{"id":49246,"date":"2025-07-17T08:42:00","date_gmt":"2025-07-17T08:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49246"},"modified":"2025-07-20T20:56:12","modified_gmt":"2025-07-20T20:56:12","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-343","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49246","title":{"rendered":"Portugal, uma identidade constru\u00edda a partir da diversidade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"color: #005500\"><span style=\"color: #ff0000\">\u00d3scar Afonso, &nbsp;ECO Magazine<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/opiniao\/portugal-uma-identidade-construida-a-partir-da-diversidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Somos e seremos uma mistura de povos e de nomes, e devemos ter orgulho nessa identidade multicultural e tolerante, independentemente do discurso pol\u00edtico divisionista que alguns querem passar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Neste texto de opini\u00e3o desconstruo narrativas recentes sobre a predomin\u00e2ncia de apelidos estrangeiros nas crian\u00e7as de uma escola, tirando lugar a crian\u00e7as portuguesas e refletindo uma suposta \u201csubstitui\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica\u201d, mostrando como Portugal \u00e9 uma mistura de diferentes povos e culturas que sempre soube integrar na constru\u00e7\u00e3o da nossa identidade. Essa capacidade de integra\u00e7\u00e3o foi, \u00e9 e continuar\u00e1 a ser essencial para o nosso futuro coletivo. Come\u00e7o por esta segunda parte: a necessidade de imigra\u00e7\u00e3o, mas regulada \u2013 ou seja, nem muros, nem \u2018portas escancaradas\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Imigra\u00e7\u00e3o regulada em fun\u00e7\u00e3o das necessidades da economia e da capacidade de integra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se a entrada descontrolada de imigrantes nos \u00faltimos anos foi um enorme erro, no futuro continuaremos a precisar de um fluxo de imigra\u00e7\u00e3o regulado em fun\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f3mica. Nesse sentido, devemos evitar pol\u00edticas demasiado restritivas, pois poder\u00e3o penalizar o potencial de crescimento da economia e a desej\u00e1vel aproxima\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses europeus de n\u00edvel de vida mais elevado num horizonte razo\u00e1vel (como uma d\u00e9cada), conforme referi&nbsp;<a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/especiais\/imigracao-entre-o-imperativo-do-controlo-e-a-economia\/\" rel=\"noreferrer noopener\">numa cr\u00f3nica anterior<\/a>, propondo ajustamentos \u00e0s recentes propostas de altera\u00e7\u00e3o do governo \u00e0 Lei da nacionalidade (naturaliza\u00e7\u00e3o de estrangeiros) e pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Se restringir a imigra\u00e7\u00e3o para n\u00edveis aqu\u00e9m das necessidades da economia \u00e9 travar o crescimento e negar o futuro, abrir fronteiras sem crit\u00e9rio \u00e9 semear a desordem. A \u00fanica via sensata \u00e9 uma imigra\u00e7\u00e3o regulada: Suficiente para sustentar o desenvolvimento, contida para garantir a coes\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>A minha posi\u00e7\u00e3o encontra respaldo numa an\u00e1lise recente da OCDE, evidenciando que \u201ca m\u00e3o-de-obra dispon\u00edvel depende fortemente da imigra\u00e7\u00e3o\u201d. A for\u00e7a de trabalho em Portugal aumentou 0,7% ao ano, em m\u00e9dia, entre 2020 e 2024, mas teria diminu\u00eddo 0,1% ao ano sem a entrada de trabalhadores estrangeiros, segundo a OCDE. O problema \u00e9 que, como referi nessa cr\u00f3nica, a entrada de estrangeiros de 2022 a 2024 nos dados da AIMA parece ter ido muito al\u00e9m das necessidades da economia, possivelmente alimentando a economia paralela e redes de imigra\u00e7\u00e3o ilegal, e gerando dificuldades na capacidade de integra\u00e7\u00e3o e absor\u00e7\u00e3o social, incluindo na resposta dos servi\u00e7os p\u00fablicos e infraestruturas.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi, por isso, positivo o governo AD ter terminado, em junho de 2024, o regime de \u201cManifesta\u00e7\u00e3o de Interesse\u201d, que fora institu\u00eddo pelo PS com o apoio dos partidos \u00e0 sua esquerda em 2017. Esse regime esteve na origem do descontrolo das entradas, e a sua substitui\u00e7\u00e3o pelo mecanismo da \u201cVia Verde da Imigra\u00e7\u00e3o\u201d, que pressup\u00f5e um contrato de trabalho pr\u00e9vio e, assim, uma adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades da economia, como defendo, procurando garantir uma correspond\u00eancia entre quem chega e o que a economia precisa. Como o mecanismo \u00e9 recente, deve ser alvo de monitoriza\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o regulares, e eventuais ajustamentos necess\u00e1rios, conforme referi nessa cr\u00f3nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisa ainda de ser articulado com a pol\u00edtica de vistos de trabalho, que o governo pretende restringir a trabalhadores altamente qualificados, mas devia antes focar-se nos trabalhadores especializados \u2013 com a experi\u00eancia e qualifica\u00e7\u00e3o adequadas a cada profiss\u00e3o, comportando, assim, pessoas com mais ou menos habilita\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias \u2013, de que tanto precisam os v\u00e1rios setores da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>A economia deve evoluir para um perfil de especializa\u00e7\u00e3o mais assente em conhecimento e tecnologia, s\u00f3 que tal n\u00e3o se faz restringindo os vistos de trabalho a trabalhadores altamente qualificados, mas mudando, gradualmente, as necessidades da economia atrav\u00e9s de um conjunto integrado de pol\u00edticas. Entre elas, destaco o refor\u00e7o dos crit\u00e9rios de produtividade e valor acrescentado no \u201cPortugal 2030\u201d (PT 2030) e a sua reorienta\u00e7\u00e3o para as empresas; a descida do IRC e IRS; e a reindustrializa\u00e7\u00e3o, incluindo o desenvolvimento da ind\u00fastria de defesa, para cumprir as novas metas da NATO criando valor e receita fiscal de modo a acomodar a subida gradual da despesa p\u00fablica com Defesa sem sacrificar o Estado social.