{"id":48963,"date":"2025-02-17T15:32:33","date_gmt":"2025-02-17T15:32:33","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48963"},"modified":"2025-02-21T15:35:05","modified_gmt":"2025-02-21T15:35:05","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-57","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48963","title":{"rendered":"Entre a estagna\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o &#8211; o rumo econ\u00f3mico para a pr\u00f3xima d\u00e9cada"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/dinheirovivo.dn.pt\/entre-a-estagna%C3%A7%C3%A3o-e-a-transforma%C3%A7%C3%A3o-o-rumo-econ%C3%B3mico-para-a-pr%C3%B3xima-d%C3%A9cada\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:16px;height:16px\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>Portugal encontra-se num momento de encruzilhada econ\u00f3mica, em que as previs\u00f5es de crescimento para 2025 e 2026, embora positivas, revelam fragilidades estruturais que podem comprometer o futuro do pa\u00eds.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>De acordo com proje\u00e7\u00f5es recentes, o crescimento do PIB dever\u00e1 situar-se em torno dos 2% nesses anos, uma taxa ligeiramente superior \u00e0 m\u00e9dia da Uni\u00e3o Europeia (UE). Contudo, este desempenho \u00e9 insuficiente para garantir uma melhoria sustentada do n\u00edvel de vida relativo dos portugueses, j\u00e1 que outros pa\u00edses da coes\u00e3o, como a Rom\u00e9nia, continuam a avan\u00e7ar a um ritmo superior. Segundo a Comiss\u00e3o Europeia, Portugal poder\u00e1 cair para o s\u00e9timo pior n\u00edvel de vida da UE em 2026, uma previs\u00e3o alarmante que sublinha a urg\u00eancia de reformas estruturais.<\/p>\n\n\n\n<p>O panorama econ\u00f3mico internacional tamb\u00e9m influencia as perspetivas nacionais. A OCDE projeta um crescimento mundial de 3,3% em 2025 e 2026, com o G20 a registar uma ligeira desacelera\u00e7\u00e3o para 3,2% em 2026. Entre os nossos principais mercados de exporta\u00e7\u00e3o, Espanha e os EUA continuar\u00e3o a ser os mais din\u00e2micos, embora a um ritmo inferior e com os riscos conhecidos para as exporta\u00e7\u00f5es nacionais das pol\u00edticas protecionistas de Trump, que j\u00e1 prometeu um aumento de tarifas \u00e0 UE. A Alemanha, uma economia crucial para as exporta\u00e7\u00f5es portuguesas, mostra sinais de recupera\u00e7\u00e3o, mas com taxas de crescimento t\u00edmidas de 0,7% em 2025 e 1,2% em 2026, que poder\u00e3o ficar em causa se o referido aumento de tarifas for acentuado e em setores sens\u00edveis para a economia alem\u00e3, o que afetar\u00e1 indiretamente o resto da UE, Portugal inclu\u00eddo. Diversificar mercados \u00e9 crucial para reduzir depend\u00eancias e impulsionar um crescimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Num horizonte de dez anos, as perspetivas s\u00e3o m\u00e1s se Portugal n\u00e3o mudar de pol\u00edticas. A nossa taxa m\u00e9dia anual de crescimento econ\u00f3mico foi de 1% entre 1999 e 2023, um dos piores registos da UE. Esta tend\u00eancia dever\u00e1 manter-se at\u00e9 2033, a menos que sejam implementadas reformas estruturais profundas. O crescimento econ\u00f3mico acima da m\u00e9dia da UE que Portugal registou nos \u00faltimos anos (entre 2019 e 2024, alisando os efeitos da pandemia e da guerra) \u00e9 tempor\u00e1rio, devendo-se ao \u2018boom\u2019 do turismo, j\u00e1 em abrandamento, e ao efeito dos fundos do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia (PRR), que finda em 2026. A partir desse ano, o crescimento potencial anual de Portugal regressa abaixo da m\u00e9dia da UE, caindo at\u00e9 um m\u00ednimo de 0,4% em 2032 (ap\u00f3s 1,4% em 2026 e um m\u00e1ximo de 2,1% em 2024), segundo as proje\u00e7\u00f5es do Ageing Report de 2024 da Comiss\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>A alternativa a este cen\u00e1rio base preocupante \u00e9 adotar um conjunto de reformas que nos permitam atingir um crescimento de, pelo menos, 3% ao ano at\u00e9 2033. Segundo um estudo da Faculdade de Economia do Porto (FEP), este ritmo permite a Portugal entrar na metade de pa\u00edses com maior n\u00edvel de vida da atual UE em 2033 e estabilizar a popula\u00e7\u00e3o, que, sem reformas, poder\u00e1 diminuir 5,8% at\u00e9 esse ano. Crescer 3% ao ano requer cerca de 138 mil imigrantes permanentes (oficiais) por ano, um n\u00famero acima do m\u00e1ximo registado em 2022, segundo o estudo. A imigra\u00e7\u00e3o surge, assim, como decisiva para o nosso crescimento econ\u00f3mico, contrariando a emigra\u00e7\u00e3o e o saldo natural negativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os desafios estruturais a enfrentar, destacam-se a necessidade de reduzir a carga fiscal sobre empresas e fam\u00edlias \u2013 o que pressup\u00f5e uma reforma profunda do Estado \u2013, fomentar um ambiente prop\u00edcio ao investimento e melhorar o perfil de especializa\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal continua excessivamente dependente do turismo, um setor que, embora vital, n\u00e3o pode ser a \u00fanica alavanca de crescimento, al\u00e9m de trazer desvantagens, como a press\u00e3o sobre as infraestruturas (como a habita\u00e7\u00e3o), servi\u00e7os p\u00fablicos e ambiente. A