{"id":47738,"date":"2023-09-28T10:00:00","date_gmt":"2023-09-28T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47738"},"modified":"2023-09-30T20:11:44","modified_gmt":"2023-09-30T20:11:44","slug":"a-anormalidade-da-fraude-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-4-2-2-2-2-2-2-180","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47738","title":{"rendered":"\u00c9 barato?\u00a0 N\u00e3o bebas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Paulo Vasconcelos,<\/span><\/span><span style=\"color: #005500;\"><span style=\"color: #ff0000;\"> OBEGEF<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo\/?fbid=629159989410435&amp;set=pb.100069493190653.-2207520000\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:20px;height:20px\" width=\"20\" height=\"20\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><b><\/b><b><\/b><b><\/b><b><\/b><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Facebook74.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2032\" style=\"width:16px;height:16px\" width=\"16\" height=\"16\" title=\"Ficheiro PDF\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A fraude e a contrafa\u00e7\u00e3o s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es crescentes para a ind\u00fastria vitivin\u00edcola em Portugal, e no mundo. Estas pr\u00e1ticas s\u00e3o graves e induzem perdas significativas por evas\u00e3o fiscal, por desconfian\u00e7a na credibilidade das empresas e por defrauda\u00e7\u00e3o de quem compra.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>O setor do vinho em Portugal foi respons\u00e1vel por uma produ\u00e7\u00e3o de 6.8 milh\u00f5es de hectolitros, em 2022, dos quais 47% foi exportado em volume, num montante de 941 mil milh\u00f5es de euros; tal desempenho representa 1.2% das exporta\u00e7\u00f5es portuguesas (10.4% das exporta\u00e7\u00f5es de alimentos). Somos o nono maior exportador mundial em valor, o d\u00e9cimo produtor mundial, com uma cota de 2.7% do com\u00e9rcio mundial. J\u00e1 este ano de 2023 espera-se possamos alcan\u00e7ar a marca simb\u00f3lica de mil milh\u00f5es de euros em exporta\u00e7\u00f5es (informa\u00e7\u00f5es obtidas de ViniPortugal). \u00c9, pois, um setor importante da atividade do pa\u00eds, sendo que tem havido um esfor\u00e7o concertado entre produtores, associa\u00e7\u00f5es profissionais e institutos p\u00fablicos para promoverem as vendas e contribu\u00edrem para a melhoria da qualidade; estas entidades t\u00eam tentado tamb\u00e9m promover o aumento do pre\u00e7o m\u00e9dio e a sustentabilidade do setor. As exporta\u00e7\u00f5es s\u00e3o essencialmente para mercados abastados como a Fran\u00e7a, Reino Unido, Su\u00ed\u00e7a, Estados Unidos, Canad\u00e1, Brasil, Angola e China.<\/p>\n\n\n\n<p>A fraude ocorre quer em vinhos de alto valor, claro que a fraude \u00e9 mais apelativa quanto maior for o valor da garrafa, quer em vinhos de menor valor.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro caso, \u00e9 extremamente compensador para o defraudador substituir o produto original por outro de custo e com qualidade muito inferior. Vinhos premium de muito elevada qualidade, em geral s\u00f3 acess\u00edveis em locais de venda espec\u00edficos como em garrafeiras ou em leil\u00f5es dedicados, s\u00e3o um nicho, mas muitas garrafas podem ascender a valores astron\u00f3micos.