{"id":47939,"date":"2023-12-16T21:09:49","date_gmt":"2023-12-16T21:09:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47939"},"modified":"2023-12-16T21:09:50","modified_gmt":"2023-12-16T21:09:50","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-4-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47939","title":{"rendered":"Legado do &#8220;Costismo&#8221;: do ilusionismo pol\u00edtico ao pa\u00eds mais pobre e problem\u00e1tico"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/legado-do-costismo-do-ilusionismo-politico-ao-pais-mais-pobre-e-problematico-17508539.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:16px;height:16px\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>No primeiro dia como Primeiro-ministro demission\u00e1rio, Ant\u00f3nio Costa fez um balan\u00e7o da sua governa\u00e7\u00e3o de oito anos - quer no Parlamento quer em entrevista \u00e0 TVI \/ CNN. A bem da verdade, antes das elei\u00e7\u00f5es legislativas antecipadas de 10 de mar\u00e7o do pr\u00f3ximo ano, vale a pena escrutinar esse balan\u00e7o para termos cidad\u00e3os eleitores bem informados.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Come\u00e7o por recordar como Ant\u00f3nio Costa chegou at\u00e9 aqui desde 2014 para entender as suas t\u00e3o apregoadas \"qualidades pol\u00edticas\". Concluo que, apesar de serem qualidades frequentemente exaltadas pelos media, nenhuma delas se traduziu em efetivas melhorias no bem-estar da popula\u00e7\u00e3o, o que deveria ser o crit\u00e9rio primordial para avaliar a verdadeira qualidade de um Primeiro-ministro. Pelo contr\u00e1rio, restam os \"dotes\" de oportunismo, orat\u00f3ria, \"ilusionismo pol\u00edtico\" e, agora, \"vitimiza\u00e7\u00e3o\" perante a a\u00e7\u00e3o da Procuradora-Geral da Rep\u00fablica (PGR) e do Presidente da Rep\u00fablica (PR).<\/p>\n\n\n\n<p>Reproduzir<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre as c\u00f3pias, costuma dizer-se que s\u00e3o sempre pior do que o original, pelo que \u00e9 preocupante que ambos os candidatos \u00e0 sucess\u00e3o de Ant\u00f3nio Costa no PS lhe deixem os mais rasgados elogios. Precisamos de governantes que sirvam o Pa\u00eds e falem a verdade, mesmo quando ela n\u00e3o \u00e9 \"bonita\", pois s\u00f3 com um bom diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o se podem avaliar e resolver os problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao legado, come\u00e7o com as duas principais qualidades da sua \"escola pol\u00edtica\", t\u00e3o valorizadas pelos media. De seguida, desconstruo o suposto legado econ\u00f3mico de 'contas certas\" que tanto orgulha Ant\u00f3nio Costa, para depois mostrar o real legado socioecon\u00f3mico. Termino com a aparente \"vitimiza\u00e7\u00e3o\" face \u00e0s a\u00e7\u00f5es da PGR (que ter\u00e1 lan\u00e7ado uma \"suspei\u00e7\u00e3o\" e \"enxertou\" um par\u00e1grafo num comunicado, levando \u00e0 sua demiss\u00e3o) e do PR (que, insinua, ter\u00e1 sido conivente com o \"enxerto\").<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1. Legado pol\u00edtico<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>1.1. Oportunismo pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Setembro de 2014: ante a proximidade de elei\u00e7\u00f5es legislativas de 2015, Ant\u00f3nio Costa aproveita a oportunidade criada por Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro, com a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias no PS, para concorrer e suceder-lhe como Secret\u00e1rio-geral, depois de Seguro ter feito a \"travessia do deserto\" na oposi\u00e7\u00e3o, durante a governa\u00e7\u00e3o PSD-CDS na altura da Troika. O timing de Costa foi perfeito, come\u00e7ando a\u00ed a demonstra\u00e7\u00e3o do seu enorme oportunismo pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Outubro de 2015: o PS de Ant\u00f3nio