{"id":47955,"date":"2023-12-21T09:01:00","date_gmt":"2023-12-21T09:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47955"},"modified":"2023-12-23T22:26:25","modified_gmt":"2023-12-23T22:26:25","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-199","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47955","title":{"rendered":"Afinal, quem falou mais alto na COP28?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Miguel Viegas,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> OBEGEF<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo\/?fbid=675132538146513&amp;set=pb.100069493190653.-2207520000\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:20px\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Facebook80.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2032\" style=\"width:24px;height:24px\" title=\"Ficheiro PDF\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>H\u00e1 muito que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas passaram a fazer parte do nosso quotidiano. Apesar do consenso cient\u00edfico que nos deveria impelir para decis\u00f5es consistentes em defesa do nosso futuro coletivo, o mundo assistiu perplexo ao arrastar das negocia\u00e7\u00f5es finais da COP28, nas quais acabaram por prevalecer os interesses das grandes corpora\u00e7\u00f5es do petr\u00f3leo. Para isso ter\u00e1 contribu\u00eddo certamente o anfitri\u00e3o da cimeira, ele pr\u00f3prio CEO de uma das maiores sociedades petrol\u00edferas do mundo, bem como a presen\u00e7a de mais de 2000 lobistas \u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Todos os relat\u00f3rios oficiais sobre o clima, confirmam o agravamento da crise clim\u00e1tica mundial. De acordo com o \u00faltimo relat\u00f3rio do IPCC<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a> estamos muito pr\u00f3ximo do ponto de n\u00e3o retorno fixado pelo relat\u00f3rio especial de 2018, no aumento de 1,5 graus Celsius at\u00e9 2050. A manterem-se as atuais tend\u00eancias, todos os efeitos terr\u00edveis associados ao aquecimento do planeta ser\u00e3o multiplicados por cinco. Perante este amplo consenso cient\u00edfico confirmado por sucessivos epis\u00f3dios clim\u00e1ticos extremos, alguns deles em regi\u00f5es improv\u00e1veis, acabou por ser a sem\u00e2ntica a dominar as intensas negocia\u00e7\u00f5es na COP28 gerando um acordo \u201cposs\u00edvel\u201d entre a sobreviv\u00eancia do planeta tal como o conhecemos hoje e o lucro das grandes corpora\u00e7\u00f5es que exploram as energias f\u00f3sseis.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/cop1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"555\" height=\"423\" src=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/cop1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-47956\" style=\"width:636px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/cop1.png 555w, https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/cop1-300x229.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 555px) 100vw, 555px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O passado m\u00eas de julho foi o m\u00eas mais quente de sempre \u00e0 superf\u00edcie da terra desde que h\u00e1 registos. A temperatura m\u00e9dia atingiu os 16,95 graus Celsius, 1,5 graus mais alto do que a m\u00e9dia dos meses de julho entre 1851 e 1900 (contas do programa Cop\u00e9rnico). Este aumento de temperatura deve-se \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o na atmosfera de di\u00f3xido de carbono (CO2) e de outros gases com efeito de estufa (metano, \u00f3xido de azoto, hidrofluorocarbonetos, entre outros). De acordo com o IPCC a concentra\u00e7\u00e3o de CO2 na atmosfera ultrapassou o limiar das 400 ppm, considerado j\u00e1 cr\u00edtico pela comunidade cient\u00edfica. Esta concentra\u00e7\u00e3o atingiu 418 ppm em janeiro deste ano, quando os valores da era pr\u00e9-industrial est\u00e3o estimados em cerca de 250ppm.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/cop2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"612\" height=\"427\" src=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/cop2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-47957\" style=\"width:731px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/cop2.png 612w, https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/cop2-300x209.