{"id":49048,"date":"2025-04-04T18:59:13","date_gmt":"2025-04-04T18:59:13","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49048"},"modified":"2025-04-06T19:22:56","modified_gmt":"2025-04-06T19:22:56","slug":"paradigmas-formacao-e-fraude-3-4-3-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49048","title":{"rendered":"As tarifas de Trump e os efeitos est\u00e1ticos e din\u00e2micos"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Eco\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/especiais\/as-tarifas-de-trump-e-os-efeitos-estaticos-e-dinamicos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-27229 size-full\" src=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/consultar.jpg\" alt=\"\" width=\"24\" height=\"24\" \/><\/a>\u00a0 \u00a0 \u00a0<em>A m\u00e9dio e longo prazo, os efeitos das tarifas tornam-se mais profundos e potencialmente mais prejudiciais, com impactos estruturais sobre a efici\u00eancia produtiva, o crescimento econ\u00f3mico, a especializa\u00e7\u00e3o internacional e a integra\u00e7\u00e3o das cadeias de valor globais.<\/em><br \/>\n<!--more--><\/p>\n<div class=\"entry__content\">\n<p>Do ponto de vista global, os efeitos decorrentes da pol\u00edtica tarif\u00e1ria implementada por Donald Trump, com base nos princ\u00edpios da teoria do com\u00e9rcio internacional, s\u00e3o maioritariamente adversos, tanto a curto como a longo prazo. Mesmo nos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA), onde teoricamente poderia existir algum ganho l\u00edquido no curto prazo, a elevada magnitude das tarifas impostas reduz substancialmente essa possibilidade, tornando mais prov\u00e1vel um saldo negativo. A m\u00e9dio e longo prazo, os preju\u00edzos tornam-se evidentes e m\u00faltiplos, comprometendo a efici\u00eancia econ\u00f3mica, o crescimento sustentado e a integra\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>De facto, a imposi\u00e7\u00e3o de tarifas alfandeg\u00e1rias por parte de uma economia de grande dimens\u00e3o, como \u00e9 o caso dos EUA, gera repercuss\u00f5es significativas. No curto prazo, surgem impactos imediatos:<\/p>\n<ul>\n<li>De mercado sobre os pre\u00e7os, os n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o e consumo;<\/li>\n<li>De\u00a0bem-estar social sobre os diferentes agentes econ\u00f3micos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Estas consequ\u00eancias de curto prazo s\u00e3o chamados de\u00a0<strong>efeitos est\u00e1ticos<\/strong>.<\/p>\n<p>J\u00e1 no longo prazo, verificam-se efeitos mais profundos e persistentes, designados por efeitos din\u00e2micos, que afetam a aloca\u00e7\u00e3o eficiente dos recursos, o ritmo de crescimento econ\u00f3mico e a estrutura produtiva do pa\u00eds e das suas rela\u00e7\u00f5es comerciais.<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o integral destes efeitos exige, portanto, uma distin\u00e7\u00e3o clara entre efeitos est\u00e1ticos (de natureza imediata), os quais ser\u00e3o analisados no ponto 1 infra, e efeitos din\u00e2micos (de natureza estrutural e cumulativa), que ser\u00e3o objeto de an\u00e1lise no ponto 2, conforme se desenvolve de seguida.<\/p>\n<h3 class=\"\"><strong>1. Efeitos Est\u00e1ticos \u2013 Curto Prazo<\/strong><\/h3>\n<p>Quando uma economia de grande dimens\u00e3o, como os EUA, imp\u00f5e tarifas alfandeg\u00e1rias sobre bens importados, desencadeia-se imediatamente um conjunto de efeitos econ\u00f3micos com implica\u00e7\u00f5es tanto no mercado interno como nos mercados internacionais.<\/p>\n<p>O primeiro impacto direto \u00e9 o aumento do pre\u00e7o interno desses bens. Por exemplo, uma tarifa de 30% aplicada a um determinado produto \u2014 resultante da combina\u00e7\u00e3o de uma tarifa base de 10% (aplicada a todos os pa\u00edses) com uma tarifa adicional (rec\u00edproca) de 20% imposta por Donald Trump especificamente \u00e0 Uni\u00e3o Europeia (UE), e, por conseguinte, tamb\u00e9m a Portugal \u2014 provoca um encarecimento desse bem no mercado norte-americano.