<\/p>\n\n\n\n<p>O mecanismo da \u201cvia verde\u201d e a pol\u00edtica de vistos de trabalho devem, assim, ser as duas pedras basilares da regula\u00e7\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o, pelo que faz sentido restringir os vistos de resid\u00eancia, como previsto pelo governo, pelo menos nesta fase em que \u00e9 preciso um maior controlo de fluxos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Os partidos \u00e0 esquerda do espectro pol\u00edtico reconhecem, e bem, que a seguran\u00e7a \u00e9 um bem essencial numa sociedade justa. Mas, por vezes, parecem hesitar quando essa seguran\u00e7a se traduz na a\u00e7\u00e3o concreta das for\u00e7as policiais \u2013 como no caso de rusgas realizadas em zonas sinalizadas como de maior risco, muitas vezes localizadas em bairros sociais onde, por acaso ou por contexto, residem tamb\u00e9m muitos imigrantes.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s demais altera\u00e7\u00f5es previstas, a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras integrada na PSP parece reunir bastante consenso e j\u00e1 foi aprovada pelo Parlamento com os votos a favor dos partidos de direita e a absten\u00e7\u00e3o da esquerda. Refira-se, contudo, que essa nova Unidade e a pol\u00edcia em geral precisam de condi\u00e7\u00f5es efetivas para exercer de forma mais efetiva as suas compet\u00eancias em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a, n\u00e3o apenas em termos de remunera\u00e7\u00e3o (a esse n\u00edvel j\u00e1 houve melhorias) e de equipamento \u2013 h\u00e1 anos que os pol\u00edcias aguardam pelas bodycams, que permitem filmar e defender a sua atua\u00e7\u00e3o \u2013, mas sobretudo o respaldo do poder pol\u00edtico na sua interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os partidos \u00e0 esquerda do espectro pol\u00edtico reconhecem, e bem, que a seguran\u00e7a \u00e9 um bem essencial numa sociedade justa. Mas, por vezes, parecem hesitar quando essa seguran\u00e7a se traduz na a\u00e7\u00e3o concreta das for\u00e7as policiais \u2013 como no caso de rusgas realizadas em zonas sinalizadas como de maior risco, muitas vezes localizadas em bairros sociais onde, por acaso ou por contexto, residem tamb\u00e9m muitos imigrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante ser coerente. Se, como defendem, n\u00e3o existe uma correla\u00e7\u00e3o significativa entre imigra\u00e7\u00e3o e criminalidade \u2013 e com raz\u00e3o, tendo em conta os dados dispon\u00edveis \u2013, ent\u00e3o n\u00e3o faz sentido levantar obje\u00e7\u00f5es \u00e0 atua\u00e7\u00e3o regular da pol\u00edcia quando esta ocorre em contextos onde vivem ou est\u00e3o presentes (circunstancialmente) imigrantes. Atuar onde o risco \u00e9 maior n\u00e3o \u00e9 discrimina\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Este debate ganha ainda mais relev\u00e2ncia com a cria\u00e7\u00e3o da nova Unidade especializada, cuja miss\u00e3o passar\u00e1, inevitavelmente, por lidar frequentemente com comunidades migrantes. \u00c9 fundamental que esta Unidade tenha o respaldo pol\u00edtico necess\u00e1rio para atuar com firmeza, mas tamb\u00e9m com humanidade, com forma\u00e7\u00e3o adequada e sob escrut\u00ednio democr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>A seguran\u00e7a \u2013 tal como a inclus\u00e3o \u2013 exige coragem, consist\u00eancia e compromisso com todos os que vivem entre n\u00f3s, independentemente da origem. Porque s\u00f3 uma sociedade que protege pode verdadeiramente acolher. E s\u00f3 um pa\u00eds que se sente seguro pode abrir os bra\u00e7os sem medo.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras medidas propostas pelo governo parecem excessivas \u2013 algumas suscitando mesmo quest\u00f5es de constitucionalidade, como referem v\u00e1rios especialistas \u2013, como referi nessa cr\u00f3nica e est\u00e3o em discuss\u00e3o. Destaco, sobretudo, o aperto proposto nas regras de naturaliza\u00e7\u00e3o de estrangeiros. Relembro que as atuais regras s\u00e3o as mesmas que vigoravam em anos com menos imigra\u00e7\u00e3o, porque a economia crescia menos, evidenciando que a regula\u00e7\u00e3o se deve fazer em fun\u00e7\u00e3o da economia e n\u00e3o dessa forma.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora concorde com o novo requisito de conhecimento da cultura e funcionamento da sociedade portuguesa nas regras de acesso, mostrando progresso na integra\u00e7\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o proposta do n\u00famero de anos de resid\u00eancia necess\u00e1rio para a naturaliza\u00e7\u00e3o (7 para cidad\u00e3os lus\u00f3fonos e 10 para os outros) colocaria Portugal entre os pa\u00edses mais restritivos a n\u00edvel europeu, reduzindo a nossa capacidade de atra\u00e7\u00e3o de um fluxo regular de imigra\u00e7\u00e3o no futuro, al\u00e9m da poss\u00edvel sa\u00edda imediata de estrangeiros residentes que precisar\u00e3o de muitos mais anos para se naturalizar (sobretudo os n\u00e3o lus\u00f3fonos), podendo penalizar a economia em geral e, no imediato, a execu\u00e7\u00e3o do PRR.<\/p>\n\n\n\n<p>Se os novos dados de popula\u00e7\u00e3o estrangeira da AIMA vieram dar raz\u00e3o ao Chega em mat\u00e9ria de descontrolo dos fluxos da imigra\u00e7\u00e3o e coloca\u00e7\u00e3o desse tema na agenda pol\u00edtica e social, esse controlo deve fazer-se com pol\u00edticas como as referidas acima, e n\u00e3o estigmatizando segmentos da popula\u00e7\u00e3o estrangeira, o que \u00e9 conden\u00e1vel e me leva ao principal foco deste artigo, que abordo abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pol\u00e9mica dos apelidos estrangeiros de crian\u00e7as numa escola lidos no Parlamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se a dicotomia entre a escassez de m\u00e3o-de-obra e o risco de descontrolo migrat\u00f3rio exige um equil\u00edbrio sensato, como mostrei acima, esse controlo deve ser feito com o m\u00e1ximo de consenso poss\u00edvel ap\u00f3s um debate sereno e esclarecido entre o governo e as demais for\u00e7as pol\u00edticas, al\u00e9m da necess\u00e1ria ausculta\u00e7\u00e3o dos parceiros sociais, nomeadamente. O problema \u00e9 que o debate pol\u00edtico tem sido bastante perturbador.