{"id":48039,"date":"2024-01-26T08:19:09","date_gmt":"2024-01-26T08:19:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48039"},"modified":"2024-01-26T08:19:11","modified_gmt":"2024-01-26T08:19:11","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-209","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48039","title":{"rendered":"Por que mentem os pol\u00edticos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i online<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>N\u00e3o ser\u00e1 de estranhar que uma estrat\u00e9gia eleitoral que se pretenda minimamente vencedora passe por propor s\u00f3 \u201cboas not\u00edcias\u201d. A realidade, por\u00e9m, estar\u00e1 l\u00e1, no p\u00f3s-elei\u00e7\u00f5es, obrigando os pol\u00edticos a colocarem os p\u00e9s no ch\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Os pol\u00edticos socorrem-se com frequ\u00eancia de \u201cinverdades\u201d. Eufemismo para mentiras, que s\u00e3o sempre acompanhadas de estados de \u201cconsci\u00eancia tranquila\u201d e recorrentes \u201cesquecimentos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o da mentira na a\u00e7\u00e3o p\u00fablica tem consequ\u00eancias, que nuns casos desaparecem na voragem dos dias, substitu\u00eddas pelo impacto de novas mentiras; noutros, cristalizam no tempo, porque d\u00e3o jeito e deixam os pol\u00edticos contempor\u00e2neos com truques que n\u00e3o assumem como seus, mas dos quais se aproveitam e n\u00e3o abdicam.<\/p>\n\n\n\n<p>Ilustrando esta \u00faltima situa\u00e7\u00e3o, pense-se na regra de atualiza\u00e7\u00e3o das pens\u00f5es de reforma. Possivelmente n\u00e3o s\u00e3o muitos os cidad\u00e3os que t\u00eam presente que tal atualiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorre para pens\u00f5es de reforma que tenham sido atribu\u00eddas h\u00e1 menos de um ano. Ou seja, algu\u00e9m que se reforme no decurso do ano t s\u00f3 ver\u00e1 a sua pens\u00e3o atualizada no ano t+2. Esta regra, vertida sobre a forma de Lei, \u00e9 um estratagema para tornar opaca para os cidad\u00e3os a redu\u00e7\u00e3o do valor real da respetiva pens\u00e3o. Por exemplo, em 2024 a atualiza\u00e7\u00e3o das pens\u00f5es rondou os 6%. Se um cidad\u00e3o se reformou no ano precedente com uma pens\u00e3o de 2.000 euros mensais isso significa que deixa de receber 120 euros em cada m\u00eas enquanto a pens\u00e3o durar, ou seja 1.680 por ano, 42.000 euros se dela usufruir durante 25 anos. Os n\u00fameros ser\u00e3o ainda mais relevantes se se considerar o efeito da capitaliza\u00e7\u00e3o dessa perda mensal, que deixa de ser considerada para sempre em futuras atualiza\u00e7\u00f5es anuais. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que tal Lei foi pensada e concretizada para, de forma encapotada, usando a denominada \u201cilus\u00e3o monet\u00e1ria\u201d, reduzir o valor das pens\u00f5es. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se fique com a ideia, por\u00e9m, de que apenas os pol\u00edticos que est\u00e3o no poder mentem. N\u00e3o, longe disso. \u00c9 um facto que as mentiras destes s\u00e3o mais vis\u00edveis, ou pelas consequ\u00eancias concretas que t\u00eam ou porque ficam vertidas em diplomas legais ou, simplesmente, porque eles s\u00e3o mais escrutinados. No entanto, de modo mais vis\u00edvel nos extremos do espectro pol\u00edtico, nos partidos populistas, as inverdades tornam-se a regra, s\u00e3o muitas e grandes. Pense-se, por exemplo, nas propostas do partido Chega para aumento das pens\u00f5es ou nas do Bloco de Esquerda para dar tudo a todos. Certamente que quem faz essas propostas sabe que elas s\u00e3o inexequ\u00edveis, mas apresenta-as com o ar de seriedade que \u00e9 necess\u00e1rio para iludir os eleitores. &nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os pol\u00edticos podem at\u00e9 nem mentir mais do que qualquer outro cidad\u00e3o, mas as deles s\u00e3o, sempre, mais notadas. Tal como Lev Tolst\u00f3i refere, nas duas primeiras linhas do seu c\u00e9lebre romance \u2018Anna Karenina\u2019, a prop\u00f3sito das fam\u00edlias infelizes, tamb\u00e9m cada pol\u00edtico mente \u00e0 sua maneira. Da\u00ed ser dif\u00edcil formular uma explica\u00e7\u00e3o que abranja todas as raz\u00f5es por que eles mentem. Ser\u00e3o, certamente, muitas e ponderosas, embora qualquer uma delas, por mais justific\u00e1vel que possa parecer, n\u00e3o os exima de estarem a ser desonestos para com a sociedade que representam, para com cada cidad\u00e3o, em particular.<\/p>\n\n\n\n<p>Transversal a essas raz\u00f5es ser\u00e1 de considerar o medo que eles t\u00eam \u00e0 rea\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os a \u201cm\u00e1s not\u00edcias\u201d, medo esse que \u00e9 exacerbado neste tempo de redes sociais em que, com facilidade, uma ligeira brisa matinal pode originar um violento furac\u00e3o ao fim do dia.<\/p>\n\n\n\n<p>No tempo pr\u00e9-eleitoral que se vive, em que cada partido se esmera a preparar o cabaz de \u201cbrindes\u201d com que pretende cativar os eleitores, pense-se, por absurdo, que um desses partidos se apresentava a elei\u00e7\u00f5es com um programa assente na redu\u00e7\u00e3o nominal das pens\u00f5es de reforma, justificada no facto de o sistema de seguran\u00e7a social n\u00e3o conseguir sustentar o atual padr\u00e3o; ou num aumento dos impostos, para reduzir (de verdade) a d\u00edvida p\u00fablica. Sim, esse partido n\u00e3o teria, certamente, o apoio dos eleitores. N\u00e3o ser\u00e1 de estranhar, pois, que uma estrat\u00e9gia eleitoral que se pretenda minimamente vencedora passe por propor s\u00f3 \u201cboas not\u00edcias\u201d. A realidade, por\u00e9m, estar\u00e1 l\u00e1, no p\u00f3s-elei\u00e7\u00f5es, obrigando os pol\u00edticos a colocarem os p\u00e9s no ch\u00e3o. Ent\u00e3o, as inverdades dos programas t\u00eam de ser tapadas com as mentiras da concretiza\u00e7\u00e3o. O discurso do \u201cfim da austeridade\u201d, repetido \u2018<em>ad nauseam<\/em>\u2019 ao longo dos anos, \u00e9 disso um exemplo paradigm\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, os eleitores, com a sua incapacidade para aceitar \u201cm\u00e1s not\u00edcias\u201d, acabam por ser, ainda que inconscientemente, combust\u00edvel que alimenta as falsas promessas e inverdades dos pol\u00edticos, contribuindo, indiretamente, para o enfraquecimento das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e para a crescente desconfian\u00e7a da sociedade na nobre fun\u00e7\u00e3o que \u00e9 (deveria ser) a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i online N\u00e3o ser\u00e1 de estranhar que uma estrat\u00e9gia eleitoral que se pretenda minimamente vencedora passe por propor s\u00f3 \u201cboas not\u00edcias\u201d. 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