{"id":48879,"date":"2025-01-09T14:29:28","date_gmt":"2025-01-09T14:29:28","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48879"},"modified":"2025-01-12T14:31:57","modified_gmt":"2025-01-12T14:31:57","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-102","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48879","title":{"rendered":"Do Euro 2004 ao Mundial 2030: li\u00e7\u00f5es de investimento p\u00fablico"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">\u00d3scar Afonso, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2025-01-09-do-euro-2004-ao-mundial-2030-licoes-de-investimento-publico-19374ca3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>De facto, passados 20 anos, Portugal volta a conseguir a organiza\u00e7\u00e3o de um grande evento de futebol e at\u00e9 de proje\u00e7\u00e3o superior, por se tratar de um Mundial, a ocorrer em 2030. A grande diferen\u00e7a \u00e9 que, desta vez, o esfor\u00e7o de investimento p\u00fablico ser\u00e1 residual, pelo facto de a organiza\u00e7\u00e3o ser feita com mais dois pa\u00edses (Espanha e Marrocos). Trata-se, assim, de um modelo muito mais equilibrado e racional, \u00e0 partida com maior rentabilidade econ\u00f3mica e social, a prazo, do que o Euro 2024<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Neste artigo analiso a bondade de alguns investimentos p\u00fablicos passados e futuros em Portugal ao n\u00edvel das infraestruturas, focando-me na compara\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o dos principais eventos internacionais de futebol no nosso Pa\u00eds, nos erros cometidos e nas li\u00e7\u00f5es aprendidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2004, Portugal orgulhou-se de acolher o Campeonato Europeu, um evento que prometia impulsionar a economia, aumentar o turismo e promover a imagem do pa\u00eds no panorama internacional. Considero que o principal benef\u00edcio foi mesmo intang\u00edvel, em termos de autoestima e uni\u00e3o, pois a congrega\u00e7\u00e3o em torno da sele\u00e7\u00e3o nacional mobilizou o pa\u00eds em todos os estratos sociais, o que j\u00e1 n\u00e3o acontecia h\u00e1 muito tempo e nem mesmo a derrota contra a Gr\u00e9cia na final do europeu apagou.<\/p>\n\n\n\n<p>A autoestima, uni\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o importantes e deveriam ser tamb\u00e9m canalizadas para o nosso progresso econ\u00f3mico e social. Como venho a referir, devemos ter como des\u00edgnio nacional que a nossa economia cres\u00e7a na casa dos 3% ao ano para entrarmos no grupo de pa\u00edses mais ricos da Uni\u00e3o Europeia (UE) no espa\u00e7o de uma d\u00e9cada, atrav\u00e9s de pol\u00edticas e reformas decisivas, bem justificadas e mobilizadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Passadas duas d\u00e9cadas, o balan\u00e7o econ\u00f3mico global do Euro 2004 \u00e9, no m\u00ednimo, duvidoso. A atividade e receitas de impostos geradas durante a constru\u00e7\u00e3o foram tempor\u00e1rias, enquanto os benef\u00edcios em termos de imagem e impacto turismo s\u00e3o dif\u00edceis de medir, sendo por isso incertos. Certo foi custo elevado do evento para o er\u00e1rio p\u00fablico, n\u00e3o s\u00f3 no per\u00edodo de constru\u00e7\u00e3o e remodela\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos est\u00e1dios de futebol, espalhados pelo territ\u00f3rio, mas porque v\u00e1rios deles n\u00e3o geraram receitas para cobrir os altos custos de manuten\u00e7\u00e3o \u2013 sobretudo os ligados a clubes de pouca express\u00e3o, como Aveiro, Leiria e Algarve \u2013, traduzindo-se em preju\u00edzos sucessivos para as contas municipais e, no final, para o contribuinte. O mais grave \u00e9 que esses preju\u00edzos eram facilmente antecip\u00e1veis, mas mesmo assim o governo da altura avan\u00e7ou.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos mais em detalhe as contas conhecidas. A organiza\u00e7\u00e3o do Euro 2004 em futebol exigiu a constru\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o de 10 est\u00e1dios em todo o pa\u00eds, um investimento de quase 1000 milh\u00f5es de euros. Uma grande parte deste montante foi financiada pelo Estado, atrav\u00e9s de fundos p\u00fablicos e autarquias.