{"id":48000,"date":"2024-01-07T19:06:03","date_gmt":"2024-01-07T19:06:03","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48000"},"modified":"2024-01-10T16:43:15","modified_gmt":"2024-01-10T16:43:15","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-204","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=48000","title":{"rendered":"Quo vadis \u00e9tica republicana? Divaga\u00e7\u00f5es de uma (des)governada."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Maria Nat\u00e1lia Gon\u00e7alves, Jornal i online<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/809741\/quo-vadis-etica-republicana-divagacoes-de-uma-des-governada-?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p><em>A agenda \u00e9 marcada pelo individualismo, pela conveni\u00eancia partid\u00e1ria, pelos jogos de poder, um turbilh\u00e3o de vaidades e egos inflamados. Sem autenticidade, sem cor, sabor ou paix\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Chegou 2024! E agora?<\/p>\n\n\n\n<p>Passada a quimera que nos inebriou nas \u00faltimas semanas e chegado o frescor do novo ano, somos catapultados para a impiedade dos dias. Sem surpresa, dou por mim a matutar acerca do que observo no panorama pol\u00edtico nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Vislumbro governantes em animada e en\u00e9rgica atividade, os cessantes, os candidatos e os \u2018sat\u00e9lites\u2019 que gravitam ao derredor. Vejo governados ap\u00e1ticos e desencantados com o resultado de 50 anos de viv\u00eancia democr\u00e1tica, jovens ou nem tanto, mas todos \u00e0 deriva. Miro ainda a esmorecida <em>res publica<\/em>, alegadamente, o eixo estruturante do nosso sistema jur\u00eddico-constitucional de governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando mais de perto, vejo o esbo\u00e7o de apari\u00e7\u00f5es do passado. Governantes cessantes moralmente diminu\u00eddos, mas que se exibem como not\u00e1veis semideuses, santos cujos pecados s\u00e3o continuamente branqueados pelas m\u00e1quinas de marketing e comunica\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, construtoras ex\u00edmias de narrativas distorcidas de manipula\u00e7\u00e3o coletiva. A superioridade moral n\u00e3o lhes permite assumir responsabilidades; pelo contr\u00e1rio, todo o preju\u00edzo \u00e9 imputado a terceiros mal-intencionados ou a circunst\u00e2ncias a que s\u00e3o completamente alheios.<\/p>\n\n\n\n<p>E os aspirantes a governantes? Esses ambicionam ser herdeiros dos antecessores, prestam-lhes honras e seguem-lhes as pisadas. No reino fant\u00e1stico do frenesim partid\u00e1rio tudo \u00e9 pensado ao detalhe: a indument\u00e1ria, a linguagem corporal, as palavras esculpidas a cinzel, os temperamentos refinados... Em suma, pol\u00edticos profissionais adestrados ao ritmo dos tambores dos assessores de campanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Subliminarmente, <a>a agenda \u00e9 marcada pelo individualismo, pela conveni\u00eancia partid\u00e1ria, pelos jogos de poder, um turbilh\u00e3o de vaidades e egos inflamados. Sem autenticidade, sem cor, sabor ou paix\u00e3o<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso uma boa lupa para encontrar a subst\u00e2ncia da vis\u00e3o program\u00e1tica dos candidatos, t\u00e3o bem camufladas que est\u00e1 entre o lixo da estrat\u00e9gia e do combate pol\u00edtico. Ajustes de contas, invoca\u00e7\u00e3o de dem\u00f3nios passados ou futuros, intrujices e murmura\u00e7\u00f5es muito ao estilo da popula\u00e7a, mas longe do t\u00e3o necess\u00e1rio debate enxuto e maduro de ideias v\u00e1lidas para Portugal. Mais do mesmo, sem novidade ou entusiasmo...<\/p>\n\n\n\n<p>Os governados esses est\u00e3o cada vez mais anestesiados entre as tricas futebol\u00edsticas e a vida \u2018<em>faz de conta<\/em>\u2019 que acontece nas redes sociais. Insatisfeitos, vivem contristados, reclamam, falam mal de tudo e de todos... da meteorologia, dos servi\u00e7os p\u00fablicos, do vizinho, do professor, do patr\u00e3o e, obviamente, dos governantes...