Costa perde inesperadamente as elei\u00e7\u00f5es legislativas para a coliga\u00e7\u00e3o PSD-CDS, que governou durante o dif\u00edcil per\u00edodo do programa de ajustamento da Troika de credores, cujo apoio foi solicitado pelo anterior Governo socialista de Jos\u00e9 S\u00f3crates para evitar a bancarrota do Estado. A coliga\u00e7\u00e3o PSD-CDS forma Governo com maioria relativa, mas \u00e9 derrubada no Parlamento com os votos do PS e da esquerda \"radical\", PCP e BE (assim classificados devido a propostas como a sa\u00edda de Portugal da \u00c1rea Euro e da Nato). Impossibilitado de convocar novas elei\u00e7\u00f5es legislativas, por se encontrar nos seis \u00faltimos meses do seu mandato, o PR, Cavaco Silva, empossou Ant\u00f3nio Costa como Primeiro-ministro, mas obrigou \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o de um acordo de incid\u00eancia parlamentar entre PS, PCP e BE - a famosa \"geringon\u00e7a\". Ant\u00f3nio Costa quebrou, pois, a tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica segunda a qual competia a quem ganhasse as elei\u00e7\u00f5es legislativas formar Governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Outubro de 2019: o PS de Ant\u00f3nio Costa obt\u00e9m, desta vez, a maioria relativa nas elei\u00e7\u00f5es legislativas e toma novamente posse como Primeiro-ministro. Agora apenas com o apoio ocasional ou absten\u00e7\u00e3o (sem acordo escrito, portanto) de BE, PAN e PCP.<\/p>\n\n\n\n<p>Outubro de 2021: o apoio dos partidos mais \u00e0 esquerda acaba por colapsar, depois do \"chumbo\" do Or\u00e7amento do Estado para 2022 com os votos contra do PSD, CDS, IL e Chega, mas tamb\u00e9m do PCP e BE, colocando assim fim \u00e0 solu\u00e7\u00e3o da \"geringon\u00e7a\". Ant\u00f3nio Costa n\u00e3o se demitiu de Primeiro-ministro, mas o PR, Marcelo, convocou elei\u00e7\u00f5es para clarificar a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Janeiro de 2022: ap\u00f3s uma campanha eleitoral colocando as culpas da queda do Governo no PCP e BE, o PS obteve maioria absoluta nas elei\u00e7\u00f5es legislativas e leva a um quase colapso de vota\u00e7\u00e3o nos anteriores parceiros de coliga\u00e7\u00e3o, que passaram a ser oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ganhos do oportunismo pol\u00edtico terminaram a partir daqui, porque aos anos de m\u00e1 governa\u00e7\u00e3o, agravando os problemas do Pa\u00eds, juntaram-se os cont\u00ednuos esc\u00e2ndalos que levaram \u00e0 demiss\u00e3o de sucessivos Ministros e Secret\u00e1rios de Estado, revelando a dificuldade de Ant\u00f3nio Costa para controlar o crescimento do aparelho partid\u00e1rio e das pr\u00f3prias pessoas que escolheu para a governa\u00e7\u00e3o. Essa mistura foi fatal e levou \u00e0 sua recente demiss\u00e3o como Primeiro-ministro, na sequ\u00eancia das investiga\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio P\u00fablico sobre suposta corrup\u00e7\u00e3o e tr\u00e1fico de influ\u00eancias, envolvendo pessoas pr\u00f3ximas e uma investiga\u00e7\u00e3o em paralelo ao pr\u00f3prio Primeiro-ministro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ironicamente, a solu\u00e7\u00e3o governativa teoricamente mais est\u00e1vel poss\u00edvel, a maioria absoluta, foi a mais inst\u00e1vel e a que menos tempo durou, pois praticamente o mesmo Governo, desgastado de v\u00e1rios anos de m\u00e1 governa\u00e7\u00e3o, acabou por ser v\u00edtima de si pr\u00f3prio, com in\u00fameros casos e esc\u00e2ndalos que levaram \u00e0 demiss\u00e3o de mais de uma dezena de governantes.<\/p>\n\n\n\n<p>O que sucedeu \u00e9 a prova de que a verdadeira garantia de estabilidade pol\u00edtica \u00e9 a boa qualidade das pol\u00edticas p\u00fablicas, em benef\u00edcio da popula\u00e7\u00e3o, exigindo uma economia pujante, capaz de sustentar um Estado Social forte. O seu contr\u00e1rio, a que assistimos nos oito anos de \"Costismo\", teria de terminar mal. Quem sofre \u00e9 o povo, que, espero, ter\u00e1 de \"abrir os olhos\" e escolher pol\u00edticos que realizem boas pol\u00edticas e n\u00e3o \"pol\u00edticos ilusionistas\".