{"id":49180,"date":"2025-05-26T17:29:26","date_gmt":"2025-05-26T17:29:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49180"},"modified":"2025-06-08T17:31:32","modified_gmt":"2025-06-08T17:31:32","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-6-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49180","title":{"rendered":"Descida hist\u00f3rica na qualidade das nossas elites exp\u00f5e modelo econ\u00f3mico pouco competitivo"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/dinheirovivo.dn.pt\/opiniao\/descida-hist%C3%B3rica-na-qualidade-das-nossas-elites-exp%C3%B5e-modelo-econ%C3%B3mico-pouco-competitivo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:16px;height:16px\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>Portugal registou, em 2025, a maior queda de sempre no \u00cdndice de Qualidade das Elites (2,3 pontos, para 56,0), atingindo o m\u00ednimo da s\u00e9rie iniciada em 2020 e levando a uma queda de cinco posi\u00e7\u00f5es no ranking internacional, para 30\u00ba em 151 pa\u00edses. Embora Portugal se mantenha ainda no primeiro quintil de pa\u00edses, estes resultados devem ser motivo de s\u00e9ria reflex\u00e3o, pois refletem uma realidade preocupante: a perda de influ\u00eancia econ\u00f3mica, fruto de fragilidades estruturais e um modelo econ\u00f3mico n\u00e3o competitivo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>\u00a0O \u00edndice EQx (na sigla inglesa) \u00e9 produzido pela Universidade de St. Gallen, sendo a an\u00e1lise dos dados de Portugal assegurada pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP). O EQx baseia-se na teoria da elite do desenvolvimento econ\u00f3mico, em que as elites s\u00e3o definidas como os modelos empresariais dominantes na economia pol\u00edtica das na\u00e7\u00f5es, avaliando se criam valor l\u00edquido para a sociedade \u2013 significando que h\u00e1 mais para distribuir por todos \u2013 ou se o extraem em benef\u00edcio pr\u00f3prio, em detrimento da popula\u00e7\u00e3o. A edi\u00e7\u00e3o deste ano considerou 149 indicadores, agrupados, como habitualmente, em quatro grandes dimens\u00f5es: poder econ\u00f3mico, poder pol\u00edtico, valor econ\u00f3mico e valor pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel em 2025 est\u00e1 associada \u00e0 perda de poder e valor econ\u00f3mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Na dimens\u00e3o de poder econ\u00f3mico das elites, realce para o recuo expressivo no pilar de \u201cdestrui\u00e7\u00e3o criativa\u201d \u2013 que avalia a renova\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do tecido econ\u00f3mico \u2013, devido \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de dois novos indicadores relativos ao investimento privado em intelig\u00eancia artificial (IA), uma \u00e1rea em que Portugal surge mal colocado. Tal revela dificuldades do nosso pa\u00eds na capta\u00e7\u00e3o de investimento em tecnologias cruciais para a inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a perda de valor econ\u00f3mico resultou do agravamento de v\u00e1rias fragilidades estruturais: fraco crescimento da produtividade laboral, elevada taxa de desemprego jovem, maior fuga l\u00edquida de talento, reduzida participa\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho e dificuldades no acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de as componentes de poder e valor pol\u00edtico terem tido pouca influ\u00eancia na evolu\u00e7\u00e3o do EQx em 2025, assinalo mexidas em indicadores relevantes, algumas negativas e outras positivas, que se compensaram. No dom\u00ednio do poder pol\u00edtico, a deteriora\u00e7\u00e3o em indicadores ligados \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, desigualdade de rendimento, liberdade acad\u00e9mica e complexidade