{"id":48339,"date":"2024-05-20T21:01:00","date_gmt":"2024-05-20T21:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48339"},"modified":"2024-05-21T21:08:44","modified_gmt":"2024-05-21T21:08:44","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-45","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48339","title":{"rendered":"Desindustrializa\u00e7\u00e3o portuguesa desde o in\u00edcio da guerra na Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/7357927672\/desindustrializacao-portuguesa-desde-o-inicio-da-guerra-na-ucrania\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:16px;height:16px\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>Passados mais de dois anos desde o in\u00edcio de guerra na Ucr\u00e2nia, em 24 de fevereiro de 2022, v\u00e1rios dados apontam para uma perda acrescida de import\u00e2ncia do setor industrial nacional, precisamente o oposto do intuito de acompanhar a preconizada reindustrializa\u00e7\u00e3o europeia \u2013 uma vis\u00e3o que ganhou for\u00e7a na l\u00f3gica de autonomia estrat\u00e9gica europeia da retoma p\u00f3s-covid \u2013, tamb\u00e9m ela uma miragem, embora a din\u00e2mica para o conjunto da Uni\u00e3o Europeia (UE 27) seja menos desfavor\u00e1vel do que a de Portugal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>O peso da Ind\u00fastria (extrativa e transformadora, mais energia e \u00e1guas\/saneamento) no Valor Acrescentado Buto (VAB) nacional em valor reduziu-se de 17,1% no 4.\u00ba trimestre de 2021 para 16,5% no mesmo trimestre de 2023 (menos 0,6 pontos percentuais, p.p.), o 9.\u00ba valor mais baixo da UE 27, enquanto no conjunto da Uni\u00e3o se assistiu a uma subida t\u00edmida, de 20,1% para 20,4% (mais 0,3 p.p.). Tal significa, em termos relativos, que o peso do nosso VAB industrial desceu de 85,1% do registado na UE para 80,9%.<\/p>\n\n\n\n<p>Em simult\u00e2neo, a queda ligeira do peso do emprego desses setores industriais no mesmo per\u00edodo (menos 0,2 p.p., de 16,5% para 16,3%) foi um pouco menor do que observada na UE 27 (menos 0,3 p.p., de 15,7% para 15,4%), refletindo-se numa eleva\u00e7\u00e3o do peso relativo, de 105,1% para 105,8% da m\u00e9dia europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas din\u00e2micas (usando a informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel no <em>Eurostat<\/em>, na \u00f3tica das contas nacionais dos pa\u00edses) traduzem-se num recuo da produtividade relativa da nossa ind\u00fastria desde o in\u00edcio da guerra, passando de 80,9% para 76,4% da m\u00e9dia da UE 27.<\/p>\n\n\n\n<p>Para essa deteriora\u00e7\u00e3o da produtividade relativa ter\u00e1 contribu\u00eddo a redu\u00e7\u00e3o, entre os trimestres em an\u00e1lise, da taxa de investimento da nossa economia \u2013 o peso do investimento, medido pela Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo (FBCF), no PIB \u2013, de 20,4% para 19,6%, que \u00e9 o 9.\u00ba valor mais baixo da UE 27.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto, apesar dos investimentos do Programa de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia (PRR) \u2013 que ter\u00e1 de acelerar espetacularmente para ser ainda poss\u00edvel executar tudo at\u00e9 2026 \u2013, de Portugal estar afastado do teatro de guerra (que penalizou o investimento e a atividade nos pa\u00edses europeus pr\u00f3ximos) e de a nossa energia renov\u00e1vel, antes cara face ao g\u00e1s barato da R\u00fassia que abastecia o centro e leste da Europa, se ter tornado relativamente barata, sendo sabido que a energia \u00e9 um dos principais fatores de custo na ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto se fala de atra\u00e7\u00e3o de investimento, de que estamos a progredir nesse campo, mas os dados dispon\u00edveis para a ind\u00fastria em termos de emprego e VAB, acima descritos, s\u00e3o preocupantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da boa execu\u00e7\u00e3o dos fundos europeus, para crescer mais e de forma sustentada, Portugal precisa de ter uma poupan\u00e7a interna superior, que permita elevar a taxa de investimento da economia e a produtividade (da ind\u00fastria e dos demais setores). \u00c9, por isso, fundamental incentivar a poupan\u00e7a das fam\u00edlias, mas tamb\u00e9m a das empresas, reduzindo os custos de contexto que penalizam a sua capacidade de gerar lucro e de investir na expans\u00e3o da sua capacidade. Em 2022, o r\u00e1cio da poupan\u00e7a interna no PIB situou-se em 19,3%, o 5.\u00ba valor mais baixo em 25 pa\u00edses com dados da UE 27, onde a m\u00e9dia foi 24,8%. Em 2023, o r\u00e1cio de poupan\u00e7a aumentou0,6 p.p., para 20,9%, mas na m\u00e9dia da UE 27 tamb\u00e9m houve uma subida da mesma magnitude (0,6 p.p., para 25,3%), pelo que o posicionamento relativo n\u00e3o se ter\u00e1 alterado de forma muito significativa (os dados dispon\u00edveis para esse ano abrangem ainda pouco pa\u00edses).<\/p>\n\n\n\n<p>A desindustrializa\u00e7\u00e3o patente nos dados refletiu-se numa redu\u00e7\u00e3o do peso das nossas exporta\u00e7\u00f5es de bens no PIB (menos 1,8 p.p., de 29,3% no 4.\u00ba trimestre de 2021 para 27,5% no mesmo trimestre de 2023; dados na \u00f3tica das contas nacionais) superior \u00e0 registada na UE (menos 1,4 p.p., de 37,5% para 36,1%).