{"id":48550,"date":"2024-08-29T14:41:13","date_gmt":"2024-08-29T14:41:13","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48550"},"modified":"2024-08-30T14:46:47","modified_gmt":"2024-08-30T14:46:47","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-95","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48550","title":{"rendered":"Alemanha: novamente o \u2018doente\u2019 da Europa e as implica\u00e7\u00f5es para Portugal"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">\u00d3scar Afonso, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2024-08-29-alemanha-novamente-o-doente-da-europa-e-as-implicacoes-para-portugal-4cfbf302\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>A curto prazo, para Portugal, uma das principais consequ\u00eancias da atual recess\u00e3o ligeira na Alemanha \u00e9 uma redu\u00e7\u00e3o de procura externa deste que \u00e9 um dos nossos principais mercados de exporta\u00e7\u00e3o. Outra implica\u00e7\u00e3o para Portugal das dificuldades do pa\u00eds, se persistirem nos pr\u00f3ximos anos, \u00e9 ao n\u00edvel da redu\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento comunit\u00e1rio<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>designa\u00e7\u00e3o da economia alem\u00e3 como o \u201cdoente da Europa\u201d remonta \u00e0 reunifica\u00e7\u00e3o da Alemanha nos anos 90, quando os elevados custos associados ao processo impactaram negativamente o seu desempenho econ\u00f3mico, levando a uma evolu\u00e7\u00e3o mais lenta em compara\u00e7\u00e3o com os restantes pa\u00edses europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>A express\u00e3o tem regressado em for\u00e7a em coment\u00e1rios especializados de an\u00e1lise econ\u00f3mica e com pertin\u00eancia, pelo que conv\u00e9m analisar as causas desse decl\u00ednio e as implica\u00e7\u00f5es para Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>O PIB alem\u00e3o caiu em cadeia em quatro dos \u00faltimos sete trimestres (-0,1% no 2\u00ba trimestre deste ano; dados do Eurostat), em termos reais, explicando que a varia\u00e7\u00e3o hom\u00f3loga seja negativa nos \u00faltimos quatro trimestres (-0,1% no 2\u00ba trimestre), o que configura uma situa\u00e7\u00e3o de recess\u00e3o, ainda que ligeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2021 (antes do in\u00edcio do conflito na Ucr\u00e2nia) e 2023, o peso da Alemanha no PIB da Uni\u00e3o Europeia (UE) reduziu-se de 29,0% para 28,6%, o que \u00e9 uma descida significativa em apenas dois anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a reunifica\u00e7\u00e3o alem\u00e3 esteve na origem da express\u00e3o \u201co doente da Europa\u201d, o seu ressurgimento recente deve-se, em grande parte, ao aumento acentuado dos custos da energia \u2013 consequ\u00eancia do fim do g\u00e1s barato proveniente da R\u00fassia desde a guerra na Ucr\u00e2nia \u2013, que penalizou gravemente a competitividade da ind\u00fastria alem\u00e3. Ainda mais relevante foi o facto de a Alemanha ter sido ultrapassada pela China em diversos sectores, com realce para as tecnologias verdes, particularmente nos carros el\u00e9tricos e nos pain\u00e9is fotovoltaicos. Ironicamente, embora a Alemanha e a Uni\u00e3o Europeia tenham liderado a transi\u00e7\u00e3o verde, \u00e9 a China que mais tem lucrado com essa mudan\u00e7a, beneficiando do forte apoio estatal \u00e0s suas ind\u00fastrias. A resposta imediata europeia tem sido o aumento das tarifas aduaneiras, como recentemente nos carros el\u00e9tricos, uma medida que faz sentido a curto prazo. Contudo, a m\u00e9dio e longo prazo, uma resposta mais eficaz passa por uma pol\u00edtica industrial mais coordenada e robusta entre os pa\u00edses europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Simultaneamente, o abrandamento da economia chinesa \u2014 consequ\u00eancia de m\u00faltiplos erros da pol\u00edtica dirigista do governo chin\u00eas, que minam a recupera\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a dos consumidores, ainda muito abaixo dos n\u00edveis pr\u00e9-pandemia (mais de 30%) \u2014 tem representado mais um duro rev\u00e9s para a ind\u00fastria alem\u00e3, que tem na China um dos seus principais mercados de exporta\u00e7\u00e3o. No entanto, este mercado pode perder import\u00e2ncia a prazo, caso se mantenha a divis\u00e3o em blocos geopol\u00edticos (democracias versus autocracias) e o aumento das tens\u00f5es comerciais, que se agravaram desde o in\u00edcio da guerra na Ucr\u00e2nia. O conflito tem ainda obrigado a Alemanha a aumentar significativamente a despesa militar e a assist\u00eancia financeira \u00e0 Ucr\u00e2nia, desviando recursos que poderiam ser canalizados para pol\u00edticas econ\u00f3micas mais expansivas e de est\u00edmulo ao crescimento por parte do governo alem\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Alemanha parece, assim, estar \u201centre a espada e a parede\u201d, mas tal como no passado, estou em crer que a resili\u00eancia, o pragmatismo e o rigor que caracteriza os alem\u00e3es lhe permitir\u00e1 dar a \u2018volta por cima\u2019 em termos de ressurgimento estrutural da economia, mesmo que para j\u00e1 isso pare\u00e7a distante.