{"id":48529,"date":"2024-08-16T14:25:00","date_gmt":"2024-08-16T14:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48529"},"modified":"2024-08-23T10:39:11","modified_gmt":"2024-08-23T10:39:11","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-93","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48529","title":{"rendered":"Os portugueses e a corrup\u00e7\u00e3o \u2013 os recentes dados do Eurobar\u00f3metro"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2024-08-16-os-portugueses-e-a-corrupcao--os-recentes-dados-do-eurobarometro-6b8f7a2e\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:auto\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>O que nos diz a perce\u00e7\u00e3o dos portugueses que foi agora conhecida? Diz-nos que o nosso problema da corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 maior do que o dos europeus<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Ciclicamente somos confrontados com estudos ou com dados de perce\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds, e logo se levantam as costumeiras nuvens negras do \u201cestamos a piorar\u201d, ou mesmo que \u201csomos os piores\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi novamente o que sucedeu nos \u00faltimos dias, na sequ\u00eancia do relat\u00f3rio da Uni\u00e3o Europeia, Eurobar\u00f3metro 2024 - atitudes dos europeus face \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados agora publicados, nomeadamente os que nos dizem respeito, s\u00e3o passiveis de algumas leituras interessantes, que procuramos explorar nesta breve reflex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que estamos perante estudos de perce\u00e7\u00e3o, que avaliam isso mesmo, o modo como os cidad\u00e3os consideram que o problema est\u00e1 presente na sociedade, como o experienciam e como os afeta. Mas, por serem estudos de perce\u00e7\u00e3o, acabam por incluir outras componentes igualmente importantes, \u00e9 certo, mas que ter\u00e3o uma rela\u00e7\u00e3o menor com a realidade concreta do problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa s\u00e3o as ocorr\u00eancias de corrup\u00e7\u00e3o que t\u00eam lugar \u2013 a realidade objetiva da quest\u00e3o \u2013, outra, diferente, s\u00e3o as perce\u00e7\u00f5es, ou impress\u00f5es, que as pessoas t\u00eam sobre essa mesma realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>E como n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conhecer as ocorr\u00eancias todas que t\u00eam lugar \u2013 a corrup\u00e7\u00e3o, como de resto os fen\u00f3menos fraudulentos e marginais de uma maneira geral, apresentam essa caracter\u00edstica de serem tendencialmente ocultas, sobretudo pelos cuidados adotados nesse sentido por quem as pratica \u2013, uma das abordagens ao problema faz-se precisamente atrav\u00e9s dos testemunhos de perce\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os, na perspetiva de que s\u00e3o os cidad\u00e3os que, no seu todo e a cada dia, fazem acontecer a sociedade e todas as estruturas que lhe d\u00e3o forma.<\/p>\n\n\n\n<p>A perce\u00e7\u00e3o \u00e9 assim uma constru\u00e7\u00e3o que cada um vai fazendo a partir de diversas fontes de informa\u00e7\u00e3o a que acede. E um dos elementos mais importantes \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o social. A comunica\u00e7\u00e3o social \u00e9 a janela que nos traz o mundo e o que nele acontece.<\/p>\n\n\n\n<p>O que vimos, ouvimos e lemos atrav\u00e9s das televis\u00f5es, dos jornais, refor\u00e7ado pelos comentadores e pelas conversas de rua, contribuem para a configura\u00e7\u00e3o do modo como cada um avalia e perceciona o problema, como tivemos oportunidade de estudar j\u00e1 h\u00e1 alguns anos, em Corrup\u00e7\u00e3o: realidade e percep\u00e7\u00f5es - o papel de imprensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que nos diz a perce\u00e7\u00e3o dos portuguese que foi agora conhecida?<\/p>\n\n\n\n<p>Diz-nos que:<\/p>\n\n\n\n<p>- A grande maioria dos inquiridos (96% do total das 1032 pessoas componentes da amostra) considera que a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 comum no nosso pa\u00eds. O valor m\u00e9dio registado para os cidad\u00e3os dos 27 pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia relativamente \u00e0 presen\u00e7a do mesmo indicador nos seus pa\u00edses \u00e9 de 68%.