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de tudo, o peso das nossas exporta\u00e7\u00f5es totais no PIB at\u00e9 aumentou nesse per\u00edodo (de 45,3% para 47,1%), em resultado de uma acentuada subida das exporta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os (de 16,0% para 19,7% do PIB) \u2013 a refletir, sobretudo, a evolu\u00e7\u00e3o do turismo, devido \u00e0 imagem de Portugal como pa\u00eds bonito e seguro, longe da guerra \u2013, enquanto na UE se registou um recuo de 52,6% para 51,6% do PIB.<\/p>\n\n\n\n<p>A especializa\u00e7\u00e3o no turismo acentuou-se neste per\u00edodo, levando Portugal a passar da 15.\u00ba para a 11.\u00aa posi\u00e7\u00e3o na UE em termos de peso dos servi\u00e7os no PIB, s\u00f3 n\u00e3o progredindo ainda mais posi\u00e7\u00f5es devido aos valores muito elevados de exporta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os financeiros em pa\u00edses com fiscalidade muito inferior.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto apenas confirma aquilo que tenho vindo a dizer, que Portugal se tornou ainda mais dependente no setor do turismo, cujo abrandamento em curso j\u00e1 se ressente no conjunto da economia \u2013 para este ano, o Governo projeta uma redu\u00e7\u00e3o da taxa de crescimento econ\u00f3mico para 1,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se trata de um setor de baixa produtividade (em geral) e sujeito uma procura externa muito vol\u00e1til e sazonal, \u00e9 crucial que Portugal reduza a sua depend\u00eancia, apostando mais na ind\u00fastria \u2013 bem como, de forma interligada, na agricultura \u2013, para que possa exportar de bens de maior valor acrescentado, assim como na exporta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de alto valor tornados poss\u00edveis pela economia digital.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se sabe, numa pequena\/m\u00e9dia economia como a portuguesa, a eleva\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel do nosso n\u00edvel de vida, compat\u00edvel com o equil\u00edbrio externo, depende da internacionaliza\u00e7\u00e3o crescente das nossas empresas e do alargamento do nosso mercado ao exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao n\u00edvel do turismo, \u00e9 importante procurar evoluir cada vez mais para segmentos de maior valor acrescentado e sustentabilidade \u2013 at\u00e9 porque o turismo de massas, al\u00e9m da menor receita associada, tem mais custos, dada a forte press\u00e3o que exerce sobre as infraestruturas nacionais e o pr\u00f3prio ambiente \u2013 e que reduzam a sazonalidade, pois esta penaliza os ganhos globais e a capacidade de atrair m\u00e3o-de-obra e talento pelo setor, em que estamos (excessivamente, a meu ver) especializados.<\/p>\n\n\n\n<p>A digitaliza\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios setores \u00e9 instrumental para a eleva\u00e7\u00e3o da sua produtividade e capacidade exportadora, potenciando, assim, um alargamento do mercado (interno, via produtividade, e externo).<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto a dados j\u00e1 para este ano, o destaque do INE do com\u00e9rcio internacional de mercadorias no 1.\u00ba trimestre evidenciou uma queda hom\u00f3loga significativa dessas exporta\u00e7\u00f5es (-4,2%), mas que, corrigida pelos dias \u00fateis, traduz uma estagna\u00e7\u00e3o (0,5%). Seja como for, a trajet\u00f3ria acentua a tend\u00eancia recente de perda do peso das exporta\u00e7\u00f5es de bens no PIB, que ter\u00e1 aumentado relativamente mais em termos nominais (1,4% em volume, mais o que tiver sido o aumento do deflator, desconhecido nesta altura).<\/p>\n\n\n\n<p>Estes s\u00e3o apenas alguns dos desafios com que se defronta a economia nacional, mas tamb\u00e9m a europeia. Na verdade, agora que se aproximam as elei\u00e7\u00f5es europeias, seria importante que o tema da reindustrializa\u00e7\u00e3o e, em geral, a eleva\u00e7\u00e3o do potencial de crescimento de Portugal e da UE 27 \u2013 que cresce muito menos que os EUA e, sobretudo, a China, pa\u00edses que est\u00e3o a disputar a hegemonia mundial \u2013 fosse abordado pelos candidatos nacionais a eurodeputados, confrontando as diferentes vis\u00f5es dos respetivos programas eleitorais na \u00e1rea econ\u00f3mica (Portugal e UE) para elucidar os cidad\u00e3os eleitores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo Passados mais de dois anos desde o in\u00edcio de guerra na Ucr\u00e2nia, em 24 de fevereiro de 2022, v\u00e1rios dados apontam para uma perda acrescida de import\u00e2ncia do setor industrial nacional, precisamente o oposto do intuito de acompanhar a preconizada reindustrializa\u00e7\u00e3o europeia \u2013 uma vis\u00e3o que ganhou for\u00e7a na l\u00f3gica de&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48339\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-48339","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48339","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=48339"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48339\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48340,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48339\/revisions\/48340"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=48339"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=48339"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=48339"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}