{"id":47982,"date":"2024-01-04T10:00:00","date_gmt":"2024-01-04T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47982"},"modified":"2024-01-10T16:50:27","modified_gmt":"2024-01-10T16:50:27","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-202","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47982","title":{"rendered":"Riqueza, rendimento e clima, a mesma desigualdade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Miguel Viegas,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> OBEGEF<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo\/?fbid=683010520692048&amp;set=pb.100069493190653.-2207520000\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:20px\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Facebook81.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2032\" style=\"width:24px;height:24px\" title=\"Ficheiro PDF\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A reparti\u00e7\u00e3o da pegada de carbono entre pa\u00edses e indiv\u00edduos \u00e9 profundamente assim\u00e9trica. Reflete a profunda desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o do rendimento e da riqueza. Por esta raz\u00e3o, a resolu\u00e7\u00e3o do problema clim\u00e1tico passa tamb\u00e9m por uma reparti\u00e7\u00e3o mais equilibrada do produto, incluindo pol\u00edticas fiscais mais justas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o das desigualdades e o combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o dois desafios principais que se colocam \u00e0 sociedade e aos governos do planeta. As desigualdades, depois de uma redu\u00e7\u00e3o sem paralelo na hist\u00f3ria da humanidade ao longo do s\u00e9culo XX, voltaram a crescer a partir dos anos oitenta e continuam em ascens\u00e3o. As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas representam outra trag\u00e9dia, associada \u00e0 elevada concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono na atmosfera que provoca um aumento da temperatura, com as consequ\u00eancias que todos conhecemos. Na realidade, ambos os problemas est\u00e3o relacionados e muito dificilmente ser\u00e1 poss\u00edvel resolver um sem o outro. O n\u00f3 g\u00f3rdio da quest\u00e3o reside num completo desalinhamento entre incentivos, capacidade e vulnerabilidade. Sem resolver este conflito, dificilmente teremos uma verdadeira solu\u00e7\u00e3o, inclusiva e sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fig1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"522\" height=\"290\" src=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fig1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-47983\" style=\"width:623px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fig1.png 522w, https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fig1-300x167.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 522px) 100vw, 522px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a>Figura <\/a>1: Pegada de carbono per capita em Toneladas de CO2 (Fonte: World Inequality Database (WID.world)).<\/p>\n\n\n\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o para a elevada concentra\u00e7\u00e3o de CO2 na atmosfera \u00e9 muito diferenciada entre pa\u00edses e continentes como \u00e9 vis\u00edvel na Figura 1. Como \u00e9 reconhecido por toda a comunidade cient\u00edfica, foram os pa\u00edses ditos desenvolvidos, com as suas economias assentes na combust\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis que mais contribu\u00edram, ao longo de d\u00e9cadas, para o aquecimento do planeta. Como \u00e9 vis\u00edvel na Figura 2, a situa\u00e7\u00e3o tem-se mantido mais ou menos constante ao longo dos \u00faltimos anos. Com exce\u00e7\u00e3o do ano de 2020, onde a pandemia \u201ccongelou\u201d o planeta, cada ser humano nos Estados Unidos e na Uni\u00e3o Europeia continua a emitir respetivamente seis e tr\u00eas vezes as emiss\u00f5es de CO2 de um habitante em \u00c1frica. &nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fig2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"506\" height=\"321\" src=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fig2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-47984\" style=\"width:638px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fig2.png 506w, https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/fig2-300x190.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 506px) 100vw, 506px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a>Figura <\/a>2: Pegada de carbono per capita em Toneladas de CO2 nos Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia e \u00c1frica (Fonte: World Inequality Database (WID.world)).<\/p>\n\n\n\n<p>Num outro ponto de vista, a desigualdade nas emiss\u00f5es de CO2 por ser analisada de forma individual, de acordo com os percentis na distribui\u00e7\u00e3o do rendimento mundial. Num relat\u00f3rio publicado pela Oxfam em novembro de 2023, estima-se que os 1% mais ricos (77 milh\u00f5es de pessoas) s\u00e3o respons\u00e1veis por 16% das emiss\u00f5es mundiais, ou seja, emitem tanto quanto os 66% mais pobre do planeta (5 mil milh\u00f5es de habitantes). Os 10% mais ricos s\u00e3o respons\u00e1veis por metade de todas as emiss\u00f5es mundiais.