{"id":49207,"date":"2025-06-25T20:59:57","date_gmt":"2025-06-25T20:59:57","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49207"},"modified":"2025-06-29T21:03:54","modified_gmt":"2025-06-29T21:03:54","slug":"paradigmas-formacao-e-fraude-3-4-3-2-2-3-2-2-2-3-2-2-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49207","title":{"rendered":"Indicadores avan\u00e7ados e o falso otimismo perp\u00e9tuo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca de Almeida, Blog da Ordem dos Economistas\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p data-wp-editing=\"1\"><a href=\"https:\/\/blogeconomistas.pt\/indicadores-avancados-e-o-falso-otimismo-perpetuo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-27229 size-full\" src=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/consultar.jpg\" alt=\"\" width=\"24\" height=\"24\" \/><\/a><em> O governo AD tem a oportunidade \u2014 e a responsabilidade \u2014 de deixar marca, n\u00e3o apenas pela governa\u00e7\u00e3o corrente, mas por reformas que resistam a mudan\u00e7as de ciclo e elevem o n\u00edvel de vida da popula\u00e7\u00e3o.<\/em><br \/><!--more--><\/p>\n<footer class=\"entry__footer\">\n<div class=\"author-credits\">\n<div class=\"author-credits__author\">\n<div class=\"entry__content\">\u00a0<\/div>\n<footer class=\"entry__footer js-share-overlay\">\n<div class=\"author-credits\">\n<div class=\"author-credits__author\">\n<p>Por isso, as crises econ\u00f3micas n\u00e3o caem do c\u00e9u de forma s\u00fabita e abrupta. S\u00e3o sempre processos cumulativos que desembocam na retra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica. Existem sinais de alerta, indicadores avan\u00e7ados, bem conhecidos da ci\u00eancia econ\u00f3mica, que permitem prever o desempenho econ\u00f3mico futuro.<\/p>\n<p>Em Portugal, contudo, quer pol\u00edticos quer comunica\u00e7\u00e3o social vivem num mundo de perp\u00e9tuo otimismo, de expans\u00e3o infinita, sempre com desempenhos passados acima da m\u00e9dia e um futuro claro e brilhante pela frente. Cegos aos sinais, somos o pa\u00eds em que prospectivamente as crises surgem de repente, de surpresa, sem aviso e, claro, vindas de fora \u2013 os culpados s\u00e3o inevitavelmente os outros: a pandemia, o subprime americano, a guerra na Ucr\u00e2nia, a guerra no M\u00e9dio Oriente, a diminui\u00e7\u00e3o do poder de compra alem\u00e3o, os crimes dos Esp\u00edrito Santo, mas nunca por nunca devido \u00e0 imprepara\u00e7\u00e3o governamental da nossa economia para os choques que se avizinham. E com desempenhos t\u00e3o bons \u00e9 obra estarmos nos primeiros lugares de pobreza na Europa e em cont\u00ednua aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 cauda do grupo. Somos sempre o que mais retrai e o \u00faltimo a recuperar. Por isso ficamos para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Em contrapartida retrospetivamente, quando a crise rebenta, tudo era previs\u00edvel e j\u00e1 esperado. Estas vis\u00f5es prospetivas (tudo vai bem) e retrospetivas (j\u00e1 se esperava) s\u00e3o um sinal claro da ignor\u00e2ncia e do provincianismo lusitano. Os economistas t\u00eam aqui um papel importante na altera\u00e7\u00e3o dessa mentalidade tacanha.<\/p>\n<p>Os indicadores avan\u00e7ados n\u00e3o s\u00e3o infal\u00edveis, permitem desenhar cen\u00e1rios futuros e para cada um deles estabelecer as medidas a tomar para contrariar as previs\u00f5es, para anular ou minimizar consequ\u00eancias, para melhor resistir \u00e0s intemp\u00e9ries. N\u00e3o fora isso, n\u00e3o serviriam para muito.<\/p>\n<p>A economia portuguesa assenta em tr\u00eas pilares entrela\u00e7ados: o or\u00e7amento de Estado (fortemente condicionado por regras europeias e avalanches de fundos p\u00fablicos da UE), as grandes empresas (a maioria estrangeiras) e as micro, pequenas e m\u00e9dias empresas (essencialmente portuguesas). O funcionamento desta tr\u00edade define as classes sociais existentes no nosso pa\u00eds, desde os oper\u00e1rios fabris (hoje invisibilizados) at\u00e9 aos grandes capitalistas (atualmente absurdamente glorificados como\u00a0<em>os<\/em>\u00a0produtores de riqueza) passando por uma larga, diversificada e empobrecida classe de servi\u00e7os e funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>As grandes empresas estrangeiras conseguem antecipar e reagir aos indicadores avan\u00e7ados. Acabam por sair com sucesso e refor\u00e7adas das crises. As duas outras pernas da sociedade n\u00e3o reagem e acabam a perder. S\u00e3o o elo fraco da nossa resposta aos ciclos econ\u00f3micos.<\/p>\n<p>Existe uma perce\u00e7\u00e3o errada de que se as pessoas forem avisadas da vinda de uma crise a sua rea\u00e7\u00e3o torna a crise mais prov\u00e1vel e mais profunda. \u00c9 um erro. Se o Estado e as micro, pequenas e m\u00e9dias empresas estiverem informados eles procurar\u00e3o resguardar-se das consequ\u00eancias mais dolorosas. Em conjunto podem, conhecendo as causas, evitar ou reduzir os efeitos. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial numa economia de mercado excessiva e anacronicamente aberta ao exterior como a portuguesa.<\/p>\n<p>Recentemente tivemos em Portugal o Professor Edward Altman, candidato ao Pr\u00e9mio Nobel da Economia, que nos veio falar do ciclo do cr\u00e9dito, como indicador avan\u00e7ado das crises econ\u00f3micas e como esse indicador se est\u00e1 a modificar em face das altera\u00e7\u00f5es dos processos de financiamento das sociedades, nomeadamente o crescimento do cr\u00e9dito concedido a empresas por fundos e outros atores n\u00e3o-bancos. Uma palestra muito interessante e de grande qualidade, organizada pela nossa Ordem. Parab\u00e9ns ao nosso Baston\u00e1rio por esta iniciativa.<\/p>\n<p>Para o Professor Altman, olhando para o ciclo do cr\u00e9dito, vem a\u00ed uma nova tempestade, uma nova crise. \u00c9 bom estarmos todos preparados.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/footer><\/div>\n<\/div>\n<\/footer>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca de Almeida, Blog da Ordem dos Economistas\u00a0 O governo AD tem a oportunidade \u2014 e a responsabilidade \u2014 de deixar marca, n\u00e3o apenas pela governa\u00e7\u00e3o corrente, mas por reformas que resistam a mudan\u00e7as de ciclo e elevem o n\u00edvel de vida da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,131],"tags":[],"class_list":["post-49207","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-diversos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=49207"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49207\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49208,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49207\/revisions\/49208"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=49207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=49207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=49207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}