{"id":48600,"date":"2024-09-21T17:09:00","date_gmt":"2024-09-21T17:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48600"},"modified":"2024-10-06T14:22:52","modified_gmt":"2024-10-06T14:22:52","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-5-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48600","title":{"rendered":"Crescimento e Imigra\u00e7\u00e3o: O Desafio de Portugal"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/5894684530\/crescimento-e-imigracao-o-desafio-de-portugal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:16px;height:16px\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>Na semana passada, o Gabinete de Estudos da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) apresentou o 3\u00ba e \u00faltimo cap\u00edtulo do 1\u00ba n\u00famero da publica\u00e7\u00e3o \u201cEconomia &amp; Empresas: tend\u00eancias, perspetivas e propostas\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>O estudo refutou ideias falsas a respeito da rela\u00e7\u00e3o entre imigra\u00e7\u00e3o e economia, mas h\u00e1 mais conclus\u00f5es relevantes, pois s\u00e3o apresentadas proje\u00e7\u00f5es em retrospetiva e em perspetivas para as v\u00e1rias componentes de din\u00e2mica populacional, n\u00e3o apenas para a imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo procuro sobretudo rebater, de forma pedag\u00f3gica, as imprecis\u00f5es ou mesmo erros de an\u00e1lise mais comuns que perpassaram nos media e, sobretudo, em coment\u00e1rios nas redes sociais, tendo para tal elaborado uma esp\u00e9cie de FAQ (frequently asked questions), ou seja, um conjunto de respostas e quest\u00f5es (erros) mais frequentes com a amostra que tive oportunidade de analisar.<\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo serve ainda como alerta para os jornalistas na \u00e1rea econ\u00f3mica quanto ao tipo de erros que poder\u00e3o evitar no futuro se evitarem reinterpreta\u00e7\u00f5es de texto que podem n\u00e3o estar corretas, devendo cingir-se o mais poss\u00edvel ao texto de base j\u00e1 interpretado em estudos acad\u00e9micos como os da FEP.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes disso, cito o texto do comunicado de imprensa da FEP, preparado para uma audi\u00eancia alargada \u2013 mais acess\u00edvel do que o sum\u00e1rio executivo, talvez um pouco denso e t\u00e9cnico demais para a popula\u00e7\u00e3o em geral, admito, mas tal foi necess\u00e1rio por uma quest\u00e3o de rigor e transpar\u00eancia \u2013, nas partes relevantes para as respostas \u00e0s FAQ, que beneficiam ainda de explica\u00e7\u00f5es contidas no sum\u00e1rio executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem tiver lido o comunicado, poder\u00e1 passar esta parte \u00e0 frente e passar diretamente para a FAQ, onde poder\u00e1 at\u00e9 escolher a resposta \u00e0 quest\u00e3o que lhe causa mais d\u00favidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>T\u00edtulo:&nbsp;<\/strong>Portugal precisa de mais imigra\u00e7\u00e3o se quiser elevar o crescimento econ\u00f3mico e o n\u00edvel de vida<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Subt\u00edtulo:&nbsp;<\/strong>Para entrar no grupo dos pa\u00edses mais ricos da UE at\u00e9 2033, Portugal deve crescer 3% ou mais ao ano, o que impede uma queda da popula\u00e7\u00e3o de 5,8% (no cen\u00e1rio sem mudan\u00e7a de pol\u00edticas) e pressup\u00f5e mais imigra\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO estudo usa o modelo econ\u00f3mico do cap\u00edtulo anterior para estimar a evolu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e das suas componentes, a taxa de crescimento natural (a diferen\u00e7a entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade) e a taxa de crescimento migrat\u00f3rio (a taxa de imigra\u00e7\u00e3o menos a taxa de emigra\u00e7\u00e3o), nos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia em 1999-2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados de estima\u00e7\u00e3o, juntamente com a an\u00e1lise de correla\u00e7\u00f5es parciais, mostram que a