{"id":48307,"date":"2024-05-08T20:26:08","date_gmt":"2024-05-08T20:26:08","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48307"},"modified":"2024-05-08T20:26:37","modified_gmt":"2024-05-08T20:26:37","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-237","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48307","title":{"rendered":"Coroa de honra s\u00e3o as c\u00e3s ou este pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 para velhos?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Maria Nat\u00e1lia Gon\u00e7alves, Jornal i online<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/2024\/05\/08\/coroa-de-honra-sao-as-cas-ou-este-pais-nao-e-para-velhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em><em>O que est\u00e1 a falhar? Porque ser velho em Portugal n\u00e3o \u00e9 sentido como um privil\u00e9gio?<\/em><\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Recomendaram-me assistir a um cl\u00e1ssico, o filme \u2018<em>Este pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 para velhos\u2019<\/em>, inspirado no livro de Cormac Mccarthy com o mesmo nome.<\/p>\n\n\n\n<p>Achei gra\u00e7a no t\u00edtulo e acabei por transp\u00f4-lo para o nosso dia a dia e lembrar dos 86 anos do candidato a presidente de um grande clube de futebol portugu\u00eas, mas tamb\u00e9m das impiedosas insinua\u00e7\u00f5es de decl\u00ednio cognitivo do nosso septuagen\u00e1rio Presidente da Rep\u00fablica. Na verdade, Portugal \u00e9 um pa\u00eds de velhos, mas ser\u00e1 um pa\u00eds para velhos?<\/p>\n\n\n\n<p>O envelhecimento demogr\u00e1fico \u00e9 um facto inquietante. De acordo com o INE, entre 2017 e 2022, o \u00edndice de envelhecimento passou de 157,9 para 185,6 pessoas idosas por cada 100 jovens. Segundo a mesma fonte, a esperan\u00e7a de vida \u00e0 nascen\u00e7a em Portugal, no tri\u00e9nio 2020-2022, foi estimada em 80,96 anos, sendo de 78,05 anos para os homens e de 83,52 anos para as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que as estat\u00edsticas n\u00e3o o revelassem, bastaria olhar ao derredor para encontrarmos evid\u00eancias de disrup\u00e7\u00f5es em diversos sectores da sociedade, desde a \u00e1rea dos servi\u00e7os, como o ensino e a sa\u00fade, mas tamb\u00e9m em \u00e1reas mais t\u00e9cnicas relacionadas com os of\u00edcios e onde n\u00e3o se verifica uma substitui\u00e7\u00e3o geracional atrav\u00e9s da transfer\u00eancia de saberes.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o espa\u00e7os onde os velhos se v\u00e3o retirando da vida ativa, mas n\u00e3o encontram renova\u00e7\u00e3o; ou porque a carreira perdeu a atratividade de outrora (caso dos professores, cuja reputa\u00e7\u00e3o e autoridade foi esventrada nas \u00faltimas d\u00e9cadas) ou devido \u00e0 vaz\u00e3o de jovens para o estrangeiro que estimulados pelos benef\u00edcios da cidadania europeia, procuram no mercado de trabalho al\u00e9m fronteiras melhores condi\u00e7\u00f5es remunerat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento da esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida \u00e9 algo que deveria alegrar-nos, pois \u00e9 certamente o resultado da melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o portuguesa nos \u00faltimos 50 anos. A sa\u00edda de jovens para viver mundo afora, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 em si censur\u00e1vel, nem surpreendente, num mundo globalizado e aberto. Sem mencionar que o fen\u00f3meno favorece novas oportunidades de neg\u00f3cio relacionadas com o mercado do envelhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que est\u00e1 a falhar? Porque ser velho em Portugal n\u00e3o \u00e9 sentido como um privil\u00e9gio?<\/p>\n\n\n\n<p>A raiz do problema poder\u00e1 ser civilizacional e prender-se com o modo como os velhos s\u00e3o apreciados entre n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo ocidental \u2013 individualista e orientado por um modelo econ\u00f3mico virtuoso, mas demasiadas vezes pervertido pela gan\u00e2ncia \u2013 foi esboroando importantes valores morais e \u00e9ticos historicamente radicados na moralidade judaico-crist\u00e3. Neste contexto utilitarista, depressa se caminhou para uma atitude de menosprezo para com os mais velhos, tratados ami\u00fade como ultrapassados, imprest\u00e1veis, dispens\u00e1veis e indignos de ocupar as fun\u00e7\u00f5es que exercem ou dos pap\u00e9is que desempenharam. A obstina\u00e7\u00e3o por um tipo de sucesso baseado na serventia e na acumula\u00e7\u00e3o de resultados, n\u00e3o combina com a fragilidade e a vulnerabilidade associadas \u00e0 velhice.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, do ponto de vista social e pol\u00edtico, com o envelhecimento, vem a urg\u00eancia da resolu\u00e7\u00e3o dos problemas da sustentabilidade da seguran\u00e7a social e a necessidade de maior efici\u00eancia na resposta dos servi\u00e7os de sa\u00fade e de cuidados continuados, o que gera uma ang\u00fastia coletiva que recai pesadamente sobre os ombros dos mais velhos, num pa\u00eds onde a taxa de natalidade \u00e9 deficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>O resgate de uma \u00e9tica intergeracional parece-nos o caminho. Uma narrativa saud\u00e1vel de renova\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es e a valoriza\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas de sucess\u00e3o, partilha de experi\u00eancias e mem\u00f3rias devem merecer a aten\u00e7\u00e3o dos decisores p\u00fablicos. E mesmo no mundo corporativo, os discursos da sustentabilidade e da \u00e9tica tamb\u00e9m deveriam passar por estes dom\u00ednios da gest\u00e3o do envelhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Os velhos n\u00e3o s\u00e3o perfeitos, cometeram muitos erros, alguns dos quais sofremos hoje as consequ\u00eancias; talvez muitas vezes lhes tenha faltado a vis\u00e3o, mas s\u00e3o referenciais que no seu tempo fizeram o melhor que sabiam e puderam. T\u00eam uma experi\u00eancia acumulada de erros e acertos e transportam mem\u00f3rias que precisam ser capitalizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m \u00e9 importante lembrar a quem vai mais \u00e0 frente na hist\u00f3ria que para tudo h\u00e1 uma \u00e9poca e h\u00e1 que ter sabedoria para entender que o que plantamos, colhemos e discernir qual o momento certo para a retirada, transmitindo o legado e dando espa\u00e7o a quem segue.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser velho neste pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. E que falta nos faz uma cultura de honra para com os mais velhos na linha judaico-crist\u00e3 (Prov\u00e9rbios 16:31)!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Nat\u00e1lia Gon\u00e7alves, Jornal i online O que est\u00e1 a falhar? 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