{"id":48817,"date":"2024-12-17T17:40:33","date_gmt":"2024-12-17T17:40:33","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48817"},"modified":"2024-12-18T17:43:57","modified_gmt":"2024-12-18T17:43:57","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-301","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48817","title":{"rendered":"Portugal e a Educa\u00e7\u00e3o de Adultos: A Urg\u00eancia de Romper com o Atraso"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">\u00d3scar Afonso, Jornal i online<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/2024\/12\/17\/portugal-e-a-educacao-de-adultos-a-urgencia-de-romper-com-o-atraso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Precisamos de melhorar o acesso e o incentivo \u00e0s qualifica\u00e7\u00f5es, incluindo medidas complementares para uma maior mobilidade social, com realce para uma cultura de meritocracia<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>O Relat\u00f3rio de Educa\u00e7\u00e3o de Adultos 2023 da OCDE, recentemente divulgado, trouxe \u00e0 tona os enormes desafios que Portugal enfrenta nesta mat\u00e9ria, com dados que nos devem envergonhar e exigir muito mais dos poderes p\u00fablicos a este respeito, pois a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o principal caminho para o progresso econ\u00f3mico e o desenvolvimento humano. A principal conclus\u00e3o do relat\u00f3rio para Portugal, na minha an\u00e1lise, \u00e9 a urg\u00eancia de requalificar a popula\u00e7\u00e3o ativa menos habilitada, incluindo pais e imigrantes \u2013 que tamb\u00e9m pontuam relativamente mal, embora menos, exigindo um maior esfor\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o para uma melhor integra\u00e7\u00e3o \u2013, pois as dificuldades evidenciadas ao n\u00edvel da literacia, numeracia e capacidade de resolu\u00e7\u00e3o de problemas s\u00e3o, em grande medida, passadas de pais para filhos, agravando as desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma larga franja da popula\u00e7\u00e3o (cerca de 40%) adulta (dos 16 aos 65 anos) tem dificuldades em ler e escrever, lidar com n\u00fameros ou resolver problemas (30% enfrentam as tr\u00eas dificuldades em simult\u00e2neo), sendo, por isso, mais perme\u00e1vel a demagogias e populismos \u2013 que, como se sabe, se combatem com dados, estudos independentes e argumentos objetivos \u2013, o que baixa a exig\u00eancia de qualidade das pol\u00edticas p\u00fablicas e da pr\u00f3pria Democracia. Por outro lado, os resultados s\u00e3o baixos para qualquer dos ciclos de estudos e faixas et\u00e1rias, mesmo nos jovens e nos que t\u00eam forma\u00e7\u00e3o superior, pelo que temos de elevar a exig\u00eancia e qualidade nos v\u00e1rios graus de ensino, olhando para os pa\u00edses com melhores pr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes resultados penalizam a nossa capacidade de inova\u00e7\u00e3o e ajudam a explicar a baixa produtividade relativa do pa\u00eds (das mais baixas da Uni\u00e3o Europeia, UE) mesmo tendo progredido nos n\u00edveis de qualifica\u00e7\u00e3o nas ultimas d\u00e9cadas \u2013 mas sobretudo nas gera\u00e7\u00f5es mais jovens, restando uma larga franja da popula\u00e7\u00e3o ativa ainda muito pouco qualificada, como \u00e9 sabido \u2013, contribuindo para o empobrecimento relativo do Pa\u00eds desde o in\u00edcio do mil\u00e9nio a par com a menor qualidade das pol\u00edticas, num c\u00edrculo vicioso que temos de romper. A maior esperan\u00e7a \u00e9 que em Portugal, como nos outros pa\u00edses, os resultados de literacia, numeracia e resolu\u00e7\u00e3o de problemas melhoram claramente quanto maior o n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos, por isso, de melhorar o acesso e o incentivo \u00e0s qualifica\u00e7\u00f5es, incluindo medidas complementares para uma maior mobilidade social, com realce para uma cultura de meritocracia, pois infelizmente h\u00e1 um enviesamento na nossa sociedade para combater a riqueza em vez da pobreza, promovendo a inveja em vez do m\u00e9rito, o que \u00e9 um desincentivo \u00e0s