<\/p>\n\n\n\n<p>Um investimento \u00e9 bom ou mau consoante os benef\u00edcios que gera, como nos mostra a ci\u00eancia econ\u00f3mica, pelo que o preju\u00edzo operacional em v\u00e1rios desses est\u00e1dios \u2013 perfeitamente antecip\u00e1vel, como referido \u2013, \u00e9 um erro econ\u00f3mico grave, sendo usado frequentemente como um caso de estudo de uma m\u00e1 pol\u00edtica de investimento p\u00fablico a n\u00e3o repetir. Essa li\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u00fanico aspeto positivo que vejo.<\/p>\n\n\n\n<p>Este modelo de investimentos desproporcionais e pouco sustent\u00e1veis \u00e9 um exemplo claro de como o deslumbramento com grandes eventos desportivos pode levar a decis\u00f5es econ\u00f3micas irracionais, mobilizando dinheiro p\u00fablico dos contribuintes para projetos com pouco retorno econ\u00f3mico e social \u2013 ou mesmo negativo, no caso dos est\u00e1dios que geraram preju\u00edzos \u2013, que poderia ser melhor utilizado em \u00e1reas importantes como a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o, a habita\u00e7\u00e3o e a pol\u00edtica de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso, importante, ver qual a justifica\u00e7\u00e3o dada na altura para avan\u00e7ar com o evento mobilizando um esfor\u00e7o de investimento exagerado em est\u00e1dios.<\/p>\n\n\n\n<p>O argumento do governo de Jos\u00e9 S\u00f3crates para justificar o investimento em 10 est\u00e1dios era o de que a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria vindo para Portugal sem esse esfor\u00e7o \u2013 algo nunca demonstrado, que eu saiba \u2013 e que tal nos habilitaria \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de mais grandes eventos internacionais de futebol no futuro. A realidade n\u00e3o veio a confirmar a megalomania, pois conseguimos agora mais um grande evento e apenas ser\u00e3o precisos os tr\u00eas principais est\u00e1dios a n\u00edvel nacional, como detalho abaixo, tamb\u00e9m os \u00fanicos usados quando Portugal acolheu finais das principais ta\u00e7as europeias de clubes de futebol ou de sele\u00e7\u00f5es jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, passados 20 anos, Portugal volta a conseguir a organiza\u00e7\u00e3o de um grande evento de futebol e at\u00e9 de proje\u00e7\u00e3o superior, por se tratar de um Mundial, a ocorrer em 2030. A grande diferen\u00e7a \u00e9 que, desta vez, o esfor\u00e7o de investimento p\u00fablico ser\u00e1 residual, pelo facto de a organiza\u00e7\u00e3o ser feita com mais dois pa\u00edses (Espanha e Marrocos). Trata-se, assim, de um modelo muito mais equilibrado e racional, \u00e0 partida com maior rentabilidade econ\u00f3mica e social, a prazo, do que o Euro 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>O Campeonato do Mundo de futebol de 2030, com o lema&nbsp;<em>Yalla Vamos<\/em>!, foi atribu\u00eddo formalmente a Portugal, Espanha e Marrocos no Congresso Extraordin\u00e1rio da FIFA que decorreu em Zurique. Como n\u00e3o havia mais candidatos, a decis\u00e3o favor\u00e1vel era uma certeza \u00e0 partida, depois do Conselho da FIFA ter aprovado por unanimidade a candidatura dos tr\u00eas pa\u00edses em 4 de outubro de 2023. O Mundial de 2030 tem a originalidade de se realizar em tr\u00eas continentes diferentes \u2013 Europa, \u00c1frica e Am\u00e9rica do Sul. A Argentina, o Paraguai e o Uruguai ter\u00e3o um jogo da fase de grupos cada, com o Uruguai a receber o encontro de abertura para comemorar os 100 anos da competi\u00e7\u00e3o, uma vez que a primeira edi\u00e7\u00e3o (em 1930) se realizou precisamente nesse pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal, haver\u00e1 jogos nos est\u00e1dios da Luz e de Alvalade, em Lisboa, e no est\u00e1dio do Drag\u00e3o, no Porto, pois j\u00e1 possuem infraestruturas adaptadas \u00e0s exig\u00eancias da FIFA (e da UEFA). Estamos, portanto, bem longe de ter de construir ou renovar est\u00e1dios por todo o territ\u00f3rio, incluindo em regi\u00f5es com menos assist\u00eancia, como sucedeu em 2024 \u2013 hoje, esses est\u00e1dios n\u00e3o cumprem as exig\u00eancias da FIFA nem da UEFA. Quanto aos investimentos necess\u00e1rios, eles ser\u00e3o pequenos e, mesmo que venham a ter alguma comparticipa\u00e7\u00e3o p\u00fablica (desconhe\u00e7o), ser\u00e1 tamb\u00e9m necessariamente pequena. A ocasi\u00e3o ser\u00e1 aproveitada pelos principais clubes portugueses para alguma moderniza\u00e7\u00e3o dos est\u00e1dios.