{"id":49142,"date":"2025-05-14T19:19:37","date_gmt":"2025-05-14T19:19:37","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49142"},"modified":"2025-05-17T19:22:52","modified_gmt":"2025-05-17T19:22:52","slug":"paradigmas-formacao-e-fraude-3-4-3-2-2-3-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49142","title":{"rendered":"As Reformas estruturais que o pa\u00eds precisa"},"content":{"rendered":"\n<ul class=\"wp-block-list\"><\/ul>\n\n\n<p><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Eco\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/opiniao\/as-reformas-estruturais-que-o-pais-precisa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-27229 \" src=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/consultar.jpg\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a>\u00a0 \u00a0 <em>Para mudarmos rumo a um futuro melhor, temos de exigir mais dos nossos pol\u00edticos.<\/em><br \/><!--more--><\/p>\n<div class=\"entry__content\">\u00a0<\/div>\n<footer class=\"entry__footer\">\n<div class=\"author-credits\">\n<div class=\"author-credits__author\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/footer>\n\n\n<p>Portugal s\u00f3 conseguir\u00e1 elevar o seu potencial de crescimento econ\u00f3mico e alcan\u00e7ar a metade mais rica da Uni\u00e3o Europeia (UE) a prazo num horizonte razo\u00e1vel, como uma d\u00e9cada \u2013 o que deveria ser um des\u00edgnio nacional \u2013 se encetar um conjunto de reformas estruturais, como as que apontei numa cr\u00f3nica anterior e que aqui relembro de forma breve para efeitos de exposi\u00e7\u00e3o, podendo ser consultadas com maior detalhe nesse texto.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo, acrescento mais algumas reformas importantes, algumas j\u00e1 apresentadas anteriormente de forma dispersa, e outras novas. As reformas devem ser claramente definidas, cuidadosamente desenhadas e eficazmente implementadas. \u00c9 igualmente essencial que sejam bem comunicadas, explicando-se as suas motiva\u00e7\u00f5es e consequ\u00eancias. Sempre que necess\u00e1rio, dever\u00e3o ser complementadas com medidas transit\u00f3rias que compensem os que possam ser mais negativamente afetados numa fase inicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos ainda de lideran\u00e7as \u00e0 altura para as implementar, tanto no governo como na oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Divido, por isso, a cr\u00f3nica em duas partes, mais a conclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Parte A \u2013 resumo de reformas j\u00e1 apresentadas numa cr\u00f3nica anterior.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>1. Reforma do Estado: administra\u00e7\u00e3o, sistema fiscal e sistema de pens\u00f5es<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>1.1. Reforma administrativa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1.1.1. Gest\u00e3o mais eficiente da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica: baixar o peso da despesa corrente no PIB (via descentraliza\u00e7\u00e3o e maior autonomia e responsabiliza\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os p\u00fablicos, com foco nas necessidades e conveni\u00eancia de cidad\u00e3os e empresas, incluindo uma grande aposta na digitaliza\u00e7\u00e3o e em servi\u00e7os online) para acomodar um maior peso do investimento p\u00fablico e uma baixa da carga fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>1.1.2 Reforma administrativa territorial: eliminar o n\u00edvel administrativo das freguesias e estudar a viabilidade de cria\u00e7\u00e3o do regional (se necess\u00e1rio, via fus\u00e3o de munic\u00edpios), uma solu\u00e7\u00e3o mais europeia e eficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>1.1.3. Refor\u00e7ar a capacidade administrativa de gest\u00e3o de fundos da UE acelerar o PRR e PT 2030.