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nome do esclarecimento p\u00fablico e da coes\u00e3o social, abaixo desmonto, de forma pedag\u00f3gica, uma narrativa recente que o l\u00edder do Chega, Andr\u00e9 Ventura, apresentou no Parlamento sobre a predomin\u00e2ncia de apelidos estrangeiros, de origem \u00e1rabe, numa escola portuguesa, argumentando que est\u00e3o a tirar o lugar a crian\u00e7as portuguesas e que tal representa um sintoma da suposta \u2018invers\u00e3o demogr\u00e1fica\u2019, ou seja, a substitui\u00e7\u00e3o dos portugueses em geral por imigrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ventura leu os apelidos das crian\u00e7as, mas n\u00e3o os nomes pr\u00f3prios, pelo que o discurso foi aceite pelo Vice-Presidente da Assembleia da Rep\u00fablica (que estava a liderar os trabalhos parlamentares) por n\u00e3o ser poss\u00edvel identificar as crian\u00e7as em concreto \u2013 com a nota adicional de que n\u00e3o era discern\u00edvel se elas teriam nacionalidade portuguesa ou n\u00e3o. Tal deu azo a m\u00faltiplas cr\u00edticas (algumas bastante vocais) da maioria dos grupos parlamentares, que acompanho, devido \u00e0 instrumentaliza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as no discurso pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dias depois, a deputada do Chega Rita Cid Matias divulgou nas redes sociais um v\u00eddeo contendo esses apelidos, mais os nomes pr\u00f3prios \u2013 tratando-se, alegou, de informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u2013, tornando poss\u00edvel, a partir da\u00ed (se a informa\u00e7\u00e3o for verdadeira), determinar a escola e as crian\u00e7as em concreto, o que \u00e9 ainda mais conden\u00e1vel, pois, \u00e0 conta deste triste epis\u00f3dio, poder\u00e3o vir a ter problemas, assim como a fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Estigmatizar segmentos de popula\u00e7\u00e3o estrangeira s\u00f3 prejudica a sua integra\u00e7\u00e3o, e as dificuldades que sentem a esse n\u00edvel \u2013 muito por culpa da inefici\u00eancia dos servi\u00e7os p\u00fablicos \u2013 s\u00e3o tamb\u00e9m exploradas pelo partido Chega, pelo que estamos perante um c\u00edrculo vicioso de instrumentaliza\u00e7\u00e3o para fins pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando esse tipo de discurso passa a envolver crian\u00e7as e ganha eco nas redes sociais, penso que se atingiu um limite preocupante, pelo que \u00e9 tempo para parar e refletir porque nem tudo pode valer em pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto quanto eu saiba, n\u00e3o houve qualquer declara\u00e7\u00e3o oficial do governo \u2013 e respetivos grupos parlamentares \u2013 a repudiar as interven\u00e7\u00f5es dos deputados Andr\u00e9 Ventura e Rita Cid Matias, pelo que tamb\u00e9m esteve mal neste caso. Ouvi depois nos media coment\u00e1rios de pessoas ligadas \u00e0 AD a censurar a instrumentaliza\u00e7\u00e3o, mas sem estarem a representar o governo, que seja do meu conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o governo precisa de alcan\u00e7ar entendimentos em v\u00e1rias mat\u00e9rias com o Chega, incluindo na \u00e1rea da imigra\u00e7\u00e3o, deve estabelecer limites na explora\u00e7\u00e3o desse tema para prosseguir as discuss\u00f5es, caso contr\u00e1rio, a qualidade do debate pol\u00edtico s\u00f3 ir\u00e1 piorar ainda mais no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7o por desmontar a primeira parte da narrativa de Ventura, a de que os filhos dos imigrantes est\u00e3o a tirar lugar aos filhos dos portugueses nas escolas \u2013 fazendo uma generaliza\u00e7\u00e3o a partir de um caso, o que \u00e9 abusivo \u2013, que mais tarde estendeu \u00e0s creches, neste caso sem apresentar qualquer dado, mas poder\u00e1 tamb\u00e9m ter recebido queixas a esse respeito, pelo que incluo tamb\u00e9m essa situa\u00e7\u00e3o na an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>Socorro-me de uma avalia\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o vigente em mat\u00e9ria de acesso das crian\u00e7as \u00e0s escolas e creches levada a cabo pelo pol\u00edgrafo sapo, concluindo, de forma inequ\u00edvoca, que as afirma\u00e7\u00f5es apontando para a prioriza\u00e7\u00e3o dos filhos dos imigrantes s\u00e3o falsas nos dois casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem, sim, crit\u00e9rios ligados ao rendimento \u2013 mas nem sequer s\u00e3o os de primeiro n\u00edvel, dentro da hierarquia estabelecida (que pode ser consultada na an\u00e1lise indicada do pol\u00edgrafo sapo) \u2013, relativos a benefici\u00e1rios de A\u00e7\u00e3o Social Escolar, no caso das escolas, e, na situa\u00e7\u00e3o das creches, crian\u00e7as benefici\u00e1rias da presta\u00e7\u00e3o social, garantia para a inf\u00e2ncia e\/ou com abono de fam\u00edlia para crian\u00e7as e jovens (1.\u00ba e 2.\u00ba escal\u00f5es) cujos encarregados de educa\u00e7\u00e3o residam ou desenvolvam a atividade profissional, comprovadamente, na \u00e1rea de influ\u00eancia da resposta social.