{"id":49044,"date":"2025-03-27T16:20:07","date_gmt":"2025-03-27T16:20:07","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49044"},"modified":"2025-03-30T16:23:51","modified_gmt":"2025-03-30T16:23:51","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-105","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=49044","title":{"rendered":"E quem pede responsabilidades aos portugueses?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">Pedro Moura, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2025-03-27-e-quem-pede-responsabilidades-aos-portugueses--c94e6e92\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Mas quando foi a \u00faltima vez que um Presidente ou um Primeiro-Ministro olhou para os portugueses e disse: \"E voc\u00eas, o que est\u00e3o a fazer pelo pa\u00eds?\". Marcelo Rebelo de Sousa, mestre da popularidade, alguma vez usou o seu carisma para esta exorta\u00e7\u00e3o? J\u00e1 JFK dizia: \u201cAsk not what your country can do for you, ask what you can do for your country\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Portugal, esse pa\u00eds onde toda a gente sabe exatamente o que os outros deviam fazer, mas ningu\u00e9m se lembra do que podia fazer melhor. Somos campe\u00f5es no desporto nacional da indigna\u00e7\u00e3o: exigimos tudo aos governos, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, \u00e0s empresas, mas quando toca a cobrar responsabilidades aos nossos concidad\u00e3os (ou de n\u00f3s pr\u00f3prios), a conversa muda. O portugu\u00eas m\u00e9dio, t\u00e3o feroz no Twitter contra os pol\u00edticos, baixa a cabe\u00e7a quando o vizinho estaciona em segunda fila ou quando o colega do lado se encosta no trabalho (ou quando ele pr\u00f3prio o faz).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1. O Estado paternalista e a infantiliza\u00e7\u00e3o coletiva<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pol\u00edticos e governantes deviam exortar os cidad\u00e3os a serem mais interventivos, mais exigentes uns com os outros, n\u00e3o s\u00f3 ao n\u00edvel dos direitos, mas tamb\u00e9m dos deveres. Mas quando foi a \u00faltima vez que um Presidente ou um Primeiro-Ministro olhou para os portugueses e disse: \"E voc\u00eas, o que est\u00e3o a fazer pelo pa\u00eds?\" Marcelo Rebelo de Sousa, mestre da popularidade, alguma vez usou o seu carisma para esta exorta\u00e7\u00e3o? J\u00e1 JFK dizia: \"Ask not what your country can do for you, ask what you can do for your country\". Por c\u00e1, perguntar isto seria certamente um insulto e uma fonte de mais uma torrente de indigna\u00e7\u00f5es di\u00e1rias por parte de comentadores televisivos e dos cidad\u00e3os nas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2. Sal\u00e1rio l\u00edquido: a ilus\u00e3o conveniente<\/h2>\n\n\n\n<p>Se os portugueses tivessem que pagar os seus impostos diretamente, sentindo na pele o valor do IRC e da TSU, talvez a rela\u00e7\u00e3o com o Estado fosse diferente. Ou, seja, em vez de receberem todos os meses o seu vencimento l\u00edquido, recebessem o valor total do vencimento bruto na sua conta banc\u00e1ria, e da\u00ed tivessem (todos os meses) de pagar IRS e TSU ao Estado. Mas n\u00e3o, o empregador \u00e9 que \"paga mal\", porque ningu\u00e9m faz ideia do custo real de um trabalhador para a empresa. Achamos sempre que os impostos \"s\u00e3o da empresa\" e nunca do nosso pr\u00f3prio bolso. Se v\u00edssemos o dinheiro a sair diretamente da nossa conta, talvez f\u00f4ssemos mais exigentes com o uso que o Estado faz dele.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">3. O custo da mediocridade<\/h2>\n\n\n\n<p>Toda a gente conhece o fen\u00f3meno: um portugu\u00eas m\u00e9dio trabalha numa empresa portuguesa e \u00e9 um profissional mediano, resignado, queixoso. Muda-se para uma empresa estrangeira (no estrangeiro ou mesmo em Portugal) e, subitamente, descobre-se um talento escondido. Claro, a culpa \u00e9 dos patr\u00f5es portugueses, da falta de incentivos, do ambiente t\u00f3xico. Mas e a responsabilidade do pr\u00f3prio trabalhador? E a cultura de \"sacudir a \u00e1gua do capote\"? A burocracia, a neglig\u00eancia e a m\u00e1-vontade criam um custo de oportunidade gigantesco. Diria at\u00e9 que este custo de mediocridade ultrapassa o custo total da corrup\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Mas esta \u00e9 mais uma conversa inc\u00f3moda?<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal precisa de menos lamenta\u00e7\u00e3o e mais a\u00e7\u00e3o. E talvez, s\u00f3 talvez, de portugueses que perguntem primeiro o que podem fazer melhor antes de apontar o dedo aos outros e dizerem que s\u00e3o, esses, os outros, que \u2018s\u00e3o todos iguais\u2019.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Moura, Expresso online Mas quando foi a \u00faltima vez que um Presidente ou um Primeiro-Ministro olhou para os portugueses e disse: &#8220;E voc\u00eas, o que est\u00e3o a fazer pelo pa\u00eds?&#8221;. Marcelo Rebelo de Sousa, mestre da popularidade, alguma vez usou o seu carisma para esta exorta\u00e7\u00e3o? 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