regulat\u00f3ria foi contrariada por melhorias na liberdade de imprensa, empoderamento feminino, distribui\u00e7\u00e3o da riqueza, qualidade da regula\u00e7\u00e3o e direitos humanos. No valor pol\u00edtico, real\u00e7o a evolu\u00e7\u00e3o negativa nos indicadores de servi\u00e7os p\u00fablicos online, taxa de mortalidade por abuso de subst\u00e2ncias e efic\u00e1cia da cobran\u00e7a de impostos, bem como a manuten\u00e7\u00e3o de uma elevada taxa de IRC (114\u00aa posi\u00e7\u00e3o), aspetos que devem ser corrigidos pelos nossos governantes; pela positiva, assinalo o forte progresso no r\u00e1cio da d\u00edvida p\u00fablica no PIB \u2013 subida da 137.\u00aa para a 63.\u00aa posi\u00e7\u00e3o \u2013, que tem vindo a baixar significativamente (o que importa manter), e o melhor desempenho ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa an\u00e1lise retrospetiva, a evolu\u00e7\u00e3o da qualidade das elites de Portugal em 2025 confirma uma tend\u00eancia de deteriora\u00e7\u00e3o desde o per\u00edodo pr\u00e9-pandemia (ou seja, desde a primeira edi\u00e7\u00e3o, em 2000, com indicadores relativos a 2019), traduzindo perdas significativas na capacidade de gera\u00e7\u00e3o de valor econ\u00f3mico que superaram os ganhos no valor pol\u00edtico e, em particular, no poder pol\u00edtico e econ\u00f3mico, ainda que este \u00faltimo tenha sido bastante penalizado nesta edi\u00e7\u00e3o, como referido. Esta tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o da qualidade das elites \u2013 ligada a fragilidades estruturais internas que determinam um modelo econ\u00f3mico pouco competitivo \u2013 dificulta uma resposta eficaz aos desafios globais cada vez mais complexos.<\/p>\n\n\n\n<p>A n\u00edvel internacional, pa\u00edses como a Singapura (1\u00ba lugar em 2025, tal como em 2024), EUA (2\u00ba), Su\u00ed\u00e7a (3\u00ba) ou mesmo a China (19\u00ba) mostram que qualidade das elites \u00e9 um motor crucial do desenvolvimento econ\u00f3mico, pois molda tanto os sistemas inclusivos como os extrativos.<\/p>\n\n\n\n<p>A incorpora\u00e7\u00e3o de novos indicadores de investimento privado em IA parece ter sido decisiva na subida de v\u00e1rias posi\u00e7\u00f5es dos EUA e da China nesta edi\u00e7\u00e3o, enquanto Portugal aparece mal posicionado, como referido, mas o mal parece ser europeu, influenciando os rankings. Em 2025, no Top 10 do EQx restam apenas tr\u00eas pa\u00edses europeus \u2013 Su\u00ed\u00e7a, Reino Unido e Alemanha \u2013, dos quais apenas a Alemanha pertence \u00e0 Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>No que se refere aos EUA, ser\u00e1 interessante verificar, para o ano, o que sucede ao \u00edndice EQx em 2026, sob influ\u00eancia da segunda Administra\u00e7\u00e3o Trump e os efeitos de v\u00e1rias pol\u00edticas, no m\u00ednimo, muito question\u00e1veis, desde logo a guerra das tarifas, mas tamb\u00e9m o ataque \u00e0 Academia e outras institui\u00e7\u00f5es dos EUA, sendo ainda importante acompanhar \u00e0 d\u00edvida soberana dos EUA, cujo rating triplo A j\u00e1 foi retirado pela ag\u00eancia Moody\u2019s.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00edndice EQx \u00e9 relevante porque oferece uma perspetiva \u00fanica sobre a cria\u00e7\u00e3o de valor sustent\u00e1vel de um pa\u00eds e o seu potencial crescimento a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Complementando a an\u00e1lise evolutiva anterior, a seguir elenco v\u00e1rios rankings em indicadores importantes do \u00edndice EQx de 2025 que confirmam a reduzida competitividade do modelo econ\u00f3mico de Portugal, limitando o potencial de crescimento econ\u00f3mico do pa\u00eds. O baixo investimento (101\u00aa posi\u00e7\u00e3o na Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital) \u00e9 consistente com a reduzida