<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, os governados manifestam-se indiferentes e distantes, como se o assunto n\u00e3o lhes dissesse respeito. Titubeiam acomodados ao assistencialismo bacoco que se eterniza sob o chap\u00e9u da pol\u00edtica socialista do \u2018<em>pobrezinho de estima\u00e7\u00e3o<\/em>\u2019. Sem ambi\u00e7\u00e3o, bastam-se com migalhas e mant\u00eam-se de bra\u00e7os ca\u00eddos, sem vitalidade c\u00edvica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, o mais pavoroso \u00e9 a perpetua\u00e7\u00e3o da religiosidade que aprisiona os eleitores a v\u00ednculos de lealdade partid\u00e1ria que os empurra para uma espiral de m\u00e1s escolhas de governo; uma s\u00edndrome bem ao estilo \u2018Gabriela, Cravo e Canela\u2019: \u201c... <em>Eu nasci assim, eu cresci assim e sou mesmo assim;&nbsp;Vou ser sempre assim Gabriela, sempre Gabriela<\/em>\u2026\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como cidad\u00e3os devemos aprender que o voto \u00e9 o maior ato individual de exerc\u00edcio da liberdade pol\u00edtica e o modo como o exercemos torna-nos correspons\u00e1veis pelas falhas dos governantes. Afinal, os que t\u00eam mostrado brechas na integridade foram escolhidos democraticamente por todos n\u00f3s e aqui incluem-se os abstencionistas, pois a absten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um ato de escolha individual. N\u00e3o \u00e9, por isso, intelectualmente honesto alhearmo-nos e fingirmos que n\u00e3o contribu\u00edmos, ativa ou passivamente, para o atual estado de degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a boa not\u00edcia \u00e9 que a realidade pode ser transfigurada a cada ato eleitoral a que somos chamados. N\u00e3o nos deixemos tolher pelo fantasma da mudan\u00e7a e pela cren\u00e7a na cat\u00e1strofe eminente que da\u00ed advir\u00e1, pois a liberdade \u00e9 para ser exercida plena e responsavelmente. Precisamos amadurecer e emancipar-nos democraticamente, deixando de ser um povo de vistas curtas e mem\u00f3ria fraca. Aumentar os nossos n\u00edveis de exig\u00eancia na gest\u00e3o da <em>res publica <\/em>atrair\u00e1 pol\u00edticos de excel\u00eancia, com nobreza de car\u00e1cter, esp\u00edrito de miss\u00e3o e sinceramente dedicados \u00e0 causa p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Se assim n\u00e3o for, continuaremos a empurrar o fardo dos dias, perpetuando o <em>status quo<\/em> da farsa e do desencanto, da estagna\u00e7\u00e3o coletiva, qui\u00e7\u00e1 interrompida por um ou outro momento de eleva\u00e7\u00e3o da moral nacional; mas, bem breve, para n\u00e3o nos habituarmos! Talvez o campeonato europeu de futebol d\u00ea uma ajuda, uns quantos festivais de ver\u00e3o ou umas peregrina\u00e7\u00f5es a F\u00e1tima transmitidas em direito. Um ciclo de mais do mesmo: <em>P\u00e3o e circo<\/em>, \u00e0 moda da Roma antiga!<\/p>\n\n\n\n<p>Parafraseando uma das verdades da sabedoria milenar: <em>Quando a na\u00e7\u00e3o tem l\u00edderes inteligentes e sensatos, ela torna-se forte e firme; mas, quando a na\u00e7\u00e3o \u00e9 moralmente corrupta, o governo cai a todo o momento<\/em> (Prov\u00e9rbios 28:2).<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista da governa\u00e7\u00e3o, aconte\u00e7a o que acontecer em 2024, sempre se confirmar\u00e1 a c\u00e9lebre afirma\u00e7\u00e3o de Joseph-Marie de Maistre (s\u00e9c. XIX): <em>\u201cToute nation a le gouvernement qu'elle m\u00e9rite\u201d<\/em>&nbsp; (\u201cToda a na\u00e7\u00e3o tem os governantes que merece\u201d)!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Nat\u00e1lia Gon\u00e7alves, Jornal i online A agenda \u00e9 marcada pelo individualismo, pela conveni\u00eancia partid\u00e1ria, pelos jogos de poder, um turbilh\u00e3o de vaidades e egos inflamados. 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