qualifica\u00e7\u00f5es e ao esfor\u00e7o. Um exemplo \u00f3bvio \u00e9 a necessidade de colocar os melhores em postos de lideran\u00e7a, o que n\u00e3o acontece atualmente, pois os empres\u00e1rios t\u00eam um n\u00edvel m\u00e9dio de qualifica\u00e7\u00f5es inferior aos trabalhadores, sendo urgente a sua requalifica\u00e7\u00e3o. Precisamos ainda de uma comiss\u00e3o independente de fixa\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios de cargos pol\u00edticos que tenha em conta, nomeadamente, crit\u00e9rios de mercado, bem como progressos na transpar\u00eancia e no combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, para que os melhores possam ser atra\u00eddos para a pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao impacto do ensino superior (por compara\u00e7\u00e3o com os resultados do ensino secund\u00e1rio), que me diz muito, os resultados ajustados (tendo em conta um conjunto de vari\u00e1veis de controlo relevantes) s\u00e3o relativamente bons em termos de melhoria de valores de literacia e numeracia, mas n\u00e3o na resolu\u00e7\u00e3o de problemas (onde at\u00e9 retrocedemos em rela\u00e7\u00e3o ao posicionamento aceit\u00e1vel obtido at\u00e9 ao ensino secund\u00e1rio), que dever\u00e1 ser um aspeto crucial a melhorar \u2013 tal \u00e9 poss\u00edvel, pois a Faculdade de Economia do Porto (FEP) tem apostado nesse dimens\u00e3o e orgulha-se de que os seus estudantes ganhem usualmente pr\u00e9mios internacionais de <em>business case competition<\/em> \u2013, atrav\u00e9s de um ensino mais pr\u00e1tico e alinhado com a nossa economia, bem como uma maior aposta nas \u00e1reas STEM (acr\u00f3nimo em ingl\u00eas para ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica), onde estamos mal posicionados, prejudicando os resultados.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra conclus\u00e3o importante \u00e9 a necessidade de melhorar o ensino da matem\u00e1tica para inverter a enorme desigualdade na numeracia (a 3\u00ba maior entre os 31 pa\u00edses analisados) e o baixo peso das \u00e1reas STEM, embora com uma propor\u00e7\u00e3o relativamente alta de mulheres que nos deve orgulhar, mas pode subir mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Considero que o novo IRS Jovem ir\u00e1 piorar o nosso posicionamento em futuros relat\u00f3rios, ao incentivar o in\u00edcio da vida ativa sem a escolaridade m\u00ednima (o 12\u00ba ano deixa de ser crit\u00e9rio m\u00ednimo de acesso) e n\u00e3o ser acess\u00edvel a todos os contribuintes, como os regimes distorcion\u00e1rios para emigrantes e imigrantes. Os tr\u00eas regimes devem ser substitu\u00eddos pelo IRS Novo Talento que defendo, uma medida muito mais justa e focada, que se traduz num incentivo unificado e abrangente a novas qualifica\u00e7\u00f5es superiores \u2013 para jovens (tendencionalmente os mais beneficiados, pela maior propens\u00e3o aos estudos superiores), menos jovens, emigrantes e imigrantes \u2013, aplic\u00e1vel sobre rendimentos de trabalho durante alguns anos ap\u00f3s a conclus\u00e3o dessas forma\u00e7\u00f5es, fomentando o regresso \u00e0 Academia e a atualiza\u00e7\u00e3o permanente de conhecimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos agora os dados mais em detalhe e mais algumas recomenda\u00e7\u00f5es que emergem do relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal ocupa as \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es em literacia (30\u00aa entre 31 pa\u00edses com dados, ou 2\u00aa pior, apenas acima do Chile), numeracia (30\u00ba\u00aa ou 2\u00aa pior, na mesma s\u00f3 melhor que o Chile) e resolu\u00e7\u00e3o adaptativa de problemas (27\u00aa ou 5\u00aa pior, apenas abaixo de Chile, Pol\u00f3nia, Litu\u00e2nia e It\u00e1lia), em qualquer dos casos muito longe da m\u00e9dia da OCDE, onde os melhores resultados foram alcan\u00e7ados pelo Jap\u00e3o, Su\u00e9cia, Finl\u00e2ndia, Noruega e Holanda nos tr\u00eas indicadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de 40% dos adultos t\u00eam dificuldades em ler e escrever (42% at\u00e9 ao n\u00edvel 1 de profici\u00eancia em literacia e 15% abaixo do n\u00edvel 1), lidar com n\u00fameros (40% e 16% na numeracia, respetivamente) ou resolver problemas (48% e 12%), explicando os rankings referidos, e 30% t\u00eam problemas nas tr\u00eas \u00e1reas simultaneamente (at\u00e9 ao n\u00edvel 1 de profici\u00eancia), traduzindo a 2\u00aa pior posi\u00e7\u00e3o (apenas acima do Chile).