{"id":48965,"date":"2025-02-27T09:00:00","date_gmt":"2025-02-27T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48965"},"modified":"2025-03-15T16:04:20","modified_gmt":"2025-03-15T16:04:20","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-318","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48965","title":{"rendered":"A sublima\u00e7\u00e3o do profano na teotecnocracia das virtudes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Ricardo Rodrigues,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> OBEGEF<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo\/?fbid=952700230389741&amp;set=pb.100069493190653.-2207520000&amp;locale=pt_PT\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Facebook111-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2032\" style=\"width:26px;height:auto\" title=\"Ficheiro PDF\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00c0s ninfas o esp\u00edrito do adamastor, ora, entre cren\u00e7as e f\u00e9s dist\u00f3picas, ve\u00edculos perniciosos de legitima\u00e7\u00e3o de um poder opressor, embiocado sob o manto di\u00e1fano da moralidade e da tradi\u00e7\u00e3o. Uma quase espiritualidade, onde n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a transcend\u00eancia e a interroga\u00e7\u00e3o. Um efetivo instrumento de domina\u00e7\u00e3o que refor\u00e7a desigualdades estruturais, explorando m\u00e1ximas desp\u00f3ticas (v. fortes com os fracos, fracos com os fortes). A captura das narrativas religiosas e pseudocient\u00edficas por elites \u00e1vidas consolida um paradigma de subjuga\u00e7\u00e3o paulatino de vulner\u00e1veis presas (ref\u00e9ns), entre agentes mobilizados, os ungidos, e individualidades n\u00e3o hegem\u00f3nicas ou contra-hegem\u00f3nicas, rotuladas amea\u00e7as, a poderosas e inspiradoras deidades, semidivindades, intang\u00edveis, absolutamente inquestion\u00e1veis.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong><em>Boas leituras:<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Perpassando a teologia do dom\u00ednio e a teologia da prosperidade, constru\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas orientadas para a perpetua\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es (cada vez mais) assim\u00e9tricas de poder, doutrinas que sacralizam hierarquias sociais, tornando a contesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica irrelevante e her\u00e9tica. A teologia do dom\u00ednio, radicada no princ\u00edpio da plen\u00edssima soberania do divino (resultado hermen\u00eautico do desp\u00f3tico princ\u00edpio). Sustenta, assim, a captura das estruturas de poder, suprimindo o pluralismo, impondo uma vis\u00e3o-prima monol\u00edtica da moralidade. A teologia da prosperidade que concatena diretamente f\u00e9 a recompensa material, constitui uma real apologia ao neoliberalismo espiritual, apresentando o sucesso econ\u00f3mico e financeiro como evid\u00eancia da predile\u00e7\u00e3o divina (v. <em>man\u00e1 \u2013 gra\u00e7a - b\u00ean\u00e7\u00e3o<\/em>), e a pobreza, por sua vez, consequ\u00eancia direta da insufici\u00eancia moral.<\/p>\n\n\n\n<p>A par, tantas outras, com equivalente potencial de perniciosidade, pois que consolidam o dom\u00ednio dos grupos hegem\u00f3nicos e a submiss\u00e3o dos mais vulner\u00e1veis. A teologia do sacrif\u00edcio, que glorifica o sofrimento como meio de resgate ou reden\u00e7\u00e3o, com enorme potencial de naturaliza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o dos grupos mais expostos, fomentando uma postura \u00e9tica passiva ou de elevada resigna\u00e7\u00e3o. A teologia da \u201cguerra santa\u201d e a teologia da \u201cguerra espiritual\u201d que justificam, em graus e intensidades vari\u00e1veis, respetivamente, a viol\u00eancia f\u00edsica e a viol\u00eancia indireta ou social, como formas leg\u00edtimas de