{"id":49288,"date":"2025-08-21T10:07:10","date_gmt":"2025-08-21T10:07:10","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49288"},"modified":"2025-08-24T10:09:43","modified_gmt":"2025-08-24T10:09:43","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-120","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49288","title":{"rendered":"Fraude e ilus\u00e3o: o perigo de acreditar que estamos a salvo"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2025-08-21-fraude-e-ilusao-o-perigo-de-acreditar-que-estamos-a-salvo-15c14c19\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Claro que o sucesso de uma fraude n\u00e3o depende apenas da ingenuidade da v\u00edtima. A criatividade dos burl\u00f5es desempenha um papel crucial, sobretudo quando conseguem criar um contexto plaus\u00edvel que desarma at\u00e9 os mais cautelosos<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>\"<em>Em 2023, cada habitante de Singapura perdeu, em m\u00e9dia, cerca de 4.000 euros em esquemas financeiros fraudulentos, colocando o pa\u00eds no topo do ranking mundial. A Su\u00ed\u00e7a surge em segundo lugar, com 3.700 euros por habitante.\u201d<\/em>\u00a0(Financial Times)<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 t\u00e3o antigo quanto a pr\u00f3pria Humanidade: pensar e agir como se aquilo que de mau acontece aos outros nunca nos pudesse acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>As ci\u00eancias que estudam o comportamento humano oferecem explica\u00e7\u00f5es para esta tend\u00eancia que nos impede de aprender com os erros alheios. No centro de tal atitude est\u00e1 uma convic\u00e7\u00e3o subliminarmente enraizada \u2014 \u201c<em>isso n\u00e3o vai acontecer comigo<\/em>\u201d \u2014 que nos leva a subestimar os riscos associados a determinados comportamentos, mesmo quando confrontados com evid\u00eancias claras.<\/p>\n\n\n\n<p>Este fen\u00f3meno, conhecido como vi\u00e9s de otimismo, ajuda a explicar, em parte, por que raz\u00e3o o n\u00famero de v\u00edtimas de fraude continua a crescer, apesar das campanhas de sensibiliza\u00e7\u00e3o. Os bancos, por exemplo, alertam repetidamente que nunca solicitam por telefone dados de acesso \u00e0s contas; casos concretos de fraude s\u00e3o amplamente divulgados nos media e nas redes sociais. Ainda assim, o padr\u00e3o repete-se.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que o sucesso de uma fraude n\u00e3o depende apenas da ingenuidade da v\u00edtima. A criatividade dos burl\u00f5es desempenha um papel crucial, sobretudo quando conseguem criar um contexto plaus\u00edvel que desarma at\u00e9 os mais cautelosos. Um exemplo: a chamada fraude \u201cOl\u00e1 m\u00e3e, ol\u00e1 pai\u201d pode ser facilmente ignorada por quem n\u00e3o tem filhos. Mas para quem os tem \u2014 especialmente se est\u00e3o longe ou em situa\u00e7\u00f5es delicadas \u2014 o impacto emocional pode ser suficiente para suspender o pensamento cr\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Um caso recente ilustra bem esta din\u00e2mica. Eram cerca de 20h quando G., uma mulher de 70 anos, atendeu o telem\u00f3vel. Do outro lado, uma voz masculina, calma e educada, identificou-se como funcion\u00e1rio do banco. Informou que sem a confirma\u00e7\u00e3o de alguns dados uma transfer\u00eancia feita naquela tarde n\u00e3o poderia ser processada. O cen\u00e1rio parecia leg\u00edtimo: G. tinha conta nesse banco e, de facto, uma transfer\u00eancia fora realizada.<\/p>\n\n\n\n<p>O que a protegeu de consequ\u00eancias mais graves foi o facto de a conta ser gerida pela filha, que tinha sido a respons\u00e1vel pela opera\u00e7\u00e3o. G. n\u00e3o tinha consigo o NIB, nem a chave de acesso, nem o n\u00famero do cart\u00e3o. O burl\u00e3o, perante o insucesso, despediu-se com a promessa de voltar a ligar no dia seguinte. E assim fez. Mas, entretanto, a filha j\u00e1 tinha sido alertada e contactado o banco.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de n\u00e3o ter sofrido perdas financeiras, G. descreve a experi\u00eancia como traum\u00e1tica: \u201c<em>J\u00e1 tinha ouvido falar destas fraudes, mas nunca pensei que\u2026 Podia ter perdido todas as poupan\u00e7as.<\/em>\u201d A partir desse momento, nunca mais esquecer\u00e1 o aviso: os bancos nunca pedem dados de acesso por telefone.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, muitos outros, expostos ao mesmo aviso, poder\u00e3o n\u00e3o ter id\u00eantica sorte quando o telem\u00f3vel tocar e uma voz suave os tentar convencer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Expresso online Claro que o sucesso de uma fraude n\u00e3o depende apenas da ingenuidade da v\u00edtima. 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