<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1.2. Orat\u00f3ria e \"ilusionismo pol\u00edtico\".<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A habilidade orat\u00f3ria de Ant\u00f3nio Costa \u00e9 ineg\u00e1vel, como evidenciado por suas interven\u00e7\u00f5es no Parlamento e nos media. Infelizmente para todos n\u00f3s, essa destreza ret\u00f3rica foi sempre acompanhada por uma not\u00e1vel aptid\u00e3o para o 'ilusionismo pol\u00edtico'. Apresentava, com maestria, dados que aparentavam indicar que estava tudo est\u00e1 bem, quando, na realidade, se tratava apenas de informa\u00e7\u00f5es parciais positivas. Enquanto uma m\u00e3o oferecia essa vis\u00e3o otimista, a outra ocultava os problemas reais, ilustrando bem a sua propens\u00e3o para \"ilusionista\" pol\u00edtico. O facto de algu\u00e9m que \"camufla\" as quest\u00f5es fundamentais ter ocupado o cargo de Primeiro-ministro por oito anos, sem cumprir diversas promessas em \u00e1reas cruciais, \u00e9 a mais clara evid\u00eancia desse 'ilusionismo'.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Legado econ\u00f3mico assumido - as \"contas certas\", uma estrat\u00e9gia de ilusionismo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O slogan das \"contas certas\" foi a grande estrat\u00e9gia encontrada para, simultaneamente, tentar apagar o \"pecado\" do Governo PS de S\u00f3crates quase ter levado o Estado \u00e0 bancarrota e, ao mesmo tempo, tentar \"destrunfar\" os tradicionais argumentos do PSD, que sempre teve de vir \"endireitar as contas\" ap\u00f3s Governos socialistas terem sido respons\u00e1veis pelos v\u00e1rios pedidos de ajuda externa com envolvimento do FMI (1977, 1983 e 2011), implicando sempre dolorosos programas de ajustamento econ\u00f3mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, esclare\u00e7o que \"contas certas\" s\u00e3o, por exemplo, 1+1=2, seja em matem\u00e1tica ou em finan\u00e7as p\u00fablicas. Outra coisa s\u00e3o contas p\u00fablicas \"boas\" e estas s\u00e3o compat\u00edveis com saldos or\u00e7amentais positivos ou negativos, dependendo da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica ser melhor ou pior, mas sempre salvaguardando, nomeadamente, o necess\u00e1rio investimento p\u00fablico para assegurar o bom funcionamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos e da economia, tanto no presente como no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>A dita estrat\u00e9gia das \"contas certas\" - mas m\u00e1s, porque insustent\u00e1veis, como mostrarei - de Ant\u00f3nio Costa decorreram do aproveitamento da boleia da retoma econ\u00f3mica de 2015-2019, beneficiando das reformas econ\u00f3micas implementadas pelo anterior Governo PSD-CDS, mesmo que algumas delas tenham sido revertidas total ou parcialmente pela \"geringon\u00e7a\", e o consequente aumento das receitas fiscais, enquanto as taxas de juro do BCE se mantiveram anormalmente baixas, reduzindo a despesa p\u00fablica com juros.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos mais recentes, mesmo com as crises da pandemia e da guerra na Ucr\u00e2nia, as contas p\u00fablicas beneficiaram da pol\u00edtica monet\u00e1ria ainda mais expansionista do BCE em 2020-2021, e depois da infla\u00e7\u00e3o elevada desde 2022, que empolou as receitas fiscais porque o Governo optou por n\u00e3o reduzir a carga fiscal. Note-se que a carga fiscal continuou a subir para m\u00e1ximos hist\u00f3ricos, numa altura em que as taxas de juro tiveram uma r\u00e1pida subida, trazendo grandes dificuldades \u00e0s fam\u00edlias neste \u00faltimo ano. A recupera\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida e forte do que o esperado do turismo, beneficiando do aumento extraordin\u00e1rio da procura tur\u00edstica ap\u00f3s a pandemia e da imagem de pa\u00eds bonito e longe do conflito na Ucr\u00e2nia, tamb\u00e9m ajudou ao aumento das receitas fiscais. A tudo isto acresce o fluxo de fundos comunit\u00e1rios desse 2015, a que se vieram juntar as verbas do PRR.