<\/p>\n\n\n\n<p>1.1.4. Regula\u00e7\u00e3o e concorr\u00eancia: melhorar o ambiente de neg\u00f3cios de termos de desregula\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia, nomeadamente no setor da ferrovia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1.2. Reforma do sistema fiscal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1.2.1. Baixar a carga fiscal: continuar a baixar o IRS e, sobretudo, as taxas de IRC, com prioridade para a elimina\u00e7\u00e3o da derrama estadual progressiva, sem paralelo no resto da Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>1.2.2. Racionaliza\u00e7\u00e3o e elimina\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios fiscais injustificados: partir do estudo de 2019 do grupo de trabalho criado para o efeito. Focar os benef\u00edcios em IRC para a I&amp;D, que s\u00e3o generosos, mais nas PME (onde h\u00e1 uma falha de mercado) e menos nas grandes empresas, beneficiadas pela baixa de taxas de IRC.<\/p>\n\n\n\n<p>1.2.3. Revis\u00e3o e uniformiza\u00e7\u00e3o dos mecanismos de atra\u00e7\u00e3o e reten\u00e7\u00e3o de talento: substitui\u00e7\u00e3o dos programas IRS Jovem, Regressar e IFICI+ pelo IRS Novo Talento que defendo (dedu\u00e7\u00f5es em IRS sobre rendimento de trabalho nos anos ap\u00f3s novas qualifica\u00e7\u00f5es superiores, tanto maiores quanto maior o grau, com limite global de anos), acess\u00edvel a todos no ativo (ao contr\u00e1rio dos regimes que substitui) \u2013 jovens, menos jovens, imigrantes e emigrantes regressados \u2013, tornando o regime fiscal mais simples e justo.<\/p>\n\n\n\n<p>1.2.4. Outras medidas para aumento da efic\u00e1cia do sistema fiscal: fortalecimento de meios da Administra\u00e7\u00e3o fiscal e redu\u00e7\u00e3o das suas intera\u00e7\u00f5es com os contribuintes, eliminando encargos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1.3. Reforma do sistema de pens\u00f5es: atender aos alertas da Comiss\u00e3o Europeia nesta mat\u00e9ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>2. Reforma do sistema pol\u00edtico: pol\u00edtica como servi\u00e7o p\u00fablico e n\u00e3o profiss\u00e3o (incluindo medidas como limita\u00e7\u00e3o de mandatos sucessivos em quaisquer cargos pol\u00edticos a dois e c\u00edrculos uninominais) e medidas de aumento da transpar\u00eancia (como a meritocracia nos processos de recrutamento; a regulamenta\u00e7\u00e3o do lobbying; e refor\u00e7ar os per\u00edodos de \u2018nojo\u2019 para impedir as \u2018portas girat\u00f3rias\u2019 entre cargos pol\u00edticos e empresariais) e combate \u00e0 corru\u00e7\u00e3o e \u00e0 economia paralela (realce para a criminaliza\u00e7\u00e3o do enriquecimento il\u00edcito no setor p\u00fablico e privado).<\/p>\n\n\n\n<p>3. Reforma da Justi\u00e7a: a digitaliza\u00e7\u00e3o, com recurso a intelig\u00eancia artificial (IA), e a redu\u00e7\u00e3o da litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9 s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para uma Justi\u00e7a mais c\u00e9lere, eficiente e ao servi\u00e7o do desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>4. Reforma da Sa\u00fade: o SNS precisa de mais investimento, melhor gest\u00e3o e modelos inovadores, podendo as parcerias p\u00fablico-privadas, se bem desenhadas, ser parte da solu\u00e7\u00e3o, sendo ainda crucial medidas de preven\u00e7\u00e3o em sa\u00fade financiadas por receitas espec\u00edficas (como impostos sobre excesso de sal e a\u00e7\u00facar, bem como aditivos nocivos, em produtos processados).<\/p>\n\n\n\n<p>5. Reforma da Educa\u00e7\u00e3o (com medidas como aumentar vagas em \u00e1reas cr\u00edticas e tornar a profiss\u00e3o mais atrativa, incluindo modelos de recrutamento descentralizado) e Ensino Superior (realce para a aposta na autonomia, revis\u00e3o das propinas e \u201cContrato de Confian\u00e7a\u201d entre o Estado e o estudante): em ambos os casos, a IA deve ser usada para refor\u00e7ar a qualidade do ensino e promovida como complemento, n\u00e3o substituto, da a\u00e7\u00e3o humana, promovendo essa filosofia tamb\u00e9m na liga\u00e7\u00e3o \u00e0s empresas e ao mercado de trabalho, que deve ser refor\u00e7ada via aposta na requalifica\u00e7\u00e3o das gera\u00e7\u00f5es no ativo, relativamente pouco qualificadas no contexto internacional, tanto trabalhadores como empregadores \/ gestores.<\/p>\n\n\n\n<p>6. Reforma da habita\u00e7\u00e3o, mobilidade territorial e mercado de trabalho: \u00e9 crucial dinamizar o mercado de arrendamento com pol\u00edticas inovadoras e articular pol\u00edticas de habita\u00e7\u00e3o com as de descentraliza\u00e7\u00e3o e emprego \u2013 incluindo uma diminui\u00e7\u00e3o da rigidez laboral \u2013, pois potenciam uma melhor distribui\u00e7\u00e3o das oportunidades econ\u00f3micas pelo territ\u00f3rio, reduzindo press\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o nos grandes centros urbanos.