emigra\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses da UE, desde o in\u00edcio do mil\u00e9nio, \u00e9 sobretudo de pessoas imigradas \u2013 atra\u00eddas por maiores n\u00edveis de vida inicial e din\u00e2micas de crescimento econ\u00f3mico, as vari\u00e1veis explicativas \u2013, que depois sa\u00edram ao encontrar melhores oportunidades noutros pa\u00edses no per\u00edodo de an\u00e1lise pelas mesmas raz\u00f5es econ\u00f3micas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio, a emigra\u00e7\u00e3o de residentes por raz\u00f5es econ\u00f3micas (com menor peso relativo) ocorre sobretudo em pa\u00edses com baixo crescimento econ\u00f3mico e n\u00edvel de vida inicial, al\u00e9m do efeito tradicional, de menor express\u00e3o, de sa\u00edda para pa\u00edses vizinhos de n\u00edvel de vida similar (alto ou baixo) e crescimento econ\u00f3mico associado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal, o fraco crescimento econ\u00f3mico e o baixo n\u00edvel de vida inicial explicam a emigra\u00e7\u00e3o de um ter\u00e7o dos nossos jovens (\u2026).<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo da FEP contraria, de forma quantificada, o mito de que os imigrantes \u2018empurram\u2019 os nacionais para fora do mercado de trabalho e para a emigra\u00e7\u00e3o, real\u00e7ando ainda que a integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes alarga de forma sustentada o mercado interno e, dessa forma, as oportunidades de investimento e emprego para todos, al\u00e9m do seu contributo positivo para a Seguran\u00e7a Social, apontado em diversos estudos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>O cap\u00edtulo revela ainda que os imigrantes tendem a permanecer mais tempo (sensivelmente o dobro, em termos m\u00e9dios) nos pa\u00edses com um n\u00edvel de vida relativo de partida elevado por compara\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses de maior crescimento econ\u00f3mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal, \u00e9 preciso aproveitar as fases de maior crescimento, como a atual (impulsionada por fatores tempor\u00e1rios como o PRR e o \u2018boom\u2019 do turismo) para reter os imigrantes atra\u00eddos por essa din\u00e2mica antes que se esgote (\u2026).<\/p>\n\n\n\n<p>A decomposi\u00e7\u00e3o das din\u00e2micas demogr\u00e1ficas de Portugal em 1999-2022 revelou fatores n\u00e3o econ\u00f3micos (al\u00e9m dos estimados) favor\u00e1veis na maioria das componentes, com exce\u00e7\u00e3o da taxa de imigra\u00e7\u00e3o (\u2026).<\/p>\n\n\n\n<p>Sem mudan\u00e7a de pol\u00edticas, o crescimento econ\u00f3mico anual previsto de 1,11% at\u00e9 2033 causa uma queda estimada da popula\u00e7\u00e3o de 5,8%, bastante acima da perda de 2,1% projetada no Ageing Report de 2024, que n\u00e3o usa o modelo econ\u00f3mico empregue. No entanto, se Portugal crescer 3% ao ano via reformas estruturais \u2013 o m\u00ednimo para atingir a metade de pa\u00edses mais ricos da UE em 2033 \u2013, a subida da taxa de imigra\u00e7\u00e3o m\u00e9dia para 1,321% permite compensar o saldo natural negativo e estabilizar a popula\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma taxa de imigra\u00e7\u00e3o acima do pico de 1,13% atingido em 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma economia mais din\u00e2mica e um maior n\u00edvel de vida pressup\u00f5em que Portugal se organize para acolher um fluxo ainda maior de imigrantes no futuro de forma controlada, incluindo mecanismos ligados \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, como o requisito pr\u00e9vio de um contrato de trabalho e a ausculta\u00e7\u00e3o das necessidades de trabalhadores das empresas, acompanhados de uma fiscaliza\u00e7\u00e3o adequada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>FAQ do estudo de din\u00e2micas demogr\u00e1ficas da FEP:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. \u00c9 o crescimento econ\u00f3mico que causa a imigra\u00e7\u00e3o no estudo ou \u00e9 o contr\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte das not\u00edcias (e os respetivos t\u00edtulos) reinterpretou o sentido da causalidade erradamente, referindo que \u00e9 a imigra\u00e7\u00e3o que causa o crescimento econ\u00f3mico, quando n\u00e3o \u00e9 isso que \u00e9 dito, pois no estudo \u00e9 o crescimento econ\u00f3mico que causa uma maior taxa de imigra\u00e7\u00e3o (mantendo contante o n\u00edvel de vida inicial, a outra vari\u00e1vel explicativa), que traduz o peso do fluxo de imigrantes permanentes de um dado ano na popula\u00e7\u00e3o no final do ano precedente ou in\u00edcio desse ano (ou seja, um stock).