{"id":48381,"date":"2024-06-14T20:54:58","date_gmt":"2024-06-14T20:54:58","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48381"},"modified":"2024-06-14T20:55:00","modified_gmt":"2024-06-14T20:55:00","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-7-2-2-2-3-2-4-3-2-31-9-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-9-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48381","title":{"rendered":"A teoria da mola na resolu\u00e7\u00e3o de problemas"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"color: #d8070f;\">Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Expresso online<\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2024-06-13-a-teoria-da-mola-na-resolucao-de-problemas-086cff33\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:20px\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Alternativa, o recurso \u00e0 teoria da mola. Faz-se press\u00e3o sobre o d\u00e9fice, adiando pagamentos, fazendo cativa\u00e7\u00f5es de despesa, n\u00e3o concretizando investimento no setor p\u00fablico\u2026 e a ilus\u00e3o aparece, aos olhos dos cidad\u00e3os, simples, brilhante, bonita. O problema est\u00e1 \u201cresolvido\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>\"U<em>ma mola (do italiano molla) \u00e9 um objeto el\u00e1stico flex\u00edvel usado para armazenar a energia mec\u00e2nica.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>                                                                                                                                    <em>(Wikipedia)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quando se comprime uma mola, sobre ela aplicando uma dada for\u00e7a, o seu tamanho encolhe na raz\u00e3o direta desta, criando a ilus\u00e3o de que o corpo f\u00edsico da mola se reduz. Ilus\u00e3o, de facto, pois deixando de se exercer tal for\u00e7a a mola distende-se, voltando ao seu tamanho inicial.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter-se forma\u00e7\u00e3o em engenharia ou \u00e1rea conexa para perceber tal funcionamento. \u00c9 do senso comum, da experi\u00eancia de todos os dias. Por\u00e9m, quando o dito objeto el\u00e1stico n\u00e3o est\u00e1 presente, nem todo o cidad\u00e3o tem a capacidade de utilizar a teoria da mola \u2013 chamemos-lhe assim \u2013 com vista a \u201cresolver\u201d problemas do quotidiano. No grupo restrito dos que o conseguem fazer, est\u00e3o, em lugar de destaque, os pol\u00edticos a quem s\u00e3o assacadas responsabilidades governativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pense-se na necessidade de controlar o d\u00e9fice or\u00e7amental do pa\u00eds. Uma solu\u00e7\u00e3o passaria pela reforma do Estado com vista ao ajustamento da despesa p\u00fablica, de modo a adequ\u00e1-la \u00e0 receita fiscal arrecadada. Trata-se de solu\u00e7\u00e3o trabalhosa, socialmente impopular, penalizadora dos resultados eleitorais do partido que por ela optar.<\/p>\n\n\n\n<p>Alternativa, o recurso \u00e0 teoria da mola. Faz-se press\u00e3o sobre o d\u00e9fice, adiando pagamentos, fazendo cativa\u00e7\u00f5es de despesa, n\u00e3o concretizando investimento no setor p\u00fablico \u2026 e a ilus\u00e3o aparece, aos olhos dos cidad\u00e3os, simples, brilhante, bonita. O problema est\u00e1 \u201cresolvido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, sendo prestidigita\u00e7\u00e3o de gabarito, ningu\u00e9m nota que o contraponto aos resultados propagandeados \u00e9 a crescente press\u00e3o que a mola incorpora; ningu\u00e9m compreende que a passagem do tempo e a n\u00e3o erradica\u00e7\u00e3o do cerne do problema exige mais e mais press\u00e3o; ningu\u00e9m pensa na impossibilidade de comprimir indefinidamente a mola. O resultado real desta escolha alternativa ir\u00e1 aparecer, mais cedo do que tarde. Um leve al\u00edvio da press\u00e3o e todos os dem\u00f3nios financeiros que a mola escondia em si mesma e se julgavam erradicados ressurgem, mais fortes do que nunca, imposs\u00edveis de domar.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja-se o que se est\u00e1 a acontecer ap\u00f3s a mudan\u00e7a de governo. \u00c9 um facto que as promessas feitas em campanha eleitoral foram petr\u00f3leo que se atirou para cima de uma mola incandescente. Mas o problema financeiro do d\u00e9fice do Estado, por detr\u00e1s da ilus\u00e3o criada, n\u00e3o estava resolvido. Apenas estava comprimido, pronto a saltar c\u00e1 para fora. As reivindica\u00e7\u00f5es salariais e remunerat\u00f3rias que de repente se fizeram sentir na esfera do Estado s\u00e3o o aspeto vis\u00edvel das for\u00e7as at\u00e9 agora domadas sob press\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um outro recente exemplo da ado\u00e7\u00e3o da teoria da mola, \u00e9 o caso da TAP. H\u00e1 poucos meses, quando se conheceram as contas da empresa relativas ao ano 2023, mostrando pela primeira vez em muitos anos um resultado positivo, muitas foram as vozes que se levantaram contra o crime que seria vender a \u201cgalinha dos ovos de ouro\u201d que era a transportadora a\u00e9rea. Mais um ato de prestidigita\u00e7\u00e3o, que a todos iludiu. A pretensa restrutura\u00e7\u00e3o a que teria sido sujeita, quando l\u00e1 foi necess\u00e1rio injetar milhares de milh\u00f5es de euros de fundos p\u00fablicos, na verdade n\u00e3o passou da aplica\u00e7\u00e3o da teoria da mola, em que a melhoria da explora\u00e7\u00e3o se ficou a dever a medidas tempor\u00e1rias de compress\u00e3o da despesa, nomeadamente ao n\u00edvel salarial. Aliviada a press\u00e3o, \u00e0 medida que o tempor\u00e1rio perdeu o prazo de validade e os efeitos na despesa voltaram de par com novas promessas remunerat\u00f3rias, o problema ressurgiu, aumentado: as contas do primeiro trimestre de 2024 apareceram tingidas de vermelho. Mentes otimistas dir\u00e3o que o primeiro trimestre n\u00e3o \u00e9 o melhor per\u00edodo do ano e que tradicionalmente a cor vigente nas contas a ele associadas \u00e9 a referida. \u00c9 um facto que tal per\u00edodo tem uma componente sazonal n\u00e3o despicienda, mas n\u00e3o \u00e9 menos relevante que este primeiro trimestre beneficiou a empresa com um contexto deveras favor\u00e1vel ao n\u00edvel do pre\u00e7o dos combust\u00edveis e com um incremento da procura. O aumento do preju\u00edzo antes de impostos em 57%, relativamente ao primeiro semestre do pret\u00e9rito ano, n\u00e3o augura nada de bom para o total do ano, agora que a press\u00e3o sobre a mola deixou de ser exercida.<\/p>\n\n\n\n<p>Em face de um problema, manter as coisas como est\u00e3o, esperando que os resultados futuros sejam diferentes, \u00e9 do dom\u00ednio da f\u00e9. O recurso \u00e0 teoria da mola, que apenas serve como exerc\u00edcio de ilusionismo, tantas vezes espelha mais a falta de coragem dos governantes para reformar o Estado, do que a aus\u00eancia de votos no Parlamento para fazer aprovar as leis necess\u00e1rias. Olhe-se o passado recente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Expresso online Alternativa, o recurso \u00e0 teoria da mola. 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