imposi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, contribuindo para a propaga\u00e7\u00e3o de discursos fundamentalistas e intolerantes. A teologia da submiss\u00e3o, que refor\u00e7a a passividade e a resigna\u00e7\u00e3o perante a ordem e a autoridade, condenando a <em>contradita<\/em> a ato de rebeldia, libertinagem, ato injustificado\/ inaceit\u00e1vel de desobedi\u00eancia, contra o divino. E, finalmente, a teologia apocal\u00edptica, de vi\u00e9s escatol\u00f3gico-enigm\u00e1tico, possui um enorme potencial imobilizador da a\u00e7\u00e3o individual e coletiva e funciona como legitimadora de lideran\u00e7as apresentadas como fi\u00e9is redentoras, dotadas das virtudes que as tornam aptas a transformar \/ transfigurar propostas belicistas polarizadoras, elevando-as ao estatuto de confronta\u00e7\u00f5es morais e espirituais, com todas as consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>A conflu\u00eancia sist\u00e9mica destas teologias constitui robusto substrato a mecanismos de engenharia social altamente eficazes, ampla e criativamente explorados, pelas \u201cextremas-direitas\u201d, seus ide\u00f3logos e apoiantes, sem, evidentemente, descurar outros grupos e movimentos, particularmente h\u00e1beis na edi\u00e7\u00e3o criativa de imagin\u00e1rios, e a partir da constru\u00e7\u00e3o de narrativas e discursos, ancorados no ressentimento e no medo, imbu\u00eddos numa densa-complexa moralidade religiosa, exortam pelo resgate ou restaura\u00e7\u00e3o, sem reservas ou tr\u00e9guas, de uma ordem moral e divina \/ natural, uma vis\u00e3o de mundo (recortada- predefinida) onde o sacrif\u00edcio, a submiss\u00e3o e as ungidas a\u00e7\u00f5es de dom\u00ednio (consagradas \/ elevadas a virtudes), etc., constituem caracteres de um plano superior de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Com relevo,<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Processos herm\u00e9ticos de glorifica\u00e7\u00e3o e sacraliza\u00e7\u00e3o das desigualdades e da opress\u00e3o-subordina\u00e7\u00e3o (<em>subjuga\u00e7\u00e3o<\/em>), atrelados a m\u00e9todos e t\u00e9cnicas de descredibiliza\u00e7\u00e3o e condena\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria de quaisquer formas de reivindica\u00e7\u00e3o emancipat\u00f3ria, alegados frutos de agendas ocultas, contr\u00e1rias \u00e0s fi\u00e9is determina\u00e7\u00f5es do divino-superior.<\/p>\n\n\n\n<p>As individualidades e os grupos sociais n\u00e3o hegem\u00f3nicos, convictos dos des\u00edgnios espirituais, que, qual profecia autorrealizada, os condenam indefinidamente a uma certa e determinada localiza\u00e7\u00e3o social, abdicam, em absoluto, da contesta\u00e7\u00e3o (marcadores obstaculizadores da mobilidade ou transi\u00e7\u00e3o sociais).<\/p>\n\n\n\n<p>Os oprimidos, convencidos de que a submiss\u00e3o os redime\/ os resgata, aceitam a sua posi\u00e7\u00e3o na \u201chierarquia\u201d social, sem qualquer tipo ou forma de insurg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Narrativas da emancipa\u00e7\u00e3o ou da liberta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, f\u00f3rmulas est\u00e9ticas de <em>reden\u00e7\u00e3o<\/em>, que, apesar da aparente qualidade das propostas, desbravam linearidades e generaliza\u00e7\u00f5es, condenam factos, evidencias, limita\u00e7\u00f5es, redefinem causas e contextos, etc., em boa verdade, visam ativamente a boa manuten\u00e7\u00e3o do <em>status quo<\/em>, servindo, frequentemente, processos de legitima\u00e7\u00e3o de entes hegem\u00f3nicos e correspondente complexo ideol\u00f3gico (conservador).