{"id":48409,"date":"2024-06-20T09:45:44","date_gmt":"2024-06-20T09:45:44","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48409"},"modified":"2024-06-20T09:46:13","modified_gmt":"2024-06-20T09:46:13","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-9-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48409","title":{"rendered":"\u201cSmartphones\u201d para que vos quero"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">Pedro Moura, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2024-06-20-smartphones-para-que-vos-quero-01494b96\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:20px\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Com os\u00a0smartphones\u00a0os gigantes da internet transformaram os consumidores em produtos, que vendem miliardariamente dentro de segmenta\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-demogr\u00e1ficas conveniente. Os\u00a0smartphones\u00a0evolu\u00edram o estatuto de consumidor para consum\u00edvel<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong>AS ESTAT\u00cdSTICAS DA DEPEND\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o debate relativo \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>smartphones\u00a0<\/em>por parte da popula\u00e7\u00e3o,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.harmonyhit.com\/phone-screen-time-statistics\/?clreqid=a5b99b78-5919-4ddd-a2d7-5cb3c4e66e6d&amp;kbid=58587\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">encontrei um estudo interessante<\/a>\u00a0do qual partilho aqui alguns dados. Embora o estudo (\"Black Mirror or Black Hole? American Phone Screen Time Statistics\", Harmony Healthcare IT) tenha sido feito nos Estados Unidos, vou assumir, neste \u00e2mbito que os padr\u00f5es comportamentais ser\u00e3o partilhados por muitos pa\u00edses, incluindo Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em m\u00e9dia o tempo passado a olhar para um&nbsp;<em>smartphone&nbsp;<\/em>por dia s\u00e3o 4 horas e 37 minutos, ou seja 1,3 dias por semana, 5,3 dias por m\u00eas, 2,15 meses por ano. A olhar para um smartphone.<\/p>\n\n\n\n<p>59% dos inquiridos confessou usar o seu&nbsp;<em>smartphone&nbsp;<\/em>em conjunto com o uso da retrete, e 48% admitiu fazer&nbsp;<em>zombie scrolling<\/em>&nbsp;(o ato de \u2018varrer\u2019 aplica\u00e7\u00f5es sem absolutamente nenhum objetivo, somente por h\u00e1bito).<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente, 52% dos inquiridos admite serem demasiado dependentes dos seus&nbsp;<em>smartphones<\/em>, 40% afirma estar a tentar reduzir a utiliza\u00e7\u00e3o de smartphones, mas destes, 27% admite n\u00e3o acreditar ser bem sucedido neste objetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>A medida que mesmo assim me pareceu mais paradigm\u00e1tica, do ponto de vista de depend\u00eancia, foi a de que 74% dos inquiridos terem indicado que ficam nervosos se n\u00e3o sabem onde est\u00e1 o seu&nbsp;<em>smartphone<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A OPINI\u00c3O<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Os&nbsp;<em>smartphones&nbsp;<\/em>s\u00e3o um exemplo espetacular do engenho humano, colocando nas m\u00e3os de cada pessoa um computador&nbsp;<a href=\"https:\/\/apollo11space.com\/mobile-phone-vs-apollo-11s-guidance-computer\/?text=While%20the%20AGC%20operated%20at,took%20humanity%20to%20the%20Moon.#:~:text=The%20Astonishing%20Gap%20in%20Computing%20Power&amp;text=While%20the%20AGC%20operated%20at,took%20humanity%20to%20the%20Moon.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>120 milh\u00f5es de vezes<\/u><\/a>&nbsp;mais potente que o computador que levou o homem \u00e0 Lua pela primeira vez. Para al\u00e9m deste facto, a conectividade global em que todos estamos embebidos sem sequer pensarmos nisso era pura fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica h\u00e1 uns anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas como com todas as tecnologias, h\u00e1 sempre riscos.