{"id":48519,"date":"2024-08-10T13:57:00","date_gmt":"2024-08-10T13:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48519"},"modified":"2024-08-11T14:00:02","modified_gmt":"2024-08-11T14:00:02","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-5-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48519","title":{"rendered":"Desacelera\u00e7\u00e3o Econ\u00f3mica e Riscos Externos Pedem Prud\u00eancia Or\u00e7amental e Consensos"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/8301473932\/desaceleracao-economica-e-riscos-externos-pedem-prudencia-orcamental-e-consensos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:16px;height:16px\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>Tendo em conta dados recentes, que analiso neste artigo, a economia portuguesa est\u00e1 numa trajet\u00f3ria de abrandamento que poder\u00e1 vir a comprometer as proje\u00e7\u00f5es de crescimento econ\u00f3mico revistas pelo Ministro das Finan\u00e7as em julho (2% em 2024 e acima de 2% em 2025), o que aconselha cautela acrescida na elabora\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento de Estado de 2005 (OE 25) e nas negocia\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias com a oposi\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Os dados a que me refiro dizem respeito ao indicador mensal de clima econ\u00f3mico do INE, que se manteve positivo, mas recuou pelo segundo m\u00eas consecutivo em julho \u2013 e de forma mais marcada, atingindo um m\u00ednimo de oito meses \u2013, o que refor\u00e7a a tend\u00eancia descendente desde o in\u00edcio do ano. Esta evolu\u00e7\u00e3o sinaliza um abrandamento da atividade econ\u00f3mica \u00e0 entrada do segundo semestre, tendo em conta que o indicador de clima est\u00e1 calibrado para acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o hom\u00f3loga trimestral do PIB em volume, a medida mais usada para avaliar o andamento da atividade econ\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<p>A estimativa preliminar (ainda sujeita a revis\u00e3o) do INE referente ao PIB no segundo trimestre revelou que o crescimento hom\u00f3logo em volume igualou o valor de 1,5% do trimestre anterior, bastante abaixo do que se vinha a observar (2,1%, 1,9%, 2,6% e 2,5% nos trimestres precedentes at\u00e9 ao in\u00edcio de 2022, j\u00e1 passado o efeito de base de retoma face \u00e0 queda de atividade devido \u00e0 pandemia).<\/p>\n\n\n\n<p>Ora isso significa que precisamos de taxas de crescimento hom\u00f3logo de 2,5%, em m\u00e9dia, nos dois \u00faltimos trimestres do ano para alcan\u00e7armos a meta de crescimento econ\u00f3mico de 2% do governo e o m\u00eas de julho foi de desacelera\u00e7\u00e3o acrescida, conforme sinalizado pelo indicador de clima, e n\u00e3o de uma din\u00e2mica mais elevada da atividade, como seria preciso.<\/p>\n\n\n\n<p>Atentemos agora \u00e0s componentes indicador de clima, que reflete os indicadores de confian\u00e7a setoriais dos Inqu\u00e9ritos Qualitativos de Conjuntura do INE. Em julho, o recuo do indicador de clima ficou associado \u00e0 descida no indicador de confian\u00e7a da constru\u00e7\u00e3o e obras p\u00fablicas e, em menor medida, no da ind\u00fastria \u2013 em ambos os casos numa invers\u00e3o marcada face \u00e0 tend\u00eancia recente \u2013, que contrariaram a melhoria da confian\u00e7a nos servi\u00e7os e no com\u00e9rcio. A redu\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a na constru\u00e7\u00e3o e obras p\u00fablicas \u00e9 preocupante, pois \u00e9 preciso que a execu\u00e7\u00e3o do PRR acelere, enquanto a menor confian\u00e7a na ind\u00fastria decorre sobretudo da retra\u00e7\u00e3o da carteira de encomendas, tanto a dom\u00e9stica como a de origem externa.