<\/p>\n\n\n\n<p>Narrativas do inimigo \u201ccomum\u201d, explorando o ressentimento e o medo, pela constru\u00e7\u00e3o \/(re)defini\u00e7\u00e3o das amea\u00e7as (externas e internas) \u00e0 ordem divina e social, personificadas por vidas, corpos e causas <em>ditos<\/em> her\u00e9ticos (v. imigrantes; movimentos progressistas; grupos marginalizados ou, mesmo, tecnologias disruptivas), ora, os efetivos incitadores respons\u00e1veis por um inevit\u00e1vel e derradeiro caos idealizado, fortalecendo, assim, a imprescindibilidade da manuten\u00e7\u00e3o do <em>status quo<\/em> para assegurar a preserva\u00e7\u00e3o da ordem em perigo-risco.<\/p>\n\n\n\n<p>O discurso meritocr\u00e1tico, inscreve a desigualdade como reflexo da ordem natural, rotulando os estados de pobreza, precariedade e exclus\u00e3o como reais evid\u00eancias de falha moral individual, furtando \u00e0 discuss\u00e3o, entre causas, sintomas e sinais, os v\u00edcios de um sistema, que tende a favorecer individualidades e grupos hegem\u00f3nicos, estruturalmente benefici\u00e1rios de vantagens.<\/p>\n\n\n\n<p>A fun\u00e7\u00e3o do discurso meritocr\u00e1tico n\u00e3o visa, claro est\u00e1, a tutela dos \u201cbons\u201d valores tradicionais, mas, sobretudo, a perpetua\u00e7\u00e3o de uma elite que se oculta numa ret\u00f3rica populista, enquanto deambula operante entre bastidores, afetos e favores, capazes de asseverar a boa manuten\u00e7\u00e3o progressista de um determinado <em>status quo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os agentes hegem\u00f3nicos, envoltos na aura de uma autoridade divina, tornam-se, destarte, poderosas e inspiradoras deidades, semidivindades, figuras incontest\u00e1veis, inquestion\u00e1veis, ditadores iluminados, os <em>salvadores<\/em>, para quem a moralidade se torna um real instrumento de legitima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta senda, o potencial das novas tecnologias, em particular das intelig\u00eancias artificiais (IA\u2019s), entre espa\u00e7os e plataformas, que apesar de verdadeiramente transformadoras, pois que constituem efetivos instrumentos emancipat\u00f3rios, decisivos no contexto dos processos de democratiza\u00e7\u00e3o, s\u00e3o, oficialmente, aliadas da continuidade e explora\u00e7\u00e3o dos abusos e de desigualdades hist\u00f3ricas, estruturais e culturais. Em boa verdade, e apesar do anacr\u00f3nico negacionismo, evidenciam-se como efetivas catalisadoras exponenciais dos fen\u00f3menos de opress\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o. Reproduzindo e amplificando os sistemas de poder, asseguram a perpetua\u00e7\u00e3o das hierarquias sociais, ao passo que introduzem novas formas\/ din\u00e2micas de domina\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto pol\u00edtico, econ\u00f3mico, social e cultural, aliado aos caracteres espec\u00edficos definidores das principais institui\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00f5es, bem como, sistemas, servi\u00e7os e tecnologias \u2013 com destaque, pelos in\u00fameros potenciais, designadamente <em>no controlo informacional, na vigil\u00e2ncia digital, na segmenta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, <\/em>vetores de influ\u00eancia na modela\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica e na consolida\u00e7\u00e3o de narrativas,as plataformas digitais, em especial, pela forma como mobilizam e amplificam esses mecanismos, o <em>Parler, o Truth Social, o Gab, a Fox News<\/em> (sectorialmente), o <em>Reddit, o Twitter (X), o complexo Meta<\/em>, etc. \u2013 produtos do seu tempo, com ide\u00f3logos, projetistas e executores imersos nos seus pr\u00f3prios referenciais de valores e princ\u00edpios, direta e indiretamente modelados \u00e0-na estrutura organizacional vigente (v. <em>as dimens\u00f5es de gest\u00e3o-governan\u00e7a (governance); a cultura organizacional; o clima organizacional; as pol\u00edticas de modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fados; os protocolos de comunica\u00e7\u00e3o-intera\u00e7\u00e3o com usu\u00e1rios; etc<\/em>.), evidencia marcadores preocupantes, que determinam um elevado potencial de reprodu\u00e7\u00e3o e robustecimento dos sistemas de poder.