reindustrializa\u00e7\u00e3o, aliada ao desenvolvimento de servi\u00e7os de alto valor acrescentado, \u00e9 essencial para aumentar a produtividade. A intelig\u00eancia artificial, a robotiza\u00e7\u00e3o e a digitaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o instrumentos poderosos que devemos aproveitar para elevar a produtividade e a competitividade nacional, exigindo uma regula\u00e7\u00e3o equilibrada que promova inova\u00e7\u00e3o sem comprometer a seguran\u00e7a e os direitos dos cidad\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro problema estrutural que precisa de ser resolvido \u00e9 a fuga de talento, sobretudo jovem. Cerca de um ter\u00e7o dos nossos jovens vive atualmente no estrangeiro, um fen\u00f3meno que compromete o futuro do pa\u00eds. A solu\u00e7\u00e3o passa por aumentar os sal\u00e1rios com base no crescimento da produtividade, proporcionando condi\u00e7\u00f5es atrativas para que os jovens permane\u00e7am em Portugal. Em paralelo, a atra\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra qualificada do exterior deve ser encarada como uma prioridade.<\/p>\n\n\n\n<p>A capacidade de estimular a poupan\u00e7a e o investimento tamb\u00e9m ser\u00e1 determinante para um crescimento mais robusto. No caso das fam\u00edlias, \u00e9 fundamental reduzir a tributa\u00e7\u00e3o sobre a poupan\u00e7a e promover uma maior literacia financeira. J\u00e1 para as empresas (nacionais e estrangeiras), um ambiente fiscal mais favor\u00e1vel e a estabilidade regulat\u00f3ria e legal s\u00e3o decisivos para aumentar o investimento e a gera\u00e7\u00e3o de lucro de forma sustentada. O combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m crucial, pois a eros\u00e3o da confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es prejudica a economia e afasta o investimento externo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e1rea da sa\u00fade, a necessidade de refor\u00e7ar o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS) \u00e9 incontorn\u00e1vel. O investimento e uma melhor gest\u00e3o s\u00e3o fundamentais para repor a qualidade do SNS, que contribui para a produtividade dos portugueses e a sustentabilidade da economia. Os resultados ser\u00e3o ainda melhores se houver uma forte aposta na literacia e preven\u00e7\u00e3o em sa\u00fade, com impacto na qualidade de vida dos portugueses e no envelhecimento ativo, que beneficia tamb\u00e9m a economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, h\u00e1 que aproveitar as oportunidades. Apesar de algumas limita\u00e7\u00f5es, o PRR continua a representar uma importante alavanca financeira, desde que os fundos sejam executados de forma eficiente. O Portugal 2030, o \u00faltimo grande pacote de fundos estruturais da UE, deve ser orientado para projetos que garantam maior produtividade e valor acrescentado nacional. O contexto geopol\u00edtico global abre tamb\u00e9m novas perspetivas para Portugal, nomeadamente atrav\u00e9s do nearshoring, trazendo atividades produtivas para mais perto da Europa, e do reshoring, com a recupera\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias estrat\u00e9gicas para o pa\u00eds. Al\u00e9m disso, o pa\u00eds pode posicionar-se como um destino atrativo para o investimento direto estrangeiro no bloco das economias democr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal tem, assim, um caminho claro pela frente: ou aposta num conjunto de reformas estruturais que permitam crescer de forma sustentada e melhorar o n\u00edvel de vida dos seus cidad\u00e3os, ou continuar\u00e1 a divergir dos parceiros europeus, tornando-se cada vez mais perif\u00e9rico. O desafio \u00e9 similar ao da UE, que arrisca a irrelev\u00e2ncia econ\u00f3mica e geopol\u00edtica na nova ordem mundial emergente sem medidas urgentes para recuperar a competitividade. Portugal deve fazer o que lhe compete e n\u00e3o estar \u00e0 espera que a UE resolva os seus problemas, como tem sucedido, precisando de reformas cruciais para que a economia possa crescer mais e de forma sustentada com menos apoios europeus a partir de 2026. As escolhas feitas nos pr\u00f3ximos anos determinar\u00e3o se o nosso pa\u00eds se posiciona na linha da frente ou continua a ficar para tr\u00e1s em n\u00edvel de vida na UE, que por sua vez tamb\u00e9m est\u00e1 numa \u2018corrida contra o tempo\u2019 para se tornar mais competitiva.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo Portugal encontra-se num momento de encruzilhada econ\u00f3mica, em que as previs\u00f5es de crescimento para 2025 e 2026, embora positivas, revelam fragilidades estruturais que podem comprometer o futuro do pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-48963","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48963","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=48963"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48963\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48964,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48963\/revisions\/48964"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=48963"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=48963"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=48963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}