<\/p>\n\n\n\n<p>Os poucos excedentes or\u00e7amentais obtidos - um insignificante em 2019 e outro significativo em 2023 - e a redu\u00e7\u00e3o do r\u00e1cio da d\u00edvida p\u00fablica recente resultaram, pois, de fatores externos aos Governos de Ant\u00f3nio Costa, mais a pol\u00edtica de cativa\u00e7\u00f5es de investimento, da sua responsabilidade, que \u00e9 outra imagem de marca da sua governa\u00e7\u00e3o. No total, cerca de 6 mil milh\u00f5es de euros de investimento p\u00fablico or\u00e7amentados n\u00e3o foram executados, levando ao quase colapso de v\u00e1rios servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">3. Real legado socioecon\u00f3mico de Ant\u00f3nio Costa em alguns n\u00fameros.<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>3.1. Empobrecimento do pa\u00eds, por falta de reformas econ\u00f3micas, implicando uma cada vez maior depend\u00eancia do turismo e de fundos europeus, que a partir de 2026 come\u00e7ar\u00e3o a escassear.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No indicador de n\u00edvel de vida relativo (PIB per capita em Paridade de Poderes de Compra em percentagem da Uni\u00e3o Europeia (UE) - dados mais recentes do Eurostat), Portugal desceu de 77,5% da UE em 2015, na 18\u00aa posi\u00e7\u00e3o em 27 pa\u00edses, para 75,0% em 2021, na 20\u00aa posi\u00e7\u00e3o, a oitava pior, que se manteve em 2022, apesar de uma recupera\u00e7\u00e3o para 77,2%, devido ao crescimento anormalmente elevado do PIB (a refletir o j\u00e1 referido aumento excecional do turismo), o que traduz uma estagna\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de vida e a perda de duas posi\u00e7\u00f5es desde 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, usando dados mais recentes da popula\u00e7\u00e3o do INE, o n\u00edvel de vida em 2022 ter\u00e1 sido bem menor, de apenas 76,6% da UE, valor bastante inferior ao de 2015. Pior ainda, as previs\u00f5es de novembro da Comiss\u00e3o Europeia apontam para que Portugal caia mais uma posi\u00e7\u00e3o at\u00e9 2025 (para 21\u00ba, ou s\u00e9timo pior), ficando ainda mais perto da cauda da Europa em n\u00edvel de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Resultados melhores em n\u00edvel de vida exigiriam uma eleva\u00e7\u00e3o do crescimento potencial da economia em resultado de uma pol\u00edtica de reformas estruturais, que estiveram ausentes porque o Primeiro-ministro era assumidamente avesso a reformas, sendo assim esse o seu principal legado na \u00e1rea econ\u00f3mica - a ina\u00e7\u00e3o. Bastou aproveitar as ondas favor\u00e1veis da conjuntura e esconder os dados negativos, no \u00e2mbito da referida capacidade de \"ilusionismo\".<\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de medidas para tornar a economia mais pujante \u00e9, por isso, outra das marcas da governa\u00e7\u00e3o, sendo disso ilustrativo que uma das primeiras decis\u00f5es de Ant\u00f3nio Costa enquanto Secret\u00e1rio-geral do PS, logo em novembro de 2014 (antes das elei\u00e7\u00f5es de 2015), tenha sido romper o acordo feito entre Seguro e a coliga\u00e7\u00e3o PSD-CDS para a baixa da taxa de IRC, que visava aumentar a competitividade fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma estrat\u00e9gia reformista adequada, como a levada a cabo pelos Governos de Cavaco Silva, altura em que Portugal mais cresceu e convergiu em n\u00edvel de vida na Europa, teria permitido contas p\u00fablicas melhores com menos