<\/p>\n\n\n\n<p>Como refere o t\u00edtulo do comunicado, \u201cPortugal precisa de mais imigra\u00e7\u00e3o se quiser elevar o crescimento econ\u00f3mico e o n\u00edvel de vida\u201d, o que j\u00e1 aponta que o sentido da causalidade \u00e9 do crescimento para a imigra\u00e7\u00e3o, mas tal poderia ser facilmente verificado no sum\u00e1rio executivo, se houvesse d\u00favidas. Como \u00e9 l\u00e1 mencionado, foi testada e rejeitada a hip\u00f3tese de o sentido da causalidade ser tamb\u00e9m o inverso (tanto nesta como nas demais componentes da din\u00e2mica demogr\u00e1fica). Naturalmente, o crescimento econ\u00f3mico faz-se com pessoas, incluindo residentes e imigrantes empregados, mas estamos a falar de valor m\u00e9dios<\/p>\n\n\n\n<p>num per\u00edodo de an\u00e1lise longo (1999-2022) \u2013 no contexto dos pa\u00edses da UE, recordo \u2013, pelo que talvez seja mais f\u00e1cil de explicar que o crescimento come\u00e7a com os residentes e a din\u00e2mica gerada atrai imigrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>De uma forma mais geral, como foi referido no cap\u00edtulo anterior do estudo, \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es de crescimento econ\u00f3mico que gera uma maior din\u00e2mica da popula\u00e7\u00e3o (o que tamb\u00e9m se verifica nas suas componentes, como mostra o 3\u00ba cap\u00edtulo) no modelo e n\u00e3o o acr\u00e9scimo de popula\u00e7\u00e3o que gera mais crescimento, o que talvez seja a perce\u00e7\u00e3o de senso comum, mas foi testada e rejeitada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Portugal tem atualmente uma taxa de desemprego acima da UE. N\u00e3o dever\u00edamos come\u00e7ar por empregar mais residentes desempregados antes de pensar em ir buscar mais imigrantes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dos coment\u00e1rios mais cr\u00edticos do estudo foram neste sentido. Em primeiro lugar, \u00e9 preciso explicar que n\u00e3o se pode olhar para a taxa de desemprego num ano \u2013 que depende da fase do ciclo econ\u00f3mico \u2013 para criticar um estudo focado em tend\u00eancias de longo prazo (o per\u00edodo de an\u00e1lise que suportou as estima\u00e7\u00f5es \u00e9 1999-2022, como referido), que esbatem os efeitos c\u00edclicos. Se quisermos ir por a\u00ed, temos de pensar que um crescimento econ\u00f3mico mais alto na m\u00e9dia de um per\u00edodo longo tende a ser acompanhado de uma taxa de desemprego m\u00e9dia menor e, assim, uma taxa de emprego m\u00e9dia mais alta, integrando quer residentes quer imigrantes, o que se liga com a frase do comunicado de que \u201ca integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes alarga de forma sustentada o mercado interno e, dessa forma, as oportunidades de investimento e emprego para todos\u201d. \u00c9, por isso, uma fal\u00e1cia pensar que \u201cos imigrantes \u2018empurram\u2019 os nacionais para fora do mercado de trabalho e para a emigra\u00e7\u00e3o\u201d, como \u00e9 salientado no comunicado.