<\/p>\n\n\n\n<p>A venda de vinho tem vindo a crescer como investimento e valor de ref\u00fagio, tornando cada vez mais relevante a garantia da autenticidade dos chamados vinhos raros. Sendo dif\u00edcil identificar falsifica\u00e7\u00f5es que s\u00e3o extremamente bem feitas, tal como na clonagem de obras de arte, h\u00e1 j\u00e1 empresas de investimento v\u00ednico que assumem a responsabilidade de proteger o portf\u00f3lio dos seus investidores. Segundo uma destas empresas, o grupo Oeno, mais de 4 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares s\u00e3o gastos em vinhos falsificados em todo o mundo. Por exemplo, num leil\u00e3o que ocorreu em Hong Kong, uma garrafa de Domaine de la Roman\u00e9e-Conti 2002 foi vendida por um valor superior a 350 mil euros; no entanto, a venda foi revogada por suspeitas quanto \u00e0 sua autenticidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Um caso not\u00e1vel de falsifica\u00e7\u00e3o de vinho envolveu Rudy Kurniawan que em 2013 foi condenado a 10 anos de pris\u00e3o por vender milh\u00f5es de d\u00f3lares em vinhos falsificados como colecion\u00e1veis e raros. Tamb\u00e9m em Portugal, com as marcas mais premium, j\u00e1 surgiram problemas. Em 2017 foram apreendidas mais de 1000 garrafas de c\u00f3pias dos representantes mais caros da regi\u00e3o demarcada do Douro e do Alentejo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os vinhos de menor valor podem ver a fraude cometida por aquisi\u00e7\u00e3o de uvas ou mosto ou mesmo vinho j\u00e1 feito de fora da regi\u00e3o com a qual \u00e9 comercializado a pre\u00e7os significativamente mais baixos. N\u00e3o \u00e9 rara a importa\u00e7\u00e3o de pa\u00edses como a Espanha, um dos grandes produtores mundiais de vinho. Recentemente foram detetados em Fran\u00e7a dez milh\u00f5es de garrafas que indicavam vinho franc\u00eas e na verdade continham vinho produzido em Espanha. A Fran\u00e7a, um dos maiores produtores de vinho mundiais, importa dezenas de milh\u00f5es de litros de vinho a granel, em geral de baixo pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esta importa\u00e7\u00e3o ou translada\u00e7\u00e3o de vinho pode at\u00e9 estar protegida por lei. Por exemplo em Portugal, e em outros pa\u00edses, \u00e9 poss\u00edvel a um vinho dito regional incorporar at\u00e9 15% de vinho de outra regi\u00e3o. Tamb\u00e9m h\u00e1 muitos vinhos que se comercializam sem regi\u00e3o e se designam por vinho de mesa ou apenas vinho, n\u00e3o havendo indica\u00e7\u00e3o do local da sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O vinho n\u00e3o pode ser vendido barato sen\u00e3o n\u00e3o \u00e9 rent\u00e1vel, pelo menos em parte da cadeia produtiva. Ficam muitas d\u00favidas com os pre\u00e7os muito baixos que se praticam em muitas superf\u00edcies comerciais. Ou a produ\u00e7\u00e3o consegue reduzir o custo de produ\u00e7\u00e3o a valores inimaginavelmente baixos e provavelmente em preju\u00edzo, e \u00e9 verdade que muitos produtores est\u00e3o a desaparecer ou a ser incorporado em organiza\u00e7\u00f5es de maior dimens\u00e3o, ou alguma estrat\u00e9gia menos clara dever\u00e1 estar a ser usada. Esta \u00e9 a realidade mais presente no vinho. Ora se vinho de qualidade \u00e9 vendido a granel na casa dos 0.80 a 1.20 euros, dependendo de regi\u00e3o e qualidade, como \u00e9 poss\u00edvel ser transportado, engarrafado, rotulado, rolhado, armazenado e transportado de novo, para ser comercializado abaixo dos 2 euros? \u00c9 poss\u00edvel adquirir vinho em zonas com muita produ\u00e7\u00e3o e com custos produtivos baixos por 0.40 euros e, em quantidade, conseguir colocar no mercado garrafas a pre\u00e7os muito competitivos, mas poder\u00e1 n\u00e3o ser vinho da regi\u00e3o (e pa\u00eds) onde o produto est\u00e1 rotulado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, um consumidor deveria negar-se a comprar um produto alimentar a pre\u00e7os ridiculamente baixos: ou est\u00e1 a comprar algo sem qualidade e de proveni\u00eancia diferente da anunciada ou esse vinho \u00e9 o resultado de uma cadeia de forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os que esmaga e leva \u00e0 ru\u00edna quem cultiva a vinha, trabalha a fruta e a fermenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Vasconcelos, OBEGEF A fraude e a contrafa\u00e7\u00e3o s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es crescentes para a ind\u00fastria vitivin\u00edcola em Portugal, e no mundo. 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