<\/p>\n\n\n\n<p>7. Eleva\u00e7\u00e3o do perfil econ\u00f3mico: aposta em setores intensivos em conhecimento, aproveitando as oportunidades e fundos europeus nas \u00e1reas da reindustrializa\u00e7\u00e3o, digitaliza\u00e7\u00e3o e defesa, nomeadamente. A prioridade deve ser refor\u00e7ar os crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de projetos com base no valor acrescentado, produtividade e capacidade exportadora, de forma transversal. Deve-se evitar tenta\u00e7\u00f5es dirigistas de escolher setores, pois h\u00e1 oportunidades de crescimento e cria\u00e7\u00e3o de valor em qualquer setor, mesmo que em nichos como mostra a hist\u00f3ria econ\u00f3mica e das inova\u00e7\u00f5es de mercado. Mesmo o turismo, onde j\u00e1 temos um peso excessivos a meu ver, pode e deve evoluir em qualifica\u00e7\u00e3o, digitaliza\u00e7\u00e3o, valor acrescentado e homogeneidade no territ\u00f3rio, abandonando o modelo de turismo de massas, que pressiona as infraestruturas (incluindo a habita\u00e7\u00e3o) e o ambiente. O peso do setor at\u00e9 pode manter-se ou progredir, mas com base no aumento do valor gerado por turista e numa maior produtividade, absorvendo menos trabalho e capital, reorientados para setores relativamente mais produtivos atrav\u00e9s de pol\u00edticas e incentivos corretos e transversais, como os anteriormente referidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Parte B \u2013 outras reformas complementares<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo acrescento mais quatro pontos importantes, alguns novos e outros que j\u00e1 tenho defendido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>8.<\/strong>&nbsp;Promo\u00e7\u00e3o da poupan\u00e7a dirigida a investimento produtivo: estudar novos instrumentos com esse objetivo, tendo em conta os principais perfis dos aforradores portugueses; promover a literacia financeira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>9.<\/strong>&nbsp;Melhorar a aloca\u00e7\u00e3o do capital, favorecendo os ganhos de escala, a produtividade e a competitividade: fiscalizar situa\u00e7\u00f5es de fal\u00eancia t\u00e9cnica das empresas e assegurar a aplica\u00e7\u00e3o das regras do C\u00f3digo das Sociedades Comerciais para acabar com as empresas \u2018zombie\u2019 (persistentemente com preju\u00edzo); agilizar os mecanismos de recupera\u00e7\u00e3o e insolv\u00eancia; refor\u00e7ar os benef\u00edcios fiscais e outros para opera\u00e7\u00f5es de concentra\u00e7\u00e3o (aprovadas pela Autoridade da Concorr\u00eancia) e coopera\u00e7\u00e3o empresarial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>10.<\/strong>&nbsp;Refor\u00e7ar a liga\u00e7\u00e3o entre sal\u00e1rios e produtividade: promover, na concerta\u00e7\u00e3o social, a subida do sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional em linha com a produtividade tendo em conta o contexto externo; estudar formas mais inovadoras de ligar sal\u00e1rios e produtividade nas organiza\u00e7\u00f5es, com apoio da Academia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>11.<\/strong>&nbsp;An\u00e1lise estrat\u00e9gica das grandes infraestruturas de conectividade do pa\u00eds previstas para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas: no transporte a\u00e9reo, proceder a uma reavalia\u00e7\u00e3o urgente da necessidade de um novo aeroporto em Lisboa (pedir \u00e0 Comiss\u00e3o Independente para avaliar um cen\u00e1rio sem hub, que poder\u00e1 tornar suficiente o atual aeroporto, descongestionando-o e reduzindo o impacto ambiental; reavaliar, em conson\u00e2ncia, a concess\u00e3o da ANA \u00e0 Vinci) e \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o da TAP, e fazer uma aposta decisiva na ferrovia (que tender\u00e1 a substituir os voos de curta dist\u00e2ncia, em linha com as orienta\u00e7\u00f5es europeias), sendo crucial a revis\u00e3o dos investimentos neste dom\u00ednio (bitola europeia ou mista e liga\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes redes europeias) e a implementa\u00e7\u00e3o de um modelo que traga concorr\u00eancia efetiva (incluindo a privatiza\u00e7\u00e3o da CP), como o exemplo de sucesso espanhol. Estudar, com apoio da Academia, modelos de organiza\u00e7\u00e3o da vida em sociedade que otimizem a mobilidade e as infraestruturas necess\u00e1rias de forma mais sustent\u00e1vel, reduzindo a necessidade de transporte individual poluente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>12.