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A interven\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Ventura e a publica\u00e7\u00e3o de Rita Cid Matias visou apenas o mediatismo e a instrumentaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos imigrantes, com a agravante de que, desta vez, foram visadas crian\u00e7as, muito provavelmente oriundas de fam\u00edlias pobres, atendendo aos crit\u00e9rios vigentes. Acresce que a forma infeliz como o tema foi lan\u00e7ado no debate p\u00fablico pode, assumindo a veracidade do caso, ter repercuss\u00f5es reais e duradouras sobre crian\u00e7as e fam\u00edlias j\u00e1 de si vulner\u00e1veis \u2013 desde epis\u00f3dios de bullying escolar a consequ\u00eancias emocionais s\u00e9rias, como ansiedade ou depress\u00e3o. De um partido com responsabilidades acrescidas, enquanto nova principal for\u00e7a da oposi\u00e7\u00e3o, espera-se maior responsabilidade, sensibilidade e sentido de Estado.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Se os imigrantes pais dessas crian\u00e7as tiverem rendimentos relativamente baixos \u2013 o que suceder\u00e1 numa grande franja de imigrantes \u2013, enquadrando-se nos crit\u00e9rios referidos de apoio social, os seus filhos poder\u00e3o ficar \u00e0 frente de filhos de portugueses sem direito a esses apoios (por terem maiores rendimentos) e que n\u00e3o beneficiem dos crit\u00e9rios de n\u00edvel superior. Por isso, a situa\u00e7\u00e3o descrita \u00e9 poss\u00edvel, mas resultar\u00e1 de crit\u00e9rios de rendimento existentes, n\u00e3o de favorecimento direto dos imigrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o partido Chega entende que os crit\u00e9rios atualmente aplicados n\u00e3o est\u00e3o a ser corretamente seguidos, nomeadamente na escola em causa, poderia ter encaminhado as queixas recebidas para o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, para eventual apuramento por parte da Dire\u00e7\u00e3o-Geral da Educa\u00e7\u00e3o. E, caso pretenda propor altera\u00e7\u00f5es aos crit\u00e9rios ligados ao rendimento em vigor, o local pr\u00f3prio para esse debate \u00e9 o Parlamento, idealmente com propostas concretas, devidamente fundamentadas, o que n\u00e3o parece ter sucedido at\u00e9 ao momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Donde se conclui que a interven\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Ventura e a publica\u00e7\u00e3o de Rita Cid Matias visou apenas o mediatismo e a instrumentaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos imigrantes, com a agravante de que, desta vez, foram visadas crian\u00e7as, muito provavelmente oriundas de fam\u00edlias pobres, atendendo aos crit\u00e9rios vigentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Acresce que a forma infeliz como o tema foi lan\u00e7ado no debate p\u00fablico pode, assumindo a veracidade do caso, ter repercuss\u00f5es reais e duradouras sobre crian\u00e7as e fam\u00edlias j\u00e1 de si vulner\u00e1veis \u2013 desde epis\u00f3dios de bullying escolar a consequ\u00eancias emocionais s\u00e9rias, como ansiedade ou depress\u00e3o. De um partido com responsabilidades acrescidas, enquanto nova principal for\u00e7a da oposi\u00e7\u00e3o, espera-se maior responsabilidade, sensibilidade e sentido de Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o posso deixar de criticar os partidos de esquerda, com o PS \u00e0 cabe\u00e7a, pela sua incongru\u00eancia no que se refere ao combate a discrimina\u00e7\u00f5es e desigualdades. Se os acompanho no rep\u00fadio \u00e0 instrumentaliza\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o dos imigrantes \u2013 em particular de crian\u00e7as \u2013 pelo Chega, tamb\u00e9m n\u00e3o posso deixar de os censurar por n\u00e3o repudiarem da mesma forma a discrimina\u00e7\u00e3o entre portugueses de origem, designadamente entre os do interior (e insulares) e do litoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Os governos do PS (incluindo os da geringon\u00e7a\u2019 de esquerda) praticamente esqueceram o interior e nunca fizeram nada para contrariar a discrimina\u00e7\u00e3o pelas elites, sobretudo as de Lisboa, de quem migra desses territ\u00f3rios desfavorecidos para o litoral em busca de uma vida melhor, particularmente quem tenha algum sotaque. Muitos que partiram do interior com esperan\u00e7a no olhar, encontraram tamb\u00e9m em certa escala o muro invis\u00edvel da exclus\u00e3o. \u00c9 tempo de olhar o pa\u00eds por inteiro, com justi\u00e7a e com afeto. E de perceber que h\u00e1 constantemente valor, dignidade e talento a florescer longe dos centros do poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa discrimina\u00e7\u00e3o acontece, nomeadamente, nos meandros da pol\u00edtica, sendo preferidos candidatos oriundos das elites, em particular as de Lisboa, em detrimento de quem tenha nascido na \u2018prov\u00edncia\u2019, mesmo que possua um curr\u00edculo melhor. A manuten\u00e7\u00e3o desta cultura das elites, com a qual os partidos de esquerda compactuam, conflitua com a l\u00f3gica de meritocracia de que precisamos para fazer o pa\u00eds avan\u00e7ar, retirando a esses partidos a autoridade moral para se apresentarem como arautos da igualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o basta combater a desigualdade quando ela tem rosto estrangeiro ou se expressa em crit\u00e9rios de rendimento; \u00e9 igualmente necess\u00e1rio enfrent\u00e1-la quando surge entre portugueses, de forma mais subtil, mas n\u00e3o menos injusta \u2013 como nas desigualdades persistentes entre o litoral e o interior, que tamb\u00e9m assentam, em grande medida, em disparidades econ\u00f3micas.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdadeira justi\u00e7a social exige o reconhecimento e o combate a todos os preconceitos \u2014inclusive os que, por serem socialmente aceites ou politicamente inc\u00f3modos, muitos evitam contrariar. Afinal, h\u00e1 partidos \u2013 sen\u00e3o mesmo a generalidade dos partidos \u2013 profundamente enraizados nesse sistema de elites que procuram preservar. O exemplo dado por muitos dos seus representantes pouco contribui para a credibilidade do discurso sobre combate \u00e0s desigualdades, dando pertin\u00eancia \u00e0 express\u00e3o \u2018esquerda caviar\u2019, pelo contraste entre as palavras e os atos de muitos l\u00edderes dessa \u00e1rea. Do outro lado do espectro pol\u00edtico, a express\u00e3o an\u00e1loga ser\u00e1 \u2018direita champanhe\u2019, mas \u00e9 menos usada, pois como o discurso sobre as desigualdades \u00e9 menos marcado \u2013 embora exista \u2013, o contraste face \u00e0 a\u00e7\u00e3o \u00e9 menor.