{"id":48289,"date":"2024-05-04T15:36:00","date_gmt":"2024-05-04T15:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48289"},"modified":"2024-05-05T15:45:01","modified_gmt":"2024-05-05T15:45:01","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-44","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48289","title":{"rendered":"Abrandamento das exporta\u00e7\u00f5es, investimento e consumo penaliza a economia e o or\u00e7amento"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/6213247468\/abrandamento-das-exportacoes-investimento-e-consumo-penaliza-a-economia-e-o-orcamento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:16px;height:16px\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>No primeiro trimestre, a economia portuguesa registou o ritmo de crescimento mais baixo em tr\u00eas anos (taxa de varia\u00e7\u00e3o hom\u00f3loga, tvh, de 1,4% do PIB, em termos reais, que compara com 2,2% no trimestre anterior), de acordo com a estimativa r\u00e1pida do INE, na \u00f3tica das contas nacionais.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Trata-se, ainda assim, de um crescimento econ\u00f3mico acima da Uni\u00e3o Europeia e da \u00c1rea do Euro (tvh de 0,5% e 0,4%, respetivamente, ap\u00f3s 0,2% e 0,1% no trimestre anterior; dados preliminares do <em>Eurostat<\/em>), penalizadas pela recess\u00e3o na Alemanha (-0,2%), a maior economia europeia, cujo PIB recuou pelo terceiro trimestre seguido, a refletir o aumento dos custos da energia no seu setor industrial (na sequ\u00eancia da guerra na Ucr\u00e2nia) e a concorr\u00eancia acrescida da China no setor autom\u00f3vel e nas tecnologias limpas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os treze pa\u00edses da UE27 com dados dispon\u00edveis, apenas a Litu\u00e2nia, a Espanha e a Hungria tiveram taxas de varia\u00e7\u00e3o real do PIB superiores \u00e0 nossa (2,9%, 2,4% e 1,7%, respetivamente).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora ainda estejamos a crescer acima da Uni\u00e3o Europeia, tal deve-se, em boa medida, ao dinamismo ainda assinal\u00e1vel no turismo, ainda que em trajet\u00f3ria de abrandamento continuado, tendo em conta os dados dispon\u00edveis (a estimativa r\u00e1pida n\u00e3o apresenta valores quantificados para as componentes de despesa do PIB em contabilidade nacional no trimestre, apenas uma descri\u00e7\u00e3o qualitativa).<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de h\u00f3spedes aumentou 7,7% em termos hom\u00f3logos no 1.\u00ba trimestre (3,9% nos residentes e 10,6% nos n\u00e3o residentes), um valor ainda significativo, mas que est\u00e1 empolado por dois fatores: o facto de 2024 ser um ano bissexto (implicando mais um dia \u00fatil em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2023) e de a P\u00e1scoa ter ocorrido em mar\u00e7o, este ano, e em abril no ano passado, tratando-se de um per\u00edodo de significativa anima\u00e7\u00e3o tur\u00edstica. Para se ter uma no\u00e7\u00e3o da forte perda de dinamismo do turismo, no primeiro trimestre de 2023, a taxa de varia\u00e7\u00e3o hom\u00f3loga deste indicador foi de 40,8% (21,9% nos residentes e 60,7% nos n\u00e3o residentes). Comparando as taxas hom\u00f3logas nos dois per\u00edodos, o abrandamento foi acentuado nos principais mercados externos, tanto europeus (com destaque para a Espanha, o Reino Unido e a Alemanha) como n\u00e3o europeus (com realce para EUA e Brasil).<\/p>\n\n\n\n<p>No com\u00e9rcio internacional de mercadorias, a estimativa r\u00e1pida do INE relativa ao 3.\u00ba trimestre aponta para uma queda hom\u00f3loga nominal de 4,2% das exporta\u00e7\u00f5es de bens, a quarta consecutiva. Considerando o detalhe dispon\u00edvel deste indicador, de janeiro a fevereiro, de real\u00e7ar a queda hom\u00f3loga de 3,5% das exporta\u00e7\u00f5es de bens para a Fran\u00e7a, um dos nossos principais mercados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados sugerem, portanto, que o aumento das exporta\u00e7\u00f5es de turismo estar\u00e1 ainda a contrariar a queda nas exporta\u00e7\u00f5es de bens, mas tal poder\u00e1 terminar em breve se a atividade tur\u00edstica continuar a abrandar.<\/p>\n\n\n\n<p>O contributo das exporta\u00e7\u00f5es l\u00edquidas (de importa\u00e7\u00f5es) para a evolu\u00e7\u00e3o hom\u00f3loga do PIB passou de positivo a nulo no 1.\u00ba trimestre, segundo o comunicado da estimativa r\u00e1pida do INE, tendo o aumento da atividade sido assim suportado pela procura interna, que tamb\u00e9m perdeu dinamismo, quer ao n\u00edvel do consumo privado quer do investimento. Esta perda de dinamismo do investimento deve preocupar, pois deveria estar a acelerar \u2013 tanto na componente p\u00fablica como na privada \u2013 como resultado da implementa\u00e7\u00e3o do PRR (Plano de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia), cuja janela de execu\u00e7\u00e3o acaba em 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe ao novo governo recuperar o atraso no PRR, que se ter\u00e1 agravado com as elei\u00e7\u00f5es antecipadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00edntese de execu\u00e7\u00e3o or\u00e7amental (\u00f3tica da contabilidade p\u00fablica) relativa ao primeiro trimestre d\u00e1 conta de um aumento hom\u00f3logo nominal de 6,9% do investimento (ap\u00f3s alguns ajustamentos), que se deveu \u201cessencialmente, \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o dos investimentos no \u00e2mbito do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia\u201d. Trata-se de uma evolu\u00e7\u00e3o modesta, tendo em conta o atraso de execu\u00e7\u00e3o que j\u00e1 se verificava.