<\/strong>&nbsp;Refor\u00e7o da Defesa Nacional e Integra\u00e7\u00e3o Europeia: Face \u00e0s mudan\u00e7as na ordem mundial e ao refor\u00e7o das pol\u00edticas de defesa na UE, \u00e9 imperativo que Portugal fortale\u00e7a as suas capacidades de defesa nacional no quadro europeu e da NATO, o que passa por avaliar estrategicamente o investimento necess\u00e1rio na moderniza\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas, incluindo para efeitos de coopera\u00e7\u00e3o europeia e na NATO, bem como o duplo uso de equipamentos militares para necessidades civis, preparando o pa\u00eds para responder a desafios internos e externos, militares, mas tamb\u00e9m civis. \u00c9 preciso ainda assegurar que h\u00e1 um impacto positivo na economia e nas finan\u00e7as p\u00fablicas \u2013 para que o investimento em defesa n\u00e3o se fa\u00e7a \u00e0 custa de outras \u00e1reas, em particular do Estado Social \u2013, atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria nacional de defesa (setor p\u00fablico e privado), com realce para \u00e1reas intensivas em I&amp;D e equipamentos de duplo uso (civil e militar), aproveitando as oportunidades e mecanismos e financiamento no quadro europeu, bem como o envolvimento da ind\u00fastria em contrapartidas das aquisi\u00e7\u00f5es do Estado ao exterior, preferencialmente a fazer no \u00e2mbito do mercado europeu de defesa que ir\u00e1 ser desenvolvido. A ideia \u00e9 que as aquisi\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas de defesa por parte do Estado v\u00e3o sendo feitas gradualmente, acompanhando a progress\u00e3o da ind\u00fastria de defesa nacional \u2013 via exporta\u00e7\u00f5es, incluindo as promovidas pelas contrapartidas, e abastecimento competitivo ao Estado portugu\u00eas \u2013, para que o impacto or\u00e7amental seja minorado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>13.<\/strong>&nbsp;Jovens: combater o insucesso escolar e aumentar significativamente as bolsas de estudo no Ensino Superior, que s\u00e3o insuficientes face aos elevados custos (sobretudo para estudantes deslocados), bem como o alojamento estudantil \u2013 com solu\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e de mercado (reforma da habita\u00e7\u00e3o). A escola, em particular o Ensino Superior, \u00e9 o principal elevador social do pa\u00eds, pelo que temos de assegurar que ningu\u00e9m fica de fora. Todas as reformas aqui propostas, ao promoverem o aumento da produtividade e dos sal\u00e1rios, visam contrariar a emigra\u00e7\u00e3o do nosso talento jovem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>14.<\/strong>&nbsp;Outras \u00e1reas: promo\u00e7\u00e3o do impacto econ\u00f3mico das ind\u00fastrias culturais e criativas, nomeadamente atrav\u00e9s de uma melhoria da pol\u00edtica de concess\u00f5es de patrim\u00f3nio cultural do Estado; resposta aos desafios espec\u00edficos da agricultura, mar e pescas, sobretudo conciliar sustentabilidade e cria\u00e7\u00e3o de valor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>15.<\/strong>&nbsp;Pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o promotora do desenvolvimento econ\u00f3mico e humano: como mostrou um estudo da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), um fator permissivo crucial para o crescimento econ\u00f3mico \u00e9 uma imigra\u00e7\u00e3o regulada, associada a mecanismos ligados \u00e0 atividade econ\u00f3mica, como contrato de trabalho e ausculta\u00e7\u00e3o das entidades que representam as empresas, sendo tamb\u00e9m fundamental uma adequada integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes na sociedade. O modelo de \u2018Via verde\u2019 para a imigra\u00e7\u00e3o aprovado pelo governo parece ir no sentido correto, como j\u00e1 referi noutras