<\/p>\n\n\n\n<p>A outra parte da narrativa de Ventura reporta-se \u00e0 suposta \u2018invers\u00e3o\u2019 ou substitui\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica \u2013 de portugueses por estrangeiros \u2013, que cai facilmente por terra olhando para a nossa hist\u00f3ria de multiculturalidade e mistura de povos, parte integrante da matriz portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma na\u00e7\u00e3o que mistura v\u00e1rios povos e culturas desde a sua g\u00e9nese<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa narrativa \u00e9 falsa, ignorando a mistura de povos e culturas que faz parte da nossa identidade, tanto os que passaram pelo nosso territ\u00f3rio at\u00e9 \u00e0 funda\u00e7\u00e3o do Reino de Portugal (em 1143), como os que mais tarde contactamos no tempo dos Descobrimentos, e que tamb\u00e9m deram origem a vagas de imigra\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a descoloniza\u00e7\u00e3o \u2013 os \u2018retornados\u2019 e descendentes no p\u00f3s 25 de abril de 1974, e a imigra\u00e7\u00e3o africana dos PALOP (a das d\u00e9cadas de 1980 e 1990, e a dos estudantes e qualificados desde os anos 2000).<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro que a nossa grande Di\u00e1spora inclui ainda v\u00e1rias vagas de emigra\u00e7\u00e3o \u2013 para o Brasil, ainda durante a monarquia, e para pa\u00edses ricos da Am\u00e9rica do Norte (EUA e Canad\u00e1) e, sobretudo, da Europa (como Fran\u00e7a, Alemanha e Su\u00ed\u00e7a), com realce para as d\u00e9cadas de 1950\/60\/70 e ap\u00f3s 2008, na sequ\u00eancia da crise financeira internacional e da \u201cgrande recess\u00e3o\u201d \u2013, que tamb\u00e9m se integraram nos pa\u00edses de acolhimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos, por isso, um dever rec\u00edproco de acolhimento, mas tendo em conta as necessidades da economia e a capacidade de integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes, de forma digna, a cada momento, como sublinhei acima.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos, sobretudo, o dever, enquanto cidad\u00e3os e eleitores, de exigir aos nossos governantes reformas estruturais para que a economia cres\u00e7a a um ritmo superior, pois tal contribuir\u00e1 para uma maior din\u00e2mica populacional nas suas v\u00e1rias componentes, incluindo uma redu\u00e7\u00e3o da emigra\u00e7\u00e3o \u2013 que \u00e9, sobretudo, dos nossos jovens em idade reprodutiva, o que depois se reflete numa menor natalidade \u2013, como mostra um estudo da Faculdade de Economia do Porto (FEP), em que suportei a an\u00e1lise da cr\u00f3nica referida.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O estudo da FEP mostra que, se a economia portuguesa tivesse crescido 2,4% ao ano entre 1999 e 2022 (a m\u00e9dia simples das taxas de crescimento dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, UE), em vez de 1% ao ano, em m\u00e9dia (o terceiro pior valor da UE), em 2022 Portugal teria mais um milh\u00e3o de pessoas, pois a maior din\u00e2mica econ\u00f3mica teria permitido mais nascimentos, menos mortes (maior saldo natural), mais imigra\u00e7\u00e3o e menos emigra\u00e7\u00e3o (maior saldo migrat\u00f3rio).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Elevar o potencial de crescimento econ\u00f3mico far\u00e1 muito mais pela queda da emigra\u00e7\u00e3o do que quaisquer medidas avulsas e de efic\u00e1cia duvidosa, como o IRS Jovem, que \u00e9 muito custoso, gera injusti\u00e7a fiscal e j\u00e1 n\u00e3o exige a escolaridade obrigat\u00f3ria \u2013 o que torna esta exig\u00eancia \u2018letra morta\u2019 e favorece o abandono escolar \u2013, sendo prefer\u00edvel um regime unificado de reten\u00e7\u00e3o e atra\u00e7\u00e3o de talento acess\u00edvel a todos, como defendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre outros resultados, o estudo da FEP mostra que, se a economia portuguesa tivesse crescido 2,4% ao ano entre 1999 e 2022 (a m\u00e9dia simples das taxas de crescimento dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, UE), em vez de 1% ao ano, em m\u00e9dia (o terceiro pior valor da UE), em 2022 Portugal teria mais um milh\u00e3o de pessoas, pois a maior din\u00e2mica econ\u00f3mica teria permitido mais nascimentos, menos mortes (maior saldo natural), mais imigra\u00e7\u00e3o e menos emigra\u00e7\u00e3o (maior saldo migrat\u00f3rio). Um maior potencial de crescimento pressup\u00f5e mais imigra\u00e7\u00e3o num pa\u00eds envelhecido, o que alarga a dimens\u00e3o do mercado interno e cria mais oportunidades de emprego para todos (portugueses e imigrantes), explicando porque baixa a emigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Face a estas din\u00e2micas, a presen\u00e7a de crian\u00e7as estrangeiras nas escolas resulta, al\u00e9m do saldo natural negativo e da necessidade de imigra\u00e7\u00e3o para suprir as necessidades de m\u00e3o-de-obra, de uma taxa de fertilidade que \u00e9 superior entre os imigrantes, refletindo diferen\u00e7as culturais, mas tamb\u00e9m a emigra\u00e7\u00e3o de muitos dos nossos jovens, sobretudo por falta de condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas para terem uma vida decente no nosso pa\u00eds, que lhe permita condi\u00e7\u00f5es para c\u00e1 constituir fam\u00edlia e ter filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>O adiamento de reformas estruturais cruciais para o aumento da competitividade e do n\u00edvel de vida significou menos rendimento dos casais e menor possibilidade de terem filhos, bem como menos receita fiscal para financiar uma pol\u00edtica de natalidade mais robusta, incluindo um SNS com maior capacidade de resposta na \u00e1rea da obstetr\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Fica, pois, claro