carga fiscal e mais investimento p\u00fablico, impedindo a degrada\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos em \u00e1reas cruciais para as fam\u00edlias, como as que descrevo nos pr\u00f3ximos pontos (com apenas alguns dados) - no fundo, contas p\u00fablicas mais sustent\u00e1veis de um ponto de vista econ\u00f3mico, mas tamb\u00e9m social. O p\u00e9ssimo legado estende-se, ainda, a muitas outras \u00e1reas, como as infraestruturas (por exemplo, ferrovia, TAP, aeroporto), a administra\u00e7\u00e3o interna (como a extin\u00e7\u00e3o do SEF e a imigra\u00e7\u00e3o aparentemente descontrolada) ou a defesa nacional, s\u00f3 para referir alguns exemplos.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de reformas econ\u00f3micas, nomeadamente uma pol\u00edtica de atra\u00e7\u00e3o de investimento (nacional e estrangeiro) consistente e n\u00e3o dependente de apoios opacos e casu\u00edsticos, que ter\u00e3o contribu\u00eddo para as investiga\u00e7\u00f5es da PGR de tr\u00e1fico de influ\u00eancias e que estiveram na base da queda do Governo, traduziu-se numa economia menos diversificada do que deveria ser. Tal passou a tornar-nos mais dependentes das receitas do turismo, um setor com elevada volatilidade de procura, bem como dos fundos europeus, cuja capta\u00e7\u00e3o e maximiza\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma das imagens de marca dos Governos de Ant\u00f3nio Costa. Essa estrat\u00e9gia, que est\u00e1 a acabar, \u00e9 reveladora de uma governa\u00e7\u00e3o de \"m\u00e3o estendida\" e sem rasgo para desenvolver o Pa\u00eds de forma decisiva para que n\u00e3o precise de apoios.<\/p>\n\n\n\n<p>O recente \"fundo para investimento estruturante p\u00f3s-2026\" criado pelo \u00faltimo Ministro das Finan\u00e7as n\u00e3o \u00e9 mais do que o reconhecimento do fim do elevado afluxo de fundos comunit\u00e1rio a partir de 2026 e o pr\u00e9-anunciado fim do modelo socialista de utiliza\u00e7\u00e3o de benesses \"ca\u00eddas do c\u00e9u\" - em que os fundos europeus s\u00e3o o expoente m\u00e1ximo - para redistribuir pelos principais grupos de votantes e assegurar a pr\u00f3xima reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.2. Sa\u00fade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Deixo algumas constata\u00e7\u00f5es sobre o colapso do SNS que est\u00e1 a afetar as fam\u00edlias: 1,7 milh\u00f5es de pessoas sem m\u00e9dico de fam\u00edlia, fecho de servi\u00e7os de urg\u00eancia por todo o pa\u00eds, falta de equipamentos e consum\u00edveis nos hospitais, fuga de m\u00e9dicos do SNS para o setor privado e para o estrangeiro, e aumento exponencial de seguros privados de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.3. Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Recorde-se a queda sem precedentes de Portugal nos recentes resultados do inqu\u00e9rito PISA da OCDE, os mais reconhecidos internacionalmente, a que se junta a perda de aulas dos alunos do ensino secund\u00e1rio nos \u00faltimos dois anos, na sequ\u00eancia da greve dos professores por melhores condi\u00e7\u00f5es salariais e de trabalho, que o Governo n\u00e3o solucionou. Sintomaticamente, aumentou expressivamente o n\u00famero de alunos a frequentar o ensino privado. Acresce que a regra passou a ser a emigra\u00e7\u00e3o maci\u00e7a dos nossos estudantes qualificados, logo \u00e0 sa\u00edda do Ensino Superior, um capital humano formado pelo Pa\u00eds e desaproveitado, beneficiando outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.4. Habita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Recordo as enormes dificuldades das fam\u00edlias, em particular dos jovens, para conseguir pagar uma renda (incluindo os Estudantes) ou cr\u00e9dito banc\u00e1rio para ter habita\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, mesmo os que disp\u00f5e de um rendimento m\u00e9dio. Nenhum das promessas de habita\u00e7\u00e3o social de Ant\u00f3nio Costa foi cumprida e o pacote de habita\u00e7\u00e3o da \u00faltima Ministra da Habita\u00e7\u00e3o s\u00f3 veio agravar os problemas, ao criar desconfian\u00e7a no mercado de arrendamento, de alojamento local e de habita\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">4. O \u00faltimo reduto, a \"vitimiza\u00e7\u00e3o\", tamb\u00e9m na sa\u00edda. V\u00edtima da PGR e do PR?