<\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00edntese da DGO mostra ainda o regresso de um d\u00e9fice or\u00e7amental no primeiro trimestre do ano, ainda sob responsabilidade do anterior Ministro das Finan\u00e7as, Fernando Medina (saldo negativo de 259 milh\u00f5es de euros, M\u20ac, que compara com 2040 M\u20ac no per\u00edodo hom\u00f3logo j\u00e1 expurgando o efeito de empolamento da receita de capital em 2023 devido \u00e0 passagem do fundo de pens\u00f5es da CGD para a CGA), a refletir um crescimento nominal da despesa (15,1%) muito acima do da receita (4,2% ap\u00f3s o ajustamento referido).<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento expressivo da despesa traduz, para al\u00e9m do aumento nominal de 23% das transfer\u00eancias, devido ao acr\u00e9scimo significativo de responsabilidade do Estado com pens\u00f5es (dado que a CGA passou a pagar tamb\u00e9m aos reformados da CGD), as subidas de 7,8% das despesas com pessoal (fruto de medidas de atualiza\u00e7\u00e3o remunerat\u00f3ria e acelera\u00e7\u00e3o de carreiras na Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica), de 7,2% nas aquisi\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os e de 5,9% nos juros. Estas s\u00e3o as tremendas press\u00f5es de despesa que j\u00e1 se verificavam antes do novo governo entrar em fun\u00e7\u00f5es e que se ir\u00e3o agravar com as atualiza\u00e7\u00f5es remunerat\u00f3rias de v\u00e1rios grupos de funcion\u00e1rios p\u00fablicos (como policias e m\u00e9dicos) prometidas em campanha eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Do lado da receita das administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, a subida nominal de 4,2% traduz o crescimento expressivo da receita n\u00e3o fiscal e n\u00e3o contributiva (10,2%), que contrariou a quebra da receita fiscal (-0,3%), a principal componente, a refletir o recuo ligeiro no subsetor Estado (-0,2%), mas que est\u00e1 influenciado por fatores tempor\u00e1rios. Excluindo esses fatores, a receita fiscal do Estado cresceu 2,9% em termos nominais, com origem no IRC (43,7%), no IRS (3,1%) e no ISP (13,2%), sobretudo, mais do que compensando a queda ligeira de 0,2% no IVA (ajustado).<\/p>\n\n\n\n<p>De assinalar que a receita de IRS est\u00e1 a subir, apesar do desagravamento fiscal introduzido pelo anterior governo \u2013 mas pressionado, em grande medida, por motivos eleitorais, pela proposta de desagravamento apresentada pelo PSD em 2023, pois a redu\u00e7\u00e3o prevista no Programa de Estabilidade apresentado em abril de 2023 era muito menor, como j\u00e1 expliquei noutros espa\u00e7os de opini\u00e3o \u2013, afastando receios quanto ao impacto negativo nesta receita da baixa das taxas de imposto, refletida nas taxas de reten\u00e7\u00e3o na fonte, que dever\u00e3o ter uma nova baixa proximamente, embora muito mais ligeira, decidida pelo novo governo.<\/p>\n\n\n\n<p>De notar ainda que o forte crescimento da receita de IRC se reporta aos lucros registados em 2023, num contexto de crescimento econ\u00f3mico e infla\u00e7\u00e3o ainda bastante significativos, o que n\u00e3o se dever\u00e1 repetir em 2024, penalizando a evolu\u00e7\u00e3o prevista da cobran\u00e7a desse imposto em 2025. Mais preocupante \u00e9 a queda do IVA, o imposto que mais pesa na receita fiscal, pois \u00e9 demonstrativa do enfraquecimento da atividade econ\u00f3mica neste ano \u2013 induzida, em boa medida, pelo exterior \u2013 e contribuiu para o d\u00e9fice or\u00e7amental. Vejamos se o impacto do desagravamento do IRS, potencialmente ben\u00e9fico para o consumo privado, \u00e9 suficiente para contrariar a trajet\u00f3ria de abrandamento econ\u00f3mico e a queda do IVA.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a economia abrandar mais do que o esperado \u2013 a proje\u00e7\u00e3o do novo governo para o conjunto do ano \u00e9 de um crescimento econ\u00f3mico de 1,5% num cen\u00e1rio de pol\u00edticas invariantes, enquanto o FMI aponta para 1,7% e o Banco de Portugal 2%, valor que se afigura excessivamente otimista nesta altura \u2013, tal condicionar\u00e1 ainda mais a margem or\u00e7amental para a implementa\u00e7\u00e3o do programa de governo. De facto, tal reduziria a margem negocial com os sindicatos e com os partidos da oposi\u00e7\u00e3o no Parlamento, onde o governo tem uma escassa maioria e poder\u00e1 ter de oferecer contrapartidas para alcan\u00e7ar acordos e executar medidas, incluindo a aprova\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento de Estado de 2025, a apresentar em outubro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo No primeiro trimestre, a economia portuguesa registou o ritmo de crescimento mais baixo em tr\u00eas anos (taxa de varia\u00e7\u00e3o hom\u00f3loga, tvh, de 1,4% do PIB, em termos reais, que compara com 2,2% no trimestre anterior), de acordo com a estimativa r\u00e1pida do INE, na \u00f3tica das contas nacionais.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,279],"tags":[],"class_list":["post-48289","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-dinheiro-vivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48289","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=48289"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48289\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":48291,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/48289\/revisions\/48291"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=48289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=48289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=48289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}