{"id":48349,"date":"2024-05-27T10:34:40","date_gmt":"2024-05-27T10:34:40","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48349"},"modified":"2024-05-27T10:34:42","modified_gmt":"2024-05-27T10:34:42","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-242","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48349","title":{"rendered":"REFORMA DA ADMINISTRA\u00c7\u00c3O P\u00daBLICA, UMA URG\u00caNCIA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Ant\u00f3nio Andr\u00e9 In\u00e1cio, Jornal i online<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/2024\/05\/27\/reforma-da-administracao-publica-uma-urgencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>Esta superestrutura, dirigida por um total de mais de 8 mil cargos dirigentes, n\u00famero que aumentou em 25% desde 2012 at\u00e9 \u00e0 atualidade, conduz \u00e0 sobreposi\u00e7\u00e3o e \u00e0 redund\u00e2ncia com elevados custos para o pa\u00eds e os cidad\u00e3os<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>A Lei n.\u00ba 4\/2004, de 15 de janeiro estabelece os princ\u00edpios e normas a que deve obedecer a organiza\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o direta do Estado. A\u00ed se pode ler (artigo 3\u00ba, n\u00ba 1) que \u201c<em>A organiza\u00e7\u00e3o, a estrutura e o funcionamento da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica devem orientar-se pelos princ\u00edpios da unidade e efic\u00e1cia da ac\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, da aproxima\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os \u00e0s popula\u00e7\u00f5es, da desburocratiza\u00e7\u00e3o, da racionaliza\u00e7\u00e3o de meios, da efici\u00eancia na afeta\u00e7\u00e3o de recursos p\u00fablicos, na melhoria quantitativa e qualitativa do servi\u00e7o prestado e da garantia de participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um princ\u00edpio constru\u00eddo irrepreensivelmente da perspetiva da legistica pela sua qualidade, racionalidade, clareza e coer\u00eancia. Por\u00e9m, na pr\u00e1tica (como em tantas mat\u00e9rias estruturantes neste pa\u00eds), inexequ\u00edvel pela pr\u00f3pria incapacidade da Administra\u00e7\u00e3o Central.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Marques Mendes recentemente bem salientou no seu coment\u00e1rio de domingo, existem em Portugal um total de 645 entidades p\u00fablicas apenas ao n\u00edvel da Administra\u00e7\u00e3o Central do Estado, ora comparando com pa\u00edses semelhantes em termos de popula\u00e7\u00e3o, temos \u201cs\u00f3\u201d o dobro face \u00e0 Su\u00e9cia e multiplicamos por 9 quanto \u00e0 B\u00e9lgica \u2013 j\u00e1 agora pa\u00edses cujas m\u00e1quinas administrativas funcionam bem melhor \u2013. Concretamente, Portugal possui um total de 172 empresas p\u00fablicas, 120 institutos e funda\u00e7\u00f5es e ainda 134 estruturas at\u00edpicas (Comiss\u00f5es e unidades t\u00e9cnicas).<\/p>\n\n\n\n<p>Esta superestrutura, dirigida por um total de mais de 8 mil cargos dirigentes, n\u00famero que aumentou em 25% desde 2012 at\u00e9 \u00e0 atualidade, conduz \u00e0 sobreposi\u00e7\u00e3o e \u00e0 redund\u00e2ncia com elevados custos para o pa\u00eds e os cidad\u00e3os. Acresce que apesar da sua imensid\u00e3o a m\u00e1quina administrativa \u00e9 disfuncional, como bem o constata o cidad\u00e3o utente sempre que necessita de recorrer aos seus servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos perante um modelo que Joaquim Filipe Ara\u00fajo (Ara\u00fajo, J. F. &amp; J. F. A. Branco (2009), \u201cImplementing Performance-Based Management in the Traditional Bureaucracy in Portugal\u201d, Public Administration) j\u00e1 enunciava em 2006 como muito pr\u00f3ximo do neo-institucionalismo (enquanto a Europa vinha adotando o New Public Management), por for\u00e7a da vaga de institutos p\u00fablicos, ag\u00eancias, entidades p\u00fablicas empresariais, a que acrescem ainda as funda\u00e7\u00f5es, associa\u00e7\u00f5es complementares de empresas, etc., que integram a administra\u00e7\u00e3o indireta do Estado, e como tal fora desta an\u00e1lise mas contribuindo para o imenso habitat de clientelismo politico partid\u00e1rio, de promiscuidade e, naturalmente, de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, a teia de entidades p\u00fablicas, dificulta a sua <em>accountability<\/em> e consequentemente promove todo um conjunto de m\u00e1s pr\u00e1ticas, de favorecimentos, de pequenos poderes que comprometem a t\u00e3o necess\u00e1ria transpar\u00eancia na rela\u00e7\u00e3o Estado e cidad\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Importa referir que se tem feito tentativas de melhoria no funcionamento da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, tendo ocorrido avan\u00e7os significativos como sejam a desmaterializa\u00e7\u00e3o intensiva dos processos, a ado\u00e7\u00e3o do Sistema Integrado de Avalia\u00e7\u00e3o do Desempenho da AP (SIADAP) visando a gest\u00e3o por objetivos ou o Programa de Reestrutura\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o Central (PRACE) visando uma nova perspetiva de reforma estrat\u00e9gica e estrutural em toda a administra\u00e7\u00e3o central. Por\u00e9m, tais ferramentas implicam uma efetiva\u00e7\u00e3o consciente por parte dos decisores, os sistemas inform\u00e1ticos t\u00eam de ser os adaptados \u00e0s necessidades, as chefias t\u00eam de avaliar com equidade, o governo tem de reduzir o n\u00famero de organismos p\u00fablicos e de dirigentes refor\u00e7ando ao mesmo tempo a efici\u00eancia. Se h\u00e1 d\u00favidas no que concerne \u00e0 op\u00e7\u00e3o por certos sistemas tecnol\u00f3gico e \u00e0 correta aplica\u00e7\u00e3o do SIADAP na maior parte dos organismos p\u00fablicos, h\u00e1 certezas quanto \u00e0 n\u00e3o efetiva\u00e7\u00e3o do PRACE.<\/p>\n\n\n\n<p>Imp\u00f5e-se um programa de reforma do Estado coerente, exequ\u00edvel, que elimine a incerteza e a falta de confian\u00e7a dos cidad\u00e3os, mas tamb\u00e9m que inspire confian\u00e7a e capte investimento estrangeiro, para tal importa suprimir as redund\u00e2ncias, apostar nas fus\u00f5es, enfim racionalizar a Administra\u00e7\u00e3o. Tal s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel afastando o clientelismo dos lugares de gest\u00e3o, dotando os decisores de capacidade de atua\u00e7\u00e3o, premiando a sua efic\u00e1cia e responsabilizando-os pelos resultados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Andr\u00e9 In\u00e1cio, Jornal i online Esta superestrutura, dirigida por um total de mais de 8 mil cargos dirigentes, n\u00famero que aumentou em 25% desde 2012 at\u00e9 \u00e0 atualidade, conduz \u00e0 sobreposi\u00e7\u00e3o e \u00e0 redund\u00e2ncia com elevados custos para o pa\u00eds e os cidad\u00e3os<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-48349","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48349","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=48349"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48349\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48351,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48349\/revisions\/48351"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=48349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=48349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=48349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}