{"id":49326,"date":"2025-09-25T09:00:00","date_gmt":"2025-09-25T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49326"},"modified":"2025-09-28T20:51:41","modified_gmt":"2025-09-28T20:51:41","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-123","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49326","title":{"rendered":"Est\u00e1gios profissionais: promessas por cumprir"},"content":{"rendered":"\n<p><span><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(216, 7, 15);\">Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, <span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">OBEGEF<\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Facebook126.pdf\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2032\" style=\"width:26px;height:auto\" title=\"Ficheiro PDF\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo\/?fbid=1112759467717149&amp;set=pb.100069493190653.-2207520000\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>H\u00e1 organiza\u00e7\u00f5es \u201cviciadas\u201d na utiliza\u00e7\u00e3o de estagi\u00e1rios como m\u00e3o-de-obra barata, substitu\u00edda ciclicamente, no final do contrato. Outras n\u00e3o disp\u00f5em de recursos humanos capazes de orientar os jovens, que acabam por ser deixados \u00e0 sua sorte.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Por mais que os docentes se esforcem por trazer para a sala de aula o mundo das organiza\u00e7\u00f5es \u2014 atrav\u00e9s do estudo de casos ou de aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas baseadas em situa\u00e7\u00f5es reais \u2014, a verdade \u00e9 que essa aproxima\u00e7\u00e3o raramente produz os resultados desejados. Basta pensar na diversidade intr\u00ednseca das organiza\u00e7\u00f5es (empresariais ou outras) e na heterogeneidade dos seus circuitos documentais e processos para se compreender que, no final da forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica, muitos rec\u00e9m-formados se sentem perdidos ao entrar no mundo profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 neste contexto que os est\u00e1gios profissionais fazem sentido: um tempo de transi\u00e7\u00e3o, em que os jovens, orientados por monitores devidamente preparados, constroem a ponte entre o conhecimento acad\u00e9mico e a sua aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. \u00c9 tamb\u00e9m neste enquadramento que se justifica o investimento p\u00fablico, nomeadamente atrav\u00e9s do IEFP \u2013 Instituto do Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Profissional, que comparticipa os custos suportados pelas organiza\u00e7\u00f5es que acolhem estagi\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a realidade est\u00e1 longe de ser ideal. Veja-se um caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>A C. \u00e9 uma jovem com mestrado em Gest\u00e3o, formada numa universidade de prest\u00edgio. Concorreu a um est\u00e1gio profissional numa empresa e foi aceite. Os seis meses que se seguiram podem resumir-se em poucas palavras. No in\u00edcio, foi-lhe pedido pelo diretor que desenvolvesse uma aplica\u00e7\u00e3o inform\u00e1tica para apoiar o controlo de encomendas. No entanto, n\u00e3o havia ningu\u00e9m na empresa que a pudesse orientar na tarefa de programa\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e1rea que n\u00e3o dominava \u2014, nem lhe foi permitido aceder ao computador central da empresa-m\u00e3e, onde se encontravam as bases de dados necess\u00e1rias. A tarefa foi rapidamente retirada, e os dias tornaram-se ainda mais vazios, pontuados apenas por tarefas de arquivamento e, ocasionalmente, por pedidos de tradu\u00e7\u00e3o de mensagens para ingl\u00eas. O des\u00e2nimo instalou-se, partilhado por outros colegas de est\u00e1gio em situa\u00e7\u00f5es semelhantes. No final, a empresa prop\u00f4s-lhe a renova\u00e7\u00e3o do est\u00e1gio por mais seis meses. Recusou. Explicou ao respons\u00e1vel que sentia que nada aprendera e que desperdi\u00e7ara meio ano da sua vida. Partiu, aliviada.<\/p>\n\n\n\n<p>Este caso ilustra bem o ambiente que, infelizmente, caracteriza muitos dos est\u00e1gios profissionais em que os nossos jovens se veem envolvidos. H\u00e1 organiza\u00e7\u00f5es \u201cviciadas\u201d na utiliza\u00e7\u00e3o de estagi\u00e1rios como m\u00e3o-de-obra barata, substitu\u00edda ciclicamente, no final do contrato. Outras n\u00e3o disp\u00f5em de recursos humanos capazes de orientar os jovens, que acabam por ser deixados \u00e0 sua sorte, muitas vezes a matar o tempo nas redes sociais. H\u00e1 ainda aquelas que nem sequer t\u00eam condi\u00e7\u00f5es log\u00edsticas para os acolher, dispensando-os at\u00e9 do treino mais b\u00e1sico: o cumprimento de um hor\u00e1rio de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es, genericamente consideradas, aproveitam-se de um sistema sem controlo e sacrificam, no altar dos seus interesses imediatos, as aspira\u00e7\u00f5es profissionais dos estagi\u00e1rios. Muitos destes, entregues a si pr\u00f3prios, nem se apercebem de que est\u00e3o a desperdi\u00e7ar tempo de vida sem proveito nem gl\u00f3ria. E se h\u00e1 uma proposta de emprego no final do est\u00e1gio, a remunera\u00e7\u00e3o raramente se afasta do valor do subs\u00eddio atribu\u00eddo no decurso daquele.<\/p>\n\n\n\n<p>O Estado, por seu lado, produz programas p\u00fablicos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o de incentivos \u00e0 oferta de est\u00e1gios, que consomem grande volume dos seus recursos financeiros e humanos. Mas falta, sempre, o essencial: controlo e responsabiliza\u00e7\u00e3o na aplica\u00e7\u00e3o desses programas. As estat\u00edsticas que publica raramente refletem a realidade, mas servem para tranquilizar quem engana e quem \u00e9 enganado. Cria-se a ilus\u00e3o de progresso, todos dormem embalados por esse falso movimento, mas, na verdade, n\u00e3o se sai do mesmo lugar. Tudo n\u00e3o passa de uma farsa.<\/p>\n\n\n\n<p>Honra \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se reveem neste retrato. Honra aos jovens que, sentindo-se defraudados, t\u00eam a coragem de denunciar as situa\u00e7\u00f5es vividas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, OBEGEF H\u00e1 organiza\u00e7\u00f5es \u201cviciadas\u201d na utiliza\u00e7\u00e3o de estagi\u00e1rios como m\u00e3o-de-obra barata, substitu\u00edda ciclicamente, no final do contrato. 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