<\/h2>\n\n\n\n<p>Outra estrat\u00e9gia que atravessou a governa\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio Costa, vis\u00edvel nos momentos mais cr\u00edticos, foi a \"vitimiza\u00e7\u00e3o\", que poder\u00e1 ser tamb\u00e9m considerado outro legado da sua \"escola pol\u00edtica\". Destaca-se o final da \"geringon\u00e7a\", em que Costa fez campanha eleitoral como v\u00edtima dos parceiros de esquerda para conseguir a maioria absoluta de janeiro de 2022, ou mesmo durante a pandemia, como v\u00edtima da \"incompreens\u00e3o\" face \u00e0s medidas tomadas, v\u00e1rias delas sem suporte cient\u00edfico ou mesmo jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 mais recentemente, para se defender dos sucessivos casos e da manuten\u00e7\u00e3o de Ministros \"defuntos politicamente\", Ant\u00f3nio Costa foi gerando acrim\u00f3nias com o PR para, finalmente, se mostrar uma \"v\u00edtima\" aparente da mais alta figura do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9, por isso, de estranhar que, j\u00e1 como Primeiro-ministro cessante, no primeiro dia a liderar um governo de gest\u00e3o, tenha aparentemente tentado a sua arma de \"\u00faltimo recurso\", a \"vitimiza\u00e7\u00e3o\", para \"atacar\" tamb\u00e9m os \u00f3rg\u00e3os de Justi\u00e7a. N\u00e3o deixa de ser ir\u00f3nico que tenha rejeitado a proposta de um acordo para a reforma da Justi\u00e7a do anterior l\u00edder do PSD, Rui Rio, evitando agora, por isso, usar o argumento de que o sistema funciona supostamente mal.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, parece emergir uma campanha orquestrada de \"vitimiza\u00e7\u00e3o\" face \u00e0 conduta da PGR e do PR. Na entrevista de Costa \u00e0 TVI \/ CNN despontaram duas palavras novas - \"suspei\u00e7\u00e3o\" e \"enxerto\" - nessa campanha n\u00e3o declarada, subliminar, que visa apresentar o Primeiro-ministro demission\u00e1rio como uma \"v\u00edtima\" inocente da PGR e do PR, que merece a nossa compaix\u00e3o e solidariedade. Tal contraria a informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica dispon\u00edvel, segundo a qual o Primeiro-ministro se demitiu porque supostamente ter\u00e1 sido apanhado numa conversa onde fez afirma\u00e7\u00f5es que foram consideradas como tendo relev\u00e2ncia criminal, havendo ind\u00edcios da pr\u00e1tica de crime no exerc\u00edcio das fun\u00e7\u00f5es. Acresce que o ex-chefe de gabinete j\u00e1 ter\u00e1 reconhecido ao juiz de instru\u00e7\u00e3o criminal \"a coisa grave\" de que os 75 mil euros que mantinha escondidos no seu gabinete em S\u00e3o Bento, e que foram apreendidos nas buscas da Opera\u00e7\u00e3o Influencer, n\u00e3o tinham sido declarados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, o \"Costismo\" das ilus\u00f5es penalizou o bem-estar social e promoveu a polariza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e social em Portugal, agravando as disparidades sociais, territoriais e geracionais. Como se isso n\u00e3o fosse suficiente, levou muitos portugueses, sobretudo jovens, a desistir de viver no nosso Pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Dinheiro Vivo No primeiro dia como Primeiro-ministro demission\u00e1rio, Ant\u00f3nio Costa fez um balan\u00e7o da sua governa\u00e7\u00e3o de oito anos &#8211; quer no Parlamento quer em entrevista \u00e0 TVI \/ CNN. 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