<\/p>\n<p>Para os consumidores dos EUA, o pre\u00e7o final do produto importado sobe, reduzindo-se a sua atratividade face \u00e0s alternativas dom\u00e9sticas ou a outros bens substitutos.<\/p>\n<p>No entanto, como os EUA representam uma economia com peso significativo no com\u00e9rcio internacional, os seus movimentos protecionistas influenciam tamb\u00e9m os pre\u00e7os praticados a n\u00edvel global. Ao imporem tarifas, reduzem a sua procura por bens estrangeiros, o que gera um excesso de oferta desses bens nos mercados internacionais. Como consequ\u00eancia, o pre\u00e7o mundial do bem taxado tende a baixar, dado que os produtores estrangeiros passam a enfrentar maior dificuldade em escoar os seus produtos.<\/p>\n<p>Este ajustamento tem um efeito importante: o aumento do pre\u00e7o interno nos EUA ser\u00e1 inferior ao valor total da tarifa imposta. Isto acontece porque parte do custo da tarifa n\u00e3o \u00e9 suportado apenas pelos consumidores norte-americanos, mas \u00e9 partilhado com os produtores estrangeiros, que, para manterem algum n\u00edvel de vendas, s\u00e3o for\u00e7ados a reduzir os seus pre\u00e7os de exporta\u00e7\u00e3o. Este fen\u00f3meno, conhecido como partilha da incid\u00eancia da tarifa, \u00e9 caracter\u00edstico de economias com poder de mercado, ou seja, capazes de influenciar os pre\u00e7os de mercado globais devido \u00e0 sua dimens\u00e3o e peso relativo na procura mundial.<\/p>\n<p>Em termos t\u00e9cnicos, diz-se que os EUA exercem poder de monop\u00f3lio na procura: ao reduzirem a sua procura agregada, pressionam os pre\u00e7os para baixo e transferem parte do encargo da tarifa para os pa\u00edses exportadores. Este mecanismo explica por que raz\u00e3o o efeito final sobre o pre\u00e7o interno n\u00e3o corresponde ao acr\u00e9scimo integral da tarifa nominal e evidencia os efeitos redistributivos das pol\u00edticas comerciais entre pa\u00edses com diferentes pesos econ\u00f3micos.<\/p>\n<p>Nos EUA, o aumento do pre\u00e7o tem, pois, consequ\u00eancias para os v\u00e1rios agentes econ\u00f3micos.<\/p>\n<p>Os consumidores norte-americanos s\u00e3o os mais penalizados, dado que passam a pagar mais por um dado bem e, simultaneamente, reduzem o seu consumo. Esta perda traduz-se numa diminui\u00e7\u00e3o do excedente do consumidor, agravada nos casos em que o bem em causa tem uma procura inel\u00e1stica (como bens alimentares essenciais e energia).<\/p>\n<p>Por outro lado, os produtores dos EUA beneficiam da tarifa: enfrentam menos concorr\u00eancia externa, vendem a pre\u00e7os mais elevados e aumentam a sua quota de mercado. Gozam, por isso, de um aumento do excedente do produtor.<\/p>\n<p>O Estado norte-americano, por sua vez, passa a arrecadar mais receita com a cobran\u00e7a das tarifas, correspondente \u00e0 tarifa multiplicada pela quantidade de bens importados remanescente.<\/p>\n<p>Contudo, a imposi\u00e7\u00e3o da tarifa gera uma inefici\u00eancia na aloca\u00e7\u00e3o de recursos para os EUA, traduzida numa perda l\u00edquida de bem-estar social (a soma do excedente do consumidor com o excedente do produtor) conhecida como deadweight loss. Esta perda decorre de duas origens:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>A redu\u00e7\u00e3o do consumo eficiente<\/strong>\u00a0\u2013 Este efeito traduz-se no facto de determinadas unidades de bens deixarem de ser adquiridas, apesar de continuarem a representar um valor para o consumidor superior ao seu custo de produ\u00e7\u00e3o no mercado internacional. Em termos econ\u00f3micos, isto significa que os consumidores, confrontados com pre\u00e7os artificiais mais elevados devido \u00e0 tarifa, passam a consumir uma quantidade inferior \u00e0quela que ocorreria num contexto de com\u00e9rcio livre, com pre\u00e7os determinados pelo mercado mundial. Consequentemente, verifica-se uma subutiliza\u00e7\u00e3o do consumo relativamente ao ponto de equil\u00edbrio eficiente, o qual corresponderia \u00e0 afeta\u00e7\u00e3o \u00f3tima de recursos \u00e0 escala global.