<\/p>\n\n\n\n<p>Dos resultados acima, tamb\u00e9m \u00e9 importante reter que entre 12% e 16% da nossa popula\u00e7\u00e3o em idade ativa (16-65 anos) n\u00e3o atinge sequer o n\u00edvel 1 de profici\u00eancia nesses indicadores. Para se ter uma ideia mais concreta, um adulto abaixo do n\u00edvel 1 no indicador de literacia significa, nomeadamente, que percebe o sentido de uma frase, mas n\u00e3o de um texto curto, enquanto no caso da numeracia consegue contar at\u00e9 20, mas n\u00e3o fazer contas simples (somar, subtrair, multiplicar ou dividir) e, em termos de resolu\u00e7\u00e3o de problemas, apenas soluciona os mais simples, sem elementos invis\u00edveis (n\u00e3o requerendo, portanto, uma significativa capacidade de abstra\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Em mat\u00e9ria de desigualdade, expressa pelo diferencial entre o percentil 90 (os 10% com melhores resultados) e o percentil 10 (os 10% com piores resultados), Portugal est\u00e1 um pouco acima da m\u00e9dia da OCDE na literacia e resolu\u00e7\u00e3o de problemas, em ambos os caso na 14\u00aa posi\u00e7\u00e3o (em 31 pa\u00edses com dados), mas, na numeracia, a nossa desigualdade est\u00e1 muito acima da m\u00e9dia, na 3\u00aa posi\u00e7\u00e3o, o que refletir\u00e1 os tradicionais problemas na disciplina de matem\u00e1tica, que pelos vistos ainda n\u00e3o conseguimos debelar.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando para os dados por faixa et\u00e1ria, nem mesmo as gera\u00e7\u00f5es mais novas escapam aos maus resultados: 23\u00aa posi\u00e7\u00e3o (9\u00aa pior) na faixa dos 16-24 anos, 29\u00aa (3\u00aa pior) nos 25-34 anos, 29\u00aa nos 35-44 anos, 30\u00aa nos 45-54 anos e 30\u00aa nos 55-64 anos na literacia; 23\u00aa, 30\u00aa, 29\u00aa 30\u00aa, 30\u00aa e 30\u00aa, respetivamente, na numeracia; e 31\u00aa, 30\u00aa, 30\u00aa, 28\u00aa e 30\u00aa na resolu\u00e7\u00e3o de problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Anda mais relevante \u00e9 olhar para os dados por n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o. Tal como nos outros pa\u00edses, os resultados (<em>score<\/em>) melhoram quanto maior o n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o, mas o problema \u00e9 que, em todos eles, temos valores relativamente baixos: 20\u00aa posi\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao ensino secund\u00e1rio (em 31 pa\u00edses), 23\u00aa no ensino secund\u00e1rio e 22\u00aa no ensino superior, na literacia; 19\u00aa, 21\u00aa e 23\u00aa, respetivamente, na numeracia; e 15\u00aa, 17\u00aa e 23\u00aa na resolu\u00e7\u00e3o de problemas. Assim, apenas nos aproximamos da mediana (e m\u00e9dia) da OCDE na resolu\u00e7\u00e3o de problemas at\u00e9 ao ensino secund\u00e1rio, significando que se est\u00e1 a trabalhar relativamente bem a\u00ed, mas depois a nossa posi\u00e7\u00e3o nesse indicador \u00e9 m\u00e1 no ensino superior (23\u00aa).<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, antes de retirar mais conclus\u00f5es a este respeito, conv\u00e9m analisar mais alguns dados relacionados, que t\u00eam a ver com a melhoria de resultado do inqu\u00e9rito entre quem tem o ensino superior e quem tem o ensino secund\u00e1rio, traduzindo o impacto do ensino superior nos v\u00e1rios indicadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dados n\u00e3o ajustados desse diferencial, a nossa posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o difere muito do que vimos acima em n\u00edvel (22\u00aa a literacia, 19\u00aa na numeracia e 23\u00aa na resolu\u00e7\u00e3o de problemas), mas quando s\u00e3o ajustados pelas diferen\u00e7as de idade, sexo, contexto de