{"id":48613,"date":"2024-09-25T20:54:41","date_gmt":"2024-09-25T20:54:41","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48613"},"modified":"2024-09-29T10:05:35","modified_gmt":"2024-09-29T10:05:35","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-275","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48613","title":{"rendered":"Os fogos florestais e a economia do bom senso"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Maria Nat\u00e1lia Gon\u00e7alves, Jornal i online<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/2024\/09\/25\/os-fogos-florestais-e-a-economia-do-bom-senso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>S\u00e3o irritantes e inaceit\u00e1veis as insinua\u00e7\u00f5es dos que apresentam o cen\u00e1rio dos inc\u00eandios como uma inevitabilidade a que devemos habituar-nos sempre que ocorram condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas favor\u00e1veis a tal<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>No passado 16 de setembro, pela manh\u00e3, verifiquei que os n\u00edveis de humidade da minha <em>urban jungle<\/em> estavam anormalmente baixos. 20%, num ambiente cuja humidade geralmente oscila entre os 60 e os 80%. Enquanto confirmava n\u00e3o se tratar de uma avaria no higr\u00f3metro, veio \u00e0 minha mem\u00f3ria o alerta de risco extremo de inc\u00eandio difundido na v\u00e9spera para as 72h seguintes, mas estava longe de pensar que a mensagem chegada ao telem\u00f3vel fosse a profecia do horrendo espet\u00e1culo a que viria a assistir.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sou especialista em inc\u00eandios, n\u00e3o tenho liga\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a qualquer dos munic\u00edpios atingidos, nem aos respetivos servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o civil. Tamb\u00e9m n\u00e3o nutro qualquer tipo de interesse econ\u00f3mico que possa beneficiar dos inc\u00eandios. As considera\u00e7\u00f5es que aqui deixo s\u00e3o apenas de algu\u00e9m que sentiu uma imensa tristeza pelo sofrimento de todos os que de perto tiveram que lidar com os fogos e uma incompreens\u00e3o revoltante pela facilidade com que h\u00e1 d\u00e9cadas reincidimos nos mesmos erros e narrativas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser-se douto no assunto para chegarmos a duas constata\u00e7\u00f5es. Primeira, o problema \u00e9 suficientemente complexo para ser reduzido a um ou dois t\u00f3picos como alguns instru\u00eddos na mat\u00e9ria procuram simplificar nos seus fastidiosos coment\u00e1rios televisivos. Segunda, s\u00e3o irritantes e inaceit\u00e1veis as insinua\u00e7\u00f5es dos que apresentam o cen\u00e1rio dos inc\u00eandios como uma inevitabilidade a que devemos habituar-nos sempre que ocorram condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas favor\u00e1veis a tal.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tenho solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas, mas recuso-me a conformar-me com a aridez dos relat\u00f3rios p\u00f3s-rescaldo, demasiado focados no descarte de responsabilidades ou com a cria\u00e7\u00e3o de comiss\u00f5es t\u00e9cnicas <em>ad hoc<\/em> que num tom messi\u00e2nico reclamam que desviemos os nossos olhos para um futuro onde tudo ser\u00e1 menos infernal.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez um ponto de partida fosse come\u00e7ar pelo b\u00e1sico e reconhecer a import\u00e2ncia do bom senso que segundo o dicion\u00e1rio de l\u00edngua portuguesa significa: \u201ccrit\u00e9rio s\u00e3o, faculdade de bem ajuizar nas circunst\u00e2ncias comuns da vida\u201d. Ora, nos \u00faltimos dias vi muito pouco desta virtude\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Fa\u00e7amos a reconstitui\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Tudo come\u00e7ou com os alertas do fim de semana, seguramente bem-intencionados, mas propagandeados de tal forma que poder\u00e3o ter funcionado como gatilho na mente de incendi\u00e1rios. Aqui incluo os pir\u00f3manos, mas tamb\u00e9m os criminosos que, n\u00e3o sofrendo de patologia do foro mental, se sup\u00f5e estarem ao servi\u00e7o dos interesses econ\u00f3micos ligados \u00e0 ind\u00fastria madeireira, da produ\u00e7\u00e3o de celulose, dos pain\u00e9is fotovoltaicos ou da explora\u00e7\u00e3o de biomassa.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Ag\u00eancia para a Gest\u00e3o Integrada de Fogos Rurais, em 2023, 31% dos inc\u00eandios em Portugal foram causados por incendiarismo. Assim sendo, aconselhariam os n\u00fameros, mas ditaria principalmente o bom senso ser de ajuizar que a sinaliza\u00e7\u00e3o da oportunidade de fogo bem-sucedido intensificasse a apet\u00eancia dos muitos que das chamas retiram prazer ou outro tipo de benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a falta de bom senso n\u00e3o fica por aqui. Pasmei quando vi pol\u00edticos da oposi\u00e7\u00e3o a cavalgar levianamente em cima dos acontecimentos, qual marionetas em rid\u00edcula cacofonia ao servi\u00e7o dos umbigos partid\u00e1rios, como se n\u00e3o lhes coubesse consider\u00e1vel grau de responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>E a comunica\u00e7\u00e3o social? Tamb\u00e9m aqui o bom senso parece n\u00e3o ter prevalecido. A exposi\u00e7\u00e3o excessiva, cont\u00ednua e desnecess\u00e1ria dos telespectadores a cen\u00e1rios de fogo e a banaliza\u00e7\u00e3o da ang\u00fastia dos que se encontravam no terreno, apenas mostra que as nossas esta\u00e7\u00f5es televisivas, mais que prestar o bom servi\u00e7o p\u00fablico de informar os factos com discernimento e objetividade, est\u00e3o dominadas pelo desejo desenfreado em elevar os n\u00edveis das audi\u00eancias, explorando o sentimento de autocomisera\u00e7\u00e3o t\u00e3o t\u00edpico da cultura nacional, seguido da exibi\u00e7\u00e3o de lufadas de generosidade em sublima\u00e7\u00e3o da nobreza coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, n\u00e3o posso deixar de assinalar a falta de bom senso individual e das entidades p\u00fablicas respons\u00e1veis pela concess\u00e3o de licen\u00e7as de habita\u00e7\u00e3o e de funcionamento de empresas em \u00e1reas geogr\u00e1ficas cujas estat\u00edsticas as colocam como zonas de elevada probabilidade de inc\u00eandio florestal.<\/p>\n\n\n\n<p>Feita esta reflex\u00e3o, a perce\u00e7\u00e3o com que fico \u00e9 que, de um ou outro modo, os inc\u00eandios florestais servem a todos n\u00f3s que, paradoxalmente, enquanto sociedade tamb\u00e9m somos os que mais perdemos. Que os 483 milh\u00f5es de euros pagos pelos nossos impostos para custear os inc\u00eandios em 2023, sejam suficientes para nos mobilizar no sentido de exigir um basta e um uso mais eficiente dos nossos recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, quando voltar a receber uma SMS com alerta de risco extremo de inc\u00eandio, espero n\u00e3o ter um <em>d\u00e9j\u00e0-vu<\/em> e pensar: <a><em>Amanh\u00e3 \u00e9 um bom dia para atear um fogo<\/em>!<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Nat\u00e1lia Gon\u00e7alves, Jornal i online S\u00e3o irritantes e inaceit\u00e1veis as insinua\u00e7\u00f5es dos que apresentam o cen\u00e1rio dos inc\u00eandios como uma inevitabilidade a que devemos habituar-nos sempre que ocorram condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas favor\u00e1veis a tal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-48613","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48613","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=48613"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48613\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48622,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48613\/revisions\/48622"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=48613"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=48613"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=48613"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}