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Portugal e Marrocos se estreiam na organiza\u00e7\u00e3o de um mundial de futebol, no caso de Espanha ser\u00e1 a segunda vez, depois de 1982, tendo por isso experi\u00eancia nesta \u00e1rea, mas Portugal tem a de 2004, tamb\u00e9m um grande evento (e mais recente), ainda que circunscrito \u00e0 Europa. A organiza\u00e7\u00e3o conjunta, embora traga desafios \u2013 sobretudo a desloca\u00e7\u00e3o das delega\u00e7\u00f5es, o que pode prejudicar o rendimento desportivo dos atletas, al\u00e9m de implicar uma maior log\u00edstica \u2013 , segue um modelo tripartido (excluindo os jogos na Am\u00e9rica do Sul, uma exce\u00e7\u00e3o justificada) que se revela mais equilibrado e racional em termos de balan\u00e7o entre custos e proveitos, bem como de promo\u00e7\u00e3o da modalidade, numa abordagem multi-pa\u00eds que tem vindo a ser usada com sucesso. Esta colabora\u00e7\u00e3o permitir\u00e1 repartir os custos de infraestrutura e log\u00edstica entre os tr\u00eas pa\u00edses, reduzindo significativamente o custo financeiro para cada um, enquanto os benef\u00edcios em termos de proje\u00e7\u00e3o e visitantes ser\u00e3o mais do que proporcionais a esse custo, \u00e0 partida.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a candidatura conjunta tenha sido a \u00fanica e pare\u00e7a que n\u00e3o teve concorr\u00eancia, o facto de n\u00e3o terem surgido outras candidaturas pode indicar que seria dif\u00edcil de superar. A experi\u00eancia congregada de Espanha e Portugal em grandes eventos do g\u00e9nero certamente \u00e9 uma mais valia relevante tida em conta pela FIFA e confirma que construir todos aqueles est\u00e1dios em 2004 foi um erro, pois outros modelos e argumentos, se necess\u00e1rios, poderiam ter sido usados para Portugal ganhar a organiza\u00e7\u00e3o naquela altura.<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente, parece que na \u00e1rea do futebol se aprendeu com erros passados em mat\u00e9ria de organiza\u00e7\u00e3o de grandes eventos e investimento p\u00fablico necess\u00e1rio, o que \u00e9 positivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, saliento que o futebol \u00e9 um setor em que temos uma competitividade bem acima da m\u00e9dia da economia, demonstrada pelo facto de estarmos sempre no topo do&nbsp;<em>ranking&nbsp;<\/em>de sele\u00e7\u00f5es de futebol e o nosso campeonato, embora n\u00e3o seja uma das cinco grandes ligas, vem logo a seguir e exporta desde h\u00e1 muito alguns dos principais jogadores, treinadores e at\u00e9 dirigentes a n\u00edvel mundial, gerando bastante valor para o nosso pa\u00eds, mas que pode crescer. O refor\u00e7o recente da transpar\u00eancia \u00e9 um passo nesse sentido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Expresso online De facto, passados 20 anos, Portugal volta a conseguir a organiza\u00e7\u00e3o de um grande evento de futebol e at\u00e9 de proje\u00e7\u00e3o superior, por se tratar de um Mundial, a ocorrer em 2030. A grande diferen\u00e7a \u00e9 que, desta vez, o esfor\u00e7o de investimento p\u00fablico ser\u00e1 residual, pelo facto de a organiza\u00e7\u00e3o&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48879\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,282],"tags":[],"class_list":["post-48879","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-expresso-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48879","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=48879"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48879\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48883,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48879\/revisions\/48883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=48879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=48879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=48879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}