{"id":49255,"date":"2025-07-24T14:08:01","date_gmt":"2025-07-24T14:08:01","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49255"},"modified":"2025-07-25T14:13:31","modified_gmt":"2025-07-25T14:13:31","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-345","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49255","title":{"rendered":"O debate do estado de uma na\u00e7\u00e3o que deve depender menos do Estado centralista"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"color: #005500\"><span style=\"color: #ff0000\">\u00d3scar Afonso, &nbsp;ECO Magazine<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/opiniao\/o-debate-do-estado-de-uma-nacao-que-deve-depender-menos-do-estado-centralista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>O debate do Estado da Na\u00e7\u00e3o mostrou que, apesar das diverg\u00eancias ideol\u00f3gicas, h\u00e1 um espa\u00e7o crescente para entendimentos em mat\u00e9rias fundamentais, como a competitividade fiscal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>O debate do Estado da Na\u00e7\u00e3o da semana passada foi, a meu ver, o mais importante da \u00faltima d\u00e9cada. N\u00e3o o foi pelas habituais querelas pol\u00edtico-partid\u00e1rias, que pouco interessam aos cidad\u00e3os, nem pelo an\u00fancio de um novo aumento extraordin\u00e1rio de pens\u00f5es \u2013 a principal novidade, mesmo a calhar para as elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas, significando que h\u00e1 folga or\u00e7amental para cumprir essa promessa \u2013, mas porque parece haver, finalmente, condi\u00e7\u00f5es parlamentares para baixar o IRC de forma transversal e programada.<\/p>\n\n\n\n<p>O Chega poder\u00e1 viabilizar e at\u00e9 dar maior ambi\u00e7\u00e3o \u00e0 proposta do governo, o que \u00e9 bem preciso, pois segundo um trabalho do Gabinete de Estudos da FEP \u2013 Faculdade de Economia do Porto, a divulgar proximamente, a urg\u00eancia em elevar a competitividade da economia \u00e9 ainda maior do que se supunha.<\/p>\n\n\n\n<p>A baixa do IRC e IRS viabilizada pelo Chega, o aumento de pens\u00f5es e a procura interna como ref\u00fagio<\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da carga fiscal, em particular de IRC e de IRS \u2013 onde importa prosseguir a redu\u00e7\u00e3o em curso \u2013, \u00e9 essencial para aumentar o investimento privado, a produtividade e o n\u00edvel de vida do pa\u00eds, como tenho vindo a defender de forma insistente, pressupondo uma reforma do Estado para melhorar o seu funcionamento e reduzir o seu elevado peso na economia, que tem \u2018asfixiado\u2019 o setor privado.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi, por isso, positivo que o Primeiro-ministro tenha dado destaque, logo na abertura do debate, ao an\u00fancio de uma baixa da taxa geral de IRC para 19% em 2026 (e para 15% nas empresas at\u00e9 50 mil euros de lucro tribut\u00e1vel), 18\u202f% em 2027 e 17\u202f% em 2028, prosseguindo assim a descida de 1 ponto percentual por ano iniciada em 2025 (de 21% para 20%), aprovada depois em Conselho de Ministros.<\/p>\n\n\n\n<p>Naturalmente, tratando-se de uma mat\u00e9ria fiscal, ter\u00e1 sempre de ser aprovada pelo Parlamento em cada ano, mas o an\u00fancio \u00e9 uma importante sinaliza\u00e7\u00e3o para os investidores. N\u00e3o por se tratar de uma novidade, pois a medida est\u00e1 prevista no programa eleitoral da AD de 2025 e no programa de Governo, mas porque, finalmente, parece haver a perspetiva de viabiliza\u00e7\u00e3o, no atual quadro parlamentar, de uma redu\u00e7\u00e3o transversal e programada do IRC, sendo a n\u00e3o reversibilidade da medida crucial para as decis\u00f5es de investimento, que s\u00e3o tomadas com muita anteced\u00eancia para horizontes geralmente longos.