<\/p>\n\n\n\n<p>Igualmente importante, uma taxa de crescimento mais alta, que \u00e9 o pressuposto da proje\u00e7\u00e3o feita (para atingirmos um n\u00edvel de vida relativo mais elevado), leva a uma menor emigra\u00e7\u00e3o de residentes (outra conclus\u00e3o importante do estudo), que estar\u00e3o assim mais presentes no mercado de trabalho (do que num cen\u00e1rio de menor crescimento), juntamente com mais imigrantes atra\u00eddos por essa din\u00e2mica. Chamo ainda aten\u00e7\u00e3o que a interpreta\u00e7\u00e3o literal da quest\u00e3o \u00e9 ainda mais absurda, ao pressupor que o governo interv\u00e9m na decis\u00e3o de uma empresa contratar um residente ou um imigrante, o que \u00e9 falso a partir do momento em que entram imigrantes livremente, sendo que na UE h\u00e1 livre circula\u00e7\u00e3o de trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. Ainda h\u00e1 quem insista em ter verdadeiros escravos (depreende-se que os imigrantes) a realizar trabalhos desumanos e prec\u00e1rios, quando poder\u00edamos ter rob\u00f4s para essas tarefas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta divide-se em tr\u00eas partes. Em primeiro lugar, quanto \u00e0 robotiza\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ver, a m\u00e1quina n\u00e3o substituiu totalmente o homem e haver\u00e1 sempre quem esteja envolvido no desenho das mesmas, fora cen\u00e1rios apocal\u00edpticos (para j\u00e1, apenas presentes em filmes de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica) em que as m\u00e1quinas s\u00e3o autossuficientes e n\u00e3o precisam de humanos. Esta quest\u00e3o \u00e9 antiga e remonta \u00e0 primeira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, tendo-se verificado, nessa e nas revolu\u00e7\u00f5es seguintes, que algumas profiss\u00f5es desaparecem e s\u00e3o criadas novas, pelo que, passado um per\u00edodo inicial de ajustamento, h\u00e1 ganhos l\u00edquidos de emprego ap\u00f3s cada uma dessas revolu\u00e7\u00f5es, sendo, por isso, expect\u00e1vel que o mesmo aconte\u00e7a ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o atual da digitaliza\u00e7\u00e3o. Relembro que h\u00e1 aspetos que nos caracterizam como humanos que nunca poder\u00e3o ser replicados por m\u00e1quinas, por mais sofisticadas que sejam. Por exemplo, com uma popula\u00e7\u00e3o envelhecida, a procura por cuidadores permanentes e cuidados de sa\u00fade ser\u00e1 cada vez maior, sendo que a qualidade do cuidado humano ser\u00e1 sempre superior ao de qualquer m\u00e1quina, mas h\u00e1 mais exemplos, como nas artes performativas, no desporto, na religi\u00e3o e em \u00e1reas em que a ess\u00eancia f\u00edsica e espiritual do que nos caracteriza como humanos ser\u00e1 sempre distintiva. A um n\u00edvel mais anal\u00edtico, apesar da rapidez de processamento da m\u00e1quina ser muito superior, h\u00e1 aspetos de criatividade, estrat\u00e9gia, intui\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia, sabedoria e intelig\u00eancia emocional que dificilmente conseguir\u00e3o ser alguma vez replicados por uma m\u00e1quina, pelo que h\u00e1 tamb\u00e9m lugar e procura na nova economia de pessoas com estas caracter\u00edsticas \u2013 que dever\u00e3o ser estimuladas no nosso sistema de ensino \u2013, em particular quem saiba interpretar o complexo mundo em que vivemos e seja criativo e disruptivo. Devemos pensar nas m\u00e1quinas mais como adjuvantes e potenciadores da a\u00e7\u00e3o e progresso humanos do que como substitutos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 segundo parte da afirma\u00e7\u00e3o, tendo impl\u00edcito que n\u00e3o dever\u00edamos ter imigrantes porque s\u00e3o explorados \u2013 uma das cr\u00edticas que mais li, geralmente aparecendo de forma isolada \u2013, chamo a aten\u00e7\u00e3o que, desde h\u00e1 v\u00e1rios anos a esta parte, Portugal tem programas de atra\u00e7\u00e3o de imigrantes altamente qualificados atrav\u00e9s de condi\u00e7\u00f5es fiscais muito vantajosas (infelizmente, n\u00e3o acess\u00edveis aos residentes, algo que tenho criticado por criar injusti\u00e7a fiscal) e tendo impl\u00edcito emprego qualificado. Portanto, n\u00e3o \u00e9 verdade que os imigrantes sejam apenas empregues em situa\u00e7\u00f5es desumanas e prec\u00e1rias como se subentende da cr\u00edtica. Infelizmente, as situa\u00e7\u00f5es de precariedade que existem na economia \u2013 e devem ser combatidas pelas autoridades competentes \u2013 ser\u00e3o at\u00e9 mais frequentes em residentes, pois s\u00e3o a esmagadora maioria da popula\u00e7\u00e3o empregada. Combater essas situa\u00e7\u00f5es pressup\u00f5e fiscaliza\u00e7\u00e3o (e meios para