{"id":49156,"date":"2025-05-19T13:02:00","date_gmt":"2025-05-19T13:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49156"},"modified":"2025-05-21T13:05:32","modified_gmt":"2025-05-21T13:05:32","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-6-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49156","title":{"rendered":"Crescimento econ\u00f3mico: m\u00e9rito dos governos ou demagogia pol\u00edtica? O caso do 1\u00ba Trimestre 2025"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/dinheirovivo.dn.pt\/opiniao\/crescimento-econ%C3%B3mico-m%C3%A9rito-dos-governos-ou-demagogia-pol%C3%ADtica-o-caso-do-1%C2%BA-trimestre-2025\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:16px;height:16px\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>Neste artigo mostro de forma pedag\u00f3gica como os eleitores n\u00e3o devem acreditar quando os pol\u00edticos nos dizem que s\u00e3o os governos (pelo menos os mais recentes) os maiores respons\u00e1veis pela evolu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f3mica, seja ela positiva ou negativa, um assunto que entrou recentemente na campanha eleitoral.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, esclare\u00e7o que o crescimento econ\u00f3mico \u00e9 um fen\u00f3meno melhor estudado no longo prazo \u2013 em que se esbatem os efeitos dos ciclos econ\u00f3micos e outros espor\u00e1dicos \u2013, dependendo da evolu\u00e7\u00e3o da quantidade f\u00edsica dos fatores produtivos, sobretudo do trabalho e do capital, e da forma como se combinam (a produtividade total dos fatores), onde importa, em particular, a qualidade dos fatores produtivos (que se designa capital humano, no caso do trabalho, e conhecimento tecnol\u00f3gico, no caso do capital) e das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem reformas estruturais significativas no nosso pa\u00eds para promover essas bases do crescimento econ\u00f3mico, ele foi, em m\u00e9dia, de apenas 1% ao ano desde o in\u00edcio do mil\u00e9nio (de 1999 a 2024). Nesse per\u00edodo, as reformas que tivemos foram as impostas pela troika de credores de 2011 a 2014, salvando o pa\u00eds da bancarrota. Se \u00e9 certo que o PIB se contraiu nesse per\u00edodo e houve muitas dificuldades, criaram-se condi\u00e7\u00f5es para depois ele crescer de forma mais vigorosa e sustentada nos anos seguintes, alicer\u00e7ado nas exporta\u00e7\u00f5es. Infelizmente, v\u00e1rias reformas foram revertidas, em parte, pela \u2018geringon\u00e7a\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguiram-se as crises da pandemia e da guerra, e a economia tem recuperado com os efeitos tempor\u00e1rios do surto de turismo e do PRR, sendo o potencial de crescimento baixo, como venho a referir.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 se v\u00ea que a ina\u00e7\u00e3o (ou m\u00e1 a\u00e7\u00e3o) da generalidade dos sucessivos governos tem penalizado a economia pela aus\u00eancia de reformas, empobrecendo o pa\u00eds em termos relativos ao aproxim\u00e1-lo da cauda da Uni\u00e3o Europeia (UE) em n\u00edvel de vida. Mesmo assim, qualquer per\u00edodo em que tenhamos crescido ligeiramente acima da UE \u2013 um referencial pouco ambicioso, dado estar muito limitado pela fraca evolu\u00e7\u00e3o da Alemanha, Fran\u00e7a e It\u00e1lia \u2013 \u00e9 logo reclamado pelo governo em fun\u00e7\u00f5es como sendo sua autoria, o que \u00e9 pura demagogia.<\/p>\n\n\n\n<p>No curto prazo, \u00e9 poss\u00edvel um governo influenciar conjunturalmente a economia por via dos agregados macroecon\u00f3micos que controla direta ou indiretamente (gest\u00e3o da procura), no \u00e2mbito da fun\u00e7\u00e3o de estabiliza\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f3mica (i.e., reduzir a amplitude dos ciclos econ\u00f3micos):<\/p>\n\n\n\n<p>\u00b7 estimular a atividade na fase baixa \u2013 em que PIB est\u00e1 abaixo do potencial (output gap negativo) \u2013, para reduzir o desemprego,<\/p>\n\n\n\n<p>\u00b7 e refreando-a na fase alta (output gap positivo) para