{"id":48960,"date":"2025-02-20T15:26:24","date_gmt":"2025-02-20T15:26:24","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48960"},"modified":"2025-02-21T15:32:20","modified_gmt":"2025-02-21T15:32:20","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-317","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48960","title":{"rendered":"A Verdadeira Alquimia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Miguel Abrantes, Jornal i online<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/2025\/02\/20\/a-verdadeira-alquimia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>A verdadeira alquimia ocorreu apenas em 1950 a sul da cidade de S\u00e3o Francisco, quando pela primeira vez foi utilizada areia para desenvolver artefactos tecnologicamente muito evolu\u00eddos e indispens\u00e1veis para a sociedade atual<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>A alquimia, que \u00e9 considerada uma teoria obsoleta ou uma pseudoci\u00eancia, mas tamb\u00e9m a precursora da qu\u00edmica, foi exercida desde o ano 300 antes de cristo na \u00cdndia, na China, no Egito e na Gr\u00e9cia, teve como objetivos principais a transmuta\u00e7\u00e3o de metais inferiores em metais nobres, designadamente em ouro; e a obten\u00e7\u00e3o do \u00abelixir da longa vida\u00bb, um rem\u00e9dio capaz curar todas as doen\u00e7as e at\u00e9 evitar a morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta pr\u00e1tica foi muito desenvolvida na idade m\u00e9dia, onde esteve ligada ao oculto e ao misticismo, mas tamb\u00e9m a experi\u00eancias inovadoras relacionadas com a tentativa de transforma\u00e7\u00e3o de metais, o que lhe valeu a designa\u00e7\u00e3o de qu\u00edmica da idade m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, muitos alquimistas tentaram a transforma\u00e7\u00e3o de materiais inferiores em materiais superiores, com, por exemplo, Nicolau Flamel, que no s\u00e9culo XIV teve uma \u00ablivraria\u00bb em Paris e ficou famoso por, depois 21 anos de tentativas, ter decifrado o conte\u00fado de um manuscrito onde era explicado o processo alqu\u00edmico de transforma\u00e7\u00e3o de chumbo em ouro. Flamel escreveu todo o processo em c\u00f3digo, porque queria que apenas o seu sobrinho conhecesse o processo.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo XVIII uma dupla de decifradores tentou produzir ouro seguido as instru\u00e7\u00f5es do alquimista Flamel, mas n\u00e3o tiveram sucesso. Ainda no s\u00e9culo XVIII, outros alquimistas fizeram a mesma tentativa com igual fracasso.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Segunda Guerra Mundial, a Alemanha, devido a ter perdido col\u00f3nias na sequ\u00eancia do Tratado de Versalhes (1919), teve dificuldades de abastecimento de petr\u00f3leo, pelo que recorreu a alternativas e o cientista Friedrich Bergius, no \u00e2mbito da empresa IG Farben, conseguiu sintetizar petr\u00f3leo a partir de carv\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de ser um processo caro, a transforma\u00e7\u00e3o de uma mat\u00e9ria abundante noutra tamb\u00e9m abundante, apenas faz sentido num contexto de escassez tempor\u00e1ria da segunda, o que sucedeu \u00e0 Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo que, tamb\u00e9m n\u00e3o foi durante a Segunda Guerra Mundial que se fez alquimia. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 50, mediante a cria\u00e7\u00e3o de um ambiente artificial, alguns cientistas conseguiram submeter carbono \u00e0s mesmas condi\u00e7\u00f5es existentes na natureza que originaram os diamantes. Na pr\u00e1tica, o carbono foi submetido a alta temperatura e a alta press\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Visualmente \u00e9 imposs\u00edvel distinguir diamantes naturais de diamantes sint\u00e9ticos. No entanto, o pre\u00e7o \u00e9 completamente diferente. Os diamantes naturais possuem um certificado que implica a sua valoriza\u00e7\u00e3o.&nbsp; Tendo em conta a natureza destes objetos, \u00e9 essencial que o seu possuidor detenha um bem natural e ningu\u00e9m deu import\u00e2ncia \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de diamantes artificiais a ponto de a comparar \u00e0 alquimia.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de 10 anos antes (em 1938) a fiss\u00e3o nuclear foi descoberta pelos cientistas Otto Hahn, Lise Meitner e Fritz Strassman. Na ocasi\u00e3o, eles perceberam que o bombardeamento do ur\u00e2nio 235 com neutr\u00f5es produzia \u00e1tomos mais leves, de b\u00e1rio e cript\u00f3nio.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns autores alegam que a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fiss%C3%A3o_nuclear\">fiss\u00e3o nuclear<\/a> \u00e9 um processo alqu\u00edmico moderno. Pois, a partir de uma mat\u00e9ria-prima inst\u00e1vel, o ur\u00e2nio 235, \u00e9 provocado um verdadeiro processo de transmuta\u00e7\u00e3o, carater\u00edstico da alquimia.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o resultado da fiss\u00e3o nuclear (assim como da ainda experimental fus\u00e3o nuclear) n\u00e3o \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um novo elemento, mas, sim, de uma grande quantidade de energia.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do dramatismo inerente \u00e0 fiss\u00e3o nuclear, a mesma n\u00e3o consubstancia nenhum processo alqu\u00edmico.<\/p>\n\n\n\n<p>Robert Oppenheimer, o f\u00edsico norte americano considerado o pai da bomba at\u00f3mica, depois do primeiro teste bem-sucedido, citou um poema \u00e9pico hindu constante dos textos religiosos Baghavan Gita que dizia: \u00abAgora tornei-me a morte, o destruidor de mundos\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Este dramatismo alastrou-se para outro continente e na Federa\u00e7\u00e3o Russa, \u00e0 entrada da f\u00e1brica onde \u00e9 montado o m\u00edssil intercontinental RS-28 Sarmat, com capacidade para transportar at\u00e9 15 ogivas nucleares, encontra-se uma reprodu\u00e7\u00e3o em tamanho real deste m\u00edssil com uma placa onde se encontra escrita a frase: \u00abDepois de mim, o sil\u00eancio\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem o dramatismo inerente \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o da fiss\u00e3o nuclear, em 1956, a sul da Cidade de San Francisco, em Silicon Valley, William Shockley, John Bardeen e Walter Houser Brattain criaram o primeiro semicondutor funcional de sil\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>O sil\u00edcio \u00e9 extra\u00eddo da areia, embora nem toda a areia seja prop\u00edcia \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de sil\u00edcio, trata-se de uma mat\u00e9ria-prima abundante e de baixo custo.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde os objetos mais simples, como frigor\u00edficos e televisores, at\u00e9 aos mais sofisticados, como os avi\u00f5es supers\u00f3nicos ou as naves que fazem as viagens at\u00e9 \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional, os semicondutores (vulgarmente conhecidos por chips) s\u00e3o dispositivos indispens\u00e1veis ao seu funcionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, pela primeira vez, de um material simples e de baixo custo foi extra\u00eddo um material nobre, sofisticado e de custo elevado, o que cumpre os des\u00edgnios da alquimia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Abrantes, Jornal i online A verdadeira alquimia ocorreu apenas em 1950 a sul da cidade de S\u00e3o Francisco, quando pela primeira vez foi utilizada areia para desenvolver artefactos tecnologicamente muito evolu\u00eddos e indispens\u00e1veis para a sociedade atual<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-48960","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48960","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=48960"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48960\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48961,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48960\/revisions\/48961"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=48960"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=48960"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=48960"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}