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto porque o Chega, partido que agora lidera a oposi\u00e7\u00e3o, indicou que est\u00e1 disposto a aprovar a redu\u00e7\u00e3o prevista em 2026 se for acompanhada por uma redu\u00e7\u00e3o da derrama estadual, cuja elimina\u00e7\u00e3o \u00e9, a meu ver, priorit\u00e1ria para a&nbsp;<a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/opiniao\/a-atracao-de-investimento-estruturante-exige-a-eliminacao-da-derrama-estadual\/\" rel=\"noreferrer noopener\">promo\u00e7\u00e3o de investimento estruturante<\/a>, como sustentei em cr\u00f3nicas anteriores. Como o governo tamb\u00e9m tem prevista a descida dessa derrama, mas sem a priorizar, antecipa-se um entendimento com o Chega (e talvez com a IL) numa baixa do IRC com maior ambi\u00e7\u00e3o em 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os anos seguintes, dado que o Chega tem previsto no seu programa eleitoral uma baixa da taxa de IRC at\u00e9 15% e a elimina\u00e7\u00e3o da derrama estadual, a perspetiva \u00e9 que o governo tamb\u00e9m ter\u00e1 de ser mais ambicioso se quiser a viabiliza\u00e7\u00e3o do Chega, para cumprirem os respetivos programas. Isto, se o PS n\u00e3o \u2018entrar em jogo\u2019 prometendo viabilizar propostas pr\u00f3ximas da que o governo agora apresentou, o que a meu ver faria sentido \u2013 a atual proposta \u00e9 similar ao acordo de 2014 entre PS e AD \u2013, mas a anterior dire\u00e7\u00e3o do PS mostrou-se sempre contr\u00e1ria \u00e0 baixa transversal do IRC e falta perceber a posi\u00e7\u00e3o da atual.<\/p>\n\n\n\n<p>O mais ir\u00f3nico \u00e9 que seria o Chega a reaproximar a AD do seu programa eleitoral de 2024, onde estava prevista uma descida de 2 pontos percentuais por ano da taxa geral, at\u00e9 15% em 2027 (e 12,5% na taxa reduzida), uma proposta muito mais ambiciosa do que a atual e que daria um maior est\u00edmulo \u00e0 competitividade, que \u00e9 essencial para aumentar o n\u00edvel de vida, reduzir a emigra\u00e7\u00e3o jovem e gerar mais recursos, a prazo, para sustentar o Estado social e o combate \u00e0s desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<p>Falta dizer o que mudou para o Chega se tornar, de repente, parte da solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nesta mat\u00e9ria:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Da parte do governo AD, a promessa de negociar com todos os partidos, incluindo o Chega, ganhou efetividade com a clarifica\u00e7\u00e3o de que o \u2018n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o\u2019 prometido por Lu\u00eds Montenegro em campanha eleitoral se refere apenas a acordos de governo ou parlamentares com esse partido, mas deixando a porta aberta para acordos tem\u00e1ticos, como tenho defendido. Os resultados concretos referidos a seguir demonstram que tem havido pragmatismo na abordagem.<\/li>\n\n\n\n<li>Da parte do Chega, uma postura aparentemente mais respons\u00e1vel \u2013 menos err\u00e1tica e mais confi\u00e1vel \u2013 e pragm\u00e1tica para aprovar mat\u00e9rias concretas com ganhos de causa aceit\u00e1veis. Primeiro, com a aprova\u00e7\u00e3o da baixa adicional de IRS proposta pelo governo condicional a uma redu\u00e7\u00e3o adicional em 2026 que foi aceite pelo governo, seguindo-se o entendimento no chamado \u2018pacote de imigra\u00e7\u00e3o\u2019 \u2013 em que o governo se aproximou \u00e0 linha mais dura do Chega, mas moderando as propostas mais extremadas desse partido \u2013 e a referida promessa de viabiliza\u00e7\u00e3o da baixa de IRC em 2026 do governo se alargada \u00e0 derrama estadual. Isto, apesar das pol\u00e9micas do Chega prosseguirem \u2013 como a leitura de nomes de crian\u00e7as com apelidos de origem \u00e1rabe por Andr\u00e9 Ventura no Parlamento, que critiquei e desmontei\u00a0<a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/perfil\/oscar-afonso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">na cr\u00f3nica anterior<\/a>, ou a troca est\u00e9ril de adjetivos com o l\u00edder do PS j\u00e1 no debate \u2013, optando o governo e a lideran\u00e7a da mesa da Assembleia Rep\u00fablica por n\u00e3o dar demasiada aten\u00e7\u00e3o e n\u00e3o contribuir ainda mais para a mediatiza\u00e7\u00e3o dos casos, que \u00e9 o objetivo \u00f3bvio desse partido, para que seja constantemente o centro das aten\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Assim, a perspetiva de viabiliza\u00e7\u00e3o da baixa de IRC surge ap\u00f3s o entendimento entre o governo AD e o Chega no IRS, bem como no \u2018pacote da imigra\u00e7\u00e3o\u2019, que inclui a Lei de Estrangeiros, j\u00e1 aprovada em conjunto no Parlamento \u2013 e em aprecia\u00e7\u00e3o pelo Presidente da Rep\u00fablica, que poder\u00e1 promulgar, vetar ou pedir aprecia\u00e7\u00e3o de constitucionalidade nas mat\u00e9rias sens\u00edveis \u2013, e uma proposta de Lei da Nacionalidade mais restritiva, cuja vota\u00e7\u00e3o foi adiada para setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a maioria das medidas