{"id":4942,"date":"2013-07-25T14:31:09","date_gmt":"2013-07-25T14:31:09","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=4942"},"modified":"2015-12-04T19:14:21","modified_gmt":"2015-12-04T19:14:21","slug":"a-teoria-dual-do-ser-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=4942","title":{"rendered":"A teoria dual do ser humano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Henrique Santos, <strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/a-teoria-dual-do-ser-humano=f742518\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/VisaoE267.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>\"Se s\u00f3 existisse um ser humano \u00e0 face da terra (...) mesmo assim ele cometeria fraude?\"<!--more--><\/p>\n<p>Por vezes gostar\u00edamos de ser, no m\u00ednimo, duas pessoas, e essa concretiza\u00e7\u00e3o \u00e9 tanto mais plaus\u00edvel quanto a vontade que temos de ser o que n\u00e3o somos, ou de n\u00e3o ser aquilo que somos, isto \u00e9, podemos n\u00f3s desligar a ficha e ser bipolares no que diz respeito ao que defendemos e ao que fazemos? Existe um \"teoria\" associada \u00e0 igreja cat\u00f3lica que diz que sim \"olha para o que eu digo e n\u00e3o para o que eu fa\u00e7o\".<\/p>\n<p>Acredito que n\u00e3o seja f\u00e1cil algu\u00e9m ser um exemplo para todos e tudo. As exig\u00eancias di\u00e1rias s\u00e3o demasiadas e nem sempre \u00e9 poss\u00edvel ao ser humano dar uma resposta considerada adequada (pelo menos no dom\u00ednio \u00e9tico), dentro de qualquer esfera social.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 fraude isso \u00e9 uma constante, \u00e9 at\u00e9, acredito, a forma de se racionalizar as decis\u00f5es que tomamos e os atos que realizamos. Sei bem que esta \u00e9 uma teoria bem estudada, mas quando nos envolvemos com os humanos n\u00e3o existem quadros explicativos individuais, quanto mais podemos encontrar tend\u00eancias dentro de um determinado grupo e\/ou contexto.<\/p>\n<p>N\u00e3o raras vezes, consigo tra\u00e7ar um cen\u00e1rio dual, em que de facto podem existir duas pessoas distintas num mesmo corpo. Transcend\u00eancia dir\u00e3o uns, excentricidade vociferar\u00e3o outros. N\u00e3o importa.<\/p>\n<p>Sob este espectro estamos todos safos, e \u00e0 luz da teoria dual do ser humano \"olha para o que eu digo e n\u00e3o para o que eu fa\u00e7o\" assumimos que cometemos o pecado (a fraude), mas, mesmo assim, continuamos a ter legitimidade para dizer o que n\u00e3o se deve fazer. Mas tal s\u00f3 acontece por dois motivos de raz\u00e3o, ou porque n\u00e3o existiu condena\u00e7\u00e3o do ato com consequ\u00eancias para o perpetrador, ou porque, de facto, ningu\u00e9m descobriu a perpetra\u00e7\u00e3o do mesmo.<\/p>\n<p>O problema acontece quando a decis\u00e3o de cometer o ato fraudulento decorre de motivos que levam o perpetrador a racionaliza-la, isto \u00e9, a justific\u00e1-lo por motivos de tal forma fortes, que davam para escrever um verdadeiro\u00a0<i>bestseller<\/i>, em que, naturalmente o bico ao prego era mudado. \u00c9 mesmo caso para fazer uma compara\u00e7\u00e3o com aquela anedota, em que uma pessoa vai pregar um prego na parede e, quando deteta que o bico do prego est\u00e1 virado para si e n\u00e3o para a parede, se convence que se enganou na parede... (afinal o prego destinava-se \u00e0 parede oposta).<\/p>\n<p>Neste contexto, ficam-me algumas d\u00favidas, sobretudo porque tenho imensa dificuldade em julgar:<\/p>\n<p>a) Ser\u00e1 que a fraude cometida por desespero de causa (ainda que tal seja subjetivo) deve ter tratamento igual a quem a comente por simples vontade de, por exemplo, enriquecer mais rapidamente? (ainda que estejamos a falar de situa\u00e7\u00f5es exatamente iguais quanto ao ato e valor em si). Sabemos, \u00e9 certo, que um juiz de direito ter\u00e1 tal em considera\u00e7\u00e3o, mas mesmo assim ser\u00e1 justo?<\/p>\n<p>b) Dever\u00e1 um ato fraudulento ser disseminado (ser dado a conhecer \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral)? Se trar\u00e1 o benef\u00edcio de conhecerem as consequ\u00eancias de tal ato, na verdade tamb\u00e9m fica dispon\u00edvel para quem quiser us\u00e1-lo e melhor\u00e1-lo). Ao inv\u00e9s poder-se-\u00e1 sempre formar e educar a popula\u00e7\u00e3o (genericamente considerada) para tipos de fraude que podem [potencialmente] ocorrer.<\/p>\n<p>De uma coisa estou seguro, relativizar a fraude a uma insignific\u00e2ncia ou, ao inv\u00e9s, culp\u00e1-la por tudo e por nada quando as coisas n\u00e3o correm bem, n\u00e3o \u00e9 o caminho a seguir. Estou plenamente convencido que a fraude \u00e9, na esmagadora maioria das vezes, cometida por for\u00e7a de motivos totalmente externos ao ser humano. A igni\u00e7\u00e3o n\u00e3o creio que esteja centrada no indiv\u00edduo, ser-lhe-\u00e1 oferecida pelo contexto, pelas exig\u00eancias da sociedade, pelas expetativas, enfim, pelas necessidades da mais diversa ordem.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o sublime que decorre do par\u00e1grafo anterior \u00e9: \"se s\u00f3 existisse um ser humano \u00e0 face da terra (uma \u00fanica pessoa), mesmo assim ele cometeria fraude?\"<\/p>\n<p>Tenho muita dificuldade em responder \u00e0 quest\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Henrique Santos, Vis\u00e3o on line, &#8220;Se s\u00f3 existisse um ser humano \u00e0 face da terra (&#8230;) mesmo assim ele cometeria fraude?&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-4942","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4942","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4942"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4942\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7582,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4942\/revisions\/7582"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4942"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4942"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}