<\/li>\n<li><strong>A distor\u00e7\u00e3o produtiva interna<\/strong>\u00a0\u2013 Neste caso, a imposi\u00e7\u00e3o de tarifas conduz a uma substitui\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es mais baratas por produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica menos eficiente, ou seja, com custos de produ\u00e7\u00e3o superiores. Isto implica um desperd\u00edcio de recursos econ\u00f3micos, dado que se mobilizam mais fatores produtivos do que o necess\u00e1rio para obter a mesma quantidade de bens. Assim, os produtores dom\u00e9sticos passam a produzir mais do que seria economicamente desej\u00e1vel num cen\u00e1rio de livre com\u00e9rcio, em que os pre\u00e7os de mercado refletem os custos relativos globais e conduzem a uma especializa\u00e7\u00e3o baseada nas vantagens comparativas. Esta distor\u00e7\u00e3o resulta numa aloca\u00e7\u00e3o ineficiente dos recursos produtivos a n\u00edvel mundial.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Assim, mesmo com ganhos para o Estado e para os produtores, as perdas dos consumidores tendem a ser superiores se as tarifas forem de magnitude elevada, resultando num saldo negativo do ponto de vista do bem-estar agregado.<\/p>\n<p>No resto do mundo, os efeitos tamb\u00e9m se fazem sentir. A queda da procura dos EUA, por ser uma economia grande, tende a reduzir o pre\u00e7o mundial do bem afetado. Isto prejudica os produtores estrangeiros, que recebem menos e vendem menos (podendo ainda enfrentar excesso de oferta se n\u00e3o conseguirem escoar a produ\u00e7\u00e3o rapidamente para outros mercados), mas beneficia os consumidores dos restantes pa\u00edses, que conseguem aceder a esses bens a um custo mais baixo (efeito positivo indireto). Os termos de troca melhoram para os EUA (porque importam menos aos pre\u00e7os mais baixos do exterior) e deterioram-se para os seus parceiros comerciais, que exportam menos e a pre\u00e7os inferiores (l\u00edquidos das tarifas), isto num cen\u00e1rio sem retalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Em suma, no c\u00f4mputo geral:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Os\u00a0EUA podem, na melhor das hip\u00f3teses, registar a curto prazo um ligeiro ganho l\u00edquido de bem-estar se a melhoria dos termos de troca for significativa, mas isso \u00e9 pouco prov\u00e1vel para tarifas de magnitude elevada como as agora aplicadas a alguns dos principais parceiros comerciais dos EUA (como China e UE), sendo, por isso, mais plaus\u00edvel uma ligeira perda l\u00edquida.<\/li>\n<li>Certa \u00e9 a perda l\u00edquida do resto do mundo e do mundo como um todo, pois a introdu\u00e7\u00e3o de tarifas por uma economia grande provoca uma aloca\u00e7\u00e3o ineficiente de recursos a n\u00edvel global.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ou seja, mesmo que um pa\u00eds isolado (o importador que aplica a tarifa) possa obter benef\u00edcios l\u00edquidos no imediato, o sistema econ\u00f3mico internacional torna-se menos eficiente, com menor bem-estar agregado.<\/p>\n<h3 class=\"\"><strong>2. Efeitos Din\u00e2micos \u2013 Longo Prazo<\/strong><\/h3>\n<p>A m\u00e9dio e longo prazo, os efeitos das tarifas tornam-se mais profundos e potencialmente mais prejudiciais, com impactos estruturais sobre a efici\u00eancia produtiva, o crescimento econ\u00f3mico, a especializa\u00e7\u00e3o internacional e a integra\u00e7\u00e3o das cadeias de valor globais.