evitar a subida da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, estimular a economia depende sempre dos agentes econ\u00f3micos, pois se anteciparem que as benesses n\u00e3o s\u00e3o sustent\u00e1veis e ser\u00e3o pagas mais \u00e0 frente com mais impostos, poder\u00e3o antes poup\u00e1-las em vez de as gastar e dinamizar a atividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, \u00e9 cr\u00edvel que o crescimento econ\u00f3mico tenha ficado ligeiramente acima do esperado (1,9%, que compara com 1,6% no programa da AD de 2024) devido \u00e0s v\u00e1rias medidas de est\u00edmulo de procura (como redu\u00e7\u00e3o de IRS e subida de pens\u00f5es, do sal\u00e1rio m\u00ednimo e de sal\u00e1rios em v\u00e1rias carreiras da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica), que at\u00e9 se dispensariam na tal l\u00f3gica de estabiliza\u00e7\u00e3o da economia, que ainda est\u00e1 na fase alta (output gap positivo), pelo que se tratou, sobretudo, \u00e9 importante afirm\u00e1-lo, de gest\u00e3o do ciclo pol\u00edtico face \u00e0 curta maioria parlamentar. Contudo, as medidas foram, sobretudo, um fator permissivo, como mostro abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Aparentemente, ter\u00e3o sido mais as estrat\u00e9gias promocionais no retalho do que a pol\u00edtica de aumento do rendimento dispon\u00edvel do governo a estimular o aumento do consumo e do PIB no \u00faltimo trimestre do ano passado, seguindo-se uma corre\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f3mica no 1\u00ba trimestre deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados do 4\u00ba trimestre mostram uma subida trimestral de 1,5% do PIB, em termos reais (2,8% em termos hom\u00f3logos), que \u00e9 a maior deste mil\u00e9nio excluindo o per\u00edodo de maiores oscila\u00e7\u00f5es da pandemia, tendo sido muito influenciada pela subida do consumo das fam\u00edlias, a principal rubrica do PIB.<\/p>\n\n\n\n<p>O consumo das fam\u00edlias subiu 2,9% em cadeia no trimestre \u2013 o maior aumento da s\u00e9rie, iniciada em 1995, se excluirmos o per\u00edodo inst\u00e1vel da pandemia \u2013, impulsionado pelos bens duradouros (7,3%) e bens correntes n\u00e3o alimentares e servi\u00e7os (2,9%), j\u00e1 que a evolu\u00e7\u00e3o nos bens alimentares foi mais modesta e normal (0,7%).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 cr\u00edvel que esse aumento hist\u00f3rico do consumo tenha resultado, em grande medida, da estrat\u00e9gia comercial da distribui\u00e7\u00e3o, com grandes promo\u00e7\u00f5es (como \u2018Black Friday\u2019 e Natal) e est\u00edmulo do cr\u00e9dito ao consumo (que acelerou na parte final do ano) para escoar stocks de produtos, que registaram uma quebra trimestral (pela primeira vez desde 2020) com bastante significado, enquanto as importa\u00e7\u00f5es tiveram a maior queda (-1,4%) desde o per\u00edodo da pandemia. Por seu turno, as exporta\u00e7\u00f5es retomaram um crescimento em cadeia nesse trimestre, mas dentro de uma tend\u00eancia de abrandamento. Estas condi\u00e7\u00f5es an\u00f3malas explicaram o forte crescimento trimestral do PIB na parte final do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 \u00e0 luz da an\u00e1lise acima que se devem ler os dados provis\u00f3rios das contas nacionais do 1\u00ba trimestre divulgados recentemente pelo INE, que no caso das componentes do PIB cont\u00eam apenas informa\u00e7\u00e3o qualitativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados em cadeia mostram uma diminui\u00e7\u00e3o de 0,5% do PIB em volume (conduzindo a uma redu\u00e7\u00e3o da taxa de varia\u00e7\u00e3o hom\u00f3loga de 2,8% para 1,6%), ap\u00f3s um crescimento de 1,4% no trimestre anterior (revisto face \u00e0 anterior estimativa de 1,5%). Quanto \u00e0s componentes, na parte da evolu\u00e7\u00e3o em cadeia apenas \u00e9 referido que \u201co contributo da procura externa l\u00edquida para a varia\u00e7\u00e3o em cadeia do PIB foi negativo enquanto a procura interna registou um contributo nulo\u201d. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que a redu\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es e dos stocks se tenha invertido e o consumo tenha registado um crescimento menor ou mesmo uma ligeira corre\u00e7\u00e3o em baixa. A parte do comunicado em que se faz a an\u00e1lise da evolu\u00e7\u00e3o hom\u00f3loga refere um abrandamento do consumo e das exporta\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os, din\u00e2micas expect\u00e1veis face \u00e0s tend\u00eancias recentes e ao contexto externo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais an\u00e1lise s\u00f3 com os dados completos por componentes que sair\u00e3o dentro de algum tempo, mas face \u00e0 an\u00e1lise poss\u00edvel aqui apresentada torna-se claro que, afirmar que o governo foi respons\u00e1vel pela queda de 0,5% do PIB no 1\u00ba trimestre, \u00e9 pura demagogia. Quando muito, pode-se dizer que o governo criou condi\u00e7\u00f5es de aumento do rendimento dispon\u00edvel que favoreceram um maior crescimento do PIB no ano passado, mas foram os agentes econ\u00f3micos, leia-se consumidores e distribui\u00e7\u00e3o, que concentraram um pico de consumo e escoamento de produtos no \u00faltimo trimestre, explicando a corre\u00e7\u00e3o da atividade verificada no in\u00edcio de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras deriva\u00e7\u00f5es demag\u00f3gicas dos pol\u00edticos s\u00e3o delimitar e associar o andamento da atividade econ\u00f3mica aos per\u00edodos exatos da governa\u00e7\u00e3o, sendo \u00f3bvio que, entre a tomada de decis\u00f5es e os eventuais efeitos na economia, decorre um per\u00edodo de tempo significativo, al\u00e9m de que h\u00e1 uma in\u00e9rcia elevada da tend\u00eancia passada que, como j\u00e1 referi, tem sido globalmente penalizadora por aus\u00eancia de reformas, embora conjunturalmente estejamos a crescer acima da UE devido ao turismo e ao PRR, essencialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>A principal conclus\u00e3o a que chego \u00e9 que a maioria dos governos que temos tido, salvo honrosas exce\u00e7\u00f5es, servem para \u2018mandar\u2019 e n\u00e3o para reformar, conduzindo a um contributo marginal ou insignificante na economia e deixando-nos empobrecer no contexto europeu por ina\u00e7\u00e3o e incapacidade de aproveitar as oportunidades, algo que as economias do leste t\u00eam feito, pois a maioria j\u00e1 nos ultrapassou em n\u00edvel de vida tendo entrado mais tarde na UE e recebido muito menos fundos europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 que apare\u00e7a um governo reformista que mude o estado das coisas, \u2018n\u00e3o sa\u00edmos da cepa torta\u2019. S\u00f3 ent\u00e3o poderemos dizer que o governo teve um impacto positivo, efetivo e transformador, na economia. Tudo o resto \u00e9 demagogia \u2013 em particular, influ\u00eancias de curto prazo, muito dependentes de fatores tempor\u00e1rios n\u00e3o control\u00e1veis pelo governo \u2013 como procurei aqui demonstrar de forma pedag\u00f3gica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo Neste artigo mostro de forma pedag\u00f3gica como os eleitores n\u00e3o devem acreditar quando os pol\u00edticos nos dizem que s\u00e3o os governos (pelo menos os mais recentes) os maiores respons\u00e1veis pela evolu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f3mica, seja ela positiva ou negativa, um assunto que entrou recentemente na campanha eleitoral.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-49156","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=49156"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49156\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49157,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49156\/revisions\/49157"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=49156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=49156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=49156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}