tal), bem como uma especializa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica em setores de maior valor acrescentado, que possam pagar melhor e oferecer melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, como tenho vindo a defender. Sublinho ainda que o estudo defende a imigra\u00e7\u00e3o legal e controlada, nomeadamente por via de \u201cmecanismos ligados \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, como o requisito pr\u00e9vio de um contrato de trabalho e a ausculta\u00e7\u00e3o das necessidades de trabalhadores das empresas, acompanhados de uma fiscaliza\u00e7\u00e3o adequada\u201d, de modo a evitar e lidar com situa\u00e7\u00f5es de imigra\u00e7\u00e3o ilegal, incluindo investigar e acabar com as redes ilegais. De notar tamb\u00e9m que os imigrantes decidem mudar o s\u00edtio onde vivem em busca de condi\u00e7\u00f5es melhores (para si e para as suas fam\u00edlias, se forem acompanhados), como \u00e9 natural, pelo que ficarem nos pa\u00edses de origem seria uma situa\u00e7\u00e3o pior, o que torna a afirma\u00e7\u00e3o inconsistente desse ponto de vista. Acresce que h\u00e1 v\u00e1rias profiss\u00f5es em que as empresas s\u00f3 conseguem acesso a trabalho especializado com imigrantes, pelo que o interesse da rela\u00e7\u00e3o contratual \u00e9 m\u00fatuo. Por outro lado, se os imigrantes n\u00e3o se sentirem bem, mudam-se para outro pa\u00eds da UE \u2013 o estudo mostra uma elevada mobilidade dos imigrantes por motivos econ\u00f3micos (sobretudo os atra\u00eddos por maior crescimento econ\u00f3mico, por compara\u00e7\u00e3o com a decis\u00e3o baseada no n\u00edvel de vida inicial dos pa\u00edses), que \u00e9 superior \u00e0 mobilidade por motivos n\u00e3o econ\u00f3micos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em terceiro lugar, a liga\u00e7\u00e3o estabelecida na frase de substituir imigrantes por m\u00e1quinas \u00e9 ainda mais absurda. Fa\u00e7o notar que, num cen\u00e1rio extremo e meramente acad\u00e9mico em que as empresas excluem totalmente os humanos como for\u00e7a de trabalho \u2013 e a\u00ed apenas o empres\u00e1rio ser\u00e1 humano, pois se for uma m\u00e1quina deixamos de ter uma empresa no sentido em que hoje o conhecemos e n\u00e3o a podemos designar como tal, pois n\u00e3o sabemos qual o seu prop\u00f3sito \u2013, tal ser\u00e1 extens\u00edvel a todos, residentes e imigrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais quest\u00f5es poderiam ser respondidas, mas fico por aqui porque o artigo j\u00e1 vai longo. Termino apenas com uma ideia que d\u00e1 ainda mais suporte ao estudo, focado nos pa\u00edses da UE.<\/p>\n\n\n\n<p>Os EUA, que t\u00eam a economia mais din\u00e2mica entre os pa\u00edses avan\u00e7ados de uma forma consistente, s\u00e3o um pa\u00eds constru\u00eddo por imigrantes (inicialmente, apenas europeus) e, apesar dos problemas com a imigra\u00e7\u00e3o ilegal \u2013 que ter\u00e1 de combater mais eficazmente, tal como a Europa \u2013, os imigrantes s\u00e3o uma das for\u00e7as motrizes que explicam a pujan\u00e7a da economia norte-americana, at\u00e9 porque \u00e9 sabido que a diversidade estimula a criatividade e a inova\u00e7\u00e3o (novas ideias e modos de pensar e realizar).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo Na semana passada, o Gabinete de Estudos da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) apresentou o 3\u00ba e \u00faltimo cap\u00edtulo do 1\u00ba n\u00famero da publica\u00e7\u00e3o \u201cEconomia &amp; Empresas: tend\u00eancias, perspetivas e propostas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-48600","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=48600"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48600\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48636,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48600\/revisions\/48636"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=48600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=48600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=48600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}