imigra\u00e7\u00e3o, l\u00edngua falada em casa e as qualifica\u00e7\u00f5es dos pais, verificamos que o ensino superior tem um impacto relativamente bom (face aos resultados do ensino secund\u00e1rio) na melhoria da literacia e na numeracia (14\u00aa posi\u00e7\u00e3o em 31 pa\u00edses nos dois casos, acima da mediana), ainda que praticamente n\u00e3o melhore o desempenho na resolu\u00e7\u00e3o de problemas (22\u00aa posi\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, n\u00e3o encontro uma an\u00e1lise diferencial semelhante para o ensino secund\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o dos pais tem um impacto relevante nos resultados de Portugal, certamente ainda a refletir atrasos prolongados nesta mat\u00e9ria, desde o tempo do Estado Novo, mas tamb\u00e9m poucos est\u00edmulos em mat\u00e9ria de mobilidade social, pois outros pa\u00edses tamb\u00e9m tiveram atrasos no passado. A diferen\u00e7a de resultados n\u00e3o ajustados entre quem tem pais qualificados e n\u00e3o qualificados \u00e9 a 13\u00aa maior na literacia, a 12\u00aa na numeracia e a 14\u00aa na resolu\u00e7\u00e3o de problemas no caso de Portugal, mas quando se tem em conta as outras vari\u00e1veis de controlo (idade, g\u00e9nero, educa\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio, contexto de imigra\u00e7\u00e3o e l\u00edngua falada em casa), verifica-se que esses resultados ajustados mostram uma influ\u00eancia ainda maior em termos relativos (11\u00aa, 13\u00aa e 6\u00aa posi\u00e7\u00f5es), em particular no que se refere \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o de problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados acima confirmam a necessidade de uma maior qualifica\u00e7\u00e3o nas v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es \u2013 com realce para as mais antigas, que sabemos serem menos qualificadas, e pessoas com filhos, que s\u00e3o influenciados pela qualifica\u00e7\u00e3o dos pais \u2013, e um enfoque particular na resolu\u00e7\u00e3o de problemas, em particular no ensino superior, onde perdemos competitividade a esse n\u00edvel comparando com o ensino secund\u00e1rio, sugerindo a necessidade de um ensino mais pr\u00e1tico e uma melhor articula\u00e7\u00e3o entre teoria e pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s \u00e1reas STEM (acr\u00f3nimo em ingl\u00eas para ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica), Portugal aparece com o 6\u00ba menor peso entre os 31 pa\u00edses da OCDE analisados (23,7%, que compara com 26,7% na OCDE). Embora o nosso resultado de numeracia melhore para quem tenha forma\u00e7\u00e3o superior nessas \u00e1reas face a quem tenha noutras, como sucede nos demais pa\u00edses, o nosso posicionamento tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 famoso e pouco melhora face \u00e0s pessoas formadas em \u00e1reas n\u00e3o STEM (18\u00aa vs. 19\u00aa posi\u00e7\u00e3o em 28 pa\u00edses com dados), possivelmente a refletir problemas no ensino da matem\u00e1tica em todos os n\u00edveis de ensino, com impacto cumulativo. Esta informa\u00e7\u00e3o reporta-se a pessoas entre 25 e 65 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes dados, em conex\u00e3o com os anteriores, sugerem-me a necessidade de uma maior exig\u00eancia no ensino superior \u2013 tal como nos demais graus de ensino, como j\u00e1 referido \u2013, incluindo nas \u00e1reas STEM, cuja express\u00e3o deve aumentar, pelo menos, para a m\u00e9dia da OCDE, pois t\u00eam um impacto positivo na numeracia (e, presumo, tamb\u00e9m na resolu\u00e7\u00e3o de problemas, pelo menos, mas n\u00e3o encontrei informa\u00e7\u00e3o a esse respeito no relat\u00f3rio). Apesar de tudo, temos um indicador muito positivo nesta mat\u00e9ria, pois Portugal tem o maior peso de mulheres em \u00e1reas STEM (39,4%, que compara com 26,6% na OCDE), mas ainda pode evoluir mais, at\u00e9 porque nas \u00e1reas n\u00e3o STEM as mulheres s\u00e3o predominantes (65,5%). Nesta mat\u00e9ria, importar\u00e1 aumentar (ainda mais) a participa\u00e7\u00e3o das mulheres, mas tamb\u00e9m de homens, nas \u00e1reas STEM. Para tal, ser\u00e1 crucial olhar para as boas pr\u00e1ticas noutros pa\u00edses para tornar mais acess\u00edvel (mas com rigor) o ensino da matem\u00e1tica, que \u00e9 crucial para uma maior participa\u00e7\u00e3o em \u00e1reas STEM.