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso n\u00e3o acontecer, a curto prazo, para Portugal, uma das principais consequ\u00eancias da atual recess\u00e3o ligeira na Alemanha \u00e9 uma redu\u00e7\u00e3o de procura externa deste que \u00e9 um dos nossos principais mercados de exporta\u00e7\u00e3o, tendo representado 11% do total de exporta\u00e7\u00f5es de mercadorias em 2023 (dados do Gabinete de Estrat\u00e9gia e Estudos do Minist\u00e9rio da Economia com base no INE), destacando-se ainda como um dos principais mercados emissores de turistas no nosso pa\u00eds, al\u00e9m de ter um peso tamb\u00e9m muito relevante em termos de investimento direto estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Naturalmente, a resposta imediata das empresas nacionais \u00e0 recess\u00e3o alem\u00e3 deve ser a diversifica\u00e7\u00e3o de atividade para mercados mais din\u00e2micos, sobretudos aquelas com maior peso desse mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra implica\u00e7\u00e3o para Portugal das dificuldades da Alemanha, se persistirem nos pr\u00f3ximos anos, \u00e9 ao n\u00edvel da redu\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento comunit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, a previs\u00edvel entrada de novos pa\u00edses ap\u00f3s 2030 (com prioridade na elegibilidade dos apoios), a reconstru\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia e o alargamento das \u00e1reas alvo de apoio europeu confrontam-se com quest\u00f5es prementes ao n\u00edvel das receitas da UE, dada a absor\u00e7\u00e3o de uma parte significativa das mesmas para pagamento dos apoios do Mecanismo Europeu de Recupera\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia (onde se insere o nosso PRR) \u2013 pago por conta de or\u00e7amentos futuros \u2013 e a rigidez dos recursos europeus (apenas 1% do Produto Nacional Bruto dos estados membros; novas fontes de receitas t\u00eam sido aventadas, mas ainda n\u00e3o se viu nada na pr\u00e1tica, pois h\u00e1 sempre resist\u00eancias), onde a Alemanha tem um peso predominante, enquanto maior economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma economia alem\u00e3 \u2018doente\u2019 significa, assim, menos recursos para o or\u00e7amento da UE, n\u00e3o tenhamos ilus\u00f5es. Acresce que a ascens\u00e3o de partidos extremistas na Alemanha (tal como na maioria dos pa\u00edses europeus) torna ainda mais dif\u00edcil justificar internamente a aloca\u00e7\u00e3o de novos recursos para fins europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o alem\u00e3 refor\u00e7a a minha convic\u00e7\u00e3o de que o atual volume significativo de fundos europeus dispon\u00edveis para Portugal nos pr\u00f3ximos anos, nomeadamente atrav\u00e9s do PRR e do Portugal 2030, ser\u00e1 provavelmente o \u00faltimo de tal dimens\u00e3o. Por isso, \u00e9 imperativo que saibamos maximizar o seu impacto, aproveitando-os de forma estrat\u00e9gica e eficiente para impulsionar o desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito do PRR, apesar do \u2018pecado original\u2019 de se concentrar excessivamente no setor p\u00fablico (com dois ter\u00e7os dos fundos destinados ao Estado), o que limita o impacto direto na economia, defendo que a reprograma\u00e7\u00e3o dos investimentos j\u00e1 anunciada para 2025 procure ampliar esse impacto na economia e no tecido empresarial. Relativamente ao Portugal 2030, o pr\u00f3ximo quadro plurianual de fundos estruturais, \u00e9 essencial rever os crit\u00e9rios de acesso e apoio, privilegiando projetos que aumentem a produtividade e o Valor Acrescentado Nacional, potenciando assim um impacto mais profundo dos fundos na economia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os fundos europeus sejam uma alavanca crucial e devamos aplic\u00e1-los com a m\u00e1xima efici\u00eancia, o verdadeiro desafio reside em preparar o pa\u00eds para uma realidade em que estes apoios sejam menos expressivos. Para tal, Portugal ter\u00e1 de implementar reformas estruturais que melhorem a sua competitividade, come\u00e7ando por uma revis\u00e3o do sistema fiscal e da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, mas tamb\u00e9m avan\u00e7ando com mudan\u00e7as fundamentais nas \u00e1reas da Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, Justi\u00e7a e no combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. \u00c9 urgente que o pa\u00eds se torne mais resiliente e menos dependente de financiamento externo, apostando num crescimento sustent\u00e1vel e aut\u00f3nomo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Expresso online A curto prazo, para Portugal, uma das principais consequ\u00eancias da atual recess\u00e3o ligeira na Alemanha \u00e9 uma redu\u00e7\u00e3o de procura externa deste que \u00e9 um dos nossos principais mercados de exporta\u00e7\u00e3o. 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