oportunidades, mas falta ainda saber se funcionar\u00e1 bem, pois \u00e9 muito recente. A necessidade de um fluxo de imigra\u00e7\u00e3o maior do que no passado, se quisermos elevar o potencial de crescimento econ\u00f3mico, exige um aumento dos recursos da AIMA e para a forma\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente haver\u00e1 outras reformas e medidas importantes ausentes desta lista revista, que pretende ser mais completa, mas n\u00e3o exaustiva, apontando, sobretudo, \u00e0s \u00e1reas de interven\u00e7\u00e3o mais urgentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta parte chamo ainda a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia de termos lideran\u00e7as pol\u00edticas capazes e \u00e9ticas para um novo ciclo de prosperidade \u2013 esta mat\u00e9ria tem liga\u00e7\u00e3o com reforma 2 (sistema pol\u00edtico) \u2013, tanto no novo governo que surgir\u00e1 das elei\u00e7\u00f5es de 18 de maio pr\u00f3ximo, como no principal partido da oposi\u00e7\u00e3o, que se exige respons\u00e1vel e cooperador em mat\u00e9rias de particular interesse nacional. Essa capacidade de coopera\u00e7\u00e3o em mat\u00e9rias estruturantes, sem perigar o necess\u00e1rio distanciamento program\u00e1tico, aconteceu de forma mais regular e proveitosa num passado j\u00e1 distante, com realce para a ades\u00e3o de Portugal \u00e0 UE, ent\u00e3o designada de Comunidade Econ\u00f3mica Europeia, no ano de 1986.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o possuo uma \u2018bola de cristal\u2019 para adivinhar que configura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e parlamentar ir\u00e1 emergir das elei\u00e7\u00f5es, mas relembro o que escrevi numa outra cr\u00f3nica neste mesmo espa\u00e7o de opini\u00e3o, de que Portugal possui algumas (poucas) \u2018reservas estrat\u00e9gicas\u2019 em mat\u00e9ria de lideran\u00e7a pol\u00edtica e \u00e9tica, casos relativamente raros de pessoas que j\u00e1 prestaram grandes servi\u00e7os ao pais e se afastaram de forma desprendida, mas que o poder\u00e3o voltar a fazer se a oportunidade se proporcionar e o pa\u00eds precisar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Portugal est\u00e1 perante uma encruzilhada<\/strong>: Eenfrenta de frente os seus bloqueios estruturais, com esp\u00edrito reformista e estrat\u00e9gico, avan\u00e7ando decisivamente rumo a um futuro de maior progresso econ\u00f3mico e social, ou continuar\u00e1 com um crescimento an\u00e9mico e a cair para a cauda da UE em n\u00edvel de vida. As reformas aqui sistematizadas apontam algumas ideias que me parecem relevantes para enfrentar alguns dos principais desafios do pa\u00eds. Contudo, nenhuma reforma se concretiza sem lideran\u00e7a e \u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos de l\u00edderes que estejam dispostas a colocar o interesse nacional acima das l\u00f3gicas partid\u00e1rias de curto prazo, tanto no governo como na oposi\u00e7\u00e3o, sem esquecer que temos \u2018reservas\u2019 de grande valor que j\u00e1 deram provas no passado em mat\u00e9ria de lideran\u00e7a reformista, mobilizadora e \u00e9tica, e poder\u00e3o dar um novo contributo decisivo para o pa\u00eds se este precisar e as circunst\u00e2ncias o permitirem. Para mudarmos rumo a um futuro melhor, temos de exigir mais dos nossos pol\u00edticos, al\u00e9m de n\u00f3s pr\u00f3prios, pois o poder deve ser para servir o povo, n\u00e3o para mandar.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Eco\u00a0 \u00a0 \u00a0 Para mudarmos rumo a um futuro melhor, temos de exigir mais dos nossos pol\u00edticos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,131],"tags":[],"class_list":["post-49142","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-diversos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=49142"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49142\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49144,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49142\/revisions\/49144"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=49142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=49142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=49142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}