do pacote de imigra\u00e7\u00e3o parece fazer sentido \u2013 dado o descontrolo evidente da imigra\u00e7\u00e3o nos n\u00fameros de estrangeiros da AIMA, na sequ\u00eancia do Regime de Manifesta\u00e7\u00e3o de Interesse aprovado pelo PS e entretanto terminado pelo governo AD \u2013, a pol\u00edtica de vistos de trabalho parece-me desadequada e as propostas para a naturaliza\u00e7\u00e3o afiguram-se demasiado restritivas, como analisei numa cr\u00f3nica passada, podendo ainda haver medidas que requeiram a aprecia\u00e7\u00e3o de constitucionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No que se refere ao Or\u00e7amento de Estado de 2026, o Chega j\u00e1 afirmou que n\u00e3o ir\u00e1 ser \u201cmuleta do governo\u201d e certamente tentar\u00e1 conseguir ainda mais ganhos de causa, pelo que a quest\u00e3o \u00e9 saber se \u2018esticar\u00e1 demasiado a corda\u2019 ou poder\u00e1 ser este partido a viabilizar a proposta do governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Da parte do PS, que ainda se est\u00e1 a posicionar ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o da nova lideran\u00e7a de Jos\u00e9 Lu\u00eds Carneiro, h\u00e1 que recuperar o atraso com propostas concretas que possam gerar entendimentos tem\u00e1ticos com o governo, algumas das quais foram apresentadas no debate.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o me parece ser uma boa estrat\u00e9gia da atual lideran\u00e7a do PS acusar o governo de ter o Chega como parceiro preferencial e se \u201cencostar \u00e0 agenda\u201d desse partido na imigra\u00e7\u00e3o e nacionalidade. Isso poder\u00e1 prejudicar a busca de entendimentos nos temas que considera cr\u00edticos \u2013 como a sa\u00fade, que analiso mais abaixo \u2013, aproveitando a abertura negocial demonstrada pelo governo para recuperar protagonismo e se reaproximar da lideran\u00e7a efetiva da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Da parte do governo, al\u00e9m do maior pragmatismo referido em entendimentos tem\u00e1ticos, o aumento extraordin\u00e1rio de pens\u00f5es e a baixa do IRS s\u00e3o formas inteligentes de robustecer a procura interna e fazer face a uma conjuntura externa adversa \u2013 e que o ser\u00e1 ainda mais se a Uni\u00e3o Europeia (UE) n\u00e3o alcan\u00e7ar um acordo para baixar as tarifas que Trump quer impor \u2013, procurando contrariar o abrandamento do PIB.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, essa pol\u00edtica de gest\u00e3o de procura apenas serve para o curto prazo e esbarra na exiguidade do mercado interno, da\u00ed ser essencial a baixa do IRC para a atra\u00e7\u00e3o de investimento estrangeiro e aposta nas exporta\u00e7\u00f5es, pois s\u00f3 assim a economia poder\u00e1 crescer a maior ritmo a m\u00e9dio e longo prazo, com a baixa de IRS a complementar essa abordagem por favorecer a reten\u00e7\u00e3o de talento.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a estrat\u00e9gia do governo esconde riscos claros e parece-me incompleta.<\/p>\n\n\n\n<p>Se em 2025 as contas p\u00fablicas parecem estar controladas \u2013 caso contr\u00e1rio, o governo n\u00e3o procederia a novo aumento extraordin\u00e1rio de pens\u00f5es \u2013, para manter contas p\u00fablicas equilibradas em 2026, o governo ter\u00e1 de compensar a perda tempor\u00e1ria de receita, a press\u00e3o dos aumentos de sal\u00e1rios em v\u00e1rias carreiras da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica e o efeito dos empr\u00e9stimos do PRR. Idealmente, tal dever\u00e1 ser feito com estrat\u00e9gias de redu\u00e7\u00e3o do peso da despesa corrente no \u00e2mbito da reforma Estado. N\u00e3o basta criar um minist\u00e9rio com esse nome, \u00e9 preciso mostrar iniciativas e, mais tarde, resultados palp\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a principal aus\u00eancia do debate do estado da Na\u00e7\u00e3o foi o t\u00f3pico da reforma do Estado, com vista a baixar o peso da despesa corrente para acomodar, al\u00e9m da perda tempor\u00e1ria de receita fiscal de IRC e IRS, um aumento significativo do peso do investimento p\u00fablico, que \u00e9 necess\u00e1rio para contrariar anos sucessivos de desinvestimento, mal disfar\u00e7ado pelos fundos europeus, e fazer face \u00e0 sua redu\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, temo que o investimento p\u00fablico venha a ser sacrificado na gest\u00e3o