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 612px) 100vw, 612px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A COP28 decorreu de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2023 no Dubai, uma das petromonarquias totalit\u00e1rias pertencentes aos Emirados \u00c1rabes Unidos, pa\u00eds que apresenta a segunda taxa de polui\u00e7\u00e3o mais elevada por habitante no mundo. A presid\u00eancia da COP28 foi atribu\u00edda ao Sult\u00e3o Al Jaber, CEO da Abu Dhabi National Oil Company, uma das maiores sociedades petrol\u00edferas do mundo e cuja produ\u00e7\u00e3o dever\u00e1 duplicar at\u00e9 2027. Perante a intens\u00e3o anunciada de incluir o fim dos combust\u00edveis f\u00f3sseis na declara\u00e7\u00e3o final, consequ\u00eancia l\u00f3gica, consequente e fundamentada cientificamente, foram mobilizados para esta confer\u00eancia nada mais nada menos do que 2466 lobistas associados \u00e0 ind\u00fastria petrol\u00edfera e \u00e0s energias f\u00f3sseis (ver relat\u00f3rio da ONG FBPO), 177 destes acreditados apenas pelos Emirados \u00c1rabes Unidos. Para juntar mais uma camada de opacidade, olhemos para o papel de uma das maiores empresas de consultadoria mundiais, a McKinsey<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, que veio oferecer os seus servi\u00e7os \u00e0 COP28 de forma graciosa, enquanto presta servi\u00e7os aos maiores poluidores mundiais (ExxonMobil, BP, Aramco, Gazprom, entre outras). Segundo a ag\u00eancia France-Press, a McKinsey redigiu recentemente um relat\u00f3rio sobre a transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica que previa a redu\u00e7\u00e3o em apenas 50% da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo at\u00e9 2050, mantendo concomitantemente milhares de milh\u00f5es de investimentos em ativos com fortes emiss\u00f5es de carbono\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos hoje que as emiss\u00f5es de CO2 aumentaram 1,1% em 2023, e que 80% destas emiss\u00f5es t\u00eam origem na queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis. H\u00e1 mais de 30 anos que os cientistas tentam colocar a fim das energias f\u00f3sseis nas agendas clim\u00e1ticas. As conclus\u00f5es da CP28 falam em \u201ctransi\u00e7\u00e3o para o abandono\u201d, uma terminologia vaga, quando comparada com a proposta inicial que falava em \u201csa\u00edda definitiva\u201d. O g\u00e1s \u00e9 apresentado como energia de transi\u00e7\u00e3o apesar de ser um combust\u00edvel f\u00f3ssil. Foram igualmente introduzidas refer\u00eancias a tecnologias de captura de carbono cuja efetividade est\u00e1 longe de confirmada, mas que ficaram como \u00e2ncoras de salva\u00e7\u00e3o para a ind\u00fastria do petr\u00f3leo. Da mesma forma, a elimina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria e imediata dos subs\u00eddios \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis foi substitu\u00edda por uma elimina\u00e7\u00e3o dos subs\u00eddios f\u00f3sseis \u201cineficientes\u201d e \u201ct\u00e3o brevemente quanto poss\u00edvel\u201d. Ficam assim abertos todos os al\u00e7ap\u00f5es interpretativos!<\/p>\n\n\n\n<p>A COP 28 mobilizou mais de 70 mil participantes. Mas esta aparente ampla participa\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser apenas a ponta de um iceberg que deixa submerso um outro n\u00edvel de negocia\u00e7\u00e3o onde as popula\u00e7\u00f5es e o interesse coletivo n\u00e3o entram. S\u00f3 assim se compreende o adiamento de medidas elementares h\u00e1 muito consensualizadas entre a comunidade cient\u00edfica. Nada nos faz acreditar que a pr\u00f3xima COP29, marcada para o Azerbaij\u00e3o possa ser diferente, enquanto os interesses econ\u00f3micos valerem mais do que os interesses do planeta e das popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Sigla, em ingl\u00eas, de Painel Intergovernamental para as Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas, criado em 1998 pela Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial e pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> A McKinsey emprega cerca de 33.000 funcion\u00e1rios, fatura US $ 10 milhares de milh\u00f5es por ano e d\u00e1 acess\u00f3ria a 147 das 200 maiores empresas mundiais para al\u00e9m de prestar servi\u00e7os a governos e organismos reguladores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Viegas, OBEGEF H\u00e1 muito que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas passaram a fazer parte do nosso quotidiano. 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