<\/p>\n\n\n\n<p>- Tanto portugueses como europeus consideram que o problema de corrup\u00e7\u00e3o se agravou nos \u00faltimos tr\u00eas anos, sendo esta perce\u00e7\u00e3o de agravamento significativamente mais forte nos portugueses (78% contra 41% dos europeus)<\/p>\n\n\n\n<p>- Para 70% dos inquiridos portugueses, as \u00e1reas e atividades mais afetadas pela corrup\u00e7\u00e3o s\u00e3o os partidos pol\u00edticos e o exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, seguindo-se, para 55%, o exerc\u00edcio de atividades no \u00e2mbito da contrata\u00e7\u00e3o p\u00fablica e na a\u00e7\u00e3o das entidades banc\u00e1rias e financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>- Toleramos menos do que a m\u00e9dia dos 27 pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia a possibilidade de obtermos algo de um servi\u00e7o p\u00fablico em troca de um favor, de um presente ou de dinheiro (18% dos portugueses, contra 28% dos europeus).<\/p>\n\n\n\n<p>- Consideramos ser mais afetados pela corrup\u00e7\u00e3o do que a generalidade dos cidad\u00e3os dos 27 pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia (61% dos portugueses, contra 27% dos europeus).<\/p>\n\n\n\n<p>- No \u00faltimo ano, apenas 1% dos portugueses diz ter sido v\u00edtima ou testemunhado ocorr\u00eancias de corrup\u00e7\u00e3o, enquanto a m\u00e9dia dos europeus \u00e9 de 5%.<\/p>\n\n\n\n<p>- E 7% dos portugueses conhece algu\u00e9m que tenha subornado ou que tenha sido subornado, enquanto esse testemunho dos europeus aponta para 10%.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outras palavras e de forma breve, os tra\u00e7os de perce\u00e7\u00e3o apresentados permitem sustentar algumas leituras interessantes, como dissemos no in\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro \u2013 O problema da corrup\u00e7\u00e3o dos portugueses \u00e9 maior do que o dos europeus. Talvez por isso consideramos que ele nos afeta mais do que o dos europeus os afeta a eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo \u2013 Somos menos tolerantes do que os europeus relativamente a trocas de favores, presentes ou dinheiro para obten\u00e7\u00e3o de algo de um servi\u00e7o p\u00fablico. Talvez este dado contribua para a explica\u00e7\u00e3o do diferencial registado nas perce\u00e7\u00f5es da presen\u00e7a da corrup\u00e7\u00e3o em Portugal e nos outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Terceiro \u2013 Testemunhamos e temos interven\u00e7\u00e3o direta em atos de corrup\u00e7\u00e3o numa dimens\u00e3o inferior \u00e0 dos europeus. Talvez este dado sustente que a perce\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o evidenciada pelos portugueses seja mais induzida pela comunica\u00e7\u00e3o social do que propriamente pela realidade vivida pelas pessoas, ao passo que, na generalidade dos pa\u00edses europeus, esse processo de constru\u00e7\u00e3o da perce\u00e7\u00e3o tenha provavelmente outros contornos, incluindo a presen\u00e7a de mais dados sensoriais.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que as leituras apresentadas s\u00e3o apenas suposi\u00e7\u00f5es. Os dados n\u00e3o permitem confirm\u00e1-las. Mas n\u00e3o deixam ao menos de ser suposi\u00e7\u00f5es interessantes, que suscitam interpreta\u00e7\u00f5es sobre o modo como, enquanto sociedade, temos olhado e nos temos posicionado perante o problema da corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Restar\u00e1 referir, e este elemento pode ter tido alguma influ\u00eancia nos resultados, que o inqu\u00e9rito foi realizado entre 7 de fevereiro e 3 de mar\u00e7o, ou seja, quando em Portugal est\u00e1vamos todos envolvidos num processo eleitoral quente, em que a corrup\u00e7\u00e3o foi tema central, na medida em que, como bem nos lembramos, a necessidade do ato eleitoral decorreu da demiss\u00e3o do governo anterior precisamente por suspeita de envolvimento em pr\u00e1ticas de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A finalizar, e enquanto o governo sa\u00eddo dessas elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o nos traz as anunciadas novas medidas no \u00e2mbito da agenda anticorrup\u00e7\u00e3o, desejo a todos umas excelentes e tranquilas f\u00e9rias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Expresso online O que nos diz a perce\u00e7\u00e3o dos portugueses que foi agora conhecida? 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