que a nossa crescente necessidade de imigrantes decorre da incapacidade persistente de criar condi\u00e7\u00f5es para fixar e aumentar a popula\u00e7\u00e3o \u2013 temos, ao longo do tempo, elegido governos pouco ambiciosos, avessos a reformas e inclinados a desperdi\u00e7ar oportunidades, desde logo o impulso proporcionado pelos fundos europeus \u2013, acabando por depender do exterior para colmatar fragilidades que s\u00e3o, em larga medida, da nossa pr\u00f3pria responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de crian\u00e7as estrangeiras resulta ainda do reagrupamento familiar, que faz parte de uma integra\u00e7\u00e3o bem-sucedida e est\u00e1 protegida na Constitui\u00e7\u00e3o e na legisla\u00e7\u00e3o europeia, pelo que \u00e9 preciso cuidado na mudan\u00e7a da lei pretendida o governo, embora alguns argumentos pare\u00e7am razo\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, no futuro continuaremos a precisar de imigra\u00e7\u00e3o, se quisermos que a economia cres\u00e7a a maior ritmo e nos aproximemos do n\u00edvel de vida dos pa\u00edses mais ricos da UE. Nesse caso, haver\u00e1 mais rendimento para os casais residentes no nosso pa\u00eds \u2013 portugueses, incluindo naturalizados, e imigrantes \u2013 terem filhos, e mais recursos p\u00fablicos para refor\u00e7ar a pol\u00edtica de natalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal sempre foi \u2013 e ter\u00e1 de continuar a ser \u2013 uma mistura de povos que moldaram profundamente a nossa cultura, a nossa l\u00edngua e a nossa identidade coletiva. Foi dessa diversidade, constru\u00edda com tempo e conviv\u00eancia, que nasceu a identidade portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mistura foi recentemente enfatizada no discurso de 10 de junho do Presidente da Rep\u00fablica, Marcelo Rebelo de Sousa, no dia de Portugal, de Cam\u00f5es e das Comunidades Portuguesas. O Presidente mencionou que, ao \u201crecordar os quase 900 anos da p\u00e1tria comum\u201d, tem \u201corgulho naqueles que a fizeram, vindos de todas as partes: gregos, fen\u00edcios, romanos, germ\u00e2nicos, n\u00f3rdicos, judeus, mouros, africanos, latino-americanos e orientais (\u2026) e, desde as ra\u00edzes, lusitanos, lioneses, burgonheses, gauleses, e sax\u00f5es, os mais antigos aliados pol\u00edticos. Recordar esses e muitos mais que de n\u00f3s fizeram uma mistura, em que n\u00e3o h\u00e1 quem possa dizer que \u00e9 mais puro e mais portugu\u00eas do que qualquer outro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto significa que parte das nossas ra\u00edzes \u00e9 tamb\u00e9m \u00e1rabe, o que releva na minha an\u00e1lise dos apelidos \u00e1rabes de crian\u00e7as citados por Andr\u00e9 Ventura, que n\u00e3o vou mencionar em concreto por respeito e para evitar mais agita\u00e7\u00e3o, mas consigo na mesma evidenciar a grande incoer\u00eancia do Chega.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pol\u00e9mica dos apelidos estrangeiros desmontada pela onom\u00e1stica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os populismos combatem-se com an\u00e1lise informada, pelo que \u00e9 esse o contributo que aqui deixo, procurando desmontar a fal\u00e1cia dos argumentos do Chega tamb\u00e9m na origem dos apelidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se \u00e9 verdade que os apelidos \u00e1rabes de crian\u00e7as citados por Andr\u00e9 Ventura n\u00e3o s\u00e3o comuns em Portugal, n\u00e3o \u00e9 menos verdade que temos v\u00e1rios apelidos e nomes pr\u00f3prios portugueses com origem na l\u00edngua \u00e1rabe \u2013 incluindo em deputados conhecidos do Chega, como a pr\u00f3pria Rita Cid Matias, envolvida na pol\u00e9mica \u2013 e em muitas outras l\u00ednguas.<\/p>\n\n\n\n<p>Imp\u00f5e-se, por isso, uma breve an\u00e1lise da onom\u00e1stica, o estudo dos nomes e da sua origem, em particular a antropon\u00edmia, o ramo que estuda a origem dos nomes das pessoas, tendo ainda em conta a topon\u00edmia, o ramo que analisa os nomes dos lugares, dado que muitos nomes pr\u00f3prios derivam da\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>Em&nbsp;<strong>primeiro lugar<\/strong>, ap\u00f3s pesquisar o significado de cada um dos apelidos em \u00e1rabe mencionadas por Ventura, posso dizer que temos em Portugal apelidos que querem dizer o mesmo nos v\u00e1rios casos \u2013 embora n\u00e3o derivando dessas palavras em \u00e1rabe \u2013, o que n\u00e3o \u00e9 de admirar, pois a forma\u00e7\u00e3o de nomes tem caracter\u00edsticas comuns entre l\u00ednguas e importamos muitos termos \u00e1rabes para o portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em&nbsp;<strong>segundo lugar<\/strong>, de real\u00e7ar que temos v\u00e1rios apelidos (nomes de fam\u00edlia) e nomes pr\u00f3prios portugueses oriundos do \u00e1rabe, como Abel, Albuquerque, Almeida, Bordalo, Cid, F\u00e1tima (nome de uma das filhas do profeta Maom\u00e9), Leonor e Viegas. Outros t\u00eam inspira\u00e7\u00e3o \u00e1rabe, como Mourinho (derivado da palavra \u201cmouro\u201d, intermut\u00e1vel com \u201c\u00e1rabe\u201d), apelido de um famoso treinador portugu\u00eas de futebol.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O deputado Andr\u00e9 Ventura nasceu em Algueir\u00e3o, uma freguesia do concelho de Sintra cujo nome tem origem \u00e1rabe (como muitas das palavras portuguesas com o prefixo \u2018al\u2019). \u00c9, por isso, prov\u00e1vel que, \u00e0 semelhan\u00e7a de uma boa parte dos portugueses, o deputado tenha ascendentes long\u00ednquos dessa origem. Se o apelido Ventura tem origem latina, j\u00e1 o nome pr\u00f3prio Andr\u00e9 deriva do grego.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A deputada Rita Cid Matias deveria saber que Cid \u2013 sobrenome da parte da m\u00e3e \u2013 tamb\u00e9m \u00e9 um nome de origem \u00e1rabe (seid, sayyid, que significa \u201cchefe, senhor\u201d), a mesma dos nomes de crian\u00e7as que referiu. O apelido Matias vem do hebraico, enquanto o nome pr\u00f3prio Rita deriva do latim, mas com ra\u00edzes gregas.