<\/p>\n<p>Em\u00a0<strong>primeiro lugar,<\/strong>\u00a0o protecionismo tarif\u00e1rio tende a gerar uma perda de efici\u00eancia din\u00e2mica. Ao proteger produtores dom\u00e9sticos da concorr\u00eancia internacional, reduz-se o seu incentivo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, \u00e0 melhoria da produtividade e \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. As empresas passam a depender do abrigo proporcionado pela tarifa e n\u00e3o da sua competitividade real, o que resulta, a longo prazo, num decl\u00ednio da produtividade total dos fatores, que \u00e9 o principal determinante do crescimento econ\u00f3mico no longo prazo.<\/p>\n<p>Em\u00a0<strong>segundo lugar<\/strong>, h\u00e1 um efeito de distor\u00e7\u00e3o da especializa\u00e7\u00e3o produtiva. Os fatores de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o desviados para setores que, em condi\u00e7\u00f5es normais de mercado, n\u00e3o seriam competitivos a n\u00edvel internacional. Tal compromete os ganhos de efici\u00eancia e de escala que adv\u00eam da especializa\u00e7\u00e3o segundo as vantagens comparativas (i.e., um pa\u00eds deve especializar-se na produ\u00e7\u00e3o dos bens em que \u00e9 relativamente mais eficiente, ou seja, naqueles em que tem menor custo de oportunidade, mesmo que seja menos eficiente na produ\u00e7\u00e3o de todos os bens comparado com outro pa\u00eds). A longo prazo, esta distor\u00e7\u00e3o pode tornar a economia menos flex\u00edvel e menos capaz de se adaptar \u00e0s mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas globais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as tarifas introduzem perturba\u00e7\u00f5es significativas nas cadeias de valor globais. Num contexto em que a produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 fragmentada internacionalmente, muitas empresas dependem de bens interm\u00e9dios importados. Ao taxar esses bens, aumentam-se os custos de produ\u00e7\u00e3o, afetam-se margens de lucro e inibe-se o investimento. Em resposta, as empresas podem optar por relocalizar cadeias produtivas ou ajustar fornecedores, o que implica custos de transi\u00e7\u00e3o e, muitas vezes, perda de efici\u00eancia.<\/p>\n<p>Outro risco importante \u00e9 o da\u00a0<strong>retalia\u00e7\u00e3o comercial<\/strong>. Os pa\u00edses prejudicados pelas tarifas impostas pelos EUA podem responder com tarifas rec\u00edprocas, afetando exportadores norte-americanos em setores estrat\u00e9gicos. Esta espiral pode originar guerras comerciais, com consequ\u00eancias negativas sobre o com\u00e9rcio global, os n\u00edveis de investimento e o crescimento econ\u00f3mico. O sistema multilateral de com\u00e9rcio, que assenta na previsibilidade e no respeito por regras comuns, sai assim enfraquecido, agravando o clima de incerteza internacional.<\/p>\n<p>No plano do investimento e do emprego, os impactos tamb\u00e9m s\u00e3o negativos. A incerteza gerada por pol\u00edticas protecionistas reduz a propens\u00e3o das empresas a investir a longo prazo. Muitos investimentos produtivos e tecnol\u00f3gicos podem ser adiados ou cancelados. A cria\u00e7\u00e3o l\u00edquida de emprego \u00e9 tamb\u00e9m penalizada: embora possam ser criados postos de trabalho nos setores protegidos, tendem a ser menos sustent\u00e1veis e menos produtivos, podendo ainda ser mais do que compensados por perdas de emprego noutros setores exportadores ou consumidores de inputs importados.