competitividade fiscal \u2013 108\u00aa na carga fiscal, medida como desvio face ao \u00f3timo, para o que contribui a 114\u00aa no IRC \u2013 e a complexidade da regula\u00e7\u00e3o (75\u00aa). O d\u00e9fice de investimento penaliza a evolu\u00e7\u00e3o da produtividade do trabalho (90\u00aa) e o potencial de crescimento do pa\u00eds, refletindo-se numa taxa de desemprego elevada (102\u00aa), sobretudo entre os jovens (114\u00aa), apesar de apresentarem, em m\u00e9dia, n\u00edveis de qualifica\u00e7\u00e3o superiores \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto evidencia tamb\u00e9m problemas de desfasamento entre as compet\u00eancias oferecidas pelos trabalhadores \u2013 incluindo os mais jovens, sa\u00eddos das escolas e do Ensino Superior \u2013 e as requeridas pelas empresas. Estas s\u00e3o, na sua grande maioria, de pequena dimens\u00e3o e baixo valor acrescentado, n\u00e3o espantando, por isso, os rankings modestos na complexidade da economia (40\u00aa) e diversifica\u00e7\u00e3o do mercado dom\u00e9stico (46\u00aa posi\u00e7\u00e3o), ligados a um perfil de especializa\u00e7\u00e3o em atividades com pouca intensidade em conhecimento e tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>A agravar tudo isto est\u00e3o os custos elevados com a sa\u00fade (113\u00aa) e a habita\u00e7\u00e3o (54\u00aa), bem como a elevada desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o da riqueza (85\u00aa) e rendimento (64\u00aa), com base no coeficiente de Gini, revelando a insufici\u00eancia das pol\u00edticas p\u00fablicas nestas \u00e1reas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o: um apelo \u00e0 a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A descida hist\u00f3rica no \u00cdndice de Qualidade das Elites deve ser encarada como um sinal de alarme. \u00c9 imperativo que o novo governo adote uma abordagem proativa, implementando finalmente reformas estruturais que promovam a competitividade na atra\u00e7\u00e3o de investimento \u2013 desde logo, a baixa da carga fiscal, em particular do IRC, e a simplifica\u00e7\u00e3o da regula\u00e7\u00e3o \u2013, bem como a inova\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o de valor econ\u00f3mico, elevando o perfil de especializa\u00e7\u00e3o da economia e a capacidade de absorver, reter e atrair talento. Pol\u00edticas p\u00fablicas mais eficazes na sa\u00fade, na habita\u00e7\u00e3o e na redu\u00e7\u00e3o das desigualdades em geral s\u00e3o tamb\u00e9m passos importantes para o desenvolvimento econ\u00f3mico e social do pa\u00eds, olhando para as \u00e1reas de maior fragilidade. Importa ainda corrigir a evolu\u00e7\u00e3o preocupante em 2025 em indicadores ligados \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, liberdade acad\u00e9mica, servi\u00e7os p\u00fablicos online, taxa de mortalidade por abuso de subst\u00e2ncias e efic\u00e1cia da cobran\u00e7a de impostos.<\/p>\n\n\n\n<p>A responsabilidade recai sobre todos n\u00f3s para promover uma mudan\u00e7a de paradigma que permita a Portugal alcan\u00e7ar maiores n\u00edveis de desenvolvimento, exigindo muito mais dos nossos l\u00edderes, em particular os decisores pol\u00edticos e l\u00edderes empresariais. Estes dever\u00e3o ter tamb\u00e9m uma postura mais proativa e influente no sentido da melhoria das pol\u00edticas da Uni\u00e3o Europeia, que j\u00e1 s\u00f3 tem a Alemanha no Top 10 do EQx em 2025.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo Portugal registou, em 2025, a maior queda de sempre no \u00cdndice de Qualidade das Elites (2,3 pontos, para 56,0), atingindo o m\u00ednimo da s\u00e9rie iniciada em 2020 e levando a uma queda de cinco posi\u00e7\u00f5es no ranking internacional, para 30\u00ba em 151 pa\u00edses. 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