<\/p>\n\n\n\n<p>O deputado Andr\u00e9 Ventura nasceu em Algueir\u00e3o, uma freguesia do concelho de Sintra cujo nome tem origem \u00e1rabe (como muitas das palavras portuguesas com o prefixo \u2018al\u2019). \u00c9, por isso, prov\u00e1vel que, \u00e0 semelhan\u00e7a de uma boa parte dos portugueses, o deputado tenha ascendentes long\u00ednquos dessa origem. Se o apelido Ventura tem origem latina, j\u00e1 o nome pr\u00f3prio Andr\u00e9 deriva do grego.<\/p>\n\n\n\n<p>O deputado Pedro Fraz\u00e3o, Vice-Presidente do Chega, tamb\u00e9m tem um apelido com origens \u00e1rabes.<\/p>\n\n\n\n<p>Chamo ainda a aten\u00e7\u00e3o que v\u00e1rios dos apelidos \u00e1rabes citados por Andr\u00e9 Ventura e Rita Matias podem ser usados em comunidades mu\u00e7ulmanas do subcontinente indiano, que o Chega tem visado de forma mais insistente nas suas exalta\u00e7\u00f5es populistas a respeito da imigra\u00e7\u00e3o, pelas maiores diferen\u00e7as culturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Conv\u00e9m, por isso, lembrar que o deputado do Chega Gabriel Mith\u00e1 Ribeiro, filho de pai cat\u00f3lico e m\u00e3e isl\u00e2mica, tem ascend\u00eancia africana, indiana e s\u00edria, sendo o sobrenome Mith\u00e1 de origem indiana \u2013 curiosamente, este deputado afirma que o racismo n\u00e3o existe em Portugal, o que parece ser contradit\u00f3rio com a pol\u00edtica agressiva e divisionista a respeito da imigra\u00e7\u00e3o do partido em que milita.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo o conjunto de deputados do Chega uma amostra da popula\u00e7\u00e3o portuguesa, \u00e9 natural que reflita a diversidade \u00e9tnica e cultural da nossa hist\u00f3ria, acima aflorada. Convinha, por isso, conhecerem melhor as origens dos pr\u00f3prios nomes antes de ca\u00edrem em posi\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias com a hist\u00f3ria do pa\u00eds e a deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o problema do Chega \u00e9 os apelidos serem estrangeiros numa escola portuguesa, pergunto se Andr\u00e9 Ventura teria seguido a mesma abordagem caso fossem antes de origem europeia e pertencentes a fam\u00edlias de elite ou com rendimentos elevados. Presume-se que n\u00e3o, at\u00e9 porque temos h\u00e1 muito tempo col\u00e9gios privados em que se ensina em ingl\u00eas, franc\u00eas e alem\u00e3o, onde certamente haver\u00e1 um n\u00famero relevante de crian\u00e7as oriundas de fam\u00edlias dos pa\u00edses correspondentes \u2013 \u00e9 certo que n\u00e3o s\u00e3o escolas p\u00fablicas (financiadas com impostos), mas deveriam tamb\u00e9m ser estudadas pelo Chega para sustentar a suposta \u2018invers\u00e3o demogr\u00e1fica\u2019 em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, v\u00e1rios apelidos usados em Portugal t\u00eam origem europeia, seja mantendo a forma original, como Bettencourt (Fran\u00e7a), Baumgartner (Alemanha), Van Zeller (Pa\u00edses Baixos), O\u2019Neill (irlanda) e Sp\u00ednola (It\u00e1lia), ou tendo sido \u2018aportuguesados\u2019, como Borges, com prov\u00e1vel origem francesa, e v\u00e1rios de origem espanhola (nomeadamente, Rodrigues e Souto), s\u00f3 para dar alguns exemplos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m neste caso de apelidos europeus encontramos representa\u00e7\u00e3o nos deputados do Chega, designadamente em Jos\u00e9 Dotti (origem italiana), Jo\u00e3o Tilly e Manuela Tender (origem inglesa).<\/p>\n\n\n\n<p>Acresce que muitos apelidos de origem europeia em Portugal, sobretudo os de centro e norte da Europa, s\u00e3o de fam\u00edlias ricas, concluindo-se que, nesta mat\u00e9ria em concreto e na imigra\u00e7\u00e3o em geral, o Chega \u00e9 \u201cforte com os fracos e fraco com os fortes\u201d, destoando do confronto que apregoa com os mais poderosos e o sistema pol\u00edtico, sobretudo em mat\u00e9ria de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Portugal deve orgulhar-se da sua identidade plural, constru\u00edda ao longo dos s\u00e9culos por contribui\u00e7\u00f5es de diferentes povos e culturas. Ao inv\u00e9s de usar nomes estrangeiros como pretexto para divis\u00f5es e exclus\u00f5es, devemos refor\u00e7ar a ideia de que a nossa cultura \u00e9 enriquecida justamente pela diversidade, e que continuar\u00e3o a ser aportuguesados nomes vindos de fora, num processo que faz parte da nossa identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A mistura de povos que \u00e9 Portugal desde a sua funda\u00e7\u00e3o deita por terra a narrativa de \u2018substitui\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica\u2019 que os deputados do Chega Andr\u00e9 Ventura e Rita Cid Matias pretenderam evidenciar com a leitura de apelidos \u00e1rabes de crian\u00e7as numa escola portuguesa. A contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 tanto maior quanto o sobrenome \u201cCid\u201d da deputada e o apelido de Pedro Fraz\u00e3o (vice-Presidente do Chega) t\u00eam origem \u00e1rabe, sendo ainda de relevar que o l\u00edder Andr\u00e9 Ventura nasceu na freguesia de Algueir\u00e3o, nome vindo do \u00e1rabe, podendo assim ter ascendentes long\u00ednquos \u00e1rabes, \u00e0 semelhan\u00e7a de uma boa parte dos portugueses.<\/p>\n\n\n\n<p>Aconselho os deputados do Chega a estudarem as pr\u00f3prias \u00e1rvores geneal\u00f3gicas e a origem das suas fam\u00edlias e apelidos antes de se pronunciarem sobre a popula\u00e7\u00e3o estrangeira de forma divisionista. Podem chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que a sua exist\u00eancia se deve a uma maior toler\u00e2ncia dos antepassados portugueses para com quem vem de fora. Sugiro ainda que deixem de usar as crian\u00e7as com instrumento de luta pol\u00edtico-partid\u00e1ria, pois n\u00e3o ganhar\u00e1 votos e poder\u00e1 causar danos reais na vida das fam\u00edlias em causa.