or\u00e7amental de 2026, tal como sucedeu nos \u00faltimos governos (PS e AD), com execu\u00e7\u00f5es muto abaixo do previsto. Relembro que o Conselho de Finan\u00e7as P\u00fablicas apontou para um d\u00e9fice de 1% do PIB em 2026, mais de metade explicado pelo impacto dos empr\u00e9stimos do PRR, pelo que este tema regressar\u00e1 no debate do or\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n<p>Conv\u00e9m tamb\u00e9m real\u00e7ar que o risco or\u00e7amental seria ainda maior se o aumento de pens\u00f5es definido pelo governo, em vez de extraordin\u00e1rio, fosse permanente, como prop\u00f5em o PS e o Chega, sendo que nenhum partido apontou qualquer medida tendente a aumentar a sustentabilidade da Seguran\u00e7a Social.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 estrat\u00e9gia de competitividade fiscal, que promove a prazo um crescimento extrovertido, deve ser complementada por uma estrat\u00e9gia de diversifica\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es e aposta na reindustrializa\u00e7\u00e3o, tendo em conta as amea\u00e7as e oportunidades do contexto geopol\u00edtico (e.g., \u2018frienshoring\u2019 e \u2018nearshoring\u2019), sobretudo se a UE n\u00e3o chegar a um acordo comercial com os EUA, temas estes tamb\u00e9m fora do debate.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o foram debatidas reformas estruturais que defendo, como a reorganiza\u00e7\u00e3o administrativa e territorial do Estado, incluindo a elimina\u00e7\u00e3o do n\u00edvel das freguesias, cuja fun\u00e7\u00e3o seria absorvida pelos munic\u00edpios, a fus\u00e3o de alguns munic\u00edpios e a cria\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es administrativas, todas elas sujeitas \u00e0 regra de ouro das finan\u00e7as p\u00fablicas, com o objetivo de promover uma descentraliza\u00e7\u00e3o mais efetiva e uma maior coes\u00e3o territorial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Debate sobre Sa\u00fade, Habita\u00e7\u00e3o e Defesa sem grandes novidades<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e1rea da Sa\u00fade, sempre uma das mais problem\u00e1ticas (n\u00e3o apenas em Portugal), o Primeiro-ministro limitou-se a afirmar que a situa\u00e7\u00e3o melhorou face a um ano atr\u00e1s, que o plano de emerg\u00eancia que lan\u00e7ou na anterior legislatura est\u00e1 em execu\u00e7\u00e3o, e h\u00e1 medidas de racionaliza\u00e7\u00e3o em curso. Embora admitindo que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a ideal, os problemas j\u00e1 existem h\u00e1 muito tempo e o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS) continua a ser dos melhores sistemas a n\u00edvel europeu, afirmou. Sendo uma boa defesa da governa\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea, na pr\u00e1tica o governo n\u00e3o apresentou novas medidas durante o debate, mas recebeu propostas da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O PS prop\u00f4s a constitui\u00e7\u00e3o de uma unidade de coordena\u00e7\u00e3o das emerg\u00eancias hospitalares (INEM, bombeiros, For\u00e7a A\u00e9rea, SNS), que o governo admitiu integrar nas suas reformas, pelo que esta poder\u00e1 ser uma \u00e1rea de entendimento entre os dois partidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o Chega pressionou o governo para apresentar um plano concreto em seis meses com vista a refor\u00e7ar o SNS e as urg\u00eancias, ap\u00f3s julgar insuficiente o discurso do governo nesta mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 \u00e1rea da Habita\u00e7\u00e3o, a oposi\u00e7\u00e3o criticou a a\u00e7\u00e3o do governo, mas n\u00e3o apresentou medidas concretas, que eu saiba, enquanto na \u00e1rea da Defesa o PS solicitou informa\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia dos investimentos para alcan\u00e7ar as novas metas no \u00e2mbito da NATO e da UE.