<\/p>\n\n\n\n<p>As IA\u2019s, tamb\u00e9m elas produtos do seu tempo, recorrentemente utilizadas pelas plataformas digitais, s\u00e3o programadas\/ moldadas\/ alimentadas\/ testadas \/treinadas com recurso (base essencial ou mat\u00e9ria-prima) a grandes volumes de \u201cdados\u201d, de v\u00e1rias naturezas, proveni\u00eancias v\u00e1rias, ora, de fontes diretas, indiretas, mec\u00e2nicas, etc., representativos e n\u00e3o representativos, \u201cjustos\u201d e \u201cinjustos\u201d, ainda assim, projetam um espec\u00edfico contexto hist\u00f3rico, pol\u00edtico, econ\u00f3mico, social e cultural, cujo <em>design<\/em>\/ cuja assinatura carrega as marcas da opress\u00e3o e das assimetrias. Esse repert\u00f3rio nocivo torna-se parte da tecnologia, resultando, sem o devido crivo \u00e9tico-est\u00e9tico e <em>iusnormativo<\/em>, na inevit\u00e1vel reprodu\u00e7\u00e3o e amplifica\u00e7\u00e3o de sistemas de opress\u00e3o e \u201ccren\u00e7as\u201d limitantes (estrutural, institucional intersubjetivamente dogmatizados), com especial relevo, o racismo, a xenofobia, a misoginia, a LGBTQIAPN+ fobia, a aporofobia, o etarismo, o capacitismo, etc., nas suas plurais express\u00f5es, intensidades e simbolismos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob o manto de uma suposta neutralidade, objetividade e efici\u00eancia algor\u00edtmicas e de um <em>dito<\/em> auspicioso \u201cprogresso\u201d tecnol\u00f3gico (sem freio), sofisticados instrumentos-mecanismos com enorme potencial de condicionamento das perce\u00e7\u00f5es, inovadoras formas de manipula\u00e7\u00e3o e efetiva\u00e7\u00e3o de hierarquias, s\u00e3o, assim, disponibilizados ao servi\u00e7o das narrativas propagandistas, das poderosas elites \u00e1vidas de mais poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste amplo quadro, com todos os meios, t\u00e9cnicas e recursos, em espa\u00e7os e ambientes tradicionais, digitais, virtuais, conhecidos, a explorar, artificiais reedi\u00e7\u00f5es de processos salv\u00edficos e de diviniza\u00e7\u00e3o de figuras pol\u00edticas, de magnatas da tecnologia, entre outros tecnocratas, convertidos em avatares do destino hist\u00f3rico, investidos de um poder atemporal ou espiritual, os iluminados, os predestinados, os profetas, os paladinos da verdade e da justi\u00e7a, as deidades, as semidivindades, libertados, pois, de quaisquer conven\u00e7\u00f5es sociais e, sobretudo, do escrut\u00ednio democr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>A idolatria (pol\u00edtica) ou mitifica\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes e a supress\u00e3o do senso cr\u00edtico s\u00e3o vetores de um complexo cen\u00e1rio de servid\u00e3o volunt\u00e1ria (uma real submiss\u00e3o), onde as individualidades, assim, presas (ref\u00e9ns) resignadas, a quem foi vedado alcan\u00e7ar a emancipa\u00e7\u00e3o consciencial, essencial \u00e0 exist\u00eancia plena e coexist\u00eancia pac\u00edfica, sucumbem ao inebriante fasc\u00ednio por uma ordem social rigidamente estratificada. Na qual, a intoler\u00e2ncia integra um vasto leque de valores-base de suporte \u00e0 repress\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o da dissid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mitificada a autoridade, a perpetua\u00e7\u00e3o de regimes autocr\u00e1ticos excludentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 ordem estabelecida, geneticamente intang\u00edvel (natural e imut\u00e1vel), um des\u00edgnio superior incontest\u00e1vel. Com ela, a perpetua\u00e7\u00e3o de um ciclo de anula\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias, de espolia\u00e7\u00f5es, de esbulhos das individualidades e dos grupos mais vulner\u00e1veis da hierarquia social, assim, esmagados por uma estrutura que, paradoxalmente, se