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao enviesamento dos crit\u00e9rios de admiss\u00e3o escolas (e creches) em favor dos imigrantes, propalado por Ventura, \u00e9 manifestamente falso, mas se quiserem que os baixos rendimentos em geral \u2013 incluindo dos imigrantes \u2013 deixem de integrar esses crit\u00e9rios, ent\u00e3o proponham medidas concretas no Parlamento, de forma serena, em vez de montarem um \u2018circo medi\u00e1tico\u2019 em torno de crian\u00e7as de fam\u00edlias vulner\u00e1veis. Tal mostra um Chega \u201cforte com os fracos e fraco com os fortes\u201d, pois n\u00e3o mostraram apelidos estrangeiros do centro e norte da Europa, geralmente de fam\u00edlias ricas em Portugal, que haver\u00e1 em col\u00e9gios privados.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O governo deveria demarcar-se de posi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o consent\u00e2neas com uma Democracia liberal e tolerante, para n\u00e3o alimentar uma degrada\u00e7\u00e3o ainda maior da discuss\u00e3o pol\u00edtica e porque est\u00e1 a negociar mat\u00e9rias importantes, como a imigra\u00e7\u00e3o, precisamente com o Chega, que \u00e9 ainda um partido \u2018adolescente\u2019, tendo crescido mais r\u00e1pido em n\u00famero de deputados do que em maturidade, precisando, por isso, do acompanhamento de um ou mais \u2018adultos\u2019 do nosso sistema pol\u00edtico, leia-se PSD e PS.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O governo deveria demarcar-se de posi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o consent\u00e2neas com uma Democracia liberal e tolerante, para n\u00e3o alimentar uma degrada\u00e7\u00e3o ainda maior da discuss\u00e3o pol\u00edtica e porque est\u00e1 a negociar mat\u00e9rias importantes, como a imigra\u00e7\u00e3o, precisamente com o Chega, que \u00e9 ainda um partido \u2018adolescente\u2019, tendo crescido mais r\u00e1pido em n\u00famero de deputados do que em maturidade, precisando, por isso, do acompanhamento de um ou mais \u2018adultos\u2019 do nosso sistema pol\u00edtico, leia-se PSD e PS.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes devem ter a humildade de aprender algumas coisas com o \u2018adolescente\u2019 Chega, que tinha raz\u00e3o no descontrolo da imigra\u00e7\u00e3o, mas que a perder\u00e1 se insistir em divisionismos desumanos e na restrin\u00e7\u00e3o excessiva desse fluxo, desligada da economia, pois ent\u00e3o esta encolher\u00e1 e a receita fiscal tamb\u00e9m \u2013 sobrando ainda menos dinheiro para financiar o seu programa eleitoral irrealista, que j\u00e1 aqui analisei.<\/p>\n\n\n\n<p>Do governo exige-se, sobretudo, a ado\u00e7\u00e3o de reformas estruturais que elevem, de forma decisiva, o potencial de crescimento da economia, pois s\u00f3 assim nos aproximaremos da metade de pa\u00edses com maior n\u00edvel de vida da UE e conseguiremos atenuar de forma expressiva a emigra\u00e7\u00e3o dos nossos jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>Os partidos de esquerda, desde logo o PS, al\u00e9m de terem de assumir claramente a culpa no descontrolo da imigra\u00e7\u00e3o \u2013 evidente nos n\u00fameros de estrangeiros divulgados recentemente pela AIMA \u2013, devem ainda parar de condicionar a atua\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia no discurso pol\u00edtico, para que exer\u00e7a as suas compet\u00eancias em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a de uma forma efetiva, sem esses condicionalismos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal comporta rusgas em zonas de risco, onde pode haver imigrantes (at\u00e9 para sua seguran\u00e7a), como a que aconteceu recentemente e foi t\u00e3o criticada \u00e0 esquerda. A nova unidade de policiamento de fronteiras, inserida na PSP, que ir\u00e1 lidar sobretudo com imigrantes, requer esse respaldo pol\u00edtico tamb\u00e9m da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos partidos de esquerda exige-se ainda que combatam a discrimina\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas em mat\u00e9ria de rendimento e imigra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m entre portugueses do interior \u2013 que esqueceram enquanto estiveram no governo \u2013 e as elites de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal precisa de controlar a imigra\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da economia e capacidade de absor\u00e7\u00e3o a cada momento, pondo fim a um per\u00edodo recente de descontrolo \u2013 que ter\u00e1 alimentado a economia paralela e redes de imigra\u00e7\u00e3o ilegal \u2013, mas continuar\u00e1 a precisar de um fluxo regular de imigrantes no futuro, para contrariar os efeitos do envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e permitir que todo o pa\u00eds possa alcan\u00e7ar um maior n\u00edvel de vida e bem-estar.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos e seremos uma mistura de povos e de nomes, e devemos ter orgulho nessa identidade multicultural e tolerante, independentemente do discurso pol\u00edtico divisionista que alguns querem passar.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, &nbsp;ECO Magazine Somos e seremos uma mistura de povos e de nomes, e devemos ter orgulho nessa identidade multicultural e tolerante, independentemente do discurso pol\u00edtico divisionista que alguns querem passar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,298],"tags":[],"class_list":["post-49246","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-outras"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49246","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=49246"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49246\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49247,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49246\/revisions\/49247"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=49246"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=49246"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=49246"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}