{"id":47692,"date":"2023-08-31T19:16:00","date_gmt":"2023-08-31T19:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47692"},"modified":"2023-09-03T19:39:19","modified_gmt":"2023-09-03T19:39:19","slug":"ai-que-eu-caio-segurem-me-que-eu-caio-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-53-3-2-2-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2-2-2-2-3-2-3-2-2-2-3-4-2-2-3-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-2-3-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=47692","title":{"rendered":"Portugal e a Fortune 500"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jorge Fonseca de Almeida, Dinheiro Vivo<\/strong><\/span><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"https:\/\/www.dinheirovivo.pt\/opiniao\/portugal-e-a-fortune-500-16945453.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19\" style=\"width:16px;height:16px\" width=\"16\" height=\"16\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>A revista americana Fortune de Agosto\/Setembro de 2023 publicou a habitual lista das 500 maiores empresas do mundo em volume de receitas. Os Estados Unidos t\u00eam 136 (27%) destas 500 empresas sendo o pa\u00eds mais representado. Em contraponto o pa\u00eds mais poderoso da Uni\u00e3o Europeia, a Alemanha, consegue incluir na lista apenas 30 empresas (6%). A Fran\u00e7a por seu lado tem 24 (4,8%) empresas neste grupo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Portugal n\u00e3o tem nenhuma empresa desta dimens\u00e3o. N\u00e3o participa neste campeonato. Os nossos excelentes empres\u00e1rios e gestores n\u00e3o tem nem, como diria Cam\u00f5es \"o engenho e a arte\" de desenvolver empresas verdadeiramente competitivas no mercado mundial. Est\u00e3o mais centrados em obter subs\u00eddios de fundos p\u00fablicos e em fazer lobby para diminuir os impostos, e consequentemente, reduzir os servi\u00e7os p\u00fablicos (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, defesa) dos outros portugueses.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal \u00e9 um pa\u00eds pequeno argumentam. Infelizmente este estafado argumento j\u00e1 n\u00e3o cola, quando vemos pa\u00edses muito mais pequenos ou de popula\u00e7\u00e3o semelhante surgir na lista. Pa\u00edses mais pequenos como a Su\u00ed\u00e7a (11 empresas nas 500 maiores do mundo), a Irlanda (3), a Dinamarca (3), Singapura (3), a Su\u00e9cia (1), e at\u00e9 o min\u00fasculo Luxemburgo (1). E tamb\u00e9m pa\u00edses de dimens\u00e3o semelhante como a Austria (1), a B\u00e9lgica (1). A pequenez n\u00e3o explica nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro argumento diz-nos que se trata de pa\u00edses ricos e n\u00f3s somos um pa\u00eds pobre. Isso \u00e9 verdade. Mas como a riqueza n\u00e3o cai do c\u00e9u, podemos concluir que \u00e9 ao contr\u00e1rio: s\u00e3o ricos porque tem empresas grandes e competitivas e n\u00e3o o inverso.<\/p>\n\n\n\n<p>O que explica ent\u00e3o o falhan\u00e7o de gestores e empres\u00e1rios portugueses?<\/p>\n\n\n\n<p>Duas raz\u00f5es essenciais: a captura do Estado pelos empres\u00e1rios e incentivos errados.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><\/h6>\n\n\n\n<p>A captura do Estado pelos empres\u00e1rios, pondo-o ao seu servi\u00e7o \u00e9 a raz\u00e3o principal da pobreza nacional e da impossibilidade de internacionalizar as empresas portuguesas para al\u00e9m de uma pequena escala. Na verdade os empres\u00e1rios portugueses vivem de subs\u00eddios e apoios p\u00fablicos, de impostos nulos ou baixos e de um sistema de baixos sal\u00e1rios imposto pela legisla\u00e7\u00e3o laboral que dificulta a contrata\u00e7\u00e3o coletiva e a liberdade sindical. Sem este apoio pol\u00edtico estatal os empres\u00e1rios teriam de fazer pela vida em termos de competitividade econ\u00f3mica. Assim vivem sem fazer praticamente nada a n\u00e3o ser produzir uma catadupa incessante de auto elogios.<\/p>\n\n\n\n<p>Os incentivos errados levam a que na sociedade seja mais f\u00e1cil mobilizar o poder pol\u00edtico a seu favor do que produzir trabalho s\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal teve uma empresa que hoje poderia, se o seu crescimento e expans\u00e3o n\u00e3o tivessem sido abruptamente travados, estar hoje nas 500 maiores do mundo: o Banco Comercial Portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>O BCP dirigido por um gestor excecional conseguiu reunir uma equipa competente e motivada e, em duas d\u00e9cadas, passou de uma start up incipiente a empresa multinacional consistente presente em v\u00e1rios continentes e geografias. Parecia uma quest\u00e3o de tempo at\u00e9 chegar \u00e0 lista da Fortune.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a\u00ed as press\u00f5es pol\u00edticas foram mais fortes do que a cultura fundacional: incompetentes de fam\u00edlias importantes ou de filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria foram substituindo os profissionais competentes, o impulsopara fora foi travado, foram convidados a entrar novos acionistas afetos ao poder pol\u00edtico e a empresas da esfera p\u00fablica ou semi p\u00fablica. O Eng., fundador e alma da institui\u00e7\u00e3o, foi sacrificado e afastado sem respeito pela sua obra. Finalmente o projeto inicial foi substitu\u00eddo por outro visando acabar com a internacionaliza\u00e7\u00e3o e diminuir o tamanho da empresa em Portugal. Acabou a possibilidade de crescer e chegar \u00e0s 500 maiores. O BCP foi posto no seu lugar. Hoje \u00e9 uma empresa de capital chin\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Espanha por essa altura v\u00e1rios bancos estavam na mesma rota de crescimento. Hoje o Santander e o BBVA est\u00e3o entre as 500 maiores do Mundo. Eis a diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Para finalizar apenas destacar que a China surge nesta lista com 135 empresas. Apenas menos uma do que os Estados Unidos. N\u00e3o surpreenderia que em poucos anos lidere a lista. O que surpreenderia muito seria se Portugal entrasse na lista. Mas isso por ora est\u00e1 fora de causa. Infelizmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Fonseca de Almeida, Dinheiro Vivo A revista americana Fortune de Agosto\/Setembro de 2023 publicou a habitual lista das 500 maiores empresas do mundo em volume de receitas. Os Estados Unidos t\u00eam 136 (27%) destas 500 empresas sendo o pa\u00eds mais representado. 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