<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a> Os 1% mais ricos emitem em m\u00e9dia 75,6 toneladas de CO2 por ano enquanto os 10% mais ricos emitem 25,2. O n\u00edvel acordado internacionalmente e considerado necess\u00e1rio para garantir a sobreviv\u00eancia dos nossos ecossistemas \u00e9 de 2,8 toneladas de CO2. Contudo, se olharmos para o estilo de vida de alguns milion\u00e1rios, podemos chegar a uma pegada de 8 mil toneladas de CO2\/ano (Barros &amp; Wilk, 2021)!<\/p>\n\n\n\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o ajuda a compreender o impasse que caracteriza as sucessivas Confer\u00eancias das Partes (COP) da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC) onde os resultados t\u00eam ficado sempre muito abaixo das expetativas. Os meios para poder financiar uma transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica justa e eficaz s\u00f3 podem ser obtidos taxando a riqueza onde ela existe, ou seja, junto dos mais ricos, que s\u00e3o tamb\u00e9m os maiores poluidores. Mas estes, apesar se serem aqueles para quem o custo marginal de reduzir \u00e9 mais baixo (vejam o que significa para um milion\u00e1rio reduzir a sua pegada de uma tonelada e comparem o que representa esta redu\u00e7\u00e3o para uma pessoa pobre ou remediada) s\u00e3o aqueles que menos sofrem as consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e portanto s\u00e3o tamb\u00e9m aqueles que menos incentivos t\u00eam para reduzir as suas emiss\u00f5es. Acresce que os mais ricos s\u00e3o tamb\u00e9m os respons\u00e1veis quer pelas escolhas econ\u00f3micas em termos de investimentos, mas igualmente pelas escolhas pol\u00edticas uma vez que s\u00e3o eles que financiam os partidos e det\u00e9m tamb\u00e9m uma boa parte dos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria recente, designadamente no decurso das duas guerras mundiais do s\u00e9culo XX, demonstra que foi poss\u00edvel taxar de forma extraordin\u00e1ria as grandes fortunas para acudir \u00e0s grandes necessidades globais. Com os n\u00edveis atuais extremos de concentra\u00e7\u00e3o da riqueza \u00e9 poss\u00edvel obter fundos avultados com taxas de incid\u00eancias muito baixas. Estudos realizados no pelo <em>World Inequality Lab<\/em>. atestam que um imposto global entre 1,5 e 3% sobre a riqueza dos centimilion\u00e1rios do mundo (os 65 mil indiv\u00edduos mais ricos do mundo que possuem mais de 100 milh\u00f5es) permitiria arrecadar uma soma anual de 300 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, sem beliscar a atual concentra\u00e7\u00e3o da riqueza (Chancel et al., 2023).<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> Caso este imposto seja apenas aplicado aos Estados Unidos e Uni\u00e3o Europeia, a receita seria da ordem dos 175 mil milh\u00f5es. Muitas outras solu\u00e7\u00f5es t\u00eam sido propostas para financiar a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. Contudo todas esbarram na falta de vontade pol\u00edtica. Mobilizar e informar a popula\u00e7\u00e3o torna-se assim a tarefa priorit\u00e1ria de organiza\u00e7\u00f5es como o OBEGEF, para alterar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e permitir que as boas decis\u00f5es sejam tomadas a bem do nosso planeta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Barros, B., &amp; Wilk, R. (2021). The outsized carbon footprints of the super-rich. <em>Sustainability: Science, Practice and Policy<\/em>, <em>17<\/em>(1), 316\u2013322.<\/p>\n\n\n\n<p>Chancel, L., Bothe, P., &amp; Voituriez, T. (2023). <em>Climate Inequality Report: Fair Taxes for a Sustainable Future in the Global South<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Khalfan, A., Lewis, A. N., Aguilar, C., Persson, J., Lawson, M., Dabi, N., Jayoussi, S., &amp; Acharya, S. (2023). <em>Climate equality: a planet for the 99%<\/em>. Oxfam Australia. https:\/\/doi.org\/10.21201\/2023.000001<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> O estudo foi realizado com dados do Instituto do Meio Ambiente de Estocolmo (Khalfan et al., 2023).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> O imposto \u00e9 concebido da seguinte forma: ativos l\u00edquidos detidos entre 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares e mil milh\u00f5es de d\u00f3lares seriam tributados a 1,5%, ativos l\u00edquidos entre mil milh\u00f5es de d\u00f3lares e 10 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares a 2%, ativos entre 10 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares e 100 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares a 2,5%. e ativos acima de US$ 100 bilh\u00f5es, em 3%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Viegas, OBEGEF A reparti\u00e7\u00e3o da pegada de carbono entre pa\u00edses e indiv\u00edduos \u00e9 profundamente assim\u00e9trica. 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