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00fanico sinal positivo nos indicadores de conjuntura do INE foi uma nova subida da confian\u00e7a dos consumidores, para um m\u00e1ximo de mais de dois anos e meio, mas que n\u00e3o se tem refletido numa melhoria global do indicador de clima, que est\u00e1 constru\u00eddo do lado da oferta, como referido.<\/p>\n\n\n\n<p>A n\u00e3o ser que a confian\u00e7a dos consumidores leve, de repente, a um acr\u00e9scimo hom\u00f3logo significativo do consumo (a componente de despesa com maior peso no PIB, acima de 60% em termos nominais) de agosto a dezembro, o que parece pouco prov\u00e1vel, at\u00e9 atendendo \u00e0 enorme incerteza internacional (elei\u00e7\u00f5es nos EUA e conflitos na Ucr\u00e2nia e no M\u00e9dio Oriente, ambos com risco de escalada), n\u00e3o parece poss\u00edvel a economia crescer 2% no conjunto deste ano, podendo ainda penalizar as perspetivas para 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora tal aconselha prud\u00eancia, desde logo, nas negocia\u00e7\u00f5es do OE 25, pois a sua eventual n\u00e3o aprova\u00e7\u00e3o levar\u00e1, muito provavelmente (pois ningu\u00e9m quer novas elei\u00e7\u00f5es), a uma governa\u00e7\u00e3o em duod\u00e9cimos, que penalizaria a execu\u00e7\u00e3o do PRR e o crescimento econ\u00f3mico, at\u00e9 pelo sinal negativo para os investidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas negocia\u00e7\u00f5es, que se dever\u00e3o iniciar com o PS, o maior partido da oposi\u00e7\u00e3o, reitero algumas recomenda\u00e7\u00f5es que j\u00e1 exprimi a respeito das duas medidas que ser\u00e3o decisivas para um desej\u00e1vel acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>Considero como boas solu\u00e7\u00f5es interm\u00e9dias promotoras de um entendimento a retoma do corte gradual da taxa de IRC acordado em 2014 entre PSD\/CDS e PS (at\u00e9 17%) \u2013 eventualmente conjugada com um entendimento para a elimina\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios fiscais injustificados, incluindo nas empresas \u2013, bem como uma formula\u00e7\u00e3o alternativa de IRS \u2018novo talento\u2019 (mais ou menos jovem), uma dedu\u00e7\u00e3o \u00e0 coleta durante um n\u00famero de anos significativo, mas limitado, ap\u00f3s a obten\u00e7\u00e3o de novas qualifica\u00e7\u00f5es superiores (com percentagens de dedu\u00e7\u00e3o crescentes com o grau obtido), uma medida mais focada, efetiva e justa para a reten\u00e7\u00e3o e atra\u00e7\u00e3o de talento, sem limites de idade e com menos custos, at\u00e9 porque substituiria, al\u00e9m da atual proposta de IRS Jovem, a do IFICI + (Incentivo fiscal \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e inova\u00e7\u00e3o alargado).<\/p>\n\n\n\n<p>Se essas medidas forem consensualizadas e tiverem continuidade, poder\u00e3o ser fatores importantes para a reten\u00e7\u00e3o e atra\u00e7\u00e3o de investimento e beneficiar a economia j\u00e1 em 2025, como tenho vindo a defender.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra \u00e1rea importante em que seria crucial haver um entendimento do governo AD com o PS \u00e9 a reforma do Estado, pelo menos quanto a objetivos m\u00ednimos a prazo \u2013 como um r\u00e1cio de entradas por cada sa\u00edda de funcion\u00e1rios inferior a 1 e a queda do r\u00e1cio de despesa corrente prim\u00e1ria no PIB \u2013, visando a sustentabilidade da despesa p\u00fablica, pois s\u00f3 assim a redu\u00e7\u00e3o da carga fiscal poder\u00e1 ser duradoura.<\/p>\n\n\n\n<p>Relembro que o governo j\u00e1 acordou aumentos salariais com v\u00e1rios grupos profissionais \u2013 manifestamente necess\u00e1rios, ap\u00f3s se terem atingido situa\u00e7\u00f5es limite \u2013 que s\u00e3o despesa permanente, tornando ainda mais urgente uma ampla reforma do Estado, pois at\u00e9 agora s\u00f3 houve dois t\u00edmidos passos no \u00e2mbito do PRR.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto porque, em paralelo, o governo est\u00e1 a negociar com a Comiss\u00e3o Europeia o plano de ajustamento or\u00e7amental de m\u00e9dio prazo, bem como o plano de investimento e reformas, que tamb\u00e9m \u00e9 decisivo para a sustentabilidade or\u00e7amental porque deve promover a eleva\u00e7\u00e3o do potencial de crescimento econ\u00f3mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o governo alcan\u00e7ar entendimentos importantes com o PS como os referidos \u2013 pelo menos nas medidas de IRC e IRC, para uma eventual viabiliza\u00e7\u00e3o do OE \u2013, tal facilitar\u00e1 muito as negocia\u00e7\u00f5es com a Comiss\u00e3o e ser\u00e1 crucial para o refor\u00e7o do crescimento econ\u00f3mico, tanto em 2025 como nos anos seguintes, assim a envolvente externa o permita (ou quando o permitir), pois teremos uma economia mais competitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Tivemos j\u00e1 uma forte corre\u00e7\u00e3o dos mercados bolsistas face a receios de uma recess\u00e3o nos EUA \u2013 e acusa\u00e7\u00f5es de que a Reserva Federal se atrasou no corte das taxas de juro diretoras \u2013, ap\u00f3s uma subida inesperada da taxa de desemprego norte-americana, mas que se encontra ainda a um n\u00edvel baixo, pelo que s\u00e3o precisos mais dados para confirmar o estado da economia norte-americana. De qualquer modo, a economia global n\u00e3o parece estar em boa forma tendo em conta que temos uma crise no M\u00e9dio Oriente e os pre\u00e7os do petr\u00f3leo t\u00eam vindo a recuar, o que at\u00e9 aqui tinha sido associado ao menor dinamismo da China, mas poder\u00e1 tamb\u00e9m refletir uma deteriora\u00e7\u00e3o mais marcada da economia norte-americana.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, um ressurgimento dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo \u2013 prov\u00e1vel em caso de uma escalada da guerra no M\u00e9dio Oriente \u2013 seria muito complicado, pois empolaria novamente a infla\u00e7\u00e3o e condicionaria muito a desejada redu\u00e7\u00e3o das taxas de juro diretoras da Fed e do BCE para estimular as respetivas economias. Temos ainda a incerteza das elei\u00e7\u00f5es norte-americanas e da guerra na Ucr\u00e2nia a toldar o horizonte da envolvente externa da economia europeia e, inerentemente, da economia portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes riscos externos aconselham toda a prud\u00eancia e responsabilidade por parte de governo e oposi\u00e7\u00e3o nas negocia\u00e7\u00f5es e busca de consensos para viabiliza\u00e7\u00e3o do OE 25, o que ser\u00e1 determinante para a sua elabora\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o pela Comiss\u00e3o Europeia, bem como para o futuro de Portugal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo Tendo em conta dados recentes, que analiso neste artigo, a economia portuguesa est\u00e1 numa trajet\u00f3ria de abrandamento que poder\u00e1 vir a comprometer as proje\u00e7\u00f5es de crescimento econ\u00f3mico revistas pelo Ministro das Finan\u00e7as em julho (2% em 2024 e acima de 2% em 2025), o que aconselha cautela acrescida na elabora\u00e7\u00e3o do&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48519\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-48519","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48519","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=48519"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48519\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48520,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48519\/revisions\/48520"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=48519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=48519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=48519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}