<\/p>\n<p>Por fim, as tarifas podem ter custos geopol\u00edticos. Os pa\u00edses afetados podem procurar refor\u00e7ar la\u00e7os com outros parceiros comerciais (como a China e a UE), reduzindo a influ\u00eancia econ\u00f3mica e pol\u00edtica dos EUA nos f\u00f3runs multilaterais. Ao mesmo tempo, a utiliza\u00e7\u00e3o de tarifas como instrumento de press\u00e3o pol\u00edtica pode comprometer a confian\u00e7a dos aliados e a estabilidade das rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>Acresce ainda que, com o tempo, a redu\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es acentua-se e leva a uma baixa da receita com as tarifas para os EUA, ap\u00f3s o ganho inicial.<\/p>\n<h3 class=\"\"><strong>3. Conclus\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>As tarifas alfandeg\u00e1rias configuram, em muitos casos, respostas politicamente eficazes a problemas econ\u00f3micos complexos, mas que, na realidade, constituem solu\u00e7\u00f5es apenas aparentes. Embora possam produzir efeitos vis\u00edveis no curto prazo, os seus custos ocultos e impactos cumulativos tendem a superar, de forma significativa, os benef\u00edcios inicialmente esperados. Em vez de fomentarem uma prosperidade econ\u00f3mica duradoura, estas medidas acabam por comprometer os principais motores do desenvolvimento econ\u00f3mico, nomeadamente a inova\u00e7\u00e3o, a integra\u00e7\u00e3o internacional e o crescimento sustentado e partilhado.<\/p>\n<p>Quando adotadas por uma economia de grande dimens\u00e3o, como os EUA, as tarifas t\u00eam ainda maior alcance, podendo desencadear medidas de retalia\u00e7\u00e3o por parte dos parceiros comerciais, dar origem a espirais protecionistas e conduzir a um progressivo isolamento econ\u00f3mico e pol\u00edtico, com preju\u00edzo para os pr\u00f3prios EUA e para o sistema econ\u00f3mico internacional no seu conjunto.<\/p>\n<p>Contudo, em contextos de disrup\u00e7\u00e3o e instabilidade, tamb\u00e9m emergem oportunidades estrat\u00e9gicas. A UE, face a esta realidade, deve refor\u00e7ar a sua autonomia estrat\u00e9gica atrav\u00e9s da diversifica\u00e7\u00e3o dos seus mercados externos e das suas parcerias comerciais. Simultaneamente, importa valorizar e potenciar o seu vasto mercado interno, que continua subaproveitado e que dever\u00e1 ser aprofundado e, sempre que poss\u00edvel, alargado.<\/p>\n<p>Esta resposta estrat\u00e9gica deve assentar numa aposta clara no refor\u00e7o da competitividade estrutural da economia europeia, em linha com as orienta\u00e7\u00f5es apresentadas no recente Relat\u00f3rio Draghi, que sublinha a import\u00e2ncia de combinar coes\u00e3o com ambi\u00e7\u00e3o, e abertura ao mundo com capacidade de afirma\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica pr\u00f3pria.<\/p>\n<\/div>\n<footer class=\"entry__footer\">\n<div class=\"author-credits\">\n<div class=\"author-credits__author\"><\/div>\n<\/div>\n<\/footer>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Eco\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0A m\u00e9dio e longo prazo, os efeitos das tarifas tornam-se mais profundos e potencialmente mais prejudiciais, com impactos estruturais sobre a efici\u00eancia produtiva, o crescimento econ\u00f3mico, a especializa\u00e7\u00e3o internacional e a integra\u00e7\u00e3o das cadeias de valor globais.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,131],"tags":[],"class_list":["post-49048","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-diversos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49048","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=49048"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49048\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49065,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/49048\/revisions\/49065"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=49048"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=49048"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=49048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}