrup\u00e7\u00e3o destinada a uniformizar, pela primeira vez, o entendimento jur\u00eddico da corrup\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o comunit\u00e1rio \u2014 um projeto que apenas recentemente obteve um acordo pol\u00edtico preliminar entre o Parlamento, o Conselho e a pr\u00f3pria Comiss\u00e3o, e que aguarda ainda aprova\u00e7\u00e3o formal.<\/p>\n\n\n\n<p>Este normativo representa um esfor\u00e7o de harmoniza\u00e7\u00e3o que ultrapassa o mero tecnicismo jur\u00eddico. Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, a abordagem ao fen\u00f3meno tem variado amplamente entre Estados-Membros, produzindo um mosaico desigual de conceitos, tipifica\u00e7\u00f5es e n\u00edveis de repress\u00e3o. Esta heterogeneidade, que poderia ser toler\u00e1vel em mat\u00e9rias de menor gravidade, revelou-se contraproducente num dom\u00ednio intrinsecamente transnacional: a corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o respeita fronteiras, migra entre sistemas e procura inevitavelmente os pontos de menor resist\u00eancia. A iniciativa da Comiss\u00e3o traduz, queremos crer, uma tentativa de fortalecer a arquitetura moral e institucional da Uni\u00e3o, assegurando que o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o deixa de depender de acasos nacionais e passa a assentar num compromisso compartilhado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De todo o modo, a motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica desta diretiva n\u00e3o nasce no vazio. A Europa foi recentemente confrontada com epis\u00f3dios que expuseram como a integridade das suas institui\u00e7\u00f5es pode ser perme\u00e1vel. O Qatargate n\u00e3o foi apenas um incidente isolado: foi a demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de que redes de influ\u00eancia, interesses externos e pr\u00e1ticas corruptivas podem infiltrar-se nas engrenagens de decis\u00e3o europeias, com potencial para distorcer prioridades p\u00fablicas e comprometer a legitimidade dos processos democr\u00e1ticos. Mais recentemente, as deten\u00e7\u00f5es ocorridas no contexto do Natogate (suspeitas de corrup\u00e7\u00e3o sobre a NATO Support and Procurement Agency (NSPA), em que antigos funcion\u00e1rios da ag\u00eancia s\u00e3o acusados de facilitar contratos militares a empresas privadas, mediante subornos e acesso a informa\u00e7\u00f5es privilegiadas) expuseram a vulnerabilidade das institui\u00e7\u00f5es europeias a influ\u00eancias externas e a pr\u00e1ticas il\u00edcitas de sedu\u00e7\u00e3o do poder.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 neste cen\u00e1rio pouco buc\u00f3lico, marcado pela instabilidade, que surge o imperativo de refor\u00e7o das capacidades de defesa dos Estados-Membros. Estes vetores, aparentemente distintos, convergem numa mesma interroga\u00e7\u00e3o: estaremos a dotar o Estado \u2014 e a Uni\u00e3o \u2014 de condi\u00e7\u00f5es institucionais s\u00f3lidas para resistir \u00e0 eros\u00e3o silenciosa da integridade p\u00fablica? Enquanto se discutem reformas normativas, a realidade geopol\u00edtica imp\u00f5e outra urg\u00eancia. A guerra na Ucr\u00e2nia e a instabilidade internacional desencadearam um movimento de rearmamento e de aumento da despesa em defesa por parte de grande parte dos pa\u00edses europeus. Portugal acompanha esta tend\u00eancia, quer por imperativos de seguran\u00e7a, quer pelo compromisso de progress\u00e3o para os 2% do PIB exigidos pela NATO.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, a hist\u00f3ria demonstra que a defesa constitui um dos setores onde o risco de corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 mais acentuado. Os contratos militares envolvem valores avultados, tecnologias complexas e margens de confidencialidade que, se n\u00e3o forem cuidadosamente reguladas, podem criar zonas de sombra onde prosperam pr\u00e1ticas opacas. Quando o Estado investe massivamente em capacidades militares sem refor\u00e7ar simultaneamente os instrumentos de controlo, abre-se uma brecha perigosa entre necessidade estrat\u00e9gica e escrut\u00ednio democr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>A li\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, inequ\u00edvoca: n\u00e3o basta confiar na robustez formal das institui\u00e7\u00f5es; \u00e9 preciso refor\u00e7ar os seus mecanismos internos de resili\u00eancia. E isso implica normas claras, fiscaliza\u00e7\u00e3o independente, cultura organizacional de integridade e uma vigil\u00e2ncia permanente por parte da sociedade civil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 neste enquadramento europeu que Portugal deve considerar o seu pr\u00f3prio percurso. A avalia\u00e7\u00e3o da anterior Estrat\u00e9gia Nacional Anticorrup\u00e7\u00e3o permanece por concluir; a conce\u00e7\u00e3o de uma nova estrat\u00e9gia, entretanto anunciada, tarda em consolidar-se; o regime de transpar\u00eancia da influ\u00eancia pol\u00edtica (regula\u00e7\u00e3o do l\u00f3bi), ap\u00f3s dez anos de intermit\u00eancias, parece agora prestes a avan\u00e7ar, com a aprova\u00e7\u00e3o h\u00e1 dias de um diploma na especialidade. Estas insufici\u00eancias n\u00e3o constituem meros detalhes administrativos: representam fragilidades estruturais que podem minar a capacidade do pa\u00eds para enfrentar os desafios que se avolumam.<\/p>\n\n\n\n<p>No essencial, o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o diz apenas respeito a desvios individuais, mas \u00e0 capacidade de uma comunidade pol\u00edtica se governar segundo princ\u00edpios de justi\u00e7a, probidade e responsabilidade p\u00fablica. A integridade, nesse sentido, \u00e9 um bem coletivo, que deve, portanto, ser defendido n\u00e3o apenas em dezembro, mas todos os segundos do ano: n\u00e3o se v\u00ea, mas sente-se na confian\u00e7a social; n\u00e3o ocupa manchetes quando funciona, mas compromete o futuro quando falha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rute Serra, Expresso online A li\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, inequ\u00edvoca: n\u00e3o basta confiar na robustez formal das institui\u00e7\u00f5es; \u00e9 preciso refor\u00e7ar os seus mecanismos internos de resili\u00eancia. 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