autoproclama redentora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fechando,<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As engrenagens das narrativas e dos discursos teotecnocr\u00e1ticos imp\u00f5em um compromisso s\u00e9rio de transmuta\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica, que reacenda e intensifique, de modo progressivo, os alicerces fundacionais principiol\u00f3gicos da laicidade, da cidadania ativa-cr\u00edtica plural, entre outros. Em boa verdade se diga, que a cis\u00e3o entre <em>f\u00e9s<\/em> e <em>Estado(<\/em>s) n\u00e3o pode, nem deve ser um mero enunciado lingu\u00edstico <em>iusnormativo<\/em>, antes uma pr\u00e1tica ativa (constante e efetiva), de plen\u00edssima defesa da integridade e efetividade dos direitos, liberdades e garantias e da autonomia do Estado, por sua vez, sens\u00edvel e intransigente a vieses autorit\u00e1rios. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta senda, pleno destaque para o sistema educativo\/ formativo, seus agentes, promotores, como baluarte do conhecimento, do pensamento cr\u00edtico, \u00e9tica e esteticamente comprometido, ora, decisivo no processo de desmistifica\u00e7\u00e3o do poder (das idolatrias) e da glorifica\u00e7\u00e3o do obscurantismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um sistema vivo, ber\u00e7o para\/de novas vis\u00f5es, reedi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas (multipolar) das narrativas, que projetando efetiva e em plenitude as viv\u00eancias e os fen\u00f3menos, das vidas e dos corpos, carregando, pois, a suas causas, dores, necessidades e sonhos, proporcionam futuros, com justi\u00e7a, solidariedade e dignidade. Ora, um sistema ao servi\u00e7o de uma nova ordem social composta por identidade cr\u00edticas, conscientes e comprometidas com os \u201ceus\u201d de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a inevit\u00e1vel desconstru\u00e7\u00e3o, letra por letra, palavra por palavra, argumento por argumento, linhas, entrelinhas, dos edif\u00edcios discursivos (torres fren\u00e9ticas), construtos falaciosos, que, sob falsos imperativos, ditos sacros, sustentam a opress\u00e3o e perpetuam as desigualdades, fragmentando, objetificando, silenciando as express\u00f5es dos \u201ceus\u201d, esmagando quaisquer vest\u00edgios de dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 assim poderemos cogitar uma tang\u00edvel supera\u00e7\u00e3o da teia de ilus\u00f5es e desilus\u00f5es que sustentam a perpetua\u00e7\u00e3o dos dom\u00ednios das individualidades e grupos hegem\u00f3nicos e devolver aos mais vulner\u00e1veis a possibilidade de serem protagonistas, de serem agentes determinantes no seu <em>iter<\/em> vital, serem agentes decisivos nos respetivos processos\/ procedimentos\/ din\u00e2micas, serem sujeitos ativos na m\u00faltiplas esferas da vida social-p\u00fablica-pol\u00edtica, no fundo, a oportunidade de uma experi\u00eancia existencial dignificante, a verdadeira reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sempre existe um \u201cmas\u201d!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o adorme\u00e7as!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o esmore\u00e7as!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00ea vigilante!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pr\u00f3xima linha \u00e9 tua\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Rodrigues, OBEGEF \u00c0s ninfas o esp\u00edrito do adamastor, ora, entre cren\u00e7as e f\u00e9s dist\u00f3picas, ve\u00edculos perniciosos de legitima\u00e7\u00e3o de um poder opressor, embiocado sob o manto di\u00e1fano da moralidade e da tradi\u00e7\u00e3o. Uma quase espiritualidade, onde n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a transcend\u00eancia e a interroga\u00e7\u00e3o. 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