{"id":48567,"date":"2024-09-05T14:21:00","date_gmt":"2024-09-05T14:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48567"},"modified":"2024-09-08T14:26:33","modified_gmt":"2024-09-08T14:26:33","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-96","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48567","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es estivais sobre o papel dos pre\u00e7os"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2024-09-05-reflexoes-estivais-sobre-o-papel-dos-precos-1178b558\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Refletir sobre o papel dos pre\u00e7os n\u00e3o deveria ser uma ocupa\u00e7\u00e3o estival. Sobretudo para quem tem responsabilidades na gest\u00e3o dos recursos p\u00fablicos, deveria ser tema sempre presente, um assunto de todas as esta\u00e7\u00f5es, de todos os dias do ano<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Tempo de ver\u00e3o. Uns dias de f\u00e9rias na praia. Repetiu-se a rotina anual, desta vez com uma ligeira diferen\u00e7a: escolheu-se um regime de meia-pens\u00e3o na unidade hoteleira de acolhimento, evitando, em cada dia, \u00e0 hora do jantar, a az\u00e1fama de procurar mesa em restaurantes sobrelotados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em regime de \u201cbuffet\u201d, o servi\u00e7o da unidade prezava pela variedade de pratos propostos, mas tamb\u00e9m pela qualidade dos mesmos. Uma aposta ganha no que respeita \u00e0 decis\u00e3o tomada. Por\u00e9m, rapidamente se tornou percet\u00edvel que, em tal contexto, onde n\u00e3o existia um elemento moderador, as refei\u00e7\u00f5es eram mais pesadas do que o habitual, cada um ingerindo quantidade de alimento superior \u00e0s necessidades, na procura de provar um pouco de cada prato. Al\u00e9m do desconforto pessoal, mais emocional \u2013 o sentimento de culpa \u2013 do que f\u00edsico, que o final de cada repasto provocava, um outro tipo de desconforto passou a ser uma constante: o contacto com enorme desperd\u00edcio de comida que se verificava em cada refei\u00e7\u00e3o, por vezes quase intocada pelos comensais, que os empregados silenciosamente levantavam das mesas e despejavam em enormes sacos de lixo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o era necess\u00e1rio ter-se forma\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica para concluir que o elemento em falta no espa\u00e7o em refer\u00eancia, capaz de moderar o excessivo consumo, pela ingest\u00e3o imoderada ou pelo simples desperd\u00edcio direto, era a exist\u00eancia de um pre\u00e7o por unidade de alimento e a cobran\u00e7a do mesmo a cada comensal. A exist\u00eancia de tal moderador levaria, certamente, a um menor consumo-desperd\u00edcio de alimento \u201cper capita\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O importante papel do pre\u00e7o como moderador do consumo de recursos n\u00e3o \u00e9 uma novidade, pois est\u00e1 profundamente estudado. Mesmo assim, de modo particular para estudantes de Economia, a sala de refei\u00e7\u00f5es daquela unidade hoteleira poderia servir como cen\u00e1rio de uma aula pr\u00e1tica sobre o tema. Eventualmente, na senda dos estudos na \u00e1rea da Economia Comportamental efetuados pelo saudoso Prof. Daniel Kahneman, pr\u00e9mio Nobel da Economia de 2002, poderia testar-se a hip\u00f3tese avan\u00e7ada, do impacto do pre\u00e7o no volume de alimentos consumidos-desperdi\u00e7ados. Constitu\u00eddos dois grupos de h\u00f3spedes com carater\u00edsticas semelhantes, a um cobrar-se-ia por unidade de comida colocada na mesa, pagando o consumo efetuado, com o limite do custo da meia pens\u00e3o; ao outro, aplicava-se o modelo acima descrito, de consumo \u00e0 discri\u00e7\u00e3o e o pre\u00e7o fixo da meia pens\u00e3o. Est\u00e1-se em crer que seriam encontradas diferen\u00e7as significativas, com o primeiro grupo a ser mais frugal.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no servi\u00e7o \u201cbuffet\u201d de refei\u00e7\u00f5es de uma unidade hoteleira que os pre\u00e7os podem desempenhar um papel importante. Em toda a atividade humana em que esteja subjacente o consumo de recursos, esse papel existe. Por isso, no dom\u00ednio das pol\u00edticas p\u00fablicas, \u00e9 dif\u00edcil compreender a op\u00e7\u00e3o dos governos pela disponibiliza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos gratuitos. O objetivo subjacente \u00e9 procurar ganhar as boas gra\u00e7as dos cidad\u00e3os-eleitores, mas h\u00e1 pelo menos duas consequ\u00eancias negativas que da\u00ed resultar\u00e3o: o cidad\u00e3o n\u00e3o toma consci\u00eancia do valor do que est\u00e1 a consumir \u2013 e tudo tem um custo, que tem de ser pago direta ou indiretamente; como n\u00e3o tem o \u00f3nus de pagar (diretamente) o que est\u00e1 a consumir, tender\u00e1 a n\u00e3o usar de um m\u00ednimo de sobriedade no consumo ou a n\u00e3o procurar tirar o m\u00e1ximo proveito deste.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, o ensino escolar obrigat\u00f3rio \u00e9 gratuito. O custo por estudante desse ensino deve rondar, em m\u00e9dia, 6.000 euros por ano. Quantos pais pensar\u00e3o no que custa ao Estado cada ano de estudo dos seus filhos? Poucos, certamente, se algum. Por isso, a perce\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio de recursos que ocorre quando um estudante n\u00e3o obt\u00e9m aproveitamento \u00e9 inexistente. E isso \u00e9 mau, muito mau, pois condiciona negativamente os cidad\u00e3os no cuidado que cada um deve ter para n\u00e3o ser fonte de desperd\u00edcio, numa sociedade em que os recursos s\u00e3o escassos e as necessidades m\u00faltiplas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quer-se que esse ensino n\u00e3o pese no or\u00e7amento de cada fam\u00edlia?! Muito bem. Por que n\u00e3o entregar a cada uma o montante correspondente ao custo desse ensino e de seguida cobrar-lhe as propinas correspondentes? Parece ser uma medida de soma nula para as partes \u2013 Estado e cidad\u00e3o. Por\u00e9m, n\u00e3o o \u00e9 em termos de perce\u00e7\u00e3o do custo do servi\u00e7o e, acredita-se, do cuidado do cidad\u00e3o para n\u00e3o desperdi\u00e7ar recursos. Tal perce\u00e7\u00e3o seria ainda exponenciada se o pagamento das propinas fosse exigido em \u201cdinheiro\u201d (f\u00edsico), pois est\u00e1 provado que quando se paga com este meio resulta uma sensa\u00e7\u00e3o mais acutilante do custo do que se compra, do sacrif\u00edcio que lhe est\u00e1 inerente.<\/p>\n\n\n\n<p>Refletir sobre o papel dos pre\u00e7os n\u00e3o deveria ser uma ocupa\u00e7\u00e3o estival. Sobretudo para quem tem responsabilidades na gest\u00e3o dos recursos p\u00fablicos, deveria ser tema sempre presente, um assunto de todas as esta\u00e7\u00f5es, de todos os dias do ano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Expresso online Refletir sobre o papel dos pre\u00e7os n\u00e3o deveria ser uma ocupa\u00e7\u00e3o estival. 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