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 me tenho pronunciado sobre a necessidade de reformas nestas tr\u00eas \u00e1reas. Por exemplo, gostaria de ter visto abordadas as parceiras p\u00fablico-privadas na sa\u00fade \u2013 se sempre s\u00e3o para avan\u00e7ar \u2013, reformas na \u00e1rea do arrendamento e estrat\u00e9gias para potenciar o impacto econ\u00f3mico do setor da Defesa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o com medida positiva, mas n\u00e3o estrutural<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e1rea da Educa\u00e7\u00e3o, foi anunciado pelo governo o alargamento dos subs\u00eddios de mobilidade a todos os professores deslocados, uma medida que considero positiva, mas que n\u00e3o altera nada de fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>Defendo que a contrata\u00e7\u00e3o de professores deveria ser feita ao n\u00edvel das escolas ou munic\u00edpios, como noutros pa\u00edses, evitando que os professores tivessem de \u2018andar com a casa \u00e0s costas\u2019, com preju\u00edzos para os pr\u00f3prios e para os alunos, que beneficiariam de uma maior estabilidade do corpo docente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O debate do Estado da Na\u00e7\u00e3o mostrou que, apesar das diverg\u00eancias ideol\u00f3gicas, h\u00e1 um espa\u00e7o crescente para entendimentos em mat\u00e9rias fundamentais, como a competitividade fiscal. A redu\u00e7\u00e3o programada do IRC anunciada pelo governo e com perspetiva de viabiliza\u00e7\u00e3o pelo Chega, tal como no IRS, \u00e9 um passo na dire\u00e7\u00e3o certa, mas ser\u00e1 insuficiente se n\u00e3o vier acompanhada de uma verdadeira reforma do Estado, capaz de reduzir o peso da despesa corrente para financiar menos carga fiscal e mais investimento p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal precisa de uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica que v\u00e1 al\u00e9m das medidas conjunturais de est\u00edmulo \u00e0 procura interna, que no imediato faz sentido para contrariar a pior conjuntura externa. Al\u00e9m do desagravamento fiscal, \u00e9 crucial a diversifica\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es e da base produtiva \u2013 com aposta na reindustrializa\u00e7\u00e3o, reduzindo a depend\u00eancia excessiva do turismo \u2013, o aumento da poupan\u00e7a e do investimento nos v\u00e1rios setores (para reduzir a depend\u00eancia de apoios da UE), a reprograma\u00e7\u00e3o do PT 2030 (focando-o em projetos de elevado valor acrescentado e produtividade em bens e servi\u00e7os transacion\u00e1veis) e a reorganiza\u00e7\u00e3o administrativa territorial do Estado, alguns temas relevantes que estiveram fora do debate.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem reformas em \u00e1reas cruciais como essas, corremos o risco de continuar dependentes de um Estado centralista e \u2018viciado\u2019 em fundos da UE, incapaz de promover a coes\u00e3o territorial e um crescimento econ\u00f3mico mais alto e sustent\u00e1vel, que nos aproxime do grupo de pa\u00edses com maior n\u00edvel de vida da UE.<\/p>\n\n\n\n<p>O momento pol\u00edtico atual, em que os dois principais partidos da oposi\u00e7\u00e3o concorrem para conseguir entendimentos palp\u00e1veis com o governo em temas importantes, pode ser tamb\u00e9m uma oportunidade rara para concretizar reformas estruturais h\u00e1 muito adiadas, nomeadamente nas \u00e1reas da sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e habita\u00e7\u00e3o, abordadas no debate. Para tal, \u00e9 necess\u00e1ria coragem pol\u00edtica e sentido de compromisso \u2013 com o futuro do pa\u00eds, e n\u00e3o com c\u00e1lculos eleitorais de curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o Chega e o governo revelam agora mais pragmatismo para alcan\u00e7ar entendimentos tem\u00e1ticos, \u00e9 bom que o PS siga o exemplo se n\u00e3o quiser ficar para tr\u00e1s e perder ainda mais base eleitoral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, &nbsp;ECO Magazine O debate do Estado da Na\u00e7\u00e3o mostrou que, apesar das diverg\u00eancias ideol\u00f3gicas, h\u00e1 um espa\u00e7o crescente para entendimentos em mat\u00e9rias fundamentais, como a competitividade fiscal.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,298],"tags":[],"class_list":["post-49255","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-outras"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49255","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=49255"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49255\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49257,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49255\/revisions\/49257"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=49255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=49255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=49255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}