<\/p>\n\n\n\n<p>No que se refere \u00e0 popula\u00e7\u00e3o imigrante (nascida de pais imigrantes fora do pa\u00eds ou nascida no pa\u00eds de acolhimento), tamb\u00e9m estamos mal posicionados nos tr\u00eas indicadores, mas um pouco menos do que nos resultados da popula\u00e7\u00e3o nascida em Portugal de pais n\u00e3o imigrantes, indicando que a imigra\u00e7\u00e3o ter\u00e1 um contributo positivo na melhora das compet\u00eancias aferidas no relat\u00f3rio. Comparando a popula\u00e7\u00e3o imigrante nascida no pa\u00eds de acolhimento ou fora, h\u00e1 uma melhoria de posicionamento na numeracia, mas as diferen\u00e7as s\u00e3o poucas nos demais indicadores, o que denota que mais poder\u00e1 ser feito em temos de integra\u00e7\u00e3o para melhorar os resultados de quem nasce no nosso pa\u00eds filho de pais imigrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das conclus\u00f5es e propostas anteriormente mencionadas, de car\u00e1ter mais geral, saliento as seguintes recomenda\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do relat\u00f3rio para pa\u00edses com menor desempenho, como Portugal:<\/p>\n\n\n\n<p>- Melhorar as compet\u00eancias b\u00e1sicas: aumentar a oferta de forma\u00e7\u00e3o em literacia e numeracia para adultos de baixa escolaridade.<\/p>\n\n\n\n<p>- Reduzir barreiras \u00e0 forma\u00e7\u00e3o: disponibilizar programas modulares e flex\u00edveis, incluindo op\u00e7\u00f5es online que permitam conciliar estudo e trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>- Combater desigualdades: garantir que grupos vulner\u00e1veis, como popula\u00e7\u00f5es rurais e estrangeiros, tenham acesso equitativo \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao investir na forma\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o de adultos, Portugal n\u00e3o apenas promover\u00e1 uma maior inclus\u00e3o social e econ\u00f3mica, mas tamb\u00e9m contribuir\u00e1 para o fortalecimento da Democracia. Uma popula\u00e7\u00e3o mais informada e capacitada tem uma maior resist\u00eancia a narrativas simplistas \u2013 com realce para a demagogia e o populismo \u2013 e maior capacidade de exigir pol\u00edticas p\u00fablicas baseadas em evid\u00eancia. Em tempos de desinforma\u00e7\u00e3o e polariza\u00e7\u00e3o, apostar nas compet\u00eancias b\u00e1sicas \u00e9 mais do que uma quest\u00e3o econ\u00f3mica, \u00e9 uma estrat\u00e9gia essencial para garantir um futuro mais equitativo, informado e democr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da necessidade de mais e melhor forma\u00e7\u00e3o em geral, exige-se tamb\u00e9m que quem ocupa o espa\u00e7o p\u00fablico \u2013 eu pr\u00f3prio inclu\u00eddo, enquanto colunista \u2013 fa\u00e7a um esfor\u00e7o ainda maior para tornar o debate p\u00fablico o mais acess\u00edvel poss\u00edvel \u00e0 generalidade da popula\u00e7\u00e3o, incluindo os 40% com maiores dificuldades, o que exige maior simplicidade e pedagogia nas abordagens, com o contributo dos <em>media<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Jornal i online Precisamos de melhorar o acesso e o incentivo \u00e0s qualifica\u00e7\u00f5es, incluindo medidas complementares para uma maior mobilidade social, com realce para uma cultura de meritocracia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-48817","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=48817"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48817\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48818,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48817\/revisions\/48818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=48817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=48817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=48817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}