<\/p>\n\n\n\n<p>A auto-aliena\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00e3os de&nbsp;<em>smartphones&nbsp;<\/em>\u00e9 uma realidade para muita gente. A substitui\u00e7\u00e3o de conv\u00edvio f\u00edsico pela incessante troca de mensagens e visualiza\u00e7\u00e3o infind\u00e1vel das \u2018vidas dos outros\u2019 num coletivo exerc\u00edcio de cusquice como nunca se viu nos anais das hist\u00f3ria humana, levando ao aumento preocupante do isolamento social, com todas as consequ\u00eancias que tal acarreta. A ansiedade da resposta do outro, a necessidade imperativa da resposta ao outro. O automatismo de sacar do&nbsp;<em>smartphone&nbsp;<\/em>se houver 5 segundos dispon\u00edveis, evitando qualquer tipo de tempo para pensar no que quer que seja. A rea\u00e7\u00e3o imediata a tudo, tudo, sobretudo tudo o que estiver dentro da \u2018bolha social\u2019 que os algoritmos das redes sociais aperfei\u00e7oaram ao n\u00edvel de arte. A diminui\u00e7\u00e3o do sentido cr\u00edtico, o exacerbar do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.investopedia.com\/terms\/g\/groupthink.asp#:~:text=Groupthink%20is%20a%20phenomenon%20that,of%20a%20group%20of%20people.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em><u>groupthink<\/u><\/em><\/a>, o desd\u00e9m pelo debate e pelo confronto de ideias, o fomento de populismos e outras \u2018bronquices\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Com os&nbsp;<em>smartphones&nbsp;<\/em>os gigantes da internet transformaram os consumidores em produtos, que vendem miliardariamente dentro de segmenta\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-demogr\u00e1ficas conveniente. Os&nbsp;<em>smartphones&nbsp;<\/em>evolu\u00edram o estatuto de consumidor para consum\u00edvel. O consum\u00edvel sorri nos posts em que tenta mostrar a sua maravilhosa vida, ou range os dentes numa qualquer indigna\u00e7\u00e3o em que tenta demonstrar a sua consci\u00eancia pol\u00edtica ou c\u00edvica. Talvez enquanto est\u00e1 sentado na retrete.<\/p>\n\n\n\n<p>Escrevo isto e parte de mim acha que estou a ser demasiado moralista, retr\u00f3gado, velho do Restelo. E acho que \u00e9 verdade. H\u00e1 muitas vantagens que os&nbsp;<em>smartphones&nbsp;<\/em>trazem, ineg\u00e1veis. Talvez seja s\u00f3 uma tecnologia demasiado recente, \u00e0 qual as pessoas e a sociedade ainda est\u00e3o a aprender a usar. Todavia, os impactos negativos atuais s\u00e3o demasiado reais para n\u00e3o haver quer um debate a grande escala sobre estes fen\u00f3menos, quer a n\u00edvel das comunidades, escolas e fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente as fam\u00edlias encontraram nos&nbsp;<em>smartphones&nbsp;<\/em>um aliado poderoso para neutralizar as crian\u00e7as, reduzindo a ma\u00e7ada que \u00e9 ter de as aturar. Ali\u00e1s, quase apostaria que uma percentagem demasiado elevada dos pais aproveitam a neutraliza\u00e7\u00e3o dos seus filhos para poderem, por sua vez, se poderem neutralizar a si pr\u00f3prios nas suas bem merecidas 4 horas e 37 minutos, ou seja 1,3 dias por semana, 5,3 dias por m\u00eas, 2,15 meses por ano a olhar para os seus smartphones.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela minha parte, tento explicar estas coisas aos meus filhos para os tentar levar a passar menos nos&nbsp;<em>smartphones<\/em>, e a usarem, sempre que poss\u00edvel, os seus polegares, sentidos, mente e tempo a tentarem ser mais que produtos de gigantes da internet, broncos ac\u00e9falos ou gente que vive a sua vida nas vidas maravilhosas das pessoas maravilhosas que enchem a internet.<\/p>\n\n\n\n<p>E voc\u00eas?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Moura, Expresso online Com os\u00a0smartphones\u00a0os gigantes da internet transformaram os consumidores em produtos, que vendem miliardariamente dentro de segmenta\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-demogr\u00e1ficas conveniente. 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