{"id":48604,"date":"2024-09-26T09:00:00","date_gmt":"2024-09-26T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48604"},"modified":"2024-09-25T20:32:46","modified_gmt":"2024-09-25T20:32:46","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-274","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48604","title":{"rendered":"O regular flagelo dos inc\u00eandios florestais em Portugal"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Paulo Vasconcelos,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> OBEGEF<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/facebook100.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2032\" style=\"width:24px;height:auto\" title=\"Ficheiro PDF\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A quest\u00e3o dos inc\u00eandios em Portugal ter\u00e1 de ser colocada mais em termos econ\u00f3micos do que de crime e de fraude no seu combate e repara\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Os inc\u00eandios florestais em Portugal t\u00eam sido particularmente severos em 2024, sobretudo nestes 2 \u00faltimos meses. At\u00e9 agora, quase 150 mil hectares foram queimados. Tamb\u00e9m de real\u00e7ar os inc\u00eandios na ilha da Madeira que queimaram mais de 8 mil hectares, afetando \u00e1reas florestais e rurais, incluindo a floresta Laurissilva, patrim\u00f3nio mundial da UNESCO. As causas ainda est\u00e3o sob investiga\u00e7\u00e3o, mas as condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas, como temperaturas elevadas, vento forte e baixa humidade, contribu\u00edram para a propaga\u00e7\u00e3o r\u00e1pida das chamas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os inc\u00eandios florestais t\u00eam um impacto significativo na economia. Em Portugal, os custos em 2023 foram estimados em 377 milh\u00f5es de euros, englobando a\u00e7\u00f5es diretas, como a destrui\u00e7\u00e3o de propriedades e infraestruturas, e indiretas, como os impactos na sa\u00fade p\u00fablica e a perda de receitas tur\u00edsticas. Em 2024, dados provis\u00f3rios recolhidos at\u00e9 23 de setembro (ICNF), a \u00e1rea ardida em espa\u00e7os rurais foi de 144864 hectares, resultantes de 385 de ocorr\u00eancias. A percentagem de \u00e1rea ardida de povoamentos florestais foi de 54%, a \u00e1rea ardida de matos de 35 % e a agr\u00edcola de 10%.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos comparativos, este ano (at\u00e9 setembro) \u00e9 o quarto pior dos \u00faltimos dez anos em \u00e1rea ardida. No ano passado, 2023, a \u00e1rea ardida foi de aproximadamente 66 mil hectares e em 2022 cerca de 104 mil. A m\u00e9dia da \u00faltima d\u00e9cada \u00e9 de cerca de 100 mil hectares\/ano. O pior dos anos foi 2017, de m\u00e1 mem\u00f3ria, com cerca de 540 mil hectares ardidos. Estes s\u00e3o n\u00fameros impressionantes, para n\u00e3o falar em perdas de vidas humanas, assim como de habita\u00e7\u00e3o e capacidade produtiva e mesmo de subsist\u00eancia pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte dos inc\u00eandios t\u00eam sido atribu\u00eddos a neglig\u00eancia, como o uso imprudente de fogo e m\u00e1quinas. Aqueles causados por atos criminosos rondam em m\u00e9dia pouco mais de 20%. Sendo um valor elevado, n\u00e3o \u00e9 claramente o principal fator explicativo. Al\u00e9m disso, est\u00e1 provado que s\u00e3o poucos aqueles que t\u00eam abordagem criminosa, sendo, quando atribu\u00eddo a causas humanas por pessoas com perturba\u00e7\u00f5es ou para atacar vizinhos. Claro que a preven\u00e7\u00e3o e o combate a inc\u00eandios representam tamb\u00e9m uma importante parte da hist\u00f3ria. Mas ser\u00e1 demasiado e demag\u00f3gico apontar a estes interesses como motiva\u00e7\u00e3o para que os fogos florestais ocorram ou sejam mesmo provocados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os inc\u00eandios florestais s\u00e3o um fen\u00f3meno que ocorre de forma relativamente regular na natureza, com a devasta\u00e7\u00e3o dependendo principalmente de fatores como o vento e o calor presentes no momento da eclos\u00e3o do fogo. \u00c0s vezes, parece que as condi\u00e7\u00f5es se alinham para favorecer a propaga\u00e7\u00e3o das chamas, mas isso tamb\u00e9m pode ser uma consequ\u00eancia natural, considerando o grande n\u00famero de inc\u00eandios que ocorrem. Gra\u00e7as \u00e0 a\u00e7\u00e3o eficaz dos corpos de bombeiros e da prote\u00e7\u00e3o civil, muitos desses inc\u00eandios s\u00e3o combatidos com sucesso antes de assumirem propor\u00e7\u00f5es devastadoras. Mas s\u00e3o estes poucos que atingem esta gravidade que mais nos impactam.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o dos inc\u00eandios em Portugal ter\u00e1 de ser colocada mais em termos econ\u00f3micos do que de crime e de fraude no seu combate e repara\u00e7\u00e3o. Por um lado, promovendo a diversidade de esp\u00e9cies apoiando os propriet\u00e1rios e apoiando uma manuten\u00e7\u00e3o mais adequada dos espa\u00e7os, pode-se mitigar muito mais o problema do que procurar causadores. O espa\u00e7o florestal para ter alguma rentabilidade requer tempo de crescimento das plantas, e esp\u00e9cies como o eucalipto e o pinheiro, altamente impulsionadoras da propaga\u00e7\u00e3o do fogo, s\u00e3o economicamente rent\u00e1veis, dado que a cada doze anos \u00e9 poss\u00edvel ter madeira para venda. Outras esp\u00e9cies, por isso em falta, devem ser introduzidas possivelmente com apoios. Ser\u00e1 prefer\u00edvel conduzir verbas para esta requalifica\u00e7\u00e3o a atirar as mesmas e mais ainda no combate de algo imenso, onde se deixa arder para tentar controlar os fogos em \u00e1reas acess\u00edveis. Por outro lado, a desertifica\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o rural conduz a menor atividade na floresta. Mesmo grande parte sendo de propriedade privada, esta ajuda deveria ser atribu\u00edda. Plantar por exemplo carvalhos, e alimentar a ind\u00fastria vitivin\u00edcola atrav\u00e9s do envelhecimento do vinho em barricas de carvalho. A Fran\u00e7a tem muita propriedade p\u00fablica dedicada a esta produ\u00e7\u00e3o e \u00e9 exportador destas barricas, com grande valor acrescentado ao produto.<\/p>\n\n\n\n<p>Em vez de gastar recursos apenas na investiga\u00e7\u00e3o das causas acidentais ou criminosas dos inc\u00eandios, \u00e9 crucial investir na reestrutura\u00e7\u00e3o e refloresta\u00e7\u00e3o. A preven\u00e7\u00e3o, que tem aumentado significativamente nos \u00faltimos anos, pode necessitar de um refor\u00e7o cont\u00ednuo, incluindo a vigil\u00e2ncia por <em>drones<\/em> e at\u00e9 a participa\u00e7\u00e3o de for\u00e7as militares. Estas for\u00e7as poderiam utilizar os terrenos para desenvolver diversas atividades de forma\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o. A sua simples presen\u00e7a contribuiria para a dete\u00e7\u00e3o precoce de inc\u00eandios e para a dissuas\u00e3o de atos criminosos.<\/p>\n\n\n\n<p>A preven\u00e7\u00e3o de fraude nos inc\u00eandios tem sido levada a cabo sendo uma preocupa\u00e7\u00e3o importante, at\u00e9 porque se trata da distribui\u00e7\u00e3o de apoios p\u00fablicos. Algumas medidas t\u00eam sido implementadas pelos governos para garantir que estes fundos destinados \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o sejam utilizados de forma justa e eficiente. Haver\u00e1 sempre oportunismos casu\u00edsticos que devem ser fortemente punidos quando detetados. Recentemente, a Comiss\u00e3o Europeia autorizou Portugal a utilizar 500 milh\u00f5es de euros dos fundos de coes\u00e3o para reparar os preju\u00edzos causados pelos inc\u00eandios. De novo, um controlo rigoroso destas verbas \u00e9 fundamental. S\u00f3 assim se assegura que os apoios cheguem a quem deles necessita, evitando fraudes e garantindo uma recupera\u00e7\u00e3o justa e eficiente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Vasconcelos, OBEGEF A quest\u00e3o dos inc\u00eandios em Portugal ter\u00e1 de ser colocada mais em termos econ\u00f3micos do que de crime e de fraude no seu combate e repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,284],"tags":[],"class_list":["post-48604","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-obegef